sábado, 7 de abril de 2018
EDITORIAL: A ORQUESTRA CLÁSSICA DO CENTRO NÃO É DE ESQUERDA?

“Embora
me apetecesse escrever sobre este assunto
logo
no primeiro dia que veio a público, refreei
o
ímpeto por acreditar que, mesmo não sendo presciente,
o resultado, antes de o ser, já estava anunciado. Ou
seja,
tão certo como dois e dois serem quatro, o Governo,
não
aguentando a pressão do Bloco de Esquerda e a sua
ligação
aos artistas, iria ceder em toda a linha.
Parcialmente
foi o que aconteceu. O que eu não “adivinhei”
foi
que a Orquestra Clássica do Centro (OCC) não iria
ser
contemplada na segunda tranche.”
O
que se está a passar no país com os apoios atribuídos às artes é
uma vergonha! A hipocrisia reinante nos municípios é escandalosa!
Estamos a assistir a uma espécie de dança de marionetas, cada uma
com uma performance egoísta de modo a salientar-se no conjunto geral
e a tentar conquistar para si a maior fatia, seja do orçamento, seja
de protagonismo político. Para além disso, estamos perante um
quadro altamente politizado onde a esquerda, que já há muito manda
no sector, como maestro de batuta erguida, trocando a ordem natural
das coisas, dá ordens a quem decide superiormente.
Começou
logo com o Governo, ao delegar autoridade e habilitação num júri
de concurso nacional para atribuição de subsídios no quadriénio
de 2018-2021 e a seguir, perante a contestação dos não
contemplados, passando um atestado de incompetência ao jurados
nomeados para o efeito, com uma pirueta do Ministro da Cultura e do
Secretário de Estado, a titubear com arremedo vacilante, veio
acrescentando verbas a conta-gotas mas sempre tendo em conta a
satisfação das clientelas.
A
dissimulação continuou nas autarquias, com Rui Moreira, em nome do
Porto, a levantar bem alto a bandeira do fingimento. Como mestre de
cerimónias a receber contestatários, sem arriscar nada, dando um
exemplo de completo aproveitamento político, Moreira foi o exemplo
maior da jacobice paroleira. Sem estar minimamente preocupado com a
não contemplação de subsídios estatais às agremiações do
concelho do grande Porto, assistimos a um desempenho de excelência,
aliás, como já vem sendo costume pelo presidente da câmara
nortenha na divisão entre norte e sul.
Um
pouco a reboque do Porto, Manuel Machado, presidente da autarquia de
Coimbra, certamente depois de muito pensar, lá teria chegado à
conclusão de que, para ficar bem na fotografia e capitalizar, o
melhor seria ter um pé em cada margem e anunciar apoio aos não
contemplados na cidade pelo Governo. Foi um patrocínio pusilânime e
sem consistência que, a meu ver, só enganou os tolos, aqueles que,
por jugo de um bairrismo pacóvio e de imposturice, em nome da
“coltura” aceitam tudo sem questionar, sem contas de
balanço, e sem exame prévio às suas atividades. O mau exemplo vem sempre de cima.
A
simulação continuou e continua por parte dos citadinos quando, em
face da não abrangência, sobretudo, de duas companhias de teatro
profissionais. A maioria dos munícipes, com longos prantos
esparramados veio manifestar-se nas redes sociais contra a enorme
injustiça e arbitrariedade perpetrada pelo júri do concurso contra
os dois agrupamentos cénicos conimbricenses. Era bom perguntar a
estas pessoas, agora tão chorosas e tristonhas, quantas vezes foram
assistir a uma peça de teatro nos últimos cinco anos? Não é que
todos sejam obrigados a gostar de teatro, nada disso! O que é
preciso é mostrar coerência, isto sim! Apetece perguntar: afinal, qual é a cultura de Coimbra?
Embora
me apetecesse escrever sobre este assunto logo no primeiro dia que
veio a público, refreei o ímpeto por acreditar que, mesmo não
sendo presciente, o resultado, antes de o ser, já estava
anunciado. Ou seja, tão certo como dois e dois serem quatro, o
Governo, não aguentando a pressão do Bloco de Esquerda e a sua
ligação aos artistas, iria ceder em toda a linha. Parcialmente foi
o que aconteceu. O que eu não “adivinhei” foi que a
Orquestra Clássica do Centro (OCC) não iria ser contemplada na
segunda tranche.
