quinta-feira, 4 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
HUMOR COM HUMOR SE PAGA...

"E SE A AUTARQUIA DAS CALDAS SE LEMBRA DE ENCOMENDAR UMA OBRA À JOANA VASCONCELOS?"
(Frase retirada, com a devida vénia, do Facebook)
A SORTE DE VIVERMOS NUMA CIDADE DE PAZ

(Imagem de arquivo)
CENA I
Ontem,
terça-feira, pouco passava das 21h00 na Praça 8 de Maio. O tempo
estava ameno, sem brisa fria a correr, fazia lembrar uma noite de
verão. O antigo Largo de Sansão estava composto com algumas
pessoas sentadas no lancil do lago central e instalado em frente ao
Panteão Nacional. A esplanada do Café Santa Cruz tinha vários pares de estrangeiros a tomar uma bebida e à sua volta, em moldura humana,
algumas pessoas, entretidas a ver a paisagem, estavam acomodadas no
corrimão de pedra que serpenteia o espaço ocupado com mesas e
cadeiras.
Um casal de estrangeiros já curvados sob o peso dos anos,
com ar molengão e despreocupados, em passo lento de passeata, quando
passava em frente à Igreja de Santa Cruz foi abordado por um indivíduo
novo, esguio e de cerca de uma trintena de anos, cabelo rapado e com
aspecto de toxicodependente. Em inglês pedia uma moeda ao par de
turistas. No percurso de vinte metros, entre o patim da igreja e a
rampa que dá acesso à Rua Visconde da Luz, o assédio foi subindo
de tom. Quando os três chegaram ao prédio do desaparecido BES,
perante a calma dos ingleses, o energúmeno, inclinado e muito irado,
já gritava a plenos pulmões: “give me a coin... CARALHO!”.
E prosseguia: “CARALHO... CARALHO!, estão a ouvir ingleses
de merda?”
Ao lado, no banco de
pedra onde costuma estar sentada a Adelaide a vender pistáchios, um
grupo de de três malfeitores iguais e com o mesmo tipo de rosto
façanhudo, talvez a darem cobertura à besta, gozavam a cena.
Encolhidos sobre si mesmo, mais que certo tentando fazer do medo
forças hercúleas, caminhando na direcção do Café Santa Cruz em
busca de ilusória protecção pela molhe humana, as únicas palavras
que se ouviram dos viajantes em trânsito pela cidade foi: “we
do not speak English” (não falamos inglês).
Com a 2.ª Esquadra
escondida pelo edifício da Câmara Municipal, a pouco mais de
cinquenta metros, nem um agente da PSP se avistava nas redondezas.
CENA
II
Ontem,
em Coimbra, realizou-se a comemoração do 139.º aniversário da PSP
. Segundo o Diário de Coimbra, “A cerimónia solene, que
decorreu no Convento São Francisco, foi encerrada por Isabel Oneto,
com a governanta a centrar atenções nos desafios que se colocam às
forças policiais.”
Continuando a citar o
jornal, “A melhoria de condições passa, notou o
superintendente Pedro Teles, “pelo reforço e qualidade dos
equipamentos e também, de uma forma especial, por conferir
funcionalidade e dignidade às instalações, quer em Coimbra (2ª
Esquadra e Esquadra de Trânsito), quer na Figueira da Foz.”
E ainda no
desenvolvimento da notícia, Manuel Machado, presidente da autarquia,
“assinalou uma acção policial “que tem contribuído para
caracterizar Coimbra como uma cidade de paz -o que motiva a visita, a
actividade económica, a cidadania, e conforta a vida aos cidadãos”.
CENA
III
Imagina-se
o casal de turistas incomodado pelo pedinte malfeitor a chegar ao
Reino Unido, todo feliz e contente, a espalhar na sua comunidade as
poderosas palavras securitárias do superintendente Pedro Teles e Manuel Machado, o
presidente da Câmara Municipal.
terça-feira, 2 de maio de 2017
UMA PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DO PCP SOBRE O COMÉRCIO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)
PARTIDO
COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo
Parlamentar
Projeto de Resolução
n.º /XIII/2.ª
Propõe a concretização
de um programa de desburocratização e apoio às micro, pequenas e
médias empresas
Há
muito que o PCP tem vindo a sublinhar a necessidade de apoio às
micro, pequenas e médias empresas como elemento indispensável na
resposta aos graves problemas económicos nacionais e tem apresentado
soluções concretas para que esses problemas possam ser
ultrapassados.
