segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

CM MEALHADA: A REUNIÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE HOJE

 

(imagem do jornal online Bairrada Informação)



“tive de aturar um pateta durante oito anos.

Isto foi terrorismo político na Assembleia de

Freguesia da Pampilhosa.”


A Ordem de Trabalhos anunciada apresentava-se curta. Apenas cinco pontos marcavam a agenda.

Período Antes da Ordem do Dia:


Logo a abrir, pelas 9h00, Rui Marqueiro, ex-presidente da autarquia e agora eleito como vereador da oposição nas listas do Partido Socialista, estranhou a pobreza da periodicidade das reuniões camarárias.

Na mesma agenda, Luís Tovim, membro da bancada socialista, quis saber sobre o andamento do projecto de obras para a esplanada, em frente a Câmara Municipal.

Em resposta, António Jorge Franco, presidente da edilidade, esclareceu que, vindo do anterior executivo, estava prevista a colocação de contentores marítimos, mas “não se enquadravam na dignificação na esplanada-jardim”. Por conseguinte, será apresentada outra solução.


Ordem do Dia:


Ponto 1


Aberta a discussão sobre a aprovação da acta da anterior reunião, Rui Marqueiro perguntou a Franco por que não informou a Câmara (referindo os membros do executivo) sobre a sua viagem ao Dubai, integrada numa deslocação patrocinada pela Comunidade Intermunicipal – Região de Coimbra (CIM-Coimbra)?

Retorquiu o chefe da mesa que esta pergunta deveria ter sido feita na rubrica anterior, ou seja, Antes do Período da Ordem do Dia, mas que responderia: a convite da CIM-Coimbra, “foi uma viagem muito interessante, sobretudo, sobre a possibilidade de haver interessados em investir nas Termas”, enfatizou.

Marqueiro, em forma de interrogação, ainda ironizou: “não lhe roubaram lá os sapatos?”

Com alterações suscitadas por Marqueiro, foi aprovada a acta.


Ponto 2


(para conhecimento)


A Mealhada passa a fazer parte da Federação Nacional das Associações Juvenis, com a admissão do município na Rede Nacional de Municípios Amigos da Juventude.

Disse Franco que 143 municípios aderiram a este projecto.

Filomena Pinheiro, vice-presidente, explanou que é uma ideia muito interessante pela participação de todos nesta rede amiga do ambiente.


Ponto 3


Foi prorrogado o prazo das competências para as autarquias locais e entidades intermunicipais no domínio da acção social até ao fim do ano.


Ponto 4

Foi aprovada a elaboração do Projecto de Execução da Requalificação da Passagem Superior Sul à Linha do Norte.

Este tema gerou alguma controvérsia, nomeadamente com Marqueiro a afirmar que sobre esta obra de arte “tive de aturar um pateta durante oito anos. Isto foi terrorismo político na Assembleia de Freguesia da Pampilhosa.”

Contemporizou o alcaide Franco, que não ficava bem esta referência por parte do senhor vereador aos munícipes.

Insistiu Marqueiro, “tive pessoas apatetadas, que por isso são patetas, sempre a dizer mal”.

Gil Ferreira, vereador da maioria com pelouro, corroborando as palavras de Franco, comentou que “os municípes por vezes reagem assim porque não têm informação qualificada”. Os munícipes merecem respeito. É por haver afirmações como essas que as pessoas se afastam cada vez mais da política, enfatizou.

Marqueiro ainda atirou: “na próxima sessão vou ler uma das denúncias anónimas em que fui alvo. Eu sei quem fez a denúncia…”

Mais uma vez o contemporizador Franco pôs água na fervura para que o tema não provocasse estilhaços em redor.


Ponto 5


Foi aprovada a prestação de serviços, na modalidade de avença de uma técnica que já trabalha na autarquia, por 12 meses a recibo verde, de coordenação de segurança e saúde em obra e de controlo de execução do Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos da Construção e Demolição de obras municipais.


Prestes a terminar a sessão, Marqueiro entendeu esclarecer o que queria dizer com o “roubo dos sapatos”. É que se tivesse entrado numa mesquita tinha de deixar o calçado à entrada, informou.

Rematou o contemporizador Franco: “o senhor vereador é um brincalhão…”

À laia de alegações finais, Marqueiro ainda prognosticou: “em face do que se está a passar na Europa, depois de uma pandemia, o que menos precisamos é de uma guerra...”

Antes da martelada final, de encerramento, o presidente ainda informou que a próxima reunião ainda vai ser através de video-conferência, depois passarão as reuniões a presenciais.

E por, apesar de só ter passado uma hora, serem 10h00, sem haver inscritos por parte do público, deu-se a cerimónia por encerrada.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Indo à boleia da interrogação de Rui Marqueiro a António Jorge Franco acerca da viagem ao Dubai, podemos extrapolar facilmente que a nossa informação local anda completamente a leste do paraíso. Não é que a informação acrescente ou diminua alguma coisa. O que transparece é que o que se passa na Câmara Municipal e no concelho não é assunto relevante.

Falando da fonte informativa camarária, que é distribuída pelos meios de informação, podemos ler passados uns dias completamente formatizada, isto é, o conteúdo é igual em todas as publicações.

Em quaisquer delas não há uma questão formulada fora da informação recebida condensada.

Só para exemplificar, não há uma alma caridosa com cartão de jornalista que pergunte a Rui Marqueiro e demais ex-vereadores, constituídos arguidos pelo Ministério Público e cuja instrução processual se passa ou passou no Tribunal de Aveiro, como decorre a sessão?

Antes de tomar posse este novo executivo dizia-se à boca-cheia que o jornalismo no concelho da Mealhada era fraco porque tinha medo e, sobretudo, pelos interesses instalados, tinha receio de afrontar o poder. E agora, depois da queda do “Ancien Regime”, é o quê? Responda quem souber.

Era bom lembrar que o resultado da informação pública é a soma das premissas “pouca exigência” e “desinteresse dos cidadãos”.

Vale a pena pensar nisto?


sábado, 12 de fevereiro de 2022

CM MEALHADA: HOJE HOUVE REUNIÃO DE CÂMARA

 

(Imagem do jornal online Bairrada Informação)




Por ter sido adiada na data correspondente, decorreu hoje a primeira reunião de Câmara do mês, talqualmente como as anteriores, transmitida por vídeoconferência, tecnologia que permite juntar várias pessoas a debater uma qualquer temática. Com um ligeiro atraso de cerca de quinze minutos por dificuldades em conectar todos os vereadores começou a sessão – não é a primeira vez que lamento que os encontros municipais transmitidos da casa de cada executivo mostrem alguma fragilidade e desvalorizem a solenidade de um acto público de significado profundo nos destinos das populações. Uma reunião camarária, carregando o mesmo espírito, é tão ritualista quanto um plenário na Assembleia da República. A meu ver com demasiado impacto protocolar no cidadão comum, de tal modo que, até há pouco, se fugia destas reuniões de poder autárquico como de uma sala de tribunal. Não estou a defender que estas salas de decisão mantenham a mesma forma pesada, rigorosa e procedimental, mas, numa espécie de revolução popular, caiam na vulgaridade.

E onde me apercebo mais do resvalar do “sagrado” é na intervenção do público. Quem está atrás de um ecrã precisa de ver e ouvir ao vivo e a cores o “grito do desesperado”. Se o Regulamento Geral de Proteção de Dados leva com a responsabilidade não me parece convincente. Hoje, por exemplo, apareceu a fotografia de um cidadão que interveio através da Internet. É de supor que, assim a continuar, por um lado, a participação cidadã decresça acentuadamente, por outro, as visualizações também diminuam. Hoje, durante toda a manhã, foram pouco mais de 25 assistentes ao desempenho dos representantes escolhidos.

Com a pandemia a perder gás, não se justifica já a ausência dos membros eleitos sentados na longa mesa do Salão Nobre e António Jorge Franco, o presidente da edilidade, a comandar os trabalhos, e, naturalmente, profissionalizar as emissões.


*

Com uma longa Ordem de Trabalhos, 31 pontos inscritos na Ordem do Dia, António Franco deu início ao Período Antes da Ordem do Dia.

Salienta-se a intervenção de Sónia Leite Oliveira, vereadora sem pelouro inscrita pelo PS, interpelou o chefe do hemiciclo sobre a intenção de alargar o traçado do Metro-bus à Mealhada e a Cantanhede.

