sábado, 16 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: O APELO APÓCRIFO





Hoje, começou hoje a circular nas lojas comerciais o apelo apócrifo -”Que não foi reconhecido como devidamente inspirado ou não está incluído no cânone”- que se mostra em cima, para a convocatória de uma manifestação pública, na próxima quarta-feira. Dia 20, em frente à Câmara Municipal de Coimbra.
Vamos a analisar a folha escrita distribuída. Comecemos pelo arrazoado do texto. O que se transcreve no comunicado anónimo, pela imprecisão, é, no mínimo, surreal.
Reparemos nos parágrafos iniciais. Atentemos ao primeiro: “Vai ler ou vai directamente para o lixo e continuar a criticar sem nada fazer?”
E no segundo: “Todos falam, outros escrevem mas ninguém haje” (age).
E passemos ao terceiro: “Não interessa quem teve a ideia. Foi de vários comerciantes. Juntos é que somos fortes.”
E o quarto: “Em cima da hora? A correr? Talvez mas, estes últimos acontecimentos foram a última gota”.
Mais abaixo: “A Câmara será notificada porque assim tem de ser, a polícia também, e os media.”
E logo a seguir a pérola: “Partidos políticos à parte. Se não quiserem dar a cara podem sempre comprar uma máscara de pai natal e até podemos ir todos de gorro. É exactamente alegria e vida que pedimos para a nossa baixa.”
Deixando de parte os primeiros pela sua clareza nublada, este último parágrafo mostra como facilmente se dá um tiro no pé. Como é que se pode colocar de parte os partidos políticos se a decisão de revitalizar a Baixa comercial, para além de ser económica, é essencialmente uma questão política e passa pelos agrupamentos partidários representados no Executivo e Assembleia Municipal?
Como é que se pode ironizar com o “dar a cara” quando o autor(a) ou autores o que fazem aqui é exactamente esconder-se atrás de um anonimato?
Afinal, este comunicado não deveria vir identificado?
Quem vai pedir a licença para a manifestação?

OUTRAS PERGUNTAS

Imaginemos, por hipótese escassa, que o presidente da Câmara Municipal, Manuel Machado, na próxima quarta-feira, larga a reunião do executivo do Plano e Orçamento e aceita receber os responsáveis. Se não estão identificados, vão ser escolhidos em cima do joelho, “ad hoc”, para esse efeito?
Continuemos a sonhar, o grupo sobe as escadas dos Paços do Conselho. Machado, acompanhado com um assessor e um adjunto que conhece bem a zona comercial, está à espera da representação dos protestantes no gabinete da presidência. Depois dos cumprimentos da praxe interroga: O que querem os senhores que a Câmara faça?
Os membros da representação vão reivindicar o quê? Isto?

*Estacionamento nos parques particulares pago pela autarquia?
*Rendas comerciais, de propriedade privada, mais baratas?
*Posse administrativa para as lojas encerradas há muito tempo?
*Obrigar os privados a realizar obras nos seus prédios?
*Trazer lojas âncora (de marcas) para a Baixa?

A velha raposa, cheia de manha, cofiando a pera e todo a rir-se por dentro, com uma voz de tenor bem colocada mas carregada de paternalismo, vai dizer mais ou menos isto: meus senhores a Câmara Municipal não tem legitimidade para interferir nessas premissas que os senhores apresentam. A lei não permite. Não têm outras pretensões que esteja dentro do nosso alcance?
Os protestantes vão olhar-se entre si sem saber o que dizer. O chefe da edilidade, adivinhando a atrapalhação, vai retorquir: as obras que começaram agora no “Bota-abaixo” aconteceram pela urgência que a edilidade tem em abrir a Avenida Central. Para cumprir o prazo da obra consignada mandei começar as obras imediatamente pelo amor que tenho por esta zona e até preocupação pelo que se passa com os comerciantes. Podem ir descansados que estou profundamente interessado na revitalização da Baixa. Tenho noites que nem durmo a pensar nisto. Devem lembrar-se que o meu “Valorizar Coimbra” foi a bandeira da minha recandidatura. Estão lembrados, não estão?

E A APBC? COMO É QUE ESTÁ NISTO?

A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), a única entidade de proximidade junto dos comerciantes, qual é o seu papel nesta manifestação de comerciantes? Foi contactada para intervir?
Se foi, qual vai ser a sua posição? Vai estar ao lado de Machado ou à frente do (talvez) enorme e ruidoso grupo de protestadores?
Se não foi convidada deveria ter sido. É a sua prova de vida que está em jogo. Se não se envolver neste processo vai acabar mais depressa do que se pensava. Estatutariamente, pela falta de outra associação representativa da classe -já que a ACIC faliu-, é a esta entidade que, juntamente com os reivindicativos anónimos, cabia negociar com a Câmara.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CONTINUIDADE N'A PREVIDÊNCIA PORTUGUESA

Resultado de imagem para a previdência portuguesa





Em eleições ontem realizadas na sede de A Previdência Portuguesa para os três órgãos estatutários, ganhou a Lista B, liderada por Martins de Oliveira, na continuidade do mesmo programa e metodologia na administração cessante.
Com três listas a concurso, dos mais de 6000 associados d'A Previdência Portuguesa APP) votaram 558 membros -o que não significa que este fosse o número de presenças no importante acto dos destinos da grande associação mutualista. Muitos fizeram-se representar através de credencial e delegaram noutro membro a responsabilidade de depositar o voto na urna.
Segundo o Diário de Coimbra, 243 votaram a favor da B. A lista C, comandada por Fausto Dinis, obteve 153 votos. A lista A, com Arménio Pereira à cabeça, viu ser-lhe capitalizados 162 votos.

UMA DIVISÃO FATAL

Quem não se sente bem representado, como é o meu caso, só tem uma caminho, bate com a porta e adeusinho até qualquer dia

Com uma administração contestada por alguns membros -como eu, que fui até hoje associado-, a verdade nua e crua é que uma maioria votou a favor da continuidade. E se votou está votado. Glória aos vencedores e respeito para os vencidos. Quem não se sente bem representado, como é o meu caso, só tem uma caminho, bate com a porta e adeusinho até qualquer dia. Pode ser considerado mau perder? Se calhar é o mais provável, mas não tinha alternativa. Não posso continuar a fazer parte de uma associação com uma administração que não respeita a vontade soberana dos associados, através da Assembleia-geral, que é, como se sabe, o órgão de fiscalização do executivo de uma entidade agrupada. Embora já tivesse descrito em outro texto, para melhor exemplificar, há cerca de um ano, foi recebida n'A Previdência Portuguesa uma carta-anónima em que eram tecidas considerações pouco abonatórias para o presidente da direcção, que se tornou do conhecimento do Conselho Fiscal e presidente da Assembleia-geral. Ora, em face do teor da missiva, no mínimo lesiva da boa imagem, o que fizeram todos, e mais particularmente o presidente do Conselho de Administração? Arrumaram a carta numa gaveta e “fecharam-se em copas”. Primeiro, pela declaração clara e objectiva, é preciso esclarecer que o autor da mensagem sem endereço, alegadamente, teria sido um membro de um dos três órgãos tutelares, Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Assembleia-geral. O que se, por um lado, torna o filme numa tragicomédia, por outro, quer dizer que, se houvesse vontade de acabar com a calúnia, limpando o bom-nome, era muito fácil de chegar ao cobarde acusador. Como disse, repetindo, não houve. A má nova ficou no segredo dos deuses, pelo menos até o conhecimento da sua existência ser levado por mim à Assembleia-geral -saliento que o versado não foi abordado, já que a ser, por obrigação moral e ética, tal teor deveria caber ao presidente, visado e responsável pelo executivo.

OS MALABARISTAS

Há sempre os manobradores, os jogadores na sombra, que, em surdina, fazem acusações ao desbarato aos que exercem o mando e tentam incendiar, mas sempre resguardados. São iguais ou pior do que o contestado por si. Utilizam todas as armas para alcançarem os seus objectivos.

Mas é interessante também contar como é que o conhecimento da missiva me chegou às mãos. Nestas e noutras instituições há sempre jogos de poder. Há sempre os manobradores, os jogadores na sombra, que, em surdina, fazem acusações ao desbarato aos que exercem o mando e tentam incendiar, mas sempre resguardados. São iguais ou pior do que o contestado por si. Utilizam todas as armas para alcançarem os seus objectivos. O que os move é sempre o interesse pessoal, financeiro ou outro. Ou seja, em estratégia bem pensada em longas noites de insónia, com um discurso muito ético, de puta fina, tentam fazer de outros o que lhes cabia se fossem pessoas dignas, mas não são. São desprezíveis interesseiros. Nunca dão a cara.
Voltando ao meu caso, depressa verifiquei que estava a ser utilizado mas também não desarmei. Fosse quem fosse que escrevesse a carta-anónima, fossem lá quais as suas intenções, era preciso testar a forma de estar da administração. E prossegui. Depressa verifiquei que o esclarecimento, num certo uso e costume apreendido por mim, não era a doutrina perseguida. Até fui maltratado verbalmente pelo presidente da assembleia-geral ao dizer que “não estávamos em campanha eleitoral” -queria dizer que eu, através do protagonismo, pretendia um lugar na administração. Erro seu, fui sondado para fazer parte destas eleições e não aceitei.
E mais: quando o presidente, com a justificação de uma gestão mais profissionalizada, depois de chumbada numa primeira assembleia, consegue aprovar um ordenado para si de 1,250 euros e para o seu vice-presidente 1,200 euros, vi logo que eu não pertencia aquele estranho mundo. Claro que o argumento do dia é sempre o mesmo: que todo o trabalho deve ser pago. Mas quando aceitaram os cargos sabiam que era pro bono, não sabiam? A cereja em cima do bolo foi quando, há cerca de três meses, conseguiram aprovar a prorrogação de três para cinco mandatos. Ou seja, o limite para se perpectuarem no poder, em vez de nove, passou para 15 anos. Todos estes procedimentos são ilegais? Não, não são contra a lei! Do ponto de vista ético são é muito discutíveis. Mas os associados não pensam?
Uma coisa é certa: o concurso de três listas foi fatal. Se nestas eleições tivessem apenas concorrido duas, pelos vistos, teria ganho a oposição e o resultado seria o inverso do que aconteceu.

É PRECISO ALTERAR A LEI DAS ASSOCIAÇÕES

Se não for alterada a lei, tudo indica, a curto ou médio prazo vamos ter mais casos “Raríssima” -ou, como em Coimbra, o caso da insolvente ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra. Cada vez mais os associados participam menos nas suas associações. Não querem saber nem procuram inteirar-se do que se passa. Já que voluntariamente não aparecem nas assembleias-gerais nem nas eleições, é preciso obrigar através da lei. Por exemplo, se não coopera na vida da associação não poderá usufruir de uma série de prerrogativas -e este procedimento deveria ser extensível às eleições realizadas no país. Se a participação na vida pública é um DIREITO constitucional plasmado (artigo 48º da CRP) por que não deve ser também considerado DEVER? Mais: se “o poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição” (artigo 111º da CRP) , só se verificará a sua eficácia de facto no exercício desse mesmo povo. Se um cidadão não se voluntariza em acções de responsabilidade cidadã, que são determinantes para o futuro colectivo, numa igualdade ferida de ilegitimidade, não pode usufruir o mesmo que outros que se esforçam pela cooperação.
Voltando às associações, se “O sufrágio é universal, igual e secreto e reconhecido a todos os cidadãos maiores de 18 anos, ressalvadas as incapacidades da lei geral, e o seu exercício é pessoal e constitui um dever cívico” (artigo 48 ponto 2 da CRP), como entender que se continue a aceitar o voto por correspondência e, sobretudo, a procuração como instrumento legal?
A continuar assim, dificilmente no futuro haverá mudança n'A Previdência Portuguesa. Mas a quem importa isso?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: O TEMPO PASSA, OS POLÍTICOS MUDAM DE LUGAR, MAS TUDO CONTINUA PARA PIOR






Com a manifestação que, aparentemente, está em marcha para levar ao conhecimento da Câmara Municipal de Coimbra, na próxima quarta-feira dia 20, o que está acontecer com o comércio da Baixa, vale a pena recordar o que se passou em Abril de 2010 quando se realizou um jantar entre comerciantes e a ACIC, Associação Comercial de Coimbra, no restaurante Jardim da Manga.
Comecemos pelos problemas desse tempo. Facilmente se verifica que tudo continua na mesma linha, para pior, obviamente. Reivindica-se o quê? Ora comecemos por ler esta minha crónica sobre o jantar:

Cerca das 20H30 a mesa em U do bonito restaurante Jardim da Manga, preparada para receber 60 pessoas –faltaram 3-, começou a ser ocupada pelos homens do comércio.
Enquanto se ensaiava no “couvert”, a conversa fluía. Embora as notas fossem em dó maior, assim do tipo “eu sou do tempo em que na Rua dos Sapateiros se andava em fila indiana”, para preparar o grande concerto que se avizinhava, cada um, afinando a voz, queixava-se dos problemas que afligem a Baixa. Referiam a falta de estacionamento, as lojas chinesas, a insegurança, a falta de pessoas a circular durante o dia e à noite, a falta das montras iluminadas durante a noite, etc. Para disfarçar o nervosismo, individualmente, procuravam fazer-se ouvir nas suas razões.
De vez em quando, como ovos mal cheirosos lançados ao acaso, surgia a frase: “a câmara está ao serviço do “Grande Capital”! Mais ao lado, dizia outro, “a retirada do trânsito da Baixa foi a sua morte!”. Outro ainda, e sem referir nomes, conta que um blusão numa loja de chineses custa 7,50 euros, umas calças de ganga 3,50 euros. Com estes preços alguma vez se pode ganhar dinheiro? Isto é a morte do comércio tradicional!”.
Diz outro ainda: “a China ainda só agora está começar. Ainda estamos no princípio da invasão dos seus produtos na economia global. Eu estive na China várias vezes ao longo destes 25 anos. Conheço quase tudo! Um dia, estava lá, e vi fuzilar 537 chineses, inclusive um chefe de polícia.
Há 15 anos disse-me uma funcionária governamental: o mundo ocidental deve preparar-se para a invasão chinesa. Nós temos 1/5 da população mundial e temos de os alimentar todos os dias!”.
Dos cerca de 56 comerciantes presentes, estiveram os mais velhos da praça e ainda a trabalharem nas suas lojas: o Quirino, da sapataria Trinitá, o senhor Carvalho, da Loja das Meias, e o senhor Manuel Mendes. O que levou este último a referir com graça, que ele e o Carvalho somavam 160 anos.
A perfazer a soma de 57 esteve Carlos Clemente, enquanto presidente da Junta de São Bartolomeu. O presidente da junta de Santa Cruz, senhor Pinto, embora convidado, não compareceu.
Veio a sopa, o conduto e, como por milagre, todas as reivindicações se apagaram. Evidentemente que era uma pausa para afiar as espadas.
A batalha verbal, como quem diz, os argumentos lançados no muro das lamentações, começou às 21H45.
Abre a sessão o Dr. Martins, da ACIC. “Não há soluções milagrosas para o comércio, a ACIC está empenhada em encontrar soluções”, enfatiza.
Segue-se Paulo Mendes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC). “É com todo o gosto que temos aqui mais de 50 pessoas. Todo o comércio está em crise. Estamos aqui para um debate. Estamos aqui para procurar soluções.
O comércio está em crise há 20 anos, desde a implementação das grandes superfícies. A principal razão é porque não se vende. E não se vende porque não há quem compre. Há excesso de oferta de estabelecimentos comerciais. Quatro grandes grupos económicos dominam o comércio nacional. Há concorrência desleal –pelos horários, que os comerciantes de rua não podem competir, e pela política de saldos e promoções. A maioria dos produtos transaccionados nas grandes superfícies é produzida nas economias emergentes.
Os jornalistas são culpados na divulgação dos assaltos na Baixa. Isso aumenta o sentimento de insegurança… têm uma atracção pelo Centro Histórico. Não sei porquê!” –explanou Paulo Mendes, presidente da ACIC.
Seguiu-se Armindo Gaspar, presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. “Lamento que os comerciantes não se envolvam nos projectos da APBC. O que nos move, e que fique sublinhado, é que a Baixa renasça da apatia em que se encontra. Gostaria de fazer mais, mas não temos meios. Trabalhamos em prol de um objectivo comum: a Baixa”.
Seguiu-se Carlos Clemente, presidente da junta de freguesia de São Bartolomeu. “Sou autarca. O melhor para resolver os problemas do comércio é passar pela comunicação social. Só assim é que a autarquia os resolve.
Estou à vontade, já disse ao presidente da câmara que não tenho filhos para empregar na autarquia. É confrangedor ver as montras às escuras. 60% dos estabelecimentos tem as montras apagadas.
A ACIC é representante dos comerciantes. A APBC existe, e foi criada, para promover o comércio da Baixa.
Só deveriam ser licenciadas gratuitamente as esplanadas dos cafés que estivessem abertos até ás 22/23 horas. Deve haver actividades culturais permanentemente na Baixa.
Desiludam-se as pessoas que pensam que as câmaras de video-vigilância resolvem o problema da insegurança na Baixa. Sem policiamento de proximidade acessório os assaltos irão continuar”, declara Carlos Clemente.
Gostou? Quer continuar a ler tudo o que se passou no reputado restaurante?

E já agora, se gostou assim tanto, quer ler outra crónica sobre as reivindicações dos comerciantes?... Em Abril de 2010... Não se esqueça:

Ontem, quem esteve presente no jantar reivindicativo dos comerciantes, se tomou atenção, verificou que um dado ficou latente: aquelas cerca de seis dezenas de pessoas sabem o que querem. Sabem que aspiram a venderem mais de modo a que possam continuar na Baixa com os seus negócios. Sabem que, se for preciso, pela força, lutarão contra um poder omnipotente que lhes retirou tudo: a sua vida desafogada e até a força anímica.
Há porém um pormenor importante que ressalta: este pequeno exército não sabe como chegar ao destino que procura. Todos têm armas de argumentação que individualmente esgrimem, como D. Quixote a lutar contra o vento. É notório que a sua força argumentativa se perde no individualismo e na necessidade obsessiva de cada um se fazer ouvir a pugnar por medidas incoerentes, desconexas e sem contexto para o momento aflitivo que vive o Centro Histórico.
Uns, com grande convicção, defendem o estacionamento gratuito na Baixa. Errado. Sabe-se bem que o onerar os automóveis é a única forma possível de evitar que estejam parados naquele lugar de manhã até à noite. Para além de mais –concorde-se ou não-, os investidores privados investiram nos parques de estacionamento, logicamente que têm todo o direito legítimo a serem ressarcidos com lucro.
Outros referem, com grande indignação, a não intervenção da autarquia na implantação de lojas chinesas. Errado. A câmara nada pode fazer contra o comércio chinês. Se a Comunidade Europeia subscreveu e ratificou o Tratado da Organização Mundial de Comércio, na livre circulação global, o que pode uma pequena autarquia fazer? Nada vezes nada. Se Bruxelas não sabe defender os interesses dos seus 27 países… isso é outra coisa.
Gostou? Quer ler tudo? Clique aqui em cima desta frase.

O CORREIO DA MANHÃ A DAR ECO À CRISE COMERCIAL DA BAIXA

Obras tramam comércio na Baixa de Coimbra




“Obras tramam comércio na Baixa de Coimbra Proprietários dizem-se prejudicados com os trabalhos iniciados a poucos dias do Natal, a época forte de vendas.”
“Dezenas de comerciantes da Baixa de Coimbra estão revoltados com a câmara por ter iniciado obras e vedado um espaço junto à Loja do Cidadão, sem aviso prévio e na época de Natal, "prejudicando o negócio". A juntar à vedação que dificulta o acesso de pessoas e estacionamento, os comerciantes queixam-se da falta de iluminações e música de Natal nas ruas. "Sentimo-nos discriminados e abandonados pela câmara. Este ano, para ser a cereja em cima do bolo, fecharam uma zona de estacionamento, o que impede a vinda de pessoas às lojas. O Natal é a época forte para o negócio e por causa de 15 dias saímos afetados", explica Francisco Veiga, comerciante.”


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: QUANDO A CRISE APERTA...





Ao que consegui saber -que, pelos vistos, não há um rosto para encabeçar o movimento-, com muita espontaneidade, está em marcha uma série de iniciativas para levar ao conhecimento da Câmara Municipal de Coimbra o estado decrépito a que chegou o comércio na Baixa. Em surdina é pedido a quem noticia que não se dê uma ideia de “desgraça” ou parecer que quem vende é um “coitadinho” -acima de tudo que o orgulho de bem-parecer numa classe que já foi não se perca. É preciso cuidar da imagem. Nada de exageros. Homessa!
Hoje mesmo, cerca das 17h00, convocada por um comerciante, andou nesta zona baixa uma equipa do Correio da Manhã/CMTV a recolher imagens e depoimentos de vários profissionais do comércio, que, a seu modo e forma de sentir, contaram como estão a passar este momento de grande aflição no Centro Histórico.
Para além disto, está a passar de boca-em-boca a convocatória para uma manifestação em frente à porta da autarquia, no próximo dia 20, quarta-feira, em que, simbolicamente, serão entregues as chaves dos estabelecimentos ao presidente da edilidade, Manuel Machado -que, como é óbvio, quase apostava que não irá falar com os manifestantes.
E mais, segundo o porta-voz do movimento que prefere não ser identificado, através de vários meios de comunicação, incluindo as redes sociais, vai ser recomendado a todos os lojistas que, em solidariedade, encerrem os seus negócios entre as 16h30 e 17h30, mesmo que não se desloquem aos Paços do Concelho.
E mais ainda, aos que não se deslocarem e encerrem as portas durante uma hora, será pedido que coloquem na porta da sua loja a seguinte mensagem:

“Manifestação de comerciantes feita de inércia camarária”


A NATUREZA É LIXADA...

Sobretudo através do blogue, ando há vários anos a alertar para o que está acontecer. Há alguns comerciantes -agora preocupados e, a toda a pressa, a fomentarem acções de protesto- que, apelidando-me de alarmista, até deixaram de me falar. Agora, com o fogo a chegar à sua porta, no estado de empobrecimento em que caiu o comércio de rua, já consideram que afinal (infelizmente) tinha razão nas minhas chamadas de atenção e, em cima do joelho e sem planeamento, é preciso fazer uma manifestação na rua. Depressa! -invocam em apelo.
Com sinceridade, não me dá prazer nenhum que, ainda que tardiamente, fosse reconhecida a hecatombe em marcha. Sem dúvida, já se deveria ter tomado posição e feito alguma coisa. Para muitos, como é de calcular, já vai tarde. Por muito que me custe, afirmo: pela falta de coragem que sempre reinou nesta classe, os comerciantes têm o que merecem!
Para terminar, se acredito que este presidente (que temos e que alguém elegeu), Manuel Machado, é capaz de tomar alguma iniciativa a favor dos comerciantes? Não, não acredito. Ele está preocupado com a Baixa mas é com a sua cosmética, o estado das ruas, rotundas e zona do Convento de São Francisco, na margem esquerda. Com a vida financeira dos negociantes, creio, pouco lhe importa. Afinal o seu ordenado está sempre garantido. Como dizia o outro: votaram nele, não votaram? Então, gramem-no! Coimbra tem o que merece!


REBENTOU UMA CONDUTA DE GÁS NO “BOTA-ABAIXO”





Provocado por uma máquina de arrasto no levantamento do alcatrão, cerca das 17h30, rebentou uma conduta de gás no “Bota-abaixo”, em frente à Loja do Cidadão. Segundo um funcionário da obra que pediu o anonimato, “não se consegue perceber como é deixaram um tubo de passagem de gás a cerca de 10 centímetros do solo.”
Segundo o mesmo funcionário, “não há perigo de explosão. Podíamos chegar lá um isqueiro aceso que não haveria propagação.”
À hora a que tomei conta da ocorrência, um outro responsável falava para os bombeiros para se deslocarem ao local e tomarem providências.

NASCEU O PILAR PICOITO... O QUE É ISTO?





Coladinho na “esquina dos mortos”, na Rua do Corvo e frente para a Praça 8 de Maio, o anúncio de um nascimento salta à vista. Como um retratado esboço de um boneco rechonchudo dos anos de 1950, ficamos a saber que, “ontem, sexta-feira, dia 8, pelas 13h00, na “Maternidade Luís de Matos”, nasceu o Pilar Picoito. Ficamos também a saber ainda que o nascituro “encontra-se em casa na baixa de Coimbra”, e que, “findas as cerimónias natais, vai ser mimada em casa e arredores”.
O anúncio do “infeliz” -a tomar em conta o discurso do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus- está “assinalado” em nome da “Maternidade Luís de Matos” -que não existe- “fazemos magia”.
O que é isto? É publicidade ao mágico Luís de Matos? É para nos fazer pensar que em contrabalanço aos que partem na grande viagem se deveria anunciar os que entram neste mundo de tormentos? É uma brincadeira generosa de autor desconhecido como outra das colagens de cartazes em lojas vazias?
Responda quem souber.