Décadas
de política de direita traduziram-se no desmantelamento do aparelho
produtivo e na deterioração da capacidade produtiva, bem visíveis
no encerramento de empresas, em resultado da dominação monopolista,
dos constrangimentos da União Europeia, da política de direita,
prosseguida pelos sucessivos governos, reforçada pelo anterior do
PSD/CDS e a intervenção da troika que agravaram ainda mais os
problemas com a enorme queda do poder de compra das famílias, a
drástica diminuição do investimento público, a subida brutal da
carga fiscal, o brutal acréscimo do custo de diversos fatores de
produção, da energia às comunicações e ao custo do crédito.
Na
situação que o País vive, a questão da necessidade de uma
política para aumentar a produção e a atividade económica tem uma
atualidade e urgência incontornáveis. É indispensável uma
política dirigida à defesa, modernização e desenvolvimento do
aparelho produtivo do País, de apoio e defesa das micro, pequenas e
médias empresas, acompanhada de uma política que inverta a injusta
distribuição Rendimento Nacional.
Portugal
precisa de investimento para promover a produção e a produtividade,
o crescimento, o emprego e o bem-estar social e precisa de ganhar
margem de manobra para afirmar o seu projeto soberano de
desenvolvimento, o que exige a libertação dos constrangimentos
externo e do euro. Precisa de investimento para reforçar a inovação,
a investigação e desenvolvimento na produção. Aproveitar os
grandes projetos públicos para dinamizar setores produtivos e,
resolutamente, apoiar as pequenas e médias empresas a subir na
cadeia de valor e à melhoria do seu desempenho em geral e de medidas
para assegurar a sua competitividade, nomeadamente garantam a
aproximação dos preços da energia elétrica, gás natural e
combustíveis à média europeia.
Recentemente,
têm vindo a ser aprovadas algumas propostas apresentadas pelo PCP
que se revestem de grande importância para as MPME. É o caso de
propostas que 2 permitem a redução de parte dos custos energéticos,
nomeadamente na eletricidade, no gás de garrafa e nos combustíveis
utilizados na pesca e na agricultura. É o caso também da redução
do Pagamento Especial por Conta, que já está a beneficiar de forma
importante os pequenos e microempresários, e que tem agora a
extinção definida para 2019 – fruto da proposta e da persistência
do PCP.
Os
micro, pequenos e médios empresários identificam como os principais
fatores limitativos do investimento e do consequente crescimento e
desenvolvimento económico e social, o fraco poder de compra da
população portuguesa e a débil procura pública (Administração
central e Autarquias Locais) a par dos custos da produção
decorrentes dos elevados preços dos fatores produtivos, como a
energia, telecomunicações, transportes, os custos administrativos e
fiscais, as dificuldades de acesso ao financiamento que a
generalidade das MPME enfrenta.
De
acordo com o testemunho de muitos micro, pequenos e médios
empresários, ainda não se regista uma recuperação económica
significativa, sobretudo no comércio, restauração e serviços.
Nesta matéria, o aumento do poder de compra é decisivo, já que a
esmagadora maioria das micro e pequenas empresas laboram para o
mercado interno nacional. O domínio monopolista sobre sectores
estratégicos – energia, comunicações, crédito, etc. – e a
carga fiscal imposta às MPME, desigual face aos grupos económicos,
são fatores que continuam a ser incontornáveis para a capacidade de
reanimação da economia.
Os
microempresários deparam-se muito frequentemente com novas
obrigações vindas da Autoridade Tributária, da ACT, da ASAE, num
labirinto de medidas, muitas de última hora, que nem sequer os seus
contabilistas ou outros consultores especializados, muitas vezes,
conseguem resolver. Coloca-se a necessidade de uma atitude exigente,
mas transparente por parte destas entidades, em particular junto das
micro, pequenas e médias empresas.
A
Banca impõe todos os dias pesados encargos às MPME com comissões,
despesas de manutenção de conta e outros custos administrativos,
sem qualquer razoabilidade e sujeitando as empresas a situações de
ainda maior dificuldade e constrangimento. Como dizem muitos
empresários, hoje já se paga à Banca para ter dinheiro depositado.