Respondeu Franco que “há um um projecto de ciclovia aprovado pelo anterior executivo; a Câmara de Cantanhede prefere um canal para o Metro-bus; pôs-se a possibilidade de a ciclovia ficar a par com o Metro-bus; há uma possibilidade da linha de comboio (entre Pampilhosa e Figueira da Foz) ser reactivada mas só lá para 2030”.

E passou-se à Ordem do Dia.

Saltitando aqui e ali nos assuntos que me chamaram mais atenção, no Ponto 3, Ratificação de Despacho, foi votada a proposta e dito que foi adquirido um terreno na Vila da Pampilhosa por 550 mil euros, que já vinha em processo de compra, mas sem contrato-promessa formalizado, da anterior vereação.

E chegaram as 10h00, período aberto ao público. Interveio um munícipe adjudicante do estabelecimento de cafetaria na Alameda. Defendeu que o Caderno de Encargos do concurso promovido pela edilidade plasmava que o edifício se encontrava em boas condições de utilização. E não era verdade. Por falta de respostas e não ser recebido pelo anterior ex-presidente, Rui Marqueiro, daí ter vindo a adiar a tomada de posse por incumprimento contratual desde há cerca de sete meses.

A sua intervenção não foi ocasional, mais adiante, no ponto 16, iria ser votada uma moção de incumprimento na Cedência de Exploração. E foi aprovada. O ainda concessionário tem 15 dias para abrir o estabelecimento. Caso contrário sujeita-se às coimas previstas.

Vinda da anterior reunião, no ponto 12 discutiu-se e adiou-se para a próxima sessão “o estranho caso da oferta ao Executivo de 3 garrafas de vinho, uma de whisky e outra de champanhe”. Um imbróglio jurídico que uma ilustre empresa da nossa cidade, com a mais gentil das ideias, criou. É que não se sabe se aquelas garrafas excedem o valor de 150 euros, limite que a lei, e o Código de Conduta da Câmara Municipal, estabelece para ofertas aos detentores de cargos públicos.

No ponto 27 da Ordem do Dia, foi aprovada a cedência de espaço junto à Escola Secundária para instalação de um monumento ao topógrafo, requerida pela Associação Nacional do sector.

E em verdadeiro contra-relógio, a escassos minutos do meio-dia, terminou a sessão.


*

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Ainda que possa ser para inglês ver, ou talvez por força da transmissão online em tempo preciso, a verdade é que quem viu os primeiros encontros entre o anterior e o novo Executivo, pela positiva, dificilmente reconhece a reunião de hoje.

Começando por António Jorge Franco, com a sua forma de caminhar devagar devagarinho, a evitar os buracos mas segura, o novo presidente está a conseguir conquistar o respeito dos restantes membros do concílio. Evitando o ruído desnecessário em volta dos presumíveis erros do anterior elenco governativo, calmamente está a conseguir levar a água ao seu moinho com mestria.

Acompanhado com um bom naipe de agregados, tudo indica caminhar em boa direcção. Nomeadamente, Hugo Alves Silva, vereador com pelouro em representação do Juntos pelo Concelho da Mealhada, chamado para formar maioria, está revelar-se uma peça essencial no tabuleiro de xadrez camarário. Fundamentando bem as suas posições e mostrando que estuda bem a lição, este membro está a desempenhar a sua função com empenho.

Filomena Pinheiro, vice-presidente do actual elenco, com larga experiência de outros tempos passados em que ocupou o mesmo lugar, é a voz de fundo, calma e ponderada, que deixa impresso o seu saber.

Gil Ferreira, vereador a meio-tempo em vários pelouros, pela sua postura aristocrática, é a reserva moral do Executivo. Expressando calmamente o seu saber, é um elemento de grande qualidade.

Na oposição, como não podia deixar de ser, sobressai Rui Marqueiro, ex-comandante do concelho. O truculento nas investidas contra a maioria, que assistimos recentemente, deram lugar a um “velho senador” paciente, simpático, cheio de sapiência e vida política experimentada.

Sónia Leite Oliveira, vereadora sem pelouro, companheira de bancada de Marqueiro, apesar de deixar transparecer alguma inexperiência – o que se entende perfeitamente - tem uma boa postura. Fazendo perguntas assertivas, transmite confiança a quem a vê no desempenho.

Luís Tovim, sem pelouro, é companheiro de “route” de Marqueiro. Nota-se que ainda se está a acomodar ao lugar – o que também não surpreende. Embora intervindo pouco, expressa-se bem.

Se estas palavras escritas valerem alguma coisa para os visados, recomenda-se que Rui Marqueiro, aos poucos, vá cedendo o seu lugar de intervenção aos seus dois acompanhantes e ponha neles um bocadinho mais da sua capacidade de argumentação.

Parabéns a todos. Gostei muito desta reunião pública. Continuem assim e ganharemos todos.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

EDITORIAL: O CENTRO HISTÓRICO ENCALHADO EM AREIAS MOVEDIÇAS. E NUNCA MAIS PASSA DISSO

 

(imagem do jornal online Notícias de Coimbra)


A segurança é a pilastra estruturante das sociedades desenvolvidas. Sem ela pouco importa a higiene das cidades, a oferta de mais ou menos estacionamento pago ou gratuito, a pouca iluminação. Pouco sentido faz falar em desertificação já que a insegurança, física e psicológica, é a semente que germina e mais contribui para o esvaziamento dos lugares habitados.

Pela nossa história recente, pelo menos dos últimos vinte anos, já vimos que pegar ao mesmo tempo em todos os pilares que contribuem para o bem-estar dos citadinos é a mesma coisa que baralhar cartas, dar de novo, criar espectativa e ficar tudo na mesma na mesa de jogo. Aconteceu com anteriores presidentes da Câmara Municipal de Coimbra, respectivamente, Carlos Encarnação (2002-2010), Barbosa de Melo (2010-2013) e Manuel Machado (2013-2021). O primeiro, admitindo a sua impotência, empurrava a insegurança para o Comandante da PSP, este, para entreter, responsabilizava os comerciantes por falta de grades de proteção, os mercadores rezavam a Santo Onofre.

Como não tranquilizava ninguém, Encarnação, como mágica de coelho retirado da cartola, usou as câmaras de video-vigilância, colocadas na Baixa em 2009, para tapar o Sol com a peneira. Escusado será dizer que os assaltos, durante a noite, contra o património continuaram como até hoje, nuns períodos mais acentuadamente noutros menos, sem que os regedores visados fizessem alguma coisa para serenar os receios dos cidadãos.

E vieram as eleições autárquicas de Setembro de 2021, que, como se sabe, foram ganhas pela coligação de oito forças políticas Juntos Somos Coimbra, tendo à frente José Manuel Silva (JMS), nos últimos quatro anos vereador da oposição no executivo.

O programa eleitoral, apresentado com um horizonte de médio-prazo, com 112 medidas, fazia o diagnóstico frio da zona de antanho: “Centro histórico com perda de população acentuada e com uma percentagem elevada de edifícios vagos.”

No passado 18 de Janeiro, sobre a batuta da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, foi realizado um encontro entre JMS e os operadores no antigo Salão Brazil. Por parte do presidente da autarquia, entre outras deliberações focadas, ficou dito que no dia seguinte teria um encontro com o Intendente da PSP, Rui Moura, precisamente para discutir a segurança na Baixa. Como esperança divina, ficou no ar uma fé há muito perdida pelos mercadores: “é desta vez que vamos mesmo ter policiamento de facto nestas ruas e ruelas.”

Os dias foram passando, e informação sobre a desejada reunião nada transpareceu publicamente. Nem sequer depois de solicitada por um jornal da cidade.


ONDE É QUE EU JÁ VI ISTO?


Na última Sexta-feira, 4 de Fevereiro, o Diário de Coimbra (DC), com título na primeira-página de “PSP vai reforçar a visibilidade da Baixa”. No interior do caderno podia ler-se em sub-título: “PSP aumenta visibilidade pela segurança na Baixa”.

Continuamos a ler, “(…) Estamos todos empenhados em trabalhar, não só por manter a segurança efectiva, mas também para permitir na população um aumento da segurança”, disse, ao Diário de Coimbra, José Manuel Silva, frisando que do encontro entre as duas instituições saiu o compromisso e “aumentar a visibilidade do policiamento”.

Continuamos a citar o DC, “José Manuel Silva reconheceu que o défice de recursos humanos é uma realidade, mas nem a PSP nem a Câmara de Coimbra podem fazer mais para aumentar o número de efectivos. Essa é, recordou o autarca, “uma responsabilidade do Governo e só o Governo pode resolver”. “Sem mais efectivos não é possível fazer mais”, atirou ainda o autarca.”

