domingo, 21 de janeiro de 2024

BARRÔ: ENSAIO PARA UMA SAÍDA AIROSA

 




O relógio na torre sineira da Capela de Barrô está prestes a martelar as doze badaladas e anunciar o meio-dia de um dia soalheiro que promete aquecer qualquer osso, até de imagem de santo.

A porta da capela está encerrada. Paro e sento-me no patim da entrada. Ponho-me a pensar que hoje, Dia de São Sebastião – o meu amigo Sebastião, como o trato em longas conversas mudas -, a pequena catedral deveria estar de portas escancaradas. Não é por nada mas é muito natural que o Sebastião se sinta como preso no presídio. Sim porque, durante um ano, só vê a luz do dia quando há missa – e na procissão da Festa de Ano, se houver. Hoje vai haver.

Como já escrevi anteriormente, o meu amigo, por estes dias, tem andado com a psico às voltas. Por outras palavras, muito deprimido, coitadinho. Sobretudo quando anunciaram só missa e sem procissão para o dia do seu aniversário – que foi ontem, mas isso não interessa nada. É preciso é que se lembrem, sem esquecer, a pobre alma.

Mas ontem, quando se soube que iria haver mesmo procissão, o meu fiel já parecia outro.

Dizia eu então que, parando e sentando-me no patim do pequeno adro, comecei a ouvir uns ruídos esquisitos, uns murmúrios do lado de dentro da pequena ermida. Não eram barulhos inquietantes, nada disso. Era mais para o adocicado. Eram mais ou menos assim: “estes ficam-me bem. Gosto mais da cor daquele”…

Ó pá, vão-me desculpar, bem sei que é feio, muito feio espreitar pelo buraco da fechadura, mas não resisti ao chamamento da curiosidade.

Rodeados por vários andores todos engalanados por flores naturais – um mimo, sim senhor!- junto ao altar-mor, estavam várias imagens a ensaiar roupa. Mas atenção, não era uma roupita qualquer da marca “el cigano”. Nada disso, tudo marcas de grande qualidade, “Lacoste”, por exemplo, mas original, que de modas percebo eu. Fiquei levemente indignado. Estas imagens santíficas levam à letra o comportamento papal. Não é admirar se os sapatos forem da marca “pravda”.

Mas isso vá que não vá. O que me fez saltar a tampa – ou seja, não saltou por respeito ao meu amigo do peito – foi ver a imagem de Nossa Senhora de Fátima em trajes menores, também a vestir e despir roupa. Francamente! É preciso ter lata, digo eu, uma Senhora daquela idade, e naqueles preparos! Pouca vergonhice, é o que é!

Acabei por perceber a razão da porta da capela estar encerrada – para não mostrar poucas-vergonhas.


sábado, 20 de janeiro de 2024

BARRÔ: AFINAL, AMANHÃ, SEMPRE HÁ FESTA RELIGIOSA




Antes de escrever o que me levou a pegar na folha branca, gostaria de tranquilizar as centenas de amigos que desde ontem, logo que coloquei a crónica no ar, inquietadíssimos com a saúde de São Sebastião, não pararam de me telefonar para saber o estado físico e anímico da santidade. Só para exemplificar, não consegui pregar olho. Estou como umas olheiras mais sombrias que um silvado no ribeiro.

Logo de manhã, pouco mais do que o romper da aurora, fui ao Largo da Capela. Pé-ante-pé, para não acordar o Sebastião – pela nossa longa amizade, é assim mesmo que o trato -, cheguei perto da porta encerrada do pequeno templo e encostei o meu ouvido direito à madeira. Para meu alarme, comecei a ouvir a voz do padroeiro: “ai… ai… ai. Deixem-me, não me atormentem mais. Ai...ai!”

Comecei a ser invadido por suores frios. Querem ver que o Sebastião luta com espíritos malignos, ou, quem sabe, está a pôr termo à sua vida de “não fazer nada”, e ser reconhecido por isso? Relembro que ontem escrevi aqui que o meu amigo estava mais em baixo que as pedras da calçada. Completamente desmoralizado, repetia que as pessoas à sua volta eram egoístas, só lhe pediam, pediam, favores, sem se preocuparem minimamente com o seu estado de alma. Sim, porque imagem de santo, para além de sofrer como nós, também terá alma. Pode é ser de outra cor, como quem diz, talvez branca.

