segunda-feira, 22 de junho de 2015
sábado, 20 de junho de 2015
OS PRIVILEGIADOS
Há cerca de uma semana dois funcionários
camarários andaram a limpar o pequeno lago do Largo do Poço e, coisa que não acontecia
há muito tempo, deixaram a praceta com os repuxos a funcionar e que lhe dava uma ambiência
fresca e fantástica.
Hoje, conforme as imagens que
reproduzo, em cima das grades do pequeno tanque de água está um atrelado da Sagres cuja função é vender cerveja. Mesmo sem conhecer esta área,
sabe-se que estamos inseridos numa zona histórica e protegida pela recente
classificação da Unesco como Património Universal da Humanidade. Logo, seria de prever
que, por parte da autarquia, houvesse um cuidado maior em tutelar tudo o que se
faz por aqui. Mas nada disso acontece. E não acontece porquê? Porque existe
nesta Baixa classificada uma certa casta de privilegiados. Quem são? Pareceu-me
pressentir o leitor interrogar. Por agora não lhe dou nomes. Mas um dia destes
darei. Pouco me importa que gostem ou não. Aliás, há muito que por fazer
denúncias sou olhado de viés. Posso adiantar que são os que fazem o que querem
da autarquia. Conseguem tudo, até chorudos subsídios camarários pagos pelo
cidadão comum e distribuído pela mão larga de simpatias. E mais: nos eventos
que promovem está lá sempre um ou mais vereadores. É tudo custeado pela graça
de Deus, obra e graça do divino Espírito Santo. As queixas sobre o incómodo
desencadeado por aqui são mais que muitas. Ninguém dorme até às duas da matina.
Mas ninguém quer dar a cara. Quando falam comigo a queixar-se interrogo: posso
citar o teu nome? Nem pensar, respondem. Por isso mesmo ainda não escrevi sobre o ruído
que ultrapassa os níveis da decência. É certo que eu poderia fazê-lo, mas, com
franqueza, para meu bem e deles, mal caio na cama durmo que nem uma pedra. Nem
o barulho de um comboio me impede de fechar os olhos e sonhar que estou num
país equitativo onde todos, por igual, mamam numa só teta. Mas, contrariando o
poeta, sonhos não comandam a vida. O que capitaneia o sistema é o pilim, e mais
nada! Pelos sonhos, isso foi quando, noutro tempo, éramos simples humanos. Agora somos seres
robotizados e comandados por uma elite que põe e dispõe das prebendas e a quem
deve ou não beneficiar. Portanto, com justiça, se o barulho não me incomoda não
devo ser eu a manifestar o meu descontentamento. Pelo menos entendo assim. Mas
irrita. Se irrita!?! Fosca-se!!
HENRIQUE NETO E AS NEGOCIAÇÕES DO TRATADO TRANSATLÃNTICO
Começo com uma ressalva: gosto de Henrique Neto.
Até agora, de dois, é um dos meus prováveis potenciais candidatos a Belém e que
estarei disposto a dar o meu voto.
Ouvi com atenção este seu
discurso sobre a economia portuguesa e particularmente, enquanto proponente a
Presidente da República, sobre o Tratado Transatlântico, que tanto se fala mas
ninguém sabe o que é. Pelo pouco que transpira dos gabinetes europeus, sabe-se
apenas que dos “Estados Unidos nem bons ventos nem amores queridos. Por outras
palavras, da “Terra do Tio Sam” só
pode vir ferroada ou canelada. Honra lhe seja feita, só o Bloco de Esquerda,
pela voz de Mariza Matias, tem tentado abrir brechas nas paredes blindadas
deste negócio que cheira a tudo menos a perfume.
Enquanto leitor ignorante, gostava que Henrique
Neto, um presumível depositário do meu voto, tivesse sido mais claro. Isto é,
sem tibiezas, que afirmasse “sim” ou “sopas”! Durante 27 minutos, esvoaçando
sobre o Oceano Pacífico e a China, fez um bom desenho da realidade mas faltou
lá a sua posição marcada. É contra ou a favor do TTIP, Tratado de Parceria
Transatlântica de Comércio e Investimento?
O texto que se segue
foi retirado do Blogue Aventar.
“Imagina um
documento, desconhecido pela maioria da população da União Europeia e dos
Estados Unidos, que substituía as leis nacionais e comunitárias de uma só vez.
Imagina que esse documento era discutido atrás de portas fechadas, com as
negociações entregues a burocratas não eleitos e representantes de empresas
multinacionais. Imagina que esse documento quebrava à partida a legislação
comunitária ao ser discutido em segredo. Imagina que o documento entrava em
vigor e tu nem sabias de nada. Não precisas imaginar mais. Esse documento
chama-se Tratado de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (sigla
TTIP) e está em discussão há meses em Bruxelas e Washington. Imagina agora que
o país em que ocorrem esses “investimentos” não aceita revogar as suas leis
perante o investidor estrangeiro. Que não aceita destruir a legislação de
proteção do ambiente, da legislação laboral… Vão para os tribunais, certo? Não.
O TTIP cria o mecanismo de “Resolução de Litígios entre os Investidores eo
Estado” (ISDS) , que, não sendo um tribunal, decidirá sempre que uma empresa
processar um Estado por pôr em causa ganhos futuros. O ISDS mais não é que uma
reunião de advogados das principais firmas privadas em que está proibido levar
em conta questões de saúde pública, direitos humanos, protecção ambiental,
direitos laborais e direitos sociais. Só o comércio e o investimento livre
interessam. Dá às empresas o poder de estados, e podem exigir não só a
alteração de leis em vigor como impedir a criação de novas leis por parte de organismos
eleitos democraticamente como os parlamentos.”
sexta-feira, 19 de junho de 2015
SE CONCORDAR ASSINE. EU ASSINEI.
Queremos a Grécia na Europa
Para: Martin Schultz, Jean Claude Juncker, Mário Draghi, Jeroen Dijsselbloem
"O povo da Grécia vive à beira de uma catástrofe humanitária se nestes dias não forem tomadas as decisões políticas que impeçam consequências inesperadas e imprevisíveis não só naquele país mas em toda a Europa e no eurogrupo. Todos os europeus, e os gregos em particular, dificilmente compreenderão e aceitarão que os interesses dos credores se sobreponham às suas vidas. Quase dez anos de austeridade tornaram insuportável e incompreensível que a política de intransigência das instâncias europeias não avalie as condições sociais em que os gregos estão mergulhados e não considerem que estamos perante uma situação que exige outros instrumentos de abordagem, sobretudo medidas políticas que demonstrem que os valores da solidariedade se mantêm vivos entre os povos europeus. CONTINUE A LER CLICANDO EM CIMA.
UM CASO DE ESTUDO
Eu sou tipo muito modesto. Tão modesto que às
vezes até pareço invisível para não me tornar notado. Isto tudo para dizer que
se fosse gabarolas até poderia dizer que descendo geneticamente do Sigmund, o Feud,
não sei se estão a ver. Aquele gajo que era neurologista judeu e, como não tinha
mais nada que fazer, deu-lhe para observar as pessoas.
Está de ver que, tal como o meu ancestral,
também não tenho nada para me ocupar o tempo. Então, na falta de trabalho –porque
é mesmo o que preciso- leio jornais e o que calha. Hoje li nos diários da
cidade a notícia de que o Joaquim Basílio, o prestimoso actor -tão modesto como
eu e que foi recentemente agraciado com a medalha da cidade- na última Feira
Medieval, que decorreu no Sábado, há cerca de uma semana no Largo da Sé Velha,
no tão conhecido papel de mendigo, angariou 410,10 euros –que doou a duas instituições
de solidariedade. Segundo o Diário de Coimbra, “quando veio uma bátega de água em pleno auge da feira, fiz uma espécie
de prece, salienta o intérprete daquela personagem mais conhecida da feira
Medieval”. Isto quer dizer que se não tivesse chovido, ainda poderia ter
sido maior o óbolo.
Vamos então por partes. Ajude-me a pensar,
leitor. Quem deu a “esmola” ao
Basílio pensaria em quê? Teria sido tão generoso por quê? Pela sua colagem extraordinária
ao personagem teria sido enganado e deu por pensar que era um “desgraçadinho”? Quem doou teria
conhecimento da recente homenagem e, sabendo da alteridade deste homem de rara
bondade, ofereceu por reconhecer o fim a que se destinava? Perguntas que ficam
no ar. Para saber mais a fundo, deveria interrogar o meu antepassado, o
Sigmund, ou, se calhar, também o Nietzsche, um filósofo alemão, que não é para
me armar aos cucos mas também descendo dele. Mas, para já e com a ajuda dos
dois, não posso dizer nada.
Então, vai daí, sem respostas objectivas que
me apagassem o fogo ardente da curiosidade, isto é, tendo por fundo a pobreza, o
que leva alguém a dar? Será que é a imagem do pedinte que desencadeia e motiva a
caridade? É essa projecção que justifica o dar sem aparentemente receber nada
em troca?
Deu-me para testar os
transeuntes. Partindo do individual para o geral, e se eu fizesse o contrário?
Tentar dar ao público algo material sem pedir retribuição? Ou seja, dando algo,
absolutamente gratuito, sem exigir nada em troca, as pessoas irão aceitar ou, pelo
contrário, negam? Será que aceitam? Ou, sabe-se lá, com base na desconfiança, páram,
olham, voltam a mirar e continuam o seu caminho sem mexer?
Durante a manhã de hoje, coloquei um monte de
livros e um papel com a inscrição: “OFERTA”.
Ninguém remexeu em nenhum livro. Por volta do meio-dia alterei a mensagem para:
“Não oferecemos Audi A4 (esgotou), mas
damos um livro. Escolha! (É mesmo de borla) E ganhe também uma visita grátis às
velharias d’O Encanto da Freiria.”
Poucos foram aqueles que levaram
um qualquer exemplar. E quem o fez, na maioria das vezes, perguntava se o
poderia fazer. A verdade é que a pilha de livros, ao entardecer, teve de ser
recolhida. Interessante! Não acha?TRÊS CEGOS À ESQUINA
Há décadas que o Eduardo, um invisual nosso conhecido,
tomou posse administrativa, por usucapião, da esquina que liga a Rua Eduardo
Coelho com o Largo da Freiria e frente para a Rua das Padeiras e ali,
diariamente e quando lhe apetece, exerce o seu metier. Sem respeito pelo título de propriedade, volta e meia, lá
vem ora cigano romeno, ora mulher-pedinte de perna aberta e o Eduardo, cego de
ver, ofuscado pela invasão e irritado com estes gajos que não respeitam nem colega
de profissão, sem poder recorrer às autoridades, lá tem de gramar o abuso e tentar reaver o seu quinhão esquinado tão
arduamente conquistado aos invasores bárbaros.
Hoje calhou-lhe na rifa um colega de
profissão, de pedincha, obviamente, e ainda por cima cego de ver as realidades
materiais a não ser pelo apalpar, o António, que ganhou parcela junto à igreja
de São Bartolomeu e adquiriu umas quotas próximo de Santa Cruz. Então foi uma
discussão que só não meteu pancada porque cego não vê e, por isso mesmo, se não
vê também não sente. Mas ressentiu-se da presença do António porque lhe estava
a estragar completamente o negócio. E o Eduardo até se irritou deveras e
exclamou: “meu filho da mãe! Estás farto
de me fazer isto! A tua sorte é que eu não tenho aqui nenhuma navalha… se
tivesse, cortava-te às postas!”- Foi então que o Luís, outro cego como eles
os dois e menos cego do que eu porque faço de conta que não vejo, agarrou o
Eduardo por um braço e o levou para longe daquela esquina, meia esquinada e que
um dia destes há-de dar molho grosso.
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