Ou seja, das consequências que daí advierem JMS pode lavar as mãos como Pilatos.


MAS HÁ MAIS…


Continuemos a citar a entrevista de JMS no DC, “Policiamento por parte da Polícia Municipal é uma hipótese “fora de questão”, garantiu o autarca, até porque essa não é a sua missão. “A Polícia Municipal é uma polícia administrativa, o seu papel não é actuar como força de segurança e não pode sobrepor-se à PSP ou à GNR”, afirmou. Mais ainda, disse que dar estas funções à Polícia Municipal seria ultrapassar a lei e” não é por aí a solução”.

Vale a pena consultar a Lei da Polícia Municipal, lei quadro que define o regime e forma de criação das polícias municipais n.º 19/2004, de 20 de Maio. Cada um que retire as suas próprias ilações:


Artigo 2.º – Atribuições

2 - As polícias municipais cooperam com as forças de segurança na manutenção da tranquilidade pública e na protecção das comunidades locais.
3 - A cooperação referida no número anterior exerce-se no respeito recíproco pelas esferas de actuação próprias, nomeadamente através da partilha da informação relevante e necessária para a prossecução das respectivas atribuições e na satisfação de pedidos de colaboração que legitimamente forem solicitados


Artigo 4.º
Competências

2 - As polícias municipais, por determinação da câmara municipal, promovem, por si ou em colaboração com outras entidades, acções de sensibilização e divulgação de matérias de relevante interesse social no concelho, em especial nos domínios da protecção do ambiente e da utilização dos espaços públicos, e cooperam com outras entidades, nomeadamente as forças de segurança, na prevenção e segurança rodoviária.



Artigo 6.º
Dependência orgânica e coordenação

2 - A coordenação entre a acção da polícia municipal e as forças de segurança é assegurada, em articulação, pelo presidente da câmara e pelos comandantes das forças de segurança com jurisdição na área do município.


Artigo 9.º
Armamento e equipamento

1 - As polícias municipais podem deter e utilizar armas de fogo curtas de repetição ou semiautomática, de calibre a definir pela câmara municipal, o qual não pode ser superior a 7,65 mm.


E por ser demasiado longo, fico por aqui. Prometendo, no entanto, se Santo Onofre me ajudar, voltar ao tema.


TEXTO RELACCIONADO


"BAIXA: UMA HISTÓRIA DE INSEGURANÇA"



terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

CMC: OS OLHOS DO PRESIDENTE

(Imagem do jornal online Notícias de Coimbra) 



É público que o anterior presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, não morria de amores pelas intervenções dos munícipes nas reuniões do executivo. Desde o prolongar as sessões durante várias horas para além do horário regulamentar preconizado no Regimento, que estava e está previsto para as 17h00, desde usar de uma certa truculência nas respostas, até fazer ruído propositado no microfone para que o interveniente não pudesse ser ouvido, muita coisa aconteceu nos últimos anos naquele plenário que não deixa saudade.

Decorrendo na sala de reuniões, seguindo a disposição das últimas décadas de poder autárquico, os assentos dos decisores estiveram sempre plasmados com o mobiliário exposto em forma de U. De costas para a Praça 8 de Maio, estava acomodado o presidente, seguindo-se, do lado direito, o grupo vencedor das eleições e, do lado esquerdo, a oposição. Ao fundo, a fechar o U, estava uma mesa e uma cadeira para a intervenção pública. Quando o cidadão intervinha fitava de frente todos os eleitos presentes.

Antes de continuar, vale a pena pensarmos que a distribuição de mobiliário numa dependência pública obedece a um rigoroso critério de escolha. Se for uma sala-de-espera pode ser, por vezes, composta por uns fofinhos sofás. Implicitamente, a mensagem passada é que o “cliente” é a parte mais importante na relação administração-administrado.

Já se for uma sala de audiência, em que se presta atenção a quem nos fala, terá sempre acoplado o modelo e a ordenação de uma sala de tribunal. São assim dispostas as salas de aula, os teatros e cinemas, as igrejas, as assembleias de entidades privadas, assim como as sessões camarárias. Aqui, nestas divisórias de parlatório onde a representação individual é o paradigma, inevitavelmente, em bivalência, a comunidade está sempre dividida por duas classes: os bons e os maus; o rico e o remediado; os julgadores e os julgados; os inteligentes e os de média-compreensão.