Está de ver como fiquei. A agonia começou a tomar conta de mim.

Voltei a ouvir a sua voz ofegante e trémula: “ai… ai… ai. Por amor de Deus, não me toquem mais. Não aguento mais… ai...ai...”

Mau, mau. Não estava nada a gostar do que ouvia. Mas uma coisa parecia certa, aquilo não eram gemidos aflição.

Foi então que espreitei pelo buraco da fechadura e fiquei a perceber quase tudo. Duas senhoras zeladoras da capela ocupavam-se em limpar o corpo do Sebastião. No chão de mosaico, dois baldes com esfregona dentro indicavam que iria haver mesmo festa grossa na capelinha e redondezas.

Olhando à volta, um bocado envergonhado pela minha cusquice, não fosse apanhado em falso, fiquei mais tranquilo. O meu amigo já não chorava, dava gritos de contentamento: “ai… ai… Tenho cócegas!”

Tinha de, imediatamente, tentar saber o que se passava. Sim, porque alguma coisa aconteceu para o meu amigo Sebastião, de ontem para hoje, ter mudado da chuva copiosa para um Sol radiante.


AFINAL, AMANHÃ, VAI HAVER PROCISSÃO


Consumido pela curiosidade, fui a casa, enfiei o meu colete de “freelancer” (trabalhador independente), peguei no meu gravador e na minha velha máquina fotográfica, e voltei à rua.

Tive sorte, muita sorte. Primeiro, por dar de caras com uma fonte idónea e credível. Segundo, por, embora na condição de anónimo, estar na disposição de falar. Ainda não contei, mas aqui, na aldeia, é muito difícil encontrar alguém que fale seja sobre o que for. Talvez seja medo de se exporem, sei lá! A verdade é que o meu futuro como "jornalista" tem os dias contados – e não é pela crise da imprensa em papel. O meu papel na informação é que está em crise.

Bom, contava eu que encontrei a tão desejada informação. Afinal, amanhã, Domingo, Dia da Festa do meu amigo Sebastião, para além da sagrada missinha, às 15h00, logo de seguida vai realizar-se a popular procissão. E mais: a abrilhantar os dois eventos, com música de anjos, teremos uma orquestra vinda de Vila Nova de Monsarros.

Segundo a minha fonte, foi tudo resolvido ontem, em cima da hora, em cima do joelho, como sói dizer-se.

Até antes de ontem não havia pilim para fazer cantar um cego. “Os residentes são pouco generosos para se poder fazer festas”, enfatizou o meu informador anónimo.

Tivemos sorte, por que ontem encontrámos um emigrante, o… não sei se conheces… que nos deu uma maquiazinha jeitosa. Depois mais uma nota de aqui e outra acolá. Contámos a massa e vimos que já dava para fazer arruada durante a manhã e procissão, no Domingo. E até fomos comprar uma dúzia de foguetes!

Fiquei então a compreender a completa mudança do meu amigo Sebastião.

Ainda bem. Sem ressentimentos. Estamos todos de parabéns.


CRÓNICAS RELACCIONADAS


"Barrô: Barulhos ao virar da esquina numa Sexta-feira"

"Barrô: Um comentário recebido sobre a alegoria de São Sebastião"

 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

BARRÔ: BARULHOS AO VIRAR DA ESQUINA NUMA SEXTA-FEIRA

 



Como há muito não se via, nesta Sexta-feira, desde o raiar da aurora, Barrô esteve todo em estranho alvoroço, como há muito já se não via.

Logo de manhã, vieram vários funcionários da Junta de Freguesia com uma camioneta de caixa-aberta e em cima uma máquina de rasto. Com os seus coletes reflectores, como um pequeno pelotão em busca de um renegado invasor, o grupo dividiu-se pelas artérias da aldeia. Uns levavam máquinas de cortar erva a tiracolo, outros vassouras, enxadas e pás. Com voz de comando anteriormente comunicada, ali o inimigo a abater eram as ervas rastejantes e algumas elevadas e presas nos muros de pedra das bermas dos caminhos.

