sábado, 13 de agosto de 2016

A VERGONHA DO SISTEMA...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Caixa Geral de Aposentações divulga nomes dos 332 beneficiários da subvenção vitalícia

00:21 Económico

A revista Visão divulga a lista completa. Por exemplo, a José Sócrates está destinado um valor mensal de pensão vitalícia de 2.372,05 euros. Outro exemplo, Duarte Lima tem direito a uma pensão vitalícia de 2.289,10 euros. Veja aqui a listacompleta.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

OS NOSSOS DIÁRIOS DORMEM NO CALOR DOS INCÊNDIOS?






Ontem, conforme noticiado aqui no blogue, ocorreu um grave incidente entre vizinhos, com esfaqueamento e um ferido em perigo de vida. Escrevi o texto sobre o acontecimento e, como sempre faço para que tomem conhecimento, “colei-o” na página do Facebook dos dois matutinos da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras.
Para meu espanto, ontem, apenas o Jornal de Notícias, com sede no Porto, mandou uma jornalista, Carina Fonseca, cobrir o crime. Hoje, de manhã, foi a televisão TVI, de Lisboa, que fez um directo a narrar o assunto. Ou seja, a informação de Lisboa e Porto chegou primeiro ao teatro de operações, à cidade dos estudantes, que os próprios de Coimbra.
Claro que há sempre uma explicação para tudo. E, para os desculpabilizar até poderemos especular: 
Primeiro, que os administradores ou jornalistas dos dois diários da Lusa Atenas não lêem o blogue Questões Nacionais -isso já nem constitui surpresa. Quanto à razão por não o fazerem, bom, isso já causa alguma admiração -sobretudo porque, tendo em conta as suas próprias dificuldades, deveriam pensar que os blogues locais, entre este e outros, são hoje uma ferramenta importante de inter-ajuda. No fundo são uma extensão do seu trabalho de informação e que lhes custa zero cêntimos. Ou seja, neste pacote de desprezo também se conta que, na maioria das vezes, quando por sorte “pescam” uma notícia neste sítio pessoal nem o citam -refiro aqui que o Diário de Coimbra é mais “useiro e vezeiro", mais abusador nesta questão. “As Beiras”, depois de algumas reclamações, já faz o favor de citar a fonte. Notoriamente, fazem de conta que quem escreve num blogue -de forma séria, como o faço- não existe. É uma pena, mas é o que temos!
Segundo, dá para ver que dentro do jornal -dos dois diários- ninguém tem um minuto para ler os comentários e outros desabafos que são colocados no Facebook. Para que serve aquilo? É só mesmo para vender o produto?
Terceiro, poderemos pensar que os dois diários em papel, de repente, se transformaram em “protectores” da Baixa. Escrevo isto porque há uns anos havia acusações, por parte de comerciantes, contra os dois periódicos de que ao noticiarem o crime ocorrido nesta zona histórica queriam destruir a parte comercial -no sentido de que alarmavam os leitores, avançavam os profissionais do negócio.
Quarto, pode interrogar-se, o que tenho eu a ver com o facto de não estarem atentos ao que se passa na cidade? Tenho tudo. Sou um leitor diário dos dois jornais em papel -já fui assinante dos dois. Neste momento apenas de um. Enquanto leitor exijo -repito, exijo- uma imprensa descomprometida com o poder político, isenta e livre, e atenta ao que se passa na cidade.
Para terminar, informo que amanhã, num trabalho assinado por Ana Margalho, já sai uma peça no Diário de Coimbra. Como sou optimista sempre refiro que vale mais tarde do que nunca!


POST SCRIPTUM: O SEU A SEU DONO

Contrariamente ao que afirmo no texto, de que os dois jornais locais não tinham escrito nada sobre o crime, penitencio-me hoje, afinal o Diário as Beiras, embora sem identificar o local nem os intervenientes, ontem, tinha feito um pequeno rectângulo a noticiar o facto. Pelo lapso, as minhas parciais desculpas ao Diário as Beiras. Apenas parciais porque embora se alterasse o conteúdo, a forma mantém-se. Fica aqui a reprodução do texto:

“AGRESSÃO COM ARMA BRANCA EM PRÉDIO DA BAIXA”
Uma pessoa foi agredida com uma arma branca, na tarde de ontem, na baixa de Coimbra. Ao que o DIÁRIO AS BEIRAS conseguiu apurar a situação ocorreu depois do almoço, num prédio localizado na baixa da cidade. Não são conhecidos os motivos que estiveram na origem da agressão.
A vítima foi socorrida no local, pelo INEM, e transportada para o serviço de urgência do CHUC – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
Ao DIÁRIO AS BEIRAS fonte do gabinete de Relações Públicas da PSP de Coimbra confirmou a ocorrência e remeteu mais explicações para hoje.”

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ESFAQUEAMENTO NO LARGO DA FREIRIA":


Senhor Luís Fernandes, achei qualquer coisa de estranho, mas familiar, no relato da tragédia e fui ler outro texto que escreveu sobre o senhor Carlos Leonel. Fala de esquizofrenia. Sobre isto, quero dizer que infelizmente, tive oportunidade de conhecer bem a doença, quando um vizinho de baixo, que a tinha, me batia várias vezes à porta, ameaçador, porque ouvia barulhos inexistentes. Rezo para que o rapaz se salve e espero que finalmente cuidem do outro senhor, se, como estou convencido, tiver mesmo esquizofrenia, uma doença ainda tão desconhecida para a grande maioria e de tratamento tão complicado, sobretudo quando se vive só.  

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ESFAQUEAMENTO NO LARGO DA FREIRIA


~



Passavam poucos minutos das 14h00, quando Carlos Leonel Cardoso Gonçalves, de 58 anos, um morador no número 12 do Largo da Freiria -contei aqui a sua história e baptizei-o como "o grego"-, no terceiro andar, na Baixa, um pouco transtornado e apresentando um ferimento no nariz, se me dirigiu: “senhor Luís, chame o 112 porque eu dei uma navalhada no rapaz do primeiro andar. Não sei se o matei! Estava a fazer muito barulho -é todos os dias a mesma coisa-, fui pedir-lhe explicações e “passei-me”.
Num cenário de alguma violência, com sangue a jorrar de uma perfuração no pescoço, estava Ricardo José Fernandes Alves, de 20 anos de idade, e residente no mesmo edifício, no primeiro andar. Lúcido, com os sinais vitais activos e sem perder a consciência, o rapaz foi transportado para o hospital, pelo 112.
Segundo Elsa Fernandes, mãe da vítima, “nós estávamos a almoçar quando bateram à porta com alguma violência. O meu Ricardo levantou-se e abriu a porta. Foi então que, pelo barulho, me apercebi que alguma coisa não estava bem. Acorri à entrada e deparei-me com o meu filho cheio de sangue.”
Agressor e vítima, embora cada um com sua idiossincrasia, a sua forma de ser e personalidades próprias, ambos a residirem neste pitoresco largo da Baixa, são respeitados e dão-se ao respeito. Foi uma completa surpresa para todos os comerciantes e restantes moradores.
Segundo uma testemunha que pediu o anonimato, e que conhece bem o agressor e ferido, “há entre eles uma tensão muito grande já há muito tempo. De tal modo que a a Elsa, a mãe da vítima, ainda há uns tempos me disse: “um dia destes vai acontecer uma desgraça.”
A PSP tomou conta da ocorrência. O agressor foi detido para interrogatório e tudo indica que irá ser sujeito a medidas de coacção.

DEPOIS DA OCORRÊNCIA, ENTRETANTO SOUBE-SE...

Através de informações na 2.ª Esquadra, Carlos Leonel, o agressor, vai ficar detido e à espera da medida de coacção que lhe será aplicada.
Quanto ao estado do ferido, Ricardo Fernandes, “está em perigo de vida”.




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

COM JÊ PÊ O MATERIAL NUNCA MAIS SE VÊ






JP é um simpático “consertador” de electrodomésticos que até há cerca de duas semanas esteve, um a seguir ao outro, durante cerca de um ano, em dois locais distintos da Baixa estabelecido com uma loja onde recebia os materiais avariados. O último foi na Rua do Corvo, em frente à Ricarlina.
Não fosse o seu génio criativo e JP seria mais um recuperador de objectos perdidos. JP, pela sua vocação inventiva, só é comparável ao autor de “Onde está o Wally?”, Martin Handford. O livro que surgiu em 1987, já vendeu mais de 58 milhões e foi traduzido em 19 países com 38 línguas diferentes.
Bem sei que você, leitor, está em pulgas para saber, afinal, o que fez de notável o homem. Calma que eu já conto tudo sem ser preciso pressionar. O “nosso” JP, com uma jogada de mestre, fez com que meia-Baixa andasse a interrogar outra metade: “onde está o JP?”
Ao que parece, JP encerrou a loja e, sem passar informação aos seus clientes nem a quem quer que seja -e muito menos no vidro da sua sede até aqui-, sobretudo aos que nele tinham depositado confiança para restaurar as máquinas, e “bazou” para parte incerta, levando consigo o material que deveria restituir. Tanto quanto se diz, foram aparelhagens de som, televisões, computadores portáteis, máquinas de lavar. É claro que isto são mais as vozes que as nozes. Esta gente, exagerada e sempre pronta a espetar a lança da ignomínia, nem entende o lado divertido de JP. Isto foi apenas uma brincadeira. Está de ver que esta partida sem avisar é apenas um jogo para testar a capacidade de resistência dos “procuradores” e para saber quantos amigos tinha mesmo nesta parte velha.
Diz-se por aqui que até há um prémio chorudo e outro menor para o primeiro que o encontrar. A recompensa mais pequena, a de consolação, será um jantar à luz de velas, para duas pessoas, no restaurante "Tasquinha da Baixa", ali ao lado do desaparecido em combate. Quem descobrir onde está o JP faça o favor de dizer qualquer coisinha para este blogue ou reclamar a retribuição mínima na mais famosa casa pantagruélica da Baixa de Coimbra.

BAIXA: UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA




Na semana passada, o abandonado lago do esquecimento, no Largo do Poço, como por milagre divino, apareceu “vivinho da silva” a jorrar água em jacto, como fora até há vários anos, e rodeado com uns pilaretes em aço. Se a ideia de colocar pilares em chapa , pelos custos de manutenção, não será o melhor plano, pela intenção, os serviços da autarquia merecem uma salva de palmas, já que o espaço emblemático da Baixa passou a ter mais dignidade.

MAU, MAU! DEPOIS DE UM ELOGIO, O QUE É QUE VEM A SEGUIR?

Nos últimos dez anos, se a memória não me atraiçoa, numa espécie de escrever na água, fui sempre chamando a atenção para os inestéticos barracões que, como castigo divino, a organização da Feira das Cebolas teima em colocar na Praça do Comércio, um histórico espaço no coração do Centro Histórico da cidade. Saliento que é uma organização do Rancho Folclórico “Os Camponeses de Vila Nova”, Cernache, e com o apoio merecido da Câmara Municipal de Coimbra, através do pelouro da Cultura.
Anualmente, no mês de Agosto, no pico do turismo que nos visita, faz algum sentido continuar a apresentar aquele quadro de ambiente degradado nos meios de apoio ao certame? Até se compreende que o Rancho Folclórico não tenha possibilidade de apresentar melhor, mas e a edilidade não terá algo mais bem-parecido nos seus armazéns?
Como se vê, pelo perpetuar no tempo, não vale a pena esperar por outro executivo de outra cor partidária. O problema é sempre o mesmo. Os que estão lêem na cartilha dos anteriores. Por isso mesmo, a perder a fé nos homens -refiro que, no caso, é mulher, a vereadora da Cultura- viro-me para o transcendente e ergo as mãos aos céus, como quem diz, para a Rainha Santa. Quem sabe a Padroeira não ilumine estas cabecinhas pensadoras?

sábado, 6 de agosto de 2016

EDITORIAL: "O MEU SONHO É TER UMA LOJINHA"





Começo com uma ressalva: já sou velho. Talvez mais velho do que pareço. Embora faça tudo para parecer modernaço, jovial e mais novo, sei que, de facto, sou velho. Não sou velho em função da idade -estou à beira dos sessenta-, mas sim pela intensidade como, na forma, vivi todos estes anos. Faço parte de uma geração de portugueses que começou a desbravar a vida muito cedo. Pela conjuntura do tempo, fui criança quando ainda deveria ser infante, fui homem quando ainda deveria ser adolescente, fui responsável, casando e sendo pai de filhos, quando ainda deveria andar a marear o caneco e a beijar as cachopas. Talvez este adiantado calcorrear nas fases de crescimento, estando sempre à frente, explique porque, intelectualmente, sou agora mais velho do que pareço. E “ser velho” é o quê? Ser derrotista, pessimista, um negativista militante? É isto, o mesmo que Camões simbolizava no “Velho do Restelo”, dos Lusíadas? Não senhor! Nada disso! Ser velho é, pelo caminho percorrido, pela experiência empírica, ser avisado, prudente, desconfiado em quantidade que baste. Não um irritante descrente que não confia em nada nem ninguém. Não é isso. É, perante uma boa-nova, uma notícia, pesando os prós e contras, conseguir antever imediatamente o reverso da medida. Ser velho é, pelas pedras pisadas e pelas mazelas marcadas na alma, passar a ser um optimista contido, um realista eloquente. No fundo, é ser um céptico espiritual, dividido entre o que parece ser e o que será no futuro, que através da sensibilidade adquirida tenta precaver-se, defendendo-se, e não escorregar facilmente na casca da banana. Em resumo, ser velho não significa que se duvida para existir, mas duvida-se para persistir, resistir, fazendo da incerteza um campo vasto de análise complexa, um filtro que em processo de eliminação conduz à verdade absoluta -de que falava Decarte na “Dúvida Metódica”. Para que, em caso de aparência desfeita, na hora da descoberta da mentira o impacto seja menor e cause o menor dano.
Iniciei este texto com este longo prólogo, em boa verdade, para me justificar. Trabalho há cerca de meio século -dezasseis como empregado e 34 por conta própria-, e escrevo há décadas sobre o comércio, enquanto actividade profissional, e também sobre o que se passa à minha volta, na Baixa da cidade. É óbvio que estas duas premissas não me dão ares de um especialista, nem coisa que o valha. Talvez no limite faça de mim um especulador, um observador, isto sim.
Volta e meia sou confrontado com pedidos de opinião sobre o que penso sobre a possibilidade de se abrir um determinado negócio. Normalmente são pessoas que, vindas de outras profissões, como professor, advogado e outras áreas profissionais, não têm qualquer experiência comercial. Ou porque se aposentaram, ou porque fizeram um bom negócio predial e querem investir o correspondente -já que os depósitos bancários não têm rentabilidade. Há uma frase comum a todos: “o meu sonho foi sempre ter uma lojinha!”
Fico sempre embasbacado na resposta. Ou porque sinto a dificuldade de lhes refrear o ânimo, vindo de alguém que está profundamente cego e não mede as consequências, ou porque, se os desmotivar, sejam levados a pensar que os quero arredar do seu propósito. Sinto imensa contrariedade em transmitir-lhe que, nos nossos dias, abrir um negócio pode ser o pior passo na vida de qualquer um. O sonho pode facilmente transformar-se num pesadelo infernal. Já assisti a vários desastres nos últimos anos aqui na Baixa, sobretudo jovens -estes atiram-se de cabeça e nunca pedem opinião. Já escrevi sobre a “obrigação” prévia de qualquer um candidato que pretenda investir consultar, por exemplo, o Gabinete de Apoio ao Investidor, da Câmara Municipal de Coimbra.

O COMÉRCIO E O MITO

Até ao virar do milénio, 1999/2000, tinha-se ideia que, sem grandes conhecimentos técnicos, qualquer pessoa que quisesse enriquecer facilmente só precisava abrir um espaço comercial. Passou-se o mesmo na construção civil, mas aqui, neste metier, já obrigava a outros saberes mínimos -e com a derrocada do crédito barato este mito desapareceu. Hoje, comummente, aceita-se que não é uma boa decisão construir casas. Reconstruir, se o Governo levar a medida anunciada em frente, já poderá ser.
Como a indústria está em coma, a construção civil está em banho-maria, a hotelaria passou a ser sazonal, o comércio, exceptuando as grandes superfícies, sofre de raquitismo, os serviços, em prestação, são muito mal pagos, a agricultura é a falência precoce que se sabe, praticamente, poucos sectores continuam a gerar emprego. Então, numa espécie de Nossa Senhora dos Aflitos que acolhe todas as rogações, o que sobra é o silêncio da indecisão. De pouco mais, o que resta é criar a sua própria ocupação no comércio -os governos, anteriores e actual, dão uma mãozinha criando fortes incentivos no investimento jovem -com um único objectivo: baixar a taxa de desemprego a qualquer custo, nem que seja pela desgraça alheia. Os resultados, mesmo na destruição como meta, são sempre positivos para a máquina fiscal. Enquanto durar é sempre a facturar para o fisco. E quando acabar em insolvência o Estado, no caso a Segurança Social, não responde com subsídio de sobrevivência para quem perdeu tudo.
Repare-se que há muitos anos deixou de se designar “comerciante”, “industrial”. Pomposamente, passou a ser “empresário”. Esta mudança de estatuto não foi ao acaso. A máquina da propaganda dos governos sabem que tocar na vaidade humana é chegar-lhes à alma.
Ter uma empresa, um negócio, passou a ser o sonho existencial de qualquer um. Por isto mesmo, o mito do comércio continua e está para durar.

MAS TANTAS FALÊNCIAS? PORQUÊ?

Numa espécie de bê-à-bá de merceeiro, sabe-se que quando a oferta suplanta a procura o preço dos produtos desce, desce, até à “red line”, até à impossibilidade de poder manter o bem no mercado assegurando os custos de produção. Quando isto acontece, a solução é deslocalizar as empresas para outro país de mão-de-obra e obrigações, fiscais e regalias sociais, baratas e quase inexistentes.
No comércio passa-se o mesmo fenómeno. Como a procura continua a cair desde 2000, a solução é deixar cair os preços até à hecatombe final. Os que mais conseguirem adiar o tombo, naturalmente, vão adiando a queda -não é por acaso que paulatinamente assistimos a dois episódios marcantes na economia.
O primeiro, são as constantes promoções e baixa de preços nos shopping's. E porquê? Porque, para oferecerem o mais baixo, praticam uma oferta predadora internacional -correndo o mundo em busca do menor custo de produção- e destruidora da economia local. Claro que o que se publicita é que, contrariamente, incentivam a indústria nacional. A mais infame das mentiras condescendentes. Em abono da verdade, saliento que nem condeno por aí além. Se a lei permite, as grandes áreas limitam-se a usufruir da prerrogativa -se eu estivesse no lugar de um destes grandes administradores faria igual. O problema está nas directivas comunitárias, europeias, que, sabem bem, em nome de uma pseudo-transparência na concorrência entre estados-membros, estão a defender os países com maior possibilidade de produção intensiva, com baixos custos de produção através de subsídios estatais concedidos, e índice de exportação. E também para, através da Globalização, serem defendidos os interesses da Organização Mundial do Comércio.
O segundo episódio, na última década e meia assistimos, impávidos e serenos, à desbaratada Lei dos Saldos e Promoções, promulgadas pelos sucessivos governos nacionais. Não é preciso ser economista para ver que havendo constantemente promoções de produtos, sejam alimentares, sejam de vestuário, calçado, ou electrodomésticos, está-se, por um lado, a desviar os consumidores intencionalmente, servindo a lei como instrumento, por outro, está-se a concorrer para destruir os mais pequenos, como é evidente, os mais vulneráveis e débeis.

MAS A PEQUENA LOJA NÃO TÊM CUSTOS MENORES?

Repetindo, o mito do comércio como sendo Midas, em que tudo se transformava em ouro, persiste e gerando outros sub-mitos. Um deles é que a pequena loja de bairro tem custos associados de manutenção menores que as grandes áreas. Puro engano. Um pequeno espaço comercial tem custos de preservação brutais e incomportáveis para o estado actual em que se encontra a macro-economia. Por uma questão de não maçar, não vou nomeá-los. O que posso escrever é que um pequeno negócio é um micro-cosmo de ventos contrários. Enquanto anualmente sobem os custos, desde impostos e taxas, electricidade, água, seguros, alarmes, comunicações, rendas, os proveitos vão diminuindo pela continuada quebra da procura. Para piorar a questão, os obrigatórios serviços prestados às empresas, enquanto custos necessários, estão constantemente a deteriorar-se. Tudo passou a ser feito através de computador. Em caso de anomalia, as respostas são feitas por gravação.
Hoje, um lojista está transformado num actor mal pago num cenário de um teatro trágico. Concorre para a animação da cidade mas não é reconhecido como tal. Pelo contrário, pelo poder político -partidário, autárquico e governamental-, é desprezado exactamente pelas ideias feitas, pelo mito, de que sendo comerciante, logo é um aproveitador sem escrúpulos, é um grande capitalista. Os partidos identificados com a Direita, disfarçando mas apregoando a livre iniciativa privada e desintervenção do Estado na Economia, em nome de uma imparcialidade que não se sabe onde começa nem acaba, foram até agora os maiores inimigos dos criadores de riqueza. Os partidos ditos de Esquerda, sem disfarce, pelo histórico recalcamento marxista, já nem procuram a simulação. De uns e outros não se pode esperar nada. Ou, se calhar, que a reforma chegue depressa para mandar tudo às urtigas- para não dizer um palavrão.
Não é de admirar que no conjunto, entre jovens e aposentados sonhadores, uns e outros, continuem a sonhar e, sobretudo, a apontar culpas aos comerciantes estabelecidos pelo falhanço dos centros históricos, enquanto centros de comércio.
Venham para cá, invistam, para saber como o comércio morde!