Depois desta apresentação, já podemos antever o significado de o cidadão se posicionar na cauda do U, numa qualquer reunião de câmara: é o lugar que cabe ao factor de menor importância naquele espaço.


MAS, EIS QUE...


As últimas eleições autárquicas em Coimbra, em 26 de Setembro, foram ganhas por uma coligação de vários partidos chefiada por José Manuel Silva (JMS), nos últimos quatro anos oposicionista ao então caído em combate Manuel Machado.

Mostrando por todos os meios, práticos e psicológicos, a fazer passar a mensagem pública de que nada tem de semelhante com o anterior edil, vamos avaliando passo-a-passo cada medida tomada. É assim que assistimos hoje à venda do Audi 8, comprado por Machado em 2018, em hasta pública – e que noutra crónica tocarei o assunto.

Mas o que queria mesmo chamar à colação é a alteração de paradigma na relação edilidade-munícipe. Sendo salutar, uma vez que há vários procedimentos a serem desburocratizados, vou apenas debruçar-me sobre as reuniões de Câmara, sobretudo na relação com o contribuinte.

Talvez porque não foi notado, sem qualquer reparo, as sessões passaram a ser realizadas no Salão nobre da Câmara Municipal, para serem transmitidas via online. Mas há mais, a mesa e a cadeira destinada ao cidadão, que estiveram sempre na cauda do U, passou para a frente, mesmo encostadas à presidência, isto é, o interventor fica frente-a-frente, olhos-nos olhos com JMS.

Antes de prosseguir, vamos tentar interpretar esta mudança. Salvo melhor opinião, é como se o novo presidente, mais uma vez descolando do precedente, quisesse transmitir aos urbanos: “recebo-vos neste salão de cerimónias por serem, de todos, as personalidades mais importantes; para além de virem por bem, venham muitos. Para além disso, sem acrimónia, com empatia, agora falam directamente comigo. Vocês, meu povo, são a razão maior de eu estar aqui.”

Há um porém, por não ser prático, vai ter de se separar o “carinho” da “funcionalidade”. Ao falar, a pessoa está de costas para a maioria de vereadores e, se houver diálogo, o indivíduo não sabe com quem está a trocar impressões.

Por outro lado, tendo em conta que não é ético para os membros eleitos que fazem parte deste hemiciclo, pode parecer que são despicientes. De certo modo, é como se estivesse a valorizar demasiado quer as funções do interveniente quer a presidencial, esta que ali é arbitrária, e a desvalorizar os restantes membros.

Por conseguinte, recomenda-se que se continue, sem exagero, a paparicar o munícipe mas que o faça retornar à posição inicial, como quem diz, ao fundo do U.

Vale a pena pensar nisto?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

BARÓMETRO DE UM JORNAL EM PAPEL PUBLICADO NA BAIRRADA

 




Jornal da Mealhada (edição de 19 de Janeiro)


POSITIVO


Com uma capa vistosa, onde exalta um grafismo terno e suave, ressaltam títulos em recortes que se confundem com a publicidade, ao primeiro olhar. Mas o que importa é que a primeira página desta última edição do Jornal da Mealhada (JM) está interessante. Afinal, vale mais cair em graça que ser engraçado.

Claro que indo ao fundamento de quem compra e lê jornais em formato físico, em papel, talvez falte um estudo de mercado para analisar os consumidores. Ainda de se olha para os títulos dos vários periódicos, antes de comprar? Penso que não. Com alguma margem de erro, é de presumir que o leitor dos nossos dias, tendo em conta que será para cima de meia-idade, é um “agarrado” fidelizado ao título que sempre consumiu. Porventura poderá comprar outro, mas se coincidir com um assunto do seu interesse, portanto em complementaridade.

E, a ser assim, o que leva uma pessoa a adquirir sempre o mesmo jornal? Sem resposta conclusiva, é de supor que entra a rotina diária, alguma “viciação” nos usos e também uma base de confiança no que é noticiado, a tocar a imparcialidade e a independência.

Também é verdade que devemos dividir a imprensa local da nacional. Com o título nacional que se consome, se, por um lado, se lê para Informação e Conhecimento geral, por outro, há uma certa distanciação na familiaridade. É como se o proprietário fosse alguém que não se vislumbra.

Já com a imprensa local é diferente. Embora também se exija neutralidade, escrita acessível, independência, há sempre uma ligação inexplicável, é como se fosse da nossa família. Para além de sermos menos exigentes a lapsos, acima de tudo, procura-se mais a Informação e menos o Conhecimento, de cultura geral – é óbvio que não é desprezível manter as duas na mesma impressão. Quanto mais houver a possibilidade de inovar na informação/conhecimento - de ontem, na descrição de acontecimentos passados, e de amanhã, com a especulação a marcar o futuro – onde entram a história de vida da pessoa simples e até à de instituições, cada vez mais é acarinhado e guardado como documento histórico.

Voltando à terra, o JM desta edição cumpre os requisitos médios. Gostei de o ler.


MENOS BOM


Como já escrevi várias vezes, falta a crónica política, com comentadores independentes, mas conotados ideologicamente, a dissertarem sobre a vida política local.

Continuo a achar que as reuniões camarárias deveriam merecer uma maior cobertura e acutilância. É certo que o facto de o JM ser quinzenal ajuda pouco. Deveria ser publicado semanalmente. Quando a notícia é publicada, passado mais de uma semana, já o assunto foi dissecado e perdeu interesse. Querem um exemplo? Na última sessão de Câmara Municipal veio à baila a possibilidade de o Metro Ligeiro de Superfície vir de Coimbra até à Mealhada e passar por Cantanhede. Como se imagina, será título de primeira página no JM na próxima edição, quando já está frio na curiosidade dos leitores/assinantes.

Valerá mesmo a pena continuar a insistir na publicação quinzenal?


De zero a vinte, atribuo a esta edição 14,5 valores.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

BAIXA DE COIMBRA: DESCULPE PERGUNTAR, MAS…


(Imagem do jornal online Notícias de Coimbra)



Como é público, na semana passada, mais propriamente no dia 18 do corrente, com organização da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, realizou-se um encontro entre José Manuel Silva, presidente da autarquia conimbricense, e os operadores comerciais que exercem o seu “metier” na Zona Histórica.

Na fase final de respostas às questões colocadas pelos presentes, a determinado ponto, sobre demasiados assaltos perpetrados contra o património na zona, afirmou o autarca que no dia seguinte, Quarta-feira, iria ter, a seu pedido, um encontro com o Intendente Rui Moura, Comandante da Polícia de Segurança Pública de Coimbra, para discutir a segurança na Baixa.

Já passou uma semana e desse encontro, tão importante para tranquilizar os comerciantes e moradores desta zona de antanho, nada transpirou.

Não deveria o Senhor presidente dar conhecimento dessa reunião?

Vai apresentar os resultados na próxima reunião de Câmara?


 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

REUNIÃO CM MEALHADA: O METRO LIGEIRO PODE PASSAR POR AQUI

 




Em pouco mais de uma hora, via ZOOM com os vereadores acomodados em suas casas, realizou-se hoje a segunda reunião mensal ordinária do executivo mealhadense.

Num clima ameno, de extrema simpatia e cordialidade entre os participantes, este encontro virtual de hoje nada teve a ver com a ambiência de rebelião e quezília que transparecia nas primeiras reuniões de camarárias, nomeadamente entre António Jorge Franco, presidente da Câmara Municipal, e Rui Marqueiro, o precedente edil que comandou os destinos da Mealhada até às últimas eleições realizadas em Setembro, último.

Com um Marqueiro simpático, com sorriso rasgado, assertivo e colaborante, enfatizando pequenas deixas como por exemplo “só quis brincar um pouco” e com Franco a retorquir “o senhor vereador é um brincalhão” pareciam amigos de longa data. Aparentemente, quer por milagre de Sant’Ana ou outro mistério divino não especificado, a paz assentou arraiais no Salão Nobre da edilidade. Na aparência, Rui Marqueiro está diferente; deixou cair aquela ironia acintosa, provocadora que (tão mal) o caracterizava. Até se ouviu proferir “estamos todos de acordo, senhor presidente”.

O que, em especulação, leva a presumir duas razões possíveis: uma, que provavelmente o pré-julgamento de Instrução, a decorrer em Aveiro, e em que Rui Marqueiro e os seus anteriores vereadores estão indiciados por prevaricação, estará a correr muito bem, tudo indicando que a acusação caia por terra. Outra razão, porventura, será António Franco, que parece ser um pacificador, teria tido uma longa conversa franca com o ex-presidente e acordado que não podiam continuar com trocadilhos e indirectas truculentas, e mais em sessões transmitidas em directo para o mundo. Mais que certo, mesmo sabendo-se não crente, Marqueiro, colocando as mãos sobre uma Bíblia, e sobrepostas pelas de Franco, ambos juraram respeitar-se na vã glória e na desprezível infâmia e não mais se acusarem mutuamente de desvio do sagrado caminho público.

Sejam certas as duas premissas, e fazemos votos que assim seja, ganhamos todos com a acalmia a que se assistiu hoje. Como é normal, o papel da oposição, para além de ser imprescindível, é um valor maior, e com Marqueiro mais calmo e sensato, pondo o seu conhecimento e experiência adquirida ao serviço de todos só pode enriquecer o debate.


A ORDEM DO DIA


Pegando nos pontos da Ordem do Dia, aqueles que me pareceram mais curiosos, salienta-se o número 6, que diz respeito a um pedido de viabilidade para plantar eucalíptos num terreno privado.

Foi apresentado um parecer pelos serviços que ia no sentido do indeferimento. Estava em causa, portanto, votar contra ou a favor da autorização.

A vereadora Sónia Leite de Oliveira enfatizou: “sempre eucalíptos... sempre eucalíptos!”

O presidente do executivo contemporizou: “tem de se repensar muito sobre o que queremos para a nossa floresta do concelho. Há outras espécies que podem dar retorno económico…”

Após votação, o requerimento particular foi chumbado.

E O PONTO MAIS IMPORTANTE É…


E veio o ponto 8 da Ordem do Dia: “Estudo para a expansão do Sistema de Mobilidade do Mondego - soluções em estudo – Informação”.

Estava em causa um estudo pedido pela CIM, Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, à Câmara para, no prazo de 15 dias, esta apresentar contributos no sentido de se alargar o percurso do Metro Ligeiro de Superfície para além de Coimbra, até à Mealhada e Cantanhede.

Franco começou por dizer que a autarquia defende o alargamento até Anadia. Com percursos alternativos entre Coimbra- Mealhada e Mealhada- Cantanhede e retorno a Coimbra. E haveria outra rota que iria da Mealhada até à Anadia. “Há muita gente da Mealhada a trabalhar na zona industrial daquela cidade. A Anadia tem interesse; interessa para toda a região. O tempo (de percurso) tem de ser rápido. Se não for não será eficaz”, sublinhou o mestre de cerimónias.

Afirmou ainda o representante maior dos mealhadenses: “se houvesse ligação à Figueira da Foz seria uma mais-valia para o nosso concelho, mas não foi aceite essa possibilidade”.

A talhe de foice, Filomena Pinheiro, vice-presidente, anuiu: “o Metro Mondego deve satisfazer necessidades que agora não estão satisfeitas.”


PARTICULAR NÃO SE MOSTRA A PARTIR DE CASA


Chegaram as 10h00, como não havia cidadãos para intervirem a reunião avançou para o último ponto da agenda.

Antes de avançar, gostava de deixar escrito que com os munícipes a falarem de casa, estou em crer, esta metodologia não é muito prática e, a continuar, leva à não participação pública.

É preciso que as reuniões se mantenham presenciais, como habitualmente no Salão Nobre, e continuem a ser transmitidas via Internet e, quanto antes, guardadas no YouTube para posterior visualização. A lei 75/2013, das autarquias locais, é omissa em relação ao armazenamento de dados. Mas, se há receio de prevaricação, que se peça um parecer… mas para ontem.


E TERMINOU A REUNIÃO


Com a saída de alguns vereadores e o presidente para uma deslocação ao Luso, para avaliarem no local um pedido de vinte lugares para estacionamento adstrito a uma obra particular disse Franco: “tem se arranjar uma forma de se ultrapassar esta situação. Vamos lá e falamos com o dono da obra e o projectista. Sou a favor da construção de edifícios. Vamos então deslocar-nos à linda Vila de Luso.”

Retorquiu Marqueiro: “eu não posso, que vou para Aveiro!”