Durante a tarde, veio um camião-cisterna dos Bombeiros da Mealhada com homens, e, estes, mandando deslocar os pachorrentos automóveis do seu letárgico e pacífico estacionamento de fim-de-semana, com uma longa agulheta de alta-pressão para pôr o alcatrão a brilhar, impondo as ordens com voz grossa e rasgada de comando, puseram o pessoal barrosense em sentido.

Perante tanto ensurdecedor barulho, as cabras, em berros lancinantes, protestaram com veemência, as ovelhas, olhando com desdém o que se passava à volta mugiam a bom mugir, as galinhas, alvoraçadas, fazendo desta sexta-feira um dia negro, não puseram ovos como habitualmente.

Quem viesse de fora e visse a inusitada faxina, mais que certo, pensaria que viria um ministro em visita à povoação, mesmo de governo em gestão, e promessas de partidos candidatos em banho-maria.

Mas o motivo de tanto empenho não era nada disso.

Um insólito e profundo matraquear vindo da capela, mesmo lá de dentro, como se viesse das profundezas da terra, fazia parar os poucos transeuntes que trocavam as voltas a mais um dia de calendário gregoriano. Um ou outro, surpreendido pelo ribombar de trovoada, mais fiel e seguidor dos destinos da vontade divina, pensando ser um milagre de santo, durante largos minutos, ajoelhava no frio negro da calçada e cruzava o braço em sinal da cruz. Outros, mais desligados do santificado, assim, como hei-de dizer, católicos a tempo parcial, que só recorrem ao auxílio de São Sebastião quando estão em extrema aflição, passavam ao largo, pouco se importando se o Padroeiro contra a fome, peste e contra a guerra, e protector da povoação, por acaso estaria em padecimento. Sim, porque Santo, como humano que já foi, também sente e sofre na pele o desprezo a que é votado.

Santo, como é mais que óbvio, alimenta-se essencial e especificamente do espiritual. Mas se aqui, neste lugar habitado, poucas pessoas rezam com verdadeiro fervor no silêncio epicural, como pode aguentar-se o apóstolo do Criador? Imagine-se que a imagem para sobreviver e manter-se na capela firme e hirto, comia como todos nós. Quem se dignava dar-lhe uma côdea?

Ninguém se admire se, a curto prazo e já que estamos a entrar em campanha eleitoral, houver manifestações públicas da Esquerda à Direita, acusando-se uns e outros de discriminação, abuso e exploração para com as imagens veneradas em todas as igrejas e capelinhas.

Em boa verdade, esta defesa dos direitos sociais e económicos de todos os trabalhadores para a fé até deveria ser feita pela classe episcopal, desde padres a bispos, passando pelos cardeais, deveriam deixar cair a sotaina que esconde os abusos.

Até podem rir-se e chamarem-me bacoco, pouco me importa. Mas uma coisa é certa, São Sebastião nasceu em França. Ainda jovem mudou-se para Milão, Itália. Tornou-se soldado e preferido pelo imperador Diocleciano, que o nomeou comandante da Guarda Pretoriana. Não vou adiantar muito mais, até por que o resto da sua história de vida é por demais conhecida, mas sabe-se que veio para Portugal por ter sido maltratado no país transalpino. Em suma, é mais um refugiado, um imigrante (com “i”, como agora se diz) entre nós em busca de uma dignidade perdida.


FUI FALAR COM O SANTO


Ainda não disse isto aqui: sou unha com carne com o meu amigo São Sebastião – Sebastião, simplesmente como eu o trato, e ele a mim chama-me “Toino”.

A nossa amizade – que não tem nada a ver com esta do Facebook – começou há cerca de quatro anos, quando vim viver definitivamente para cá.

O que mais o prendeu a mim foi a minha sinceridade. Logo nas primeiras conversas coloquei logo os pontos nos “is”. Ele não me tentava convencer que fazia milagres – até porque eu não ia acreditar – e eu também não o induzia para ele crer nas minhas verborreias. Até por que nem era preciso dizer.

Como moro a a escassos metros da capela – e também por que a zoada me incomodava -, dei por mim a sobrepor o patim e a bater com estrépito na porta de madeira da velha e popular ermida. Mal entrei, fui logo envolvido pelo o intenso perfume a depressão. Nem sei bem explicar, era assim uma mistura entre folhas de eucalipto, mirra e urtigas refogadas.

