(Foto de Leonardo Braga Pinheiro)
Como
vigilantes revolucionários em defesa de uma verdade, única e
imaculada, e a actuarem 24 sobre 24 horas no espaço digital, eis os
novos polícias dos costumes, de opinião vinculativa destes novos
tempos.
Como
cartilha doutrinal pregam o evangelho segundo o seu pensamento,
singular e formado por outros, que, como nova lobotomia, sem dor nem
sofrimento, lhes implantaram uma lavagem aos seus cérebros
Para
estes novos puristas não se admite, nem contraditório, nem quem
ouse colocar em dúvida a sua veridicidade suprema: “ou estás
totalmente comigo ou, se não estás, és do contra.”
Não
se sabe muito bem porque abominam a liberdade de expressão – dos
outros, obviamente. O seu direito de pronúncia, sem limites, enterra
em campa rasa todos os infiéis e hereges que ousem pregar a
blasfémia do contra.
Maioritariamente,
sem se conhecerem pessoalmente, sem hierarquias declaradas mas
existentes, agem em grupo, ou esquadrões do “deita a baixo”
sem cerimónia. Sabem que pela lógica da psicologia de grupos a
ordem é cilindrar sem dó nem piedade, massivamente, quem ousar pôr
em causa a fidedignidade da nova religião.
Para
impor a sua vontade recorrem, na maioria das vezes, ao insulto
gratuito.
A
questão fulcral é saber: porque se movem desta maneira desregulada,
mas aparentemente ordeira?
Como
se defendessem uma nova ordem social, o seu crivo é maniqueísta: só
há bons e maus.
Sem
certezas absolutas, presume-se ser, por um lado, o interesse em
agradar, por outro, a ambição de subir na hierarquia invisível. Os
que já estão no sistema cobiçam chegar mais perto do poder de
facto. Quando não conseguem, dizem cobras e lagartos do chefe, e num
ressabiamento atroz, onde clicam deixam sempre um rasto de provocação
e acrimónia.
Os
voluntários, os que estão fora da rede, desejam ardentemente entrar
no circuito e instalar-se na sombra da supremacia.
No
fundo, bem no fundo, acredita-se que estes prosélitos amam e
idolatram apenas o poder e sem ter em conta as qualidades do eleito
que pregam, ou pelo menos uma racionalidade para avaliarem e
distinguirem o bem do mal. Encadeados e cegos por um tempo que
passou, assente na distopia – ideia de uma sociedade assustadora e
totalitária -, talvez pelo medo
de sofrerem mais
uma desilusão, defendem a sua crença com fanatismo.
Resta-nos
apelar aos que não estão infectados com esta doença que sejam
indulgentes com os pobres endémicos.
Vale
a pena pensar nisto?