quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

UM PENSAMENTO EXPRESSO…

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



POR CARLOS JOÃO CASCAIS FIGUEIREDO

A poluição planetária, actualmente preocupação dominante em todo o mundo, é denunciada por toda a Europa, sobretudo pelos jovens, e levada ao conhecimento de todos pelo mundo inteiro onde, acima de tudo, há liberdade de expressão.
Os enormes icebergs gerados no continente polar, massas de gelo liquefeitas, fragmentadas e deslocadas, vêm por aí abaixo, constituindo um perigo para a navegação mais a Norte, provocando o desequilíbrio terrestre. O nosso planeta está a aquecer assustadoramente e com o nível das águas dos oceanos a subir. Mais a Sul a desertificação aumenta e as tempestades sucedem-se. Os tsunamis, provenientes do reajustamento das placas tectónicas das profundezas da terra, são um efeito previsível a curto e médio prazo.
Nas grandes metrópoles altamente industrializadas e, consequentemente, poluídas, os autóctones mais avisados usam máscaras para se protegerem da maleita.
No entanto, pasme-se, ainda há quem reclame abertamente o petróleo de uma nação desfeita pela guerra e militarmente ocupada. Esta ganância será, a breve trecho, um flagelo para toda humanidade.

ADIOS A LA VIDA...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

BAIXA: O MISTÉRIO DAS ORNAMENTAÇÕES COM ROLHAS NA RUA DO POETA






Quem por estes dias passou na Rua Adelino Veiga – topónimo referente ao poeta com o mesmo nome, nascido a 18 de Novembro de 1848 e falecido a 8 de Março de 1887 no Largo do Romal – certamente reparou nuns pendentes ao longo da artéria constituídos por rolhas introduzidas em argolas de arame.
Provavelmente, o primeiro pensamento teria sido: “olha, estão gozar com a Câmara Municipal!”. Teria sido esta a verdadeira intenção, ou esta parte é apenas uma das partes da acção?
Quem respondeu, um comerciante sob anonimato, fê-lo da seguinte forma:
“Primeiro, recorremos às rolhas por serem feitas em material reciclável. Mas também por a cortiça estar profundamente ligada às actividades comerciais nesta antiga Rua das Solas (assim conhecida antes de ser apelidada de Adelino Veiga) ao longo do século XX e até aos anos de 1960” – nota nossa, de tal modo foi assim que o saudoso Fausto Correia, deputado socialista por Coimbra, era conhecido por Fausto “Rolhas”, por os seus pais terem sido proprietários do antigo espaço onde funcionou o Eldorado que vendiam rolhas. Se fosse vivo, tenho a certeza, o emérito e reconhecido político socialista coraria de vergonha pela forma como os seus pares na autarquia estão, este ano, a destratarem a baixinha.
Segundo, praticamente sem gastos, já que recorremos a muitos estabelecimentos de hotelaria e aos arames utilizados noutros anos, quisemos mostrar o nosso grito de revolta à edilidade pela forma discriminatória como tratou este ano as ruas estreitas.
Estão pobrezinhas as nossas ornamentações? Até admito que possam estar, mas são nossas! Foram realizadas por nós, com o nosso esforço colectivo. Humildes, mas com muita honra e dignidade.
Terceiro, sendo ou não uma lição, todos os comerciantes da Rua Adelino Veiga se envolveram quer em trabalho, quer nas poucas despesas. Todos colaboraram”, rematou o meu depoente com argúcia.
Muitos parabéns pela iniciativa aos operadores da rua do poeta morto.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

UPS!

ONTEM VI, OUVI E APREENDI

(Imagem do Expresso)





Ontem na RTP, num debate acalorado entre Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, candidatos às eleições directas de 11 de Janeiro para presidente do PSD, assistimos a uma troca de opiniões animada.
Num combate de dois contra um -Montenegro e Pinto Luz contra Rio -, em metade do tempo que durou a contenda, apesar de estar em inferioridade, Rui Rio aguentou-se mais ou menos bem mas sem grande fulgor. À defesa, muito tenso em relação aos últimos debates para as Eleições Europeias, e ao ataque, o actual líder dos sociais democratas foi desferindo uns ganchos baixos nos opositores.
A meu ver, a jornalista moderadora, que moderou pouco, também não ajudou muito a clarificar as ideias apresentadas pelos aspirantes.
Com a habitual e já conhecida prosápia de Montenegro, notava-se por parte deste concorrente uma enorme tensão. A guerra ali mostrada era apenas entre ele e o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. E foi exactamente por este exclusivo canal aberto entre os dois, como se não houvesse mais candidatos ali presentes, na segunda parte da discussão, como movimentando-se por entre os pingos de chuva, que Miguel Pinto Luz, passando uma mensagem simples e clara, brilhou. Sem margem para dúvidas, Pinto Luz foi a estrela cintilante num céu de estrelas cadentes. Nesta próxima quadra dos Reis, em Janeiro, ninguém se admire se houver surpresas no alinhamento.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

EDITORIAL: COIMBRA SEMPRE EM FESTA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



“Parecendo haver uma intenção clara de manipular e alienar,
concentrar os indivíduos no acessório
evitando que pensem no essencial, está construída
uma sombra que obscurece a luz.”


No último Domingo, com o argumento de inauguração das iluminações natalícias, foi criado um motivo forte para a Câmara Municipal de Coimbra oferecer gratuitamente uma grande festa para toda a população. Segundo o site camarário, milhares de pessoas acorreram ao concerto da Phartuna, Tuna da Faculdade de Farmácia de Coimbra, e Bárbara Tinoco, uma das revelações do concurso televisivo “The Voice”, da RTP1. Para a noite da passagem de Ano velho para Novo já estão anunciados Pedro Abrunhosa e Os Azeitonas, com mais espectáculos de outros artistas de menor nomeada.
Tomando o tempo de outro tempo em que nada acontecia em Coimbra, nos últimos anos, com a edilidade a tomar o leme, a cidade está transformada numa espécie de Altice Arena colectivo onde a boémia assentou arraiais em todas as épocas e estações. Inscrito na divina providência, sem custos para averbar, tudo indica caído do céu. Parecendo haver uma intenção clara de manipular e alienar, concentrar os indivíduos no acessório evitando que pensem no essencial, está construída uma sombra que obscurece a luz.
A meu ver, o problema é que esta continuação de festividades faz escola em tudo o que sejam instituições, políticas, nomeadamente juntas de freguesias, e sociais, como quem diz, associações profissionais. Numa mimética de carneirada, fazendo de conta que, como prova de sobrevivência, para mostrar obra basta aparecer nos jornais, em metamorfose, o mediatismo em torno da animação dá-nos uma falsa realidade. Em metáfora, é como se o circo estivesse sempre presente e substituísse o lado social na defesa e reivindicação de medidas necessárias ao desenvolvimento. Ou seja, em vez de haver uma preocupação política em melhorar a vida das pessoas, aperfeiçoando os instrumentos que promovem a prática diária, como por exemplo, reforma de jardins, arranjos de passeios e calçadas que apuram a locomoção e a mobilidade. Assim como o restauro de prédios camarários há muitos anos encalhados na Baixa, substituição da frota automóvel na Polícia Municipal. A ideia que prevalece é que há dinheiro para o que não interessa e para o fundamental fecha-se o cofre.
Tal como aconteceu nesta festa das lâmpadas de Natal, o povo, sempre sedento de uma boa exaltação gratuita, acorre em massa. Mas uma pergunta subjaz: economicamente o que trouxe esta vinda de um milhar ou de milhares de pessoas? Pouco ou nada. Se esta fosse a chave para a reabilitação da Baixa, estou certo, já há muito que a zona estaria equilibrada. Acontece que tudo continua igual. Como na festa do padroeiro na aldeia, há folguedo, acorre-se em massa. Quando acaba a celebração do santo o lugar perdido nas entranhas permanece isolado e quase sem vivalma. É assim Coimbra. Mas isso não interessa nada. O que importa é que estamos sempre em festa, pá!
Vale a pena pensar nisto?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

ILUMINAÇÕES NATALÍCIAS NA BAIXA: UM ENORME AGRADECIMENTO A MACHADO

(Foto retirada, com a devida vénia, do site do município)





Com muita pompa e circunstância, com muitas alterações em relação aos anos anteriores, ontem, Primeiro de Dezembro – comemorações do Dia da Restauração e expulsão do invasor estrangeiro -, foram inauguradas as iluminações natalícias na cidade. Segundo o site do município, “A iluminação de Natal em Coimbra chega, este ano, a novos sete locais, designadamente, na Praça das Cortes, Entradas da Rua das Padeiras, Rua das Azeiteiras e Rua da Sota, na Rua dos Sapateiros, em todos os corredores da Av. Sá da Bandeira e junto à Estação Ferroviária de Coimbra B. Um presépio estilizado com 11 metros de altura e sete de largura marca a entrada da Ponte de Santa Clara, do lado da Portagem, onde está também instalado um pórtico luminoso de Boas Festas com cerca de 12 metros de altura e oito de largura.”
Apresentadas como muito mais abrangentes, nitidamente, constata-se que foi aplicada a teoria do lençol, para cobrir mais tronco descobriu-se os pés. Ora, os pés, como se adivinha a metáfora, é a denominada baixinha, que, de ano-para-ano, vai ficando cada vez mais sem iluminação referente à quadra. Aos poucos, numa parcial discriminação onde o abandono é implícito, progressivamente foram sendo retirados os enfeites nas ruas estreitas e nos largos adjacentes. Para tapar os olhos com a peneira, dando ideia que não há esquecimento, agora é aplicado apenas um arco no início de cada artéria.
Além de mais, se outros motivos não houvesse, a mudança deste Natal de 2019 nota-se imediatamente pelo calendário. Nos anos antecedentes e nomeadamente em 2018, as ornamentações foram sempre iniciadas por volta de 16 de Dezembro. Para além disso, este ano continua no estalejar de foguetes, nunca como agora houve um concerto musical para solenizar o acto.
Na prorrogação de mais teimosia do mesmo, a edilidade, como se os quisesse esconder do público, continua a apostar no Terreiro da Erva como local de eleição para eventos
E novas modificações são perceptíveis a olho nu, numa simbologia digna de ficar inscrita no anedotário, a decoração deste ano faz referência directa a três estádios possíveis da existência humana: vida abastada, declínio económico e sem-abrigo.
A vida abastada, com muita luz e cor a mostrar a opulência, está reproduzida na Ponte de Santa Clara, Largo da Portagem e Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz.
O declínio económico, pela diferença abissal na quantidade de luzes aéreas, em paradigma, está simbolizado na Rua da Sofia.
Os sem-abrigo, pelo ostracismo declarado, estão retratados nas ruas estreitas onde o dia, friorento e sem Sol, modela a desatenção camarária. Em complemento de quadro negro, com a angústia e o desalento a perpassar os ossos, as manchas escuras marcam a noite nestas vias esquecidas.
Uma grande salva de palmas para o camarada Manuel Machado, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra. O seu sentido de equidade socialista é avassalador. É assim mesmo que se reabilita o Centro Histórico. Se o leitor é residente ou comerciante na Baixa, se encontrar este edil, por favor não esqueça de lhe dar um abraço de reconhecimento. O nosso “mayor” merece!