Encontrei o Sebastião de rastos, coitadinho. Palavra de honra, jamais o vira assim, com tamanho ar de enjoo. Tinha descido do plinto (a base onde assenta os pés) e, sentado na posição de Rodin (o Pensador), com a cabeça sobre as pernas, parecia uma galinha choca. Mas o que mais me impressionou foi ter entre as mãos a corda que anteriormente o amarrava ao troco de árvore. Temi mesmo o pior.

Dando-lhe um apertado abraço, e misturado com lamurias de grande amigo, grande amigo, conta-me o que te provoca esse negrume solitário nesse bondoso coração.

E a imagem de santo blasfemou, blasfemou, chorou, chorou, falou, falou, e nunca mais se calou:

“Em Setembro passado, alegadamente, foram retirados pela Junta de Freguesia de Luso para serem restaurados os dois bancos que havia aqui junto à entrada, onde os velhinhos, como tu, se sentavam ao cair da tarde, quando o Sol se escondia no horizonte. E até hoje não foram devolvidos. Saberás lá tu, “Toino”, a tristeza que me atormenta? Bem sei que sou um lamechas, “Toino”, mas que queres?

E agora fazem-me mais esta… Isto é mesmo para me derrubar. Não aguento tanta falta de consideração. Já não há mesmo respeito pelos velhinhos. Porra!

Então a festa em minha honra, que seria comemorada no próximo Domingo, 21 de Janeiro, só merece uma missa? Uma missa? É só mesmo isto que eu mereço?

Nem ao menos uma procissãozinha? Estou farto...”


TEXTO RELACCIONADO

"Barrô: Um comentário recebido sobre..."


terça-feira, 16 de janeiro de 2024

VEM AÍ UMA REVOLUÇÃO NO LICENCIAMENTO DE OBRAS

 




Entra em vigor no próximo 4 de Março o novo “Simplex” que promete revolucionar as obras feitas em casa.

Desde o desnecessário licenciamento para aumentar o número de pisos sem alterações de fachada, pelo desaparecimento da malfadada Licença de Utilização, até ao fim de em projectos de habitação de raiz deixar de ser obrigatório a implantação de bidés em casas de banho. A partir dessa data, a decisão de ter ou não o popular “lava-cus”, naturalmente, passa a ser opcional.


(Veja aqui a publicação em Diário da República)



segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

REUNIÃO DA CMMEALHADA: “MELHORIAS CONTÍNUAS”

 

(imagem de arquivo)



Hoje realizou-se a Reunião da Câmara Municipal de Mealhada. A determinada altura aquando da discussão de “Melhorias Contínuas” nos serviços municipais, invocada por António Franco, Presidente da autarquia, o vereador José Carlos Calhoa, em representação do Partido Socialista, afirmou que tinha lido, na diagonal, uma lei que iria tornar a Licença de Utilização desnecessária para qualquer edificação urbana.

O que o vereador da oposição referia é a Lei n.º50/2023 de 28 de Agosto.

No caso, trata-se uma Lei de Autorização do Parlamento que autoriza o Governo a proceder à reforma e simplificação dos licenciamentos no âmbito do urbanismo e ordenamento do território.

A presente autorização legislativa tem a duração de 180 dias e visa rever, entre outros, o Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU), a Lei de bases gerais da política pública de solos, de ordenamento do território e de urbanismo, por forma, nomeadamente, a:


(Continuar a ler clicando em cima desta frase)


O QUE É ISSO DE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA?


Uma autorização legislativa é uma espécie de cheque passado ao Governo, com data de emissão e caducidade, para poder mexer numa determinada matéria que é da estrita responsabilidade da Assembleia da República.

O Governo, em Conselho de Ministros, por sua iniciativa, pode legislar (Decretos-Lei) em assuntos do quotidiano, que não fira Direitos, Liberdades e Garantias, visando a simplificação da vida do cidadão.

No caso desta Lei de Autorização, como é de 180 dias – que caduca em 28 de Fevereiro – é de supor que, pelo facto do Governo se encontrar em Gestão até Março, não vá avançar.

POST SCRIPTUM: Por desconhecimento e alertado pou membros desta página, não referi que a subsequente via legislativa referente a esta autorização parlamentar, e que deu origem ao Decreto-lei 10/2024, de 8 de Janeiro, entra em vigor em 4 de Março do corrente ano. No caso, trata-se de um "Simplex" que vem revolucionar, no sentido de facilitar os procedimentos administrativos. Aos leitores as minhas desculpas pelo lapso.

(Para ler a publicação em Diário da República, clique em cima)

REUNIÃO DA CMMEALHADA: O CASO DO DIA

 

(Imagem de arquivo)




EXECUTIVO ANULA DELIBERAÇÃO


1 - Num acto algo insólito, hoje, em Reunião de Câmara Municipal, o Executivo Mealhadense, liderado por António Jorge Franco, em proposta aprovada sem a sua presença na sala, anulou uma deliberação autenticada em 10 de Julho de 2023.

Inscrita nos trabalhos municipais de hoje, o ponto da Ordem foi o número “14 - Proposta ao Executivo n.º 07/2024 - Atualização do valor da quota da Associação Rota da Bairrada” - “Criada em Novembro de 2006, a Associação Rota da Bairrada, é uma associação de carácter regional, constituída sem fins lucrativos, que tem como objetivo a dinamização, promoção e valorização da atividade vitivinícola da Bairrada, e atividades afins, enquanto produtos turísticos e culturais da região”. Para além da Mealhada, fazem parte desta associação os municípios de Anadia, Águeda, Aveiro, Cantanhede, Coimbra, Oliveira do Bairro Vagos. E ainda a Comissão Vitivinícola da Bairrada e o Turismo Centro de Portugal.


2 – O caso conta-se em duas penadas: em Reunião de Câmara realizada em 10-7-2023, tutelada na acta com data deste dia, “6. PROPOSTA AO EXECUTIVO N.º 64/2023 - PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DAS QUOTAS DA ASSOCIAÇÃO ROTA DA BAIRRADA”, foi aprovada por unanimidade o aumento de 2,500.00 € para 7,500.00 euros. De salientar que, embora proporcional à grandeza dos compartes, o aumento proposto pela Rota da Bairrada coube a todos os associados.

(Consulte aqui a acta camarária, clicando em cima)

A este propósito de aumento, interveio Filomena Pinheiro, Vice-presidente da autarquia: “(…) Disse que o aumento da quota é significativo, mas é uma necessidade, mencionando que se o Concelho não beneficia mais das ações de promoção e divulgação institucional é porque têm um projeto que têm que defender. A Senhora Vice-Presidente disse que a Rota da Bairrada serve de exemplo à maior parte das CBR tanto dentro da região como fora e deve ser defendida e apoiada por quem a criou. (…)”

Interveio também Rui Marqueiro, agora vereador e ex-presidente da edilidade: “disse estranhar que se peça um aumento de quotas, no caso da Mealhada de 200%, quando nos anos de 2021 e 2022 a Rota apresentou resultados positivos, referindo que eventualmente uma gestão mais cuidadosa evitasse um aumento tão grande. Disse ainda já ter sido membro da direção e reconhece que houve um período em que as coisas não andaram tão bem, tendo por duas vezes recusado comparecer nas reuniões de aprovação das contas, pelo que daria o benefício da dúvida e votaria favoravelmente, uma vez que a situação está a ser acompanhada pela Senhora Vice-Presidente.”


3 - Embora não sendo muito claro, António Franco, foi dizendo que pelo facto de ser cunhado do presidente da Associação Rota da Bairrada, Pedro Soares – que é também presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada -, alguém, sem especificar, fez uma participação no Ministério Público, alegadamente, denunciando conflito de interesses.

Pelo que foi entendido nas palavras do Presidente da Câmara Municipal, o Ministério Público propôs que, para não levar o caso a julgamento, desde que a deliberação fosse anulada em sede de vereação, deixaria cair a queixa e esta extinguir-se-ia.


O FANTASMA DO CONFLITO DE INTERESSES


Franco, lamentando o actual clima de suspeição que ensombra todos os municípios portugueses (e não só), na desconfiança instalada de que há sempre alguém que tenta descortinar relações familiares que vão redundar em benefício inexplicável, ou enriquecimento sem causa.

Para além disso, declarou que o seu cunhado nem sequer era remunerado pelas funções que desempenha.

Ainda que não, ou talvez que sim, ou antes pelo contrário, o vereador em substituição Luís Tovim, no ponto seguinte onde parecia haver interesses não declarados, saiu da sala. Não fosse o Diabo tecê-las!

domingo, 14 de janeiro de 2024

BARRÔ: UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE A ALEGORIA DE SÃO SEBASTIÃO




“Realmente é verdade. São mordomos e ficam de fora.”

(Comentário recebido)


Meu caro, para mim, a nomeação para mordomo das festas de São Sebastião, que decorrem anualmente em 20 de Janeiro em Barrô, implica assumir uma responsabilidade. Ou seja, o grupo nomeado deve chamar a si o encargo de realizar as festividades sacro-santas (Missa e Procissão) e profanas (bailarico com um grupo musical, e outras iniciativas que elevem a povoação ao mesmo nível das vizinhas). Contudo, isto não quer dizer que se façam os festejos sem um obrigatório plano financeiro atempado.

Acontece que o grupo nomeado (5 residentes, incluindo a minha pessoa) começou a ser instigado a reunir por mim logo em Fevereiro de 2023, para se encontrar e planificar as iniciativas como, por exemplo, almoços no Pavilhão local, venda de bens em leilão, rifas para um sorteio, torneio de sueca, entre outros. A resposta dada foi "sim, temos de reunir".

Por volta de Maio, voltei a sensibilizar alguns elementos do grupo para a necessidade de nos encontrarmos. Numa espécie de encolher de ombros, foi dada a mesma resposta.

Gostaria de relembrar que para as Festas de Nossa Senhora da Natividade, no Luso, e cujo um dos mordomos das festas burriqueiras era, simultaneamente, também um dos nomeados em Barrô, foram feitos vários eventos de angariação de fundos, tais como, uma primeira porta-a-porta, por volta de Março e, nos meses seguintes, seguidos de um almoço na Associação Recreativa de Várzeas e mais dois no Clube Recreativo de Barrô.

Por esta altura dos peditórios em Barrô, alertei que estava a haver uma preocupação excessiva com as festas de Luso e pouca atenção aos festejos de Barrô. Como quem diz, estava a faltar um pouco de orgulho bairrista com a nossa terra.

Volta e meia, continuei a alertar para a necessidade de reunir com urgência para se saber com o que se podia contar. Aos meus apelos insistentes foram feitos ouvidos de marcador.

Em finais de Setembro foi feita a primeira reunião. Nesse encontro, fui confrontado taxativamente que, por não haver tempo para captar fundos e não se saber com o que se poderia contar, só iria haver Procissão e nada de outras alegorias. Foi afirmado por quatro elementos, em coro, “de que, pessoalmente, não estavam em condições de poderem financiar a Festa de São Sebastião”. Foi acrescentado que só para efectuar a Procissão, com banda filarmónica, andaria próximo dos mil euros – e na altura ainda não havia um cêntimo disponível.

Adiantei que o facto de se fazer tão pouco pela festa do padroeiro do lugar constituiria uma vergonha para os envolvidos -incluindo a minha pessoa.

Alvitrei realizar um torneio de Sueca para tentar financiar o evento. E disse ainda que, em troca e para compensar, para não deixar cair a festividade, com tempo, poderíamos fazer uma Festa do Emigrante, em Agosto de 2024, na via pública, com uma banda musical – como já se fez em Barrô, outrora.

Ficou acertado que um dos responsáveis iria falar com o senhor padre na semana seguinte.

Foi dito também que, como estávamos nos últimos dias de Setembro, um dos elementos iria duas semanas para o Luxemburgo e que quando regressasse nos primeiros dias de Outubro, impreterivelmente, se faria uma reunião conjunta para debater o assunto.

Veio Outubro e consequente Novembro e, sobre a reunião prometida, nada.

Nos últimos de Novembro encontrei o membro que prometera o encontro e, depois de confrontado pela falta de palavra, disse-lhe peremptoriamente que, pelo desligamento manifestado, eu estava fora. Reiterei também que assumi fazer parte da mordomia porque acreditei na vontade de fazer acontecer dos envolvidos.

Mas adiantei que quando se fizesse o prometido encontro iria estar presente para, olhos-nos-olhos, dizer o que pensava. 

Não fui convidado para mais qualquer encontro.