O problema é complexo e vasto e a exigir iniciativa política que
trave este saque.
Sobre
os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, no quadro
comunitário designado por Portugal 2020, os critérios de acesso, os
regulamentos (aprovados pelo anterior Governo PSD/CDS) continuam
complexos, burocratizados, inacessíveis para a imensa maioria dos
micro, pequenos e médios empresários. Tal situação coloca em
maior desigualdade as condições de acesso das empresas, entre a
capacidade técnica e económica dos grandes grupos económicos e a
maior dificuldade das MPME. Tal como 3 era relatado em dados
recentemente vindos a público, 96% das empresas estão fora do
Portugal 2020.
Torna-se
indispensável e inadiável prosseguir esse caminho de apoio às
micro, pequenas e médias empresas, com medidas concretas que
respondam aos problemas sentidos e identificados pelos empresários,
desde logo na simplificação administrativa e eliminação de opções
burocráticas desnecessárias e que são uma barreira, na facilitação
do acesso ao financiamento e aos apoios ao investimento nomeadamente
pelos fundos comunitários.
Nestes
termos, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e
da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do
Grupo Parlamentar do PCP propõem que a Assembleia da República
adote a seguinte resolução:
A
Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da
Constituição, recomenda ao Governo a concretização de um programa
de desburocratização e apoio às micro, pequenas e médias
empresas, que determine:
a)
A criação de um regime de conta-corrente entre as micro, pequenas e
médias empresas (MPME) e o Estado que alivie a tesouraria das
empresas e que, no caso de serem detentoras de crédito sobre o
Estado, permita o acerto das suas obrigações tributárias;
b)
A atualização do valor previsto no Código das Sociedades
Comerciais que sujeita as empresas a revisão legal de contas,
assegurando a isenção de revisão legal de contas às pequenas
empresas que não sejam sociedades anónimas;
c) A
adoção de medidas para que as linhas de crédito para as MPME
anunciadas pelo Governo (Linha “Micro e Pequenas Empresas”;
Linha “Fundo de maneio”; Linha “Plafond de tesouraria”;
Linha “Investimento geral”; Linha “Investimento de projetos
2020”) sejam concretizadas com o acompanhamento do IAPMEI em
articulação com o IFP, quer na resolução de possíveis
obstáculos à sua contratualização pelas empresas quer no
controlo das condições, prazos e juros exigidos pela agências de
crédito, que devem traduzir de forma efetiva o volume de fundos
públicos disponibilizados para a sua bonificação;
d)
A adequação do Quadro Comunitário Portugal 2020, no âmbito da
sua reprogramação, considerando programas específicos, com
plafonds próprios e exclusivos, para as micro e pequenas empresas;
e)
A definição de um programa de valorização das MPME,
estabelecendo a sua prioridade, no âmbito da contratação pública
e funcionamento das Centrais de Compra do Estado;
f)
A urgente concretização do anunciado Cheque MPME, obrigando à
determinação dos impactos e custos (fiscais, administrativos, de
mercados, etc.) em todos os processos legislativos e normativos dos
poderes públicos; 4
g)
A intervenção junto do sector financeiro, junto do Banco de
Portugal e por intermédio do banco público, Caixa Geral de
Depósitos, no sentido do estudo e promoção de uma substancial
redução dos encargos das MPME com comissões, despesas de
manutenção e outros custos administrativos aplicados pela banca
comercial;
h)
A criação no âmbito do IAPMEI de um Serviço de Apoio aos Micro e
Pequenos Empresários, estrutura dedicada com o objetivo de
resolver, orientar e sistematizar dificuldades, estrangulamentos e
problemas das micro e pequenas empresas na sua relação com
serviços da Administração Central, nomeadamente no acesso a
programas públicos para o sector;
i)
A criação no âmbito dos programas da Administração Central para
a promoção da eficiência energética de um programa específico e
de apoios majorados para as MPME, em simultâneo com o
desenvolvimento pelo IAPMEI, DGEG e ADENE de um balcão próprio
para a sua concretização.
Assembleia da
República, 27 de abril de 2017
Os Deputados,
BRUNO DIAS, JOÃO
OLIVEIRA, FRANCISCO LOPES, CARLA CRUZ
BAIXA: ECOS E RUMORES DAS VIELAS E RUAS ESTREITAS

COMÉRCIO TRADICIONAL
Apesar
dos últimos dados da Nielsen, uma consultora internacional que
analisa o consumo, mostrarem indicativos claros que a preferência do
consumo pelas famílias começa, em crescendo, a incidir no comércio
tradicional -cuja fatia em percentagem vale 8% do consumo total-, a
verdade é que o negócio na Baixa continua anémico. É certo que a
duração de um estabelecimento comercial novo, a meu ver, passou de
seis meses para nove, mas, mesmo assim, a confiança dos mercadores
conimbricenses, em último sopro no futuro, em decadência, prossegue pelas ruas da amargura.
Continua a assistir-se nesta zona a
uma viragem nitidamente do comércio para a indústria hoteleira.
Tudo dá a entender que pelo fluxo turístico, cujo passante pouco
compra nas lojas, o futuro desta parte da cidade velha, fora de
muros, nitidamente e tal como a zona do Quebra Costas, passará pelo
surgimento de novas casas típicas em que o fado, a canção de
Coimbra, marcará presença e identificação estudantil.
A QUEIMA DE ALGUMAS
ELEMENTARES NORMAS
A
Queima das Fitas, a festa maior dos estudantes, está aí à porta da
Lusa Atenas. Recentemente, um grupo de hoteleiros da Baixa
manifestou-se na Câmara Municipal de Coimbra contra a proibição
de, durante a festa, os estabelecimentos se poderem estenderem e
colocar na rua postos de venda de cerveja e outras bebidas.
Respeitando outras opiniões contrárias, a edilidade fez muito bem
em limitar a bagunça a que se assistiu nos últimos anos. Se
os profissionais de hotelaria detêm um espaço físico para venderem
os seus produtos, a meu ver, é um contra-senso virem colocar na via
pública colunas de cerveja e outros afins. Mas há um porém, esta
limitação só faz sentido se a autarquia proibir as marcas
cervejeiras de, como em anos anteriores, fazendo concorrência
selvagem e em completo desrespeito por quem está, espetando uma
lança em África, colocarem postos de venda a esmo e com
distribuição anárquica e em contraste com o ordenamento monumental
que se espera de uma zona protegida e classificada como Património
Mundial.
PRAÇA DO COMÉRCIO
Depois
de muito se ter escrito sobre o futuro da Praça do Comércio, e há
poucos meses uma cidadã ter posto em prática um abaixo-assinado
para repor a ordem perdida e acabar de vez com o estacionamento
selvagem na antiga praça, eis que, de repente e sem nada o fazer
prever, o executivo faz anunciar a reclassificação do nobre largo
da Baixa.
Pode parecer que estou
contra. Nada disso. É uma necessidade de obra que só peca por tardia. Tendo
em conta o virar do milénio, pela ascensão da Coligação por
Coimbra em 2001, há 16 anos que, de promessa em promessa, se espera
uma alteração que faça renascer das cinzas a dignidade ofuscada do
mais antigo mercado da cidade, que já vem do início da Idade Média.
Por parte da Câmara Municipal, há um senão que convinha esclarecer
e que não foi noticiado aquando da boa-nova: o que vai acontecer aos
vendedores ambulantes, instalados há décadas junto à Igreja de
Santiago, e à Feira de Velharias, nascida em 1991 e uma das
primeiras no país?
Se seguirmos o curso
histórico de Coimbra, as mudanças são sempre desastrosas e
catastróficas para um ou mais grupos envolvidos. Se é certo que
para uns ganharem outros, indubitavelmente, terão de perder, tenho
para mim que há uma grande insensibilidade e desrespeito por quem
precisa de ganhar a vida. Sendo um pouco pessimista nesta nova
alteração, ninguém me tira da cabeça que estamos perante uma
medida eleitoralista, sem plano de pormenor que convença, e, pelo formato disruptivo, descontextualizada. Oxalá esteja enganado. Mas
se a minha tese estiver certa, esta decisão executiva, com o
argumento das obras e “chico-espertismo” de com uma cajadada
matar dois coelhos, a coberto das alterações paisagísticas, visa
duas intenções maléficas: retirar e transferir os vendedores
ambulantes e a Feira de Velharias para o Parque Dr. Manuel Braga. Devendo ser antagónicos pelo princípio político, acabam por ser instrumentos a favor do vazio e da desertificação.
Escusado será dizer que,
a ser assim, uns e outra, desterrados para a sombra paradisíaca de
um cemitério, sem futuro que se veja, vão desaparecer a curto prazo. É triste se assim
acontecer. Mas também é verdade que, no tocante aos vendedores
ambulantes, vem trazer à tona, preto no branco, que os executivos
social-democratas e socialistas nunca tiveram um pingo de bondade e
consideração para quem exerce o seu trabalho de sobrevivência na
rua ao vento e à chuva. Uns e outros, PSD e PS, sempre
desconsideraram estes resistentes como cardos espinhosos e malvistos
numa cidade formatada ao acaso e ao deus dirá e sem atenção pelos
vendedores mais carenciados. Sem levarem em conta o passado e a
história, em vez de integrar, respeitando a idiossincrasia de todos,
excluem por regulamento. É um baralhar e dar de novo.
Já
no tocante à Feira de Velharias, se for transferida para o silêncio
das acácias em flor, este presidente, Manuel Machado, que esteve na
sua fundação, vai ficar com o encargo de escrever o epitáfio no
coval em que se vai enterrar o popular certame de coisas antigas e
usadas.
Já muito escrevi sobre o
colete de forças a que está sujeita esta feira. O seu encolhimento
continuado está a matar o seu ideal rejuvenescimento. Não se
contesta e até se concorda com o aparecimento de novas esplanadas na
Praça do Comércio. O que não se vê com bons olhos é que não se
respeite a base genética deste evento. Se nasceu aqui, tendo em
conta outros interesses, no mínimo, deve manter-se e estender-se
para as ruas largas e ruelas estreitas em redor. Se tivéssemos
pessoas responsáveis que amassem a Baixa e estivessem interessadas
na prossecução da conveniência de todos, operadores, consumidores
e cidadãos em geral, seguindo o exemplo de Aveiro, seria assim que
se faria. Acontece que, nem antes nem depois, não temos gente na
cultura com visão holística. Como os governantes do país, têm uma
vista curta de conveniência para alguns e egoísta do ponto de vista
da reeleição.
Só para melhor
exemplificar: em Coimbra a ocupação de espaço público para venda
na feira é gratuita -claro que se nada se cobra, é óbvio, nada se
faz em prol da sua continuidade. Em Aveiro, este ano, o custo por
metro quadrado duplicou. Há vendedores a pagarem por ano mais de 200
euros, e a feira continua a estender-se pelo Rossio e com cada vez
maior procura. Não era melhor inscrever algumas destas pessoas de Coimbra num
curso rápido de economia social?
TRÂNSITO
Depois
de cerca de 600 milhões de euros orçamentados para a construção
da “rotunda” do Continente, aliás do Arnado, verifica-se que o
trânsito na Avenida Fernão de Magalhães, diariamente, está um
caos. Entre a Estação Nova e a nova oval, num percurso de um
quilómetro, facilmente, a qualquer hora do dia, se pode demorar mais
de quinze minutos. Não fazemos ideia se os sinais luminosos já
estariam incluídos neste novo projecto. Se não estão,
forçosamente, terão de fazer parte e passar a estar.
CANDIDATOS À CÂMARA
Se
é certo que já se ouve o troar dos motores, ainda não foram
ligadas as máquinas em toda a sua plenitude. Batendo levemente como
se chamassem por nós, eleitores, os novos vendedores eleitorais de caça ao voto, com
as bíblias debaixo do braço e apregoando a mensagem do Messias, o
salvador, todos prometem recuperar a Baixa do atoleiro em que se
encontra. De repente, esquecendo a amizade de muitos anos, todos
apontam o cano da espingarda ao actual presidente da autarquia
acusando-o de muitas malfeitorias. É de supor que Manuel Machado,
sem dormir há muitas noites pelos telefonemas desculpabilizantes a
horas impróprias dos até aqui amigos, é de imaginar, esteja farto
desta campanha que antes de o ser já foi.
Por
parte da máquina do recandidato socialista, tendo por objecto o seu
principal opositor representante da coligação PSD/CDS/PPM, já
começou o recurso ao passado emporcalhado. Como diria o Diácono
Remédios, para um e outro: “não havia necessidade!”
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