Antes
de prosseguir, devo fazer uma ressalva: conheço de perto o trabalho,
a entrega, o amor e a dedicação de Emília Martins à frente da
direcção da OCC, que desde 2001, prejudicando a sua vida particular
e profissional, o quanto tem desenvolvido esforços para que Coimbra
possa continuar a manter uma orquestra de câmara em actividade.
É
público que à OCC não foi consignada qualquer verba governamental
que lhe permita assegurar os seus compromissos do presente e para o
futuro. As perguntas que emergem agora são:
-Sendo
os restantes contestatários contemplados, por que não foi a OCC, no
mesmo critério de (des)igualdade, agraciada? Não é de esquerda?
-O
que vai fazer o Bloco de Esquerda em face desta discriminação? Vai
manifestar-se?
-O
que vai fazer o presidente da Câmara Municipal de Coimbra? Sendo
parte do mesmo partido, vamos ver o seu protesto ser apresentado ao
Governo?
Ficam
as perguntas no ar. Vamos todos andar por aqui e, à medida que se
manifestam as estruturas competentes, vamos tomando nota e sobre a
sua forma de estar continuaremos a escrever.
sexta-feira, 6 de abril de 2018
EDITORIAL: SANTOS DA CASA NÃO FAZEM MILAGRES
“Hoje
temos de pensar muito para se dar um passo maior que a perna -não
quer dizer que não fosse sempre assim, mas noutros tempos, por haver
mais dinheiro em circulação e os rendimentos das famílias ser
maior, podia-se arriscar.
Na
actualidade, quem se aventura sem rede corre o sério risco de cair e
ficar paraplégico para sempre.”
Nas
instalações da Escola de São Bartolomeu, na próxima terça-feira,
pelas 19h00, a convite do Núcleo de Coimbra da Confederação
Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME),
representado por Vitor Carvalho e Arménio Pratas, vão reunir-se os
comerciantes da Baixa para debater o presente e o futuro (que é já
amanhã) das suas/nossas vidas. De salientar que o secretário-geral
da confederação, José Brinquete, vem de Lisboa a Coimbra de
propósito para ouvir os profissionais de comércio.
Enquanto
comerciante e em nome de todos quantos aqui exercem a sua profissão,
se posso escrever assim, começo por agradecer à CPPME este renovado
esforço para, conjuntamente com os interessados, se procurarem
soluções de âmbito localizado. Claro que, para isto acontecer, é
preciso que os mercadores acorram em massa. Quanto maior for a adesão
à reunião, maior será a mensagem que chegará à Câmara Municipal
de Coimbra, a entidade política e administrativa local que deveria
estar mais interessada em apoiar esta classe e, num desprezo
escandaloso, nada faz, e ao Governo central, uma vez que a
Confederação, enquanto associação nacional, pode levar à
Assembleia da República, através de um grupo parlamentar, a
gravíssima situação económica/financeira que os comerciantes de
Coimbra estão a atravessar.
Para
quem, como eu, todos os dias calcorreia estas pedras da calçada,
descolando do seu balcão de conforto e falando com um e outro
colega, sabe/sente/pressente que a situação é muito preocupante.
Digo eu, especulando, é mais grave do que se pensa. E sem entrar em
grandes pormenores, porque sei do que escrevo, para muitos o único
caminho possível é o encerramento depois de muitos meses de renda
ficarem por pagar e outras dívidas por cabimentar. E os fechos estão
à vista de todos: em Janeiro encerraram 6 lojas e em Março 7. Neste
Abril e Maio já estão comprometidos com vários anúncios que
correm ao vento.
Quem,
há dias, tomou atenção a uma conferência de Imprensa da DECO,
mais que certo, apercebeu-se que, segundo declarações da entidade
de defesa de consumidores, 6% dos sobre-endividados nacionais
pertencem a pessoas que se meteram em negócios e falharam. Os seus
sonhos, legítimos de alcançarem uma vida melhor, pela inexperiência
e conjuntura, redundaram em desastre que dificilmente esquecerão.
Contrariamente ao que se apregoa, que o crescimento económico veio
para ficar, quase a empurrar os jovens para o empresariado, ser
empresário hoje só com uma grande dose de loucura. O que perpassa é
que a situação do país nunca esteve tão boa para se apostar.
Basta abrirmos qualquer revista suplemento de qualquer diário
nacional e, pela metamorfose apresentada, ficamos com uma ideia
completamente errónea da realidade das cidades. Mesmo sabendo que
não vai além de escassos meses, qualquer negócio novo, diferente e
original, é apresentado como uma lança em África. Depois, como
mostrou a DECO, as tragédias estão ao virar da esquina.
Hoje
temos de pensar muito para se dar um passo maior que a perna -não
quer dizer que não fosse sempre assim, mas noutros tempos, por haver
mais dinheiro em circulação e os rendimentos das famílias serem
maior, podia-se arriscar.
Na
actualidade, quem se aventura sem rede corre o sério risco de cair e
ficar paraplégico para sempre.
Os
únicos que ganham sempre, com um salto bem ou mal calculado, são a
Autoridade Tributária e o Governo. Não falando do género do
investidor do BES, sempre que alguém aplica dinheiro num negócio
próprio, seja com aforramento ou crédito, para além de desenvolver
a economia, através de impostos directos e indirectos,
financeiramente está a contribuir para o Fisco. Por outro lado, para
o Governo quanto mais pessoas se meterem em aventuras, sejam de
sucesso ou o contrário, melhor. São números a abater no Instituto
de Emprego e Formação Profissional.
E
estive para aqui a perorar como uma espécie de sermão aos peixes
porquê? Porque o futuro é dos jovens. Não são os mais velhos que,
na maioria, vão tocar a economia para a frente.
Voltando
à reunião que vai acontecer na próxima terça-feira sobre o
comércio da Baixa, é precisamente aos jovens que mais interessa
ouvir e intervir. No imediato, como meio de obtenção de rendimento,
são eles os mais interessados no futuro desta zona.
Como
todos sabemos, precisamente pela crise latente, os mais velhos estão
a largar os seus comércios e a passarem para os mais novos -e é
aqui, nesta passagem que cada um deve tomar atenção onde põe os
pés. Não se pense que estou a passar o ónus para quem trabalhou
uma vida inteira. Nada disso! Aliás, se há uma classe
desclassificada, espezinhada e desrespeitada pelo poder político,
acredite-se, é a dos comerciantes. Se assim não fosse, por exemplo,
teriam direito a subsídio de desemprego. E não têm! Querem
desconsideração maior?
Quem
conseguiu poupar alguma coisa ao longo da vida pode ter uma velhice
digna. Os que não conseguiram estarão em muito maus lençóis. E
com os jovens, aqueles que agora se lançam na vida comercial, podem
crer, será ainda muito pior. Porque já sou velho, talvez num
arremedo de falsa autoridade, deu-me para avisar.
Vale
a pena pensar nisto?COMÉRCIO: UM ENCONTRO QUE VEM MESMO A PROPÓSITO
Na
próxima Terça-feira, 10 de Abril, pelas 19h00, nas instalações da
Escola de São Bartolomeu, na Avenida Fernão de Magalhães, o Núcleo
de Coimbra da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias
Empresas (CPPME), representado por Vitor Carvalho, ex-presidente da
Junta de Freguesia de Cernache, e Arménio Pratas, comerciante na Rua
da Sofia, acompanhados com o secretário-geral da CPPME, José
Brinquete, convida todos os comerciantes da Baixa de Coimbra a
comparecerem para debaterem o seu futuro e o do comércio
tradicional.
Na
missiva distribuída nos estabelecimentos comerciais pode ler-se:
“A
CPPME tem o prazer de o/a convidar para uma reunião para discutir os
graves problemas com que se debatem os comerciantes da Baixa de
Coimbra e das medidas a tomar para a sua resolução”
“CONTAMOS
CONSIGO! VAMOS DISCUTIR O NOSSO FUTURO!”
PERSONAGENS COIMBRÃS: O CAGÃO OPORTUNISTA
(Imagem da Web)
Escrevi
esta crónica em Junho de 2014.
