quarta-feira, 25 de março de 2015

ESSÊNCIAS GOURMET... DE VIDA





Abriu há dias a “Essências Gourmet”, no Terreiro da Erva número 21, ao lado do Restaurante Cantinho do Reis.
Transpomos a porta e, como se recebêssemos uma aura espiritual pelo branco imaculado, somos abraçados pelos odores, pelas essências da terra, que nos envolvem completamente. Para complementar, numa abrangência de cordialidade e simpatia, recebe-nos a Helena Pereira com um sorriso de candura familiar que nos faz acreditar que estamos no nosso meio. Nesta bonita loja de produtos endógenos nacionais –“somente artigos portugueses”, sublinha a anfitriã- podemos apreciar e adquirir biscoitos de vários sabores, chocolates, cerveja artesanal, azeite biológico –Acushla, que ganhou vários prémios-, mel, vinhos de vários pontos do país, conservas, compotas, sal marinho e flor de sal –este, é um sal mais depurado, mais suave- e até algas para fazer um salteado com vegetais. Para além tantas iguarias pantagruélicas, podemos também adquirir sabonetes de leite de burra e muitas variedades de infusões, chás, de muitos sabores.
Embora sem experiência empresarial, Helena está muito satisfeita. “Tenho vendido e está correr muito bem”, enfatiza. O que oferecemos na nossa loja são artigos diferentes dos que se encontram à venda em congéneres na cidade. Procurámos ser um suplemento na oferta e não mais do mesmo. Para não entrar em colisão com quem está, tentamos ser algo diferente.”
A Helena é professora -de Português e Inglês e mestrada em Tecnologias de Informação e Comunicação. Agora a dar formação. Como é que um docente se envolve nas lides comerciais? Interrogo. “Olhe, foi assim: sinto-me pouco empolgada com o caminho que o ensino em Portugal está a tomar. Dei aulas no ensino público cerca de 13 anos. A instrução, enquanto formação necessária ao desenvolvimento humano, está muito degradada. Então, eu e o meu marido gostamos muito de infusões, de chás, de plantas e frutos silvestres. Como temos um amigo que tem um estabelecimento em Aveiro, o “Glory Tea”, seguindo o seu exemplo, surgiu a ideia de abrir uma loja em Coimbra. Foi assim que germinou a Essências Gourmet.”

terça-feira, 24 de março de 2015

O ÚLTIMO ANIVERSÁRIO



O celebérrimo “Cantinho da Anita”, talvez pelo seu enquadramento histórico já que está implantado numa casa Medieval, a mais encantadora loja de artesanato da Baixa, comemora hoje 29 anos. Infelizmente será o último aniversário já que em final de Maio encerra para sempre. Fecha-se uma página de história de um comércio de cidade que já foi pujante e hoje, por obra e graça, de quem nos governa e pela apatia de uma maioria silenciosa e insensível, vai caindo aos poucos numa inércia confrangedora.
Maria Hermínia Matos, a criadora deste espaço de memória, mesmo disfarçando uma lágrima no canto do olho, sempre vai dizendo que, perante a crise económica e o desinteresse dos consumidores pelo comércio tradicional, “não me resta outra solução. Há vários meses que, colocando aqui dinheiro da minha reforma, estou a pagar para trabalhar. Naturalmente que não posso manter esta situação. Tenho pena! Pudera! Se tenho! Aqui fica um recorte da minha vida e uma parte da minha alma! Por isso mesmo, sem alegria para soprar velas, hoje enfeitei a minha entrada. Está bonita, não está?”


TEXTOS RELACIONADOS

"Adeus cantinho da Anita"
"93 anos? Quem diria Dona Rosa"
"As iluminações da discórdia"
"Comércio de rua: apertar até ao último suspiro"
"Ícones de uma cidade"




O ARTESANATO VAI REGRESSAR AO QUEBRA-COSTAS



No próximo Sábado, dia 28, o artesanato urbano vai regressar às Escadas Quebra-Costas. Salienta-se que esta data será de excepção já que no futuro este certame será sempre realizado no primeiro Sábado de cada mês.
Entre as 10 e as 19h00, naquele corredor histórico, que liga a Baixa à Alta e percorrido diariamente por centenas de turistas nacionais e estrangeiros, vamos poder apreciar artesanato urbano, gastronomia e vestuário. É uma organização de três lojistas, Miguel Lima, do Bar Quebra-Costas, Graça Carvalho, do Ólifante Shop, e Andreia Morato, do Portugal In Alta, e da ADAC, Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra.
Segundo Andreia, “ao recriarmos novamente este evento –já que, embora em moldes diferentes, existiu até há cerca de dois anos- o propósito é, por um lado, dinamizar esta zona e, por outro, gerar uma oportunidade para que novos artistas tenham possibilidade de expor as suas criações. O que vai ser comercializado nesta feira terá de ter qualidade artística e sobretudo ser original. Não pretendemos fazer concorrência a ninguém e muito menos copiar iniciativas já existentes. Aproveito para convidar os leitores. Apareçam que vão gostar!”

DONA ROSA É UM PRAZER DAR-LHE OS PARABÉNS


(Foto de Gonçalo Roque)


O último dia 20 foi de festa na Rua Sargento Mor. E o caso não era para menos, Rosa Azevedo Neto comemorava 95 anos. Se todos os confinantes sabiam que Rosa é um encanto de pessoa, que basta olhar o seu rosto para se gostar, o que não adivinhavam é que a simpática vizinha canta fado como poucas. Pois se não sabiam ficaram a saber. A sua voz bem timbrada, acompanhada à viola, ecoou pelos becos circundantes e os muitos amigos ovacionaram com convicção a aniversariante. Com a lágrima no canto do olho, a criadora de flores de seda para vestidos de cerimónia agradeceu a gentileza de tão boa gente. Seguiu-se o apagar de velas e mais uma vez as palmas atravessaram o espaço sideral da amizade.
Em nome da Baixa, se posso escrever assim, muitos parabéns dona Rosa. É um gosto enorme contar consigo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

LEIA O DESPERTAR...




LEIA AQUI O DESPERTAR DESTA SEMANA 

Para além  do texto "A VIDA DE MARCO POR UM ACORDEÃO", deixo também as crónicas "O CARLITOS "POPÓ" ESTÁ AÍ PARA AS CURVAS"; "REGRESSA CANDEEIRO, À RUA DA GALA. VEM!"; "SENSIBILIZAÇÃO PARA O HORÁRIO DA RECOLHA DE LIXOS; e "ANIVERSÁRIOS DE ARROMBA NA BAIXA".


A VIDA DE MARCO POR UM ACORDEÃO


“Certamente que já várias vezes você passou por mim na rua e não me contemplou. Interrogo, também por que haveria de me ter notado? Sou um tipo vulgar, no aspecto, igual a tantos portugueses que, como eu, se arrastam pelas pedras da calçada em busca de um simples olhar. Vou contar a minha história. Chamo-me Marek Adam Kepacz –tratam-me por Marco. Nasci na Polónia em 1958. Em 1980 assisti ao germinar do Sindicato Solidariedade, fundado por Lech Walesa nos Estaleiros Lenin, em Gdansk, e à sua luta de resistência civil pela causa dos direitos dos trabalhadores. Até aos 23 anos, na minha terra, estudei, trabalhei a tempo inteiro e nas horas vagas tocava acordeão. No meu país de origem aprendíamos música desde os bancos da escola. Alegadamente, como eu tinha talento, e aconselhado pela professora, o meu pai pagou para eu continuar a estudar o solfejo. Durante alguns anos fiz parte de um grupo de baile. Entretanto, como não vislumbrasse o meu futuro com nitidez, e a carestia da vida e a falta de trabalho fosse uma constante, em 1981, com 23 anos, parti para Itália em busca de uma vida melhor. Durante 15 anos fui funcionário da fábrica FIAT, em Florença, e fundei um grupo de músicos de rua. Éramos quatro, saxofone, guitarra baixo, violino e eu tocava acordeão. A música foi sempre o meu resguardo espiritual. Enquanto por lá permaneci fui acompanhando o combate travado por João Paulo II, declarado santo em 2014, contra o regime totalitário vigente. Em 1983, vibrei com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao fundador do Solidariedade pela sua coragem em enfrentar o regime pró-soviético. Em 1989 presenciei a queda do comunismo, desmoronamento do bloco de leste, ascensão de Lech Walesa a presidente da República e acreditei num destino melhor para a minha pátria. Em 1996 a fábrica onde laborava, em Florença, entrou em dificuldades, despediram pessoal e regressei à Polónia, já com Walesa apeado do poder e em pré-rotura com a organização sindical que o elevou e transformado em partido político. Fui trabalhar para a construção civil e por lá me mantive até 2009, quando a situação económica do país começou a piorar e senti que tinha de dar uma volta à minha vida. Com 51 anos, mais uma vez, peguