quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UMA TERTÚLIA DO LIONS

(Foto de arquivo)

 Ontem, à noite, no café Santa Cruz, perante uma sala quase cheia, houve mais uma tertúlia do Lions Clube de Coimbra sobre o lema “Vamos falar sobre a Coimbra actual –ciclo de tertúlias de Outono na Baixa de Coimbra. O tema era “Cidade-ensino Superior unidos na construção do futuro de Coimbra.”
Numa tentativa de descentralizar, rentabilizar e tentar tirar mais partido destas reuniões, desta vez apresentou-se com novo formato. Tratou-se de apresentar 18 personalidades convidadas, de áreas diferenciadas, para, sinteticamente, apresentarem o seu pensamento sobre o tema em três minutos apenas. Findo este tempo, os moderador, Fernando Regateiro e Hélder Rodrigues, interrompiam sub-repticiamente o orador. Foram convidados, por ordem alfabética, Ricardo Morgado, presidente da Associação Académica de Coimbra, Armindo Gaspar, comerciante e presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, Carlos Cidade, vereador da oposição no executivo da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Clemente, presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu, Clara Almeida Santos, vice-reitora da Universidade de Coimbra, Luís Lavrador, chefe de Cozinha e ligado à Escola de Hotelaria, Daniel de Campos, presidente da ADAC, Associação de Defesa da Alta de Coimbra, Fernando Regateiro, professor universitário, Francisco Andrade, presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais, José Belo, vereador da Coligação por Coimbra na Câmara Municipal, Lúcio Borges, empresário de hotelaria, Luís Quintans, comerciante, Pedro Costa, presidente do ISCAC, Instituto superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, Manuel Rocha, presidente do Conservatório de Coimbra, Miguel Matias, empresário, Pinto dos Santos, presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, Sidónio Simões, Director do Gabinete para o Centro Histórico, e Vitor Marques, gerente do Café Santa Cruz.
Também a boa música instrumental marcou presença, a cargo de dois bons executantes. Daniel Tapadinhas e Ismael. Dos que não marcaram presença, mais uma vez, foram os operadores comerciais da Baixa, comerciantes e hoteleiros, que, retirando os convidados, pelos vistos, continuam a marimbar-se para o que ali se fala e trata.
Cada tribuno apresentou as suas ideias. A maioria levava uma folha escrita o que tornou massudo e algo impessoal a tertúlia. À medida que cada um era chamado ao micro, era notória uma tensão crescente pelo facto de ser apresentado em frente de todos. Aquela exposição, em analogia, era como se tratasse de uma prova oral –para quem não levou um texto escrito. Para quem levou, como estava preocupado com os três minutos, ora passava por cima de frases, ora não se entendia o que dizia.
Salvo melhor opinião, e apesar deste novo formato pretender o melhor para este tipo de reuniões, este novo modelo não convenceu. Faltou espontaneidade aos arguentes, que lhe era retirada pelo facto de estarem apenas concentrados na leitura. Estes encontros pretendem-se vivos, mesmo que, de entre a assistência, possa surgir um cromo –como eu, por exemplo- e possa não cumprir as regras de protocolo, como já aconteceu em anteriores sessões. São essas pequenas passagens que quebram a rotina, fazem vibrar a assistência, e tornam estes eventos menos herméticos e estandardizados.
Volto a repetir, e sem favor nenhum, a intenção de mudança foi a melhor. Não resultou? Paciência! Mas sem esta prova não teria sido possível aferir o rendimento. Só pela coragem de tentar, uma salva de palmas para Hélder Rodrigues, o coordenador do Lions Clube de Coimbra.




"...EM BREVE"... APRESENTADO NA FNAC


(Imagem retirada da Web)



 Ontem, cerca das 18h00, perante uma assistência numerosa e heterogénea, Norberto Pires, professor universitário e escritor, apresentou na FNAC o seu nono livro editado de sua autoria e com o título “… Em Breve”. Entre os seus amigos poderiam ver-se desde Jorge Bento, presidente da Câmara Municipal de Condeixa, Ana Maria Ramalheira, presidente da ADAV, e o marido, Carlos Ramalheira, Helena Freitas, vice-reitora da Universidade de Coimbra, muitos dos seus alunos na faculdade e até alguns funcionários do Iparque. Correlegionários do partido de Sá Carneiro, retirando o arquitecto Cristo, não se avistavam muitos.
A mesa de apresentação do livro tinha como painel, Agostinho Franklin, director do Diário as Beiras, Domingos Silva, director do Casino da Figueira, e ainda Gonçalo Quadros, da Critical Software, agora transformado em caixeiro-viajante, ícone e estandarte de tudo o que se faz bem na área empresarial da cidade, e que aparece em tudo o que seja tertúlia, convenção e colóquio sobre a cidade. Depois de uma extensa apresentação do “curriculum vitae” do "homem-bomba" do PSD e futuro candidato de uma Câmara perto de nós, falou então Norberto Pires sobre o seu “… Em Breve”. Mas não disse para onde ia. Nós aguardamos que nos indique e, naturalmente, desejamos-lhe boas vendas para o seu mais recente livro no escaparate da FNAC. Então até… “… Em Breve”.

A DOR DO VIÚVO QUE QUEBRA A REGRA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


Passando a imodéstia, volta e meia sou contactado pelos canais privados de televisão para colaboração. A semana passada fui solicitado por Ana Sofia, do programa "Querida Júlia, da SIC, para tentar persuadir um viúvo da cidade a falar da saudade do seu amor desaparecido. Seria para realizar este programa de ontem. Contactei vários mas não consegui convencer nenhum. Foi uma boa experiência porque não imaginava que os homens eram muito mais resistentes à dor em relação às mulheres. Foi assim que escrevi este texto:

O VIÚVO QUE QUEBROU A REGRA

 Aquele homem alto, garboso e de personalidade bem vincada nem parece o mesmo. Apesar dos seus oitenta anos, até há um ano atrás parecia um pinheiro erecto e pronto a enfrentar todas as ameaças possíveis e impossíveis que invadissem a mata de pináceos. Agora, na sua loja, numa rua estreita da cidade, arrasta-se de ombros caídos, como se crescessem ombreiras e faltasse corpo, olheiras negras e olhos vermelhos, como se o chorar copiosamente passasse da excepção à regra, e face macilenta cor de defunto.
A sua esposa morreu há cerca de um ano atrás. Foi o fim de uma relação de seis décadas a dois. Foi o epílogo de uma história de amor muito feliz. Nada a substitui, tudo a faz lembrar, nada a traz de volta. O tempo, no seu correr de rotineira loucura, é implacável e, perseguindo sabe-se lá o quê, não olha a meios, à dor e ao sofrimento, para atingir os fins, derradeiro e último dia do calendário existencial de cada um que vai tombando.
Quando lhe pergunto como vai andando, as lágrimas, como se estivessem presas por fios invisíveis e prontos a ceder pelo cansaço, irrompem pelo rosto abaixo, como chuva repentina de verão em terra sequiosa. “Vou mal. Muito mal! Foram sessenta anos de vida em comum. Entende? Durante o dia, como estou ocupado, até vou aguentando. O pior é à noite. O vazio do silêncio ser quebrado pelo barulho imperceptível de um móvel, na madeira a ceder em “traque” de estalido, e olhar, ansiosamente, pensando que ela está ali. Mas não está. O espaço visual continua desabitado. Só eu e os objectos em redor teimamos em lembrar a sua memória. Levanto os olhos para a fotografia que me enche o coração e ela, fixamente, olha para mim, como se a interrogar da razão deste quebrar de regra. Porque não fui eu primeiro? Porque fiquei eu a penar neste padecimento indescritível? E quando vou para a cama e dou por mim a estender o braço, num abraço esvaziado, e o recolho lentamente tomando consciência do meu hábito repetido de décadas? Ali está o cheiro dela, o odor materializado que tenho sempre presente nas minhas narinas e que nunca esqueço. Só quem passa por esta amargura sabe e sente a tristeza que me envolve o coração. Tanto trabalhei, noite e dia, desalmadamente em busca de um futuro melhor. Hoje, de bom grado, daria tudo, toda a minha riqueza e até a minha vida, para a ter de volta. Estranho esta forma de viver. Não acha?
Tal como você diz, bem sei que me deveria afastar de todas as recordações que me transportam ao reavivar do sofrimento. Mas, e conseguir? Como posso eu deixar de a visitar duas vezes por semana no cemitério? Talvez você não entenda, mas ali, envolvida pela terra, eu sei que ela está lá fisicamente… ou o que resta dela. Da minha querida. Do meu amor! Você consegue imaginar a mágoa que sinto aqui no peito? Não consegue! Este pesar há-de ir comigo para a cova, qualquer dia, em que finalmente nos iremos reencontrar. Acredita que chego a pensar nisso e desejar a morte? Só agora sei que ela era o sustentáculo da minha vida, o vento que tocava as velas do frémito da minha existência. Se calhar é tarde para o reconhecer, o que lhe parece? Sempre me tive na conta de homem insensível à dor e que não chorava. Veja bem no que me transformei: numa criança que lacrimeja por tudo e por nada. Nada me satisfaz. Já nada me dá prazer viver. Não precisa de me dizer que estou deprimido eu sei… aliás, o psicólogo que me acompanha diz exactamente isso mesmo. Mas que quer? Eu perdi uma parte de mim. A minha segunda alma!”




BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

QUANDO O COMPRIMENTO CONTA




 Está em vigor o novo Regulamento Municipal de Ocupação de Espaço Público e Publicidade, aprovado em reunião executiva de 21 de Junho de 2012 e entrando em acção, por força de lei, 15 dias após a publicação em Diário da República. De salientar que estas alterações regulamentares foram objecto de discussão pública, durante 30 dias, de Março até Abril, últimos.
Apesar da apreciação pública regulamentar, quer o legislador quer os operadores comerciais, ninguém se teria apercebido das consequências do seu art.º 48, alínea c) e sobre “Expositores de apoio a estabelecimentos”. O escriturado neste parágrafo reza assim: “A altura dos expositores não pode, em caso algum, exceder 1,5 metros a partir do solo (…). Segundo os comerciantes de venda de postais ilustrados na Baixa, que perante o plasmado estão de “cabelos em pé”, alegam que as medidas dos mostruários de postais, cedidos pela firma vendedora, excedem em muito o regulamentado. Segundo as suas informações, ao que parece há apenas dois tamanhos: 1,65 e 2 metros. “Como é que vamos ultrapassar isto, se no mercado não se fabricam expositores da medida escriturada no Regulamento? E logo agora, que as coisas estão tão más?”. Enfatizam com alguma preocupação.

BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012