Vão
perdoar a arrogância, mas continua
tão
actual que não resisti a trazê-la novamente
à
colação. Ora leiam, e vejam se não tenho razão!
“Hoje
não continua tudo igual? Claro que sim! Porém, como as vacas
minguam e o leite é escasso, cabe menos a cada um dos compadres, dos
ajudantes que contribuíram a eleger o homem do leme.”
Tenho
uma faculdade que nunca contei aqui: detenho uma memória visual
fantástica. Olho um rosto e raramente esqueço os seus traços,
mesmo passadas décadas. Posso não saber de onde é imediatamente
mas, matutando, matutando, chego lá. Então se forem caras
conhecidas, políticos ou artistas mesmo fora de moda, raramente me
escapam. Quando alguém, depois de sair da ribalta e vestido num fato
de anonimato, entra na minha loja e o trato pelo nome desmancha-se
todo no seu encómio de admiração: “conhece-me?!?".
Então personagens locais que passem pelos jornais reconheço-os
imediatamente. Escusado será escrever que me ignoram completamente,
como nunca me vissem mais gordo e mesmo que já tivessem privado
comigo de perto fazem tudo para não me dar importância. Este
comportamento –anormal, posso escrever assim?- é extensível a
praticamente todos os que voam lá no alto, nem que seja somente na
sua própria imaginação. Curioso, que este comportamento também se
passa com quem já percorreu o caminho das pedras e de um momento
para o outro se vê catapultado para um lugar importante. Então
sempre que se cruzam connosco, para não nos cumprimentar, puxam do
telemóvel e fazem de conta que estão a ter uma longa conversa. Um
monólogo de presumido, idiota que não vale um caracol. Se não
fosse o trampolim político continuava anódino.
Para
este tipo de gentinha, é como se a sociedade se dividisse em duas
placas: superior e inferior. Na grelha inferior cabe toda a
desaparecida classe média, com todos os trabalhadores assalariados
ou independentes. Este tipo de gentalha, com um olhar altivo e
dominador –tantas vezes a disfarçar um incómodo complexo de
inferioridade-, quase segregacionista, apenas se relaciona com a
classe superior. A excepção será para quando alguém que, ocupando
um cargo na administração, lhe dê interesse e lhe sirva de ponte
para a resolução de algum problema. Quando assim é, usa e abusa
descaradamente de quem utiliza como escada para os seus fins que não
conhecem meios.
No
caso da figura que vou falar hoje e que deu origem a este
apontamento, conhecemo-nos há trinta anos. Ou melhor, eu conheço-o
desde o seu nome até a todos os passos que deu e vieram noticiados
nos jornais. Ele já falou comigo algumas vezes e até sabe que tenho
uma loja na Baixa da cidade, mas de mim não sabe mais nada. Não é
uma ignorância de conjectura ocasional mas um desconhecimento tácito
e planeado. A sua diferenciação social faz parte de um plano urdido
em noites de insónia e baseado no aforismo “mostra-me com quem
andas e digo-te o que vales”. Para ele, eu serei apenas uma
sombra que se cruza com a sua orquestrada imponência de pavão.
Sempre tive ideia de que a sua figura foi construída
milimetricamente, assente numa imagem de show-of, vazia de
conteúdo, como se a sua representação dramática assentasse na
frontaria e fosse apenas um cenário de filme ou de teatro
imaginário. Aos meus olhos, sempre viveu ancorado em esquemas, em
teias entrelaçadas no poder instituído. É um camaleão, ou diria
antes, uma cobra a saracotear a pradaria citadina do burlesco. Ao
longo das últimas décadas viveu sempre no crepúsculo de uma dita chamada e apregoada cultura, tantas vezes defendida em grupo de
intelectuais de pacotilha como este artista, a querer fazer crer aos
imbecis, como eu, que esta “coltura” era essencial
para o modus vivendi do burgo. Mas, verdadeiramente, este
género de cagão sempre esteve interessado em subtrair uns
cobres ao erário público e nada mais. Ao longo das últimas
décadas, com sorrisos e bolinhos enganou os tolinhos que passaram
nos passos perdidos para outros, mas para ele sempre bem
aproveitados no Paço do Concelho. Enganou? Não! –Não é o termo
correcto! Extraiu de mão beijada aos patetas que chefiaram, e
continuam a chefiar a edilidade. Foi sempre um contrato de mútuo. O
pacóvio da autarquia -que era, e é, também artista- precisava, e
precisa, de mostrar ao munícipe estúpido que estava, e está, a
fazer coisas importantes, a cuidar da “coltura” da cidade,
e como os milhões não lhe custaram nada –o eleito é apenas um
mau administrador da massa falida-, e até caíram sempre do
Orçamento Municipal, do Orçamento Geral do Estado, ou do céu
europeu, aos trambolhões, distribuía-os, e vai distribuindo, pelos
acólitos mais chegados.
Hoje
não continua tudo igual? Claro que sim! Porém, como as vacas
minguam e o leite é escasso, cabe menos a cada um dos compadres, dos
ajudantes que contribuíram a eleger o homem do leme. Então como a
distribuição só está a chegar a alguns, os não contemplados, por
onde passam atiram setas envenenadas ao ex-idolatrado e apoiado no
último sufrágio. Foi o caso deste cagão que encontrei há
dias a vociferar e a deitar fogo pelas narinas como touro
enraivecido. Vejam bem que em 30 anos praticamente nunca me dirigiu a
palavra para além de um cumprimento à la carte, daqueles
assim no género: “está bom, passou bem?”. Mas,
continuando a caminhar na sua nuvem esotérica de pedestal, sem
esperar resposta.
Dizia eu, então, vejam bem que o cagão oportunista há dias estava tão sozinho, tão carente de ser ouvido –por que já ninguém atura as suas descaradas desavergonhices de pendura- que até falou comigo –eu, o tal, o insignificante aos seus olhos- a lamentar a postura do outro, o agora ocupante da cadeira do poder. Dizia-me ele: “veja bem que até foi a minha casa convidar-me para o apoiar! Prometeu-me mundos e fundos, e agora não aprova o meu programa! Já viu? Isto está bem para quem não tem vergonha! Fulano, marido da tal, e mais o tal que fez tal viram os seus desejos satisfeitos. E eu nada! É um sacana! E fui eu apoiar um gajo destes!?! Eu que até dei um salto mortal nas minhas convicções ideológicas?!?”
Dizia eu, então, vejam bem que o cagão oportunista há dias estava tão sozinho, tão carente de ser ouvido –por que já ninguém atura as suas descaradas desavergonhices de pendura- que até falou comigo –eu, o tal, o insignificante aos seus olhos- a lamentar a postura do outro, o agora ocupante da cadeira do poder. Dizia-me ele: “veja bem que até foi a minha casa convidar-me para o apoiar! Prometeu-me mundos e fundos, e agora não aprova o meu programa! Já viu? Isto está bem para quem não tem vergonha! Fulano, marido da tal, e mais o tal que fez tal viram os seus desejos satisfeitos. E eu nada! É um sacana! E fui eu apoiar um gajo destes!?! Eu que até dei um salto mortal nas minhas convicções ideológicas?!?”
quinta-feira, 5 de abril de 2018
BAIXA: NOTÍCIAS DO NOSSO BAIRRO
No
Terreiro da Erva, no antigo espaço da Cerâmica Antiga de Coimbra, Ldª,
Viúva Alfredo de Oliveira, abriu a semana passada o restaurante
Refeitro. Com uma simbiose perfeita entre as histórias
da cerâmica e da boa cozinha conimbricense, enquanto se degustam os
maravilhosos pitéus pantagruélicos, através de um vidro que separa
a salas, podemos assistir à manufactura do barro, arte que desde
sempre esteve ligada a Coimbra pela genialidade de Domingos Vandelli
e Manuel da Costa Brioso. É uma iniciativa relevante, já que,
infelizmente, hoje a faiança de Coimbra, outrora tão famosa no
mundo inteiro, encontra-se em fase de desaparecimento.
O
Refeitro, que serve também pratos vegetarianos, está aberto
de Segunda a Sábado, das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. É
resultado de uma parceria entre três sócios, um deles ligado à
Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.
Para
este projecto inovador, em nome da Baixa, se posso escrever assim,
desejamos o maior sucesso e ventura.
No
antigo espaço do Saul Morgado, na Rua Adelino Veiga, abriu esta
semana uma nova casa ligada à restauração, as Caves do Conde. Com garrafeira e prova
de vinhos ao nível da rua e sala de restaurante no piso rebaixado,
impera o bom gosto e o ambiente monástico, que convida à
introspecção, com as suas arcadas de pedra é indescritível.
Para
este novo negócio alimentar, em nome de todos quantos por aqui, pelo
centro histórico, laboram, desejamos as maiores felicidades.
As
obras no antigo Largo das Olarias, junto à Loja do Cidadão, depois
de uma lentidão notória, parecem ter ganho alguma velocidade. Pelos
vestígios arqueológicos que se avistam ao longo da futura Avenida Central, e tantas vezes incompreendidos pela sua contribuição para
o atraso de tantas construções, dá para perceber que a história
da cidade está ali representada em muros, muretes e fragmentos. Por
muito que custe a todos nós, é um mal necessário.
(A Veludo Carmin, com duas lojas na Baixa,
vai encerrar por estes dias a casa da Rua Eduardo Coelho.
Vai manter aberto o espaço na Rua Visconde da Luz)
Numa
espécie de roleta russa, os estabelecimentos comerciais na Baixa de
Coimbra continuam a claudicar. Em Janeiro encerraram 6. Em Março
foram 7. Para este Abril e Maio estão anunciados mais alguns fechos de lojas.
Aceitam-se apostas se a maioria socialista vai mover um dedo que seja
para acudir a este extermínio anunciado do comércio tradicional.
Há quem diga por aqui que se a arte de comprar e vender fosse
considerada cultura e estivessem em causa subsídios de desempenho
não atribuídos, Manuel Machado, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, já teria vindo colocar-se ao lado
dos mercadores e pondo em prática políticas de revitalização.
Assim, como cada comerciante para sobreviver e pagar as suas contas tem de dar o litro
sem qualquer apoio, sem qualquer rede, como é óbvio, num país em
que quem não mama não é sujeito de dignidade e de direito, de
forma aviltante, que causa desonra, é esquecido e não merece
qualquer respeito.
BAIXA: FOGO NO CAFÉ NICOLA
Cerca
das 07h00, deflagrou um incêndio no terceiro andar do prédio
ocupado pelo café Nicola, na Rua Ferreira Borges.
Embora
as informações sejam escassas, tudo indica que os funcionários
estariam a trabalhar na confecção de pastelaria e um forno,
incendiando-se primeiro, teria alastrado o fogo ao tecto e à cobertura de
madeira e telhas. Não houve feridos a lamentar.
Como
é normal nestas infelizes situações, uma vez que a água se
infiltra por entre os pisos e danifica tudo à sua passagem, o
popular café ficará debilitado durante alguns dias. Os prejuízos,
ainda não contabilizados serão de grande monta. O proprietário,
visivelmente emocionado, sem dar informações, mostrava o seu
desalento perante a desgraça que lhe coube em sorte.
À
hora a que escrevemos, 08h00, o cheiro a queimado é intenso e
espalha-se por todo o centro histórico.
São
acidentes que a qualquer momento podem acontecer -lembramos que há
cerca de quinze dias também aconteceu outro incêndio ocasional bem
perto de nós, na loja Coisas Antigas, na Avenida Sá da Bandeira. Se
é certo que ninguém está preparado para uma calamidade fortuita, o
problema é que, sobretudo nesta parte da cidade, o tecido
empresarial está muito debilitado economicamente. Ora uma desgraça
assim, sobretudo numa altura destas, manda qualquer um para uma
situação material e psicológica de incalculável sofrimento. Só
quem sente poderá descrever a dor.
BOCAGE
VALEU NA AFLIÇÃO?
Dentro do tremendo azar, apesar de tudo, a ventura não abandonou o Nicola. Porque alegadamente não teria sofrido danos de monta no rés-do-chão -ou Bocage, além-túmulo, teria intercedido com o velho aforismo de que o “não se abate o Nicola nem que se dispare uma pistola”- o histórico café está em funcionamento para receber os seus clientes e curiosos. É uma boa altura para, com uma palavra de solidariedade ao proprietário, se lá ir tomar um café e comer um pastel de Tentúgal.
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