Não é a primeira vez que apresento este vídeo aqui. Nesta repetição, e desta vez, o que gostaria de relevar é que neste tempo em que parece faltar-nos tudo, todos os meios materiais, quem sabe nós, individualmente, não sejamos detentores de algo menos usado, parecendo caricato, que possamos (re)utilizar? Vale a pena pensar nisto. Tenho a certeza. Provavelmente, em vez de nos lamentarmos continuamente, temos todos de recorrer às coisas simples para chegar a soluções de problemas intrincados e difíceis. Afinal todos temos um talento qualquer que nunca utilizámos por receio de falhar. Agora, neste tempo de falhanços, o que se perde em tentar?
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
QUEM PROTEGE A IGREJA DE SÃO TIAGO DO VANDALISMO?
A Igreja São Tiago, na Praça do
Comércio, em Coimbra, foi recentemente vandalizada. Em um dos capitéis
exteriores, do lado direito de quem entra, ornamentados com motivos vegetalistas
e animais, é patente a decapitação da cabeça de um leão. Para além disso, a
porta em madeira virada para a Praça do Comércio está rasurada com tinta de
esferográfica e com giz. Como se fosse pouco, para além da degradação acentuada
nas colunas da janela do lado direito, no telhado avista-se uns pequenos
matagais a mostrar que esta cidade, a que chamam de cultura, preza muito pouco
a sua riqueza histórica e memorial.
Só para lembrar, este templo foi
construído entre o final do século XII e princípios do século XIII e constitui uma das
mais extraordinárias manifestações do estilo românico na cidade. Segundo reza a
história foi erguido para dar guarida aos muitos peregrinos que, em trânsito, se dirigiam a
São Tiago de Compostela.
Já por várias vezes chamei a atenção para o permanente e prejudicial encerramento deste e de outros templos na Baixa, incluindo uma carta aberta ao senhor Bispo de
Coimbra, D. Virgílio Antunes. Até à data não obtive resposta. Mas como sou
muito paciente, e se Deus Nosso Senhor quiser, acredito piamente que Dom
Virgílio ainda me vai “passar cartão”.
TEXTOS RELACIONADOS
"CASAS EM ESPANHA BAIXAM 60% MAS PORTUGAL AUMENTA IMI
"A desvalorização das casas em Espanha, o agravamento do IMI em Portugal e o risco de redução de postos de trabalho na Autoeuropa são os temas abordados por João Palma-Ferreira, jornalista do Expresso, no Jornal de Economia da SIC Notícias."
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/casas-em-espanha-baixam-60-mas-portugal-aumenta-imi=f761303#ixzz2A2KBDTqj
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domingo, 21 de outubro de 2012
COISAS INEXPLICÁVEIS...
São 21h00 deste Domingo. Encontro o "Carlitos popó" a juntar as pedras da calçada espalhadas pelo chão e, como peças de um puzzle, juntando-as e, com "paciência de Jó", colocando-as nos buracos correspondentes. Está acompanhado com um balde, uma maçeta e uma picadeira. Afinal, quem é aqui o "ligeiramente deficiente"? Não serei eu? Começo a inclinar-me fortemente para esta hipótese.
A RUA DO "NONSENSE"
Não se sabe muito bem se o facto
da Rua da Sota, pela razão de ser “Sota”, que no Dicionário de Língua
Portuguesa, entre vários, significa “ser mais esperto do que os outros”, terá a
ver com a confusão que está a causar a todos que a pretendam atravessar. O caso
não será para menos, é que junto ao Banco de Portugal, ainda no Largo da
Portagem e entrada principal, uma placa anuncia a proibição de circulação
“excepto residentes e ligeiros para cargas e descargas”. Mais abaixo e agora já
no início da artéria está presente uma seta de sentido obrigatório e
acompanhada com uma outra indicação: “zona estacionamento de ligeiros sujeito a
pagamento –dias úteis: 8 às 19h00; Sábados: 10 às 14h00”. Andamos mais uns
metros para a frente e, com os dois lados cheios de automóveis, verifica-se que
no esquerdo, sem ocupar toda a área disponível, é onerado com pagamento e está
uma máquina de bilhética dos SMTUC; do direito, onde em tempos e pela Junta de
Freguesia de São Bartolomeu foram colocados uns vasos enormes com plantas para
libertar metade da via para os peões, não existe indicação de pagamento, no
entanto, está repleta de veículos.
Para melhor se entender, afinal, é
proibido circular e estacionar em metade da rua ou não? Vou começar por
inquirir um agente da PSP, em guarda ao Banco de Portugal, que no meio de um
sorriso, responde mais ou menos assim: “olhe, a essas perguntas difíceis só
respondo na presença do meu advogado. Diga-me lá, alguém entende o que está aí?
Essas placas devem ser para sobredotados!”. Vamos agora interrogar Carlos
Clemente, presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu: “por amor de Deus,
não me faça perguntas difíceis cujas respostas são impossíveis de dar. Sobre
este assunto, já mandei um ofício para a Divisão de Trânsito da Câmara
Municipal, e ninguém me deu réplica. Levantei a questão na Assembleia Municipal
e, até agora, estou à espera. Já falei pessoalmente com uma pessoa ligada ao
trânsito e reiterou-me que os sinais estão muito bem. Ainda bem que você veio
ter comigo, é que até pensava que estava a dar em doidinho. Que bom, você ter
vindo. Que alívio!”
É muito natural que, chegados até
aqui, estejam na mesma como quando começaram, isto é, não percebam o que estará
mal. Vamos ouvir comerciantes da rua, talvez fiquemos mais esclarecidos.
Viriato Silva, do estabelecimento Centro Velocipédico de Sangalhos, diz o
seguinte: “É um disparate retirar o trânsito a esta rua. Ao fazê-lo, sem
atenção às actividades comerciais, estão a condená-la à morte. Não faz sentido
todo aquele estacionamento ser para carga e descarga. Deixem-no com acesso a todos
os interessados. Aliás, é como está. Deveriam arranjar a calçada, que está que
é uma vergonha. Todos os dias aqui caem pessoas.”
Mais à frente, Filipa Branco,
funcionária de um salão de cabeleireiro junto à RAF, diz o seguinte: “Não faz
sentido como está. Em vez de desencadear a ordem está uma desordem. Para ser, de facto, destinado
a carga e descarga deveria ser de paragem temporária. É incompreensível estar
afixada uma placa de trânsito proibido, excepto para moradores e carga e
descarga. Quando vem a polícia multa tudo a eito, tenham talão ou não, e mesmo
do lado onde não tem placa de proibição. Só se safa o espaço reservado à carga
e descarga, mas acontece que os carros, neste espaço reservado, estão lá todo o
dia.”
Carla Faustino, proprietária do
espaço comercial, resolveu dar também opinião: “ Olhe, isto aqui é uma vergonha.
Ainda há dias parou aqui uma carrinha de caixa-aberta que me entregou uma
encomenda. Como não havia lugares vagos, parou no centro da via durante uns
minutos, só o tempo de eu passar o cheque. Passou um polícia de moto e gritou: “tire
já esta merda do caminho que quero passar!”. As minhas duas funcionárias
colocam cá o carro quando têm lugar. Hoje o parquímetro está avariado, mas tem
de se pagar todos os dias, incluindo o sábado contrariamente ao que foi
anunciado no jornal. Às vezes chega a haver quase pancada por causa dos
lugares.”
José Lourenço, da RAF, retorque o
seguinte: “Deveria ser a pagar dos dois lados. Se tem um espaço destinado a
carga e descarga o tempo de paragem deve ser limitado a uma hora, para permitir
uma certa rotação. Costuma estar aí estacionada uma carrinha branca, dia e
noite. Até o dono dorme lá dentro. Há carros aqui imobilizados durante semanas.
Deveria haver mais fiscalização. A rua deveria ser aberta ao trânsito, a todos,
que, na prática, é o que se passa actualmente. Não faz sentido os moradores
terem aí o carro parado dia e noite.”
MÚSICA CELESTIAL NO CAFÉ SANTA CRUZ
Inserido nos VI Encontros
Internacionais da Guitarra Portuguesa, uma iniciativa da Orquestra Clássica do
Centro (OCC) com o apoio da CGD, realizou -se no Café Santa Cruz um concerto
com o quarteto de cordas da OCC e o solista Artur Caldeira (guitarra clássica e
guitarra portuguesa). No âmbito da parceria entre a OCC e o Café Santa Cruz,
que se traduz nos designados “Encontros em Coimbra (na Baixa), mostrou-se hoje
neste vetusto estabelecimento um espectáculo de “primeiríssima água”,
parafraseando o maestro Virgílio Caseiro, que fez as apresentações e desejou as
boas vindas ao repleto espaço de restauração, a rebentar pelas costuras, e com
pessoas na rua.
Tendo por pano de fundo a
homenagem a Luiz Goes, recentemente falecido, foram tocadas peças de vários autores, incluindo Artur
Paredes, Carlos Paredes, Luiz Goes e arranjos para quarteto de cordas e
guitarra feitos pelo próprio Artur caldeira e pelo maestro titular da OCC,
David Lloyd.
Quem não esteve nesta tarde na
Baixa perdeu uma grande oportunidade de ver um dos maiores concertos de câmara
ao vivo dos últimos tempos. A comprová-lo foram as ovações a estenderem-se em
largos segundos ou minutos e algumas vezes de pé.
Com a estreia de uma nova peça,
“Em nome da madrugada em Coimbra”, pelo quarteto de cordas da OCC iniciou-se o
serão. Seguidamente, em junção com Pedro Caldeira a desvendar que uma guitarra
clássica se for bem tocada pode chorar e tocar-nos o coração, mostrou-se a
todos os presentes na sala, em que, provavelmente, metade seria composta por
turistas estrangeiros e estudantes de Erasmus e outra metade, parcialmente, por
gente anónima, que nesta cidade capital de várias coisas e mais ainda também há
muito boa música de câmara e de nível mundial. Houve momentos de tal solenidade
que só se esperava ver sair dos recantos do salão encantadoras damas, embaladas
em vestidos armados de seda púrpura, com longos decotes de colos generosos, cabelos
presos na nuca e rostos meios-cobertos com leques de marfim. Durante
precisamente uma hora, lambidas por acordes de encantar, aquelas pedras
carcomidas pelo tempo ganharam vida nova e pareciam sorrir para uma certa dama
e em representação de toda a imensidão de beleza da natureza feminina.
No fim, depois de sessenta
minutos que passaram depressa, ouvia-se repetidamente: “não há mais? Não há
mais? Já acabou? Não pode ser?!”
Numa cidade em que muitos eventos culturais acontecem mas, curiosamente, os munícipes se queixam de não terem tido conhecimento, era altura de se fazer uma base de dados com os frequentadores habituais e, através de mensagem, ser-lhes dada informação antecipada. Não custa nada, ganham todos, e a sua eficácia é garantida.
Numa cidade em que muitos eventos culturais acontecem mas, curiosamente, os munícipes se queixam de não terem tido conhecimento, era altura de se fazer uma base de dados com os frequentadores habituais e, através de mensagem, ser-lhes dada informação antecipada. Não custa nada, ganham todos, e a sua eficácia é garantida.
Parabéns à gerência do Café Santa
Cruz e à direcção da Orquestra Clássica do Centro, na pessoa de Emília Martins,
por terem proporcionado um momento de tão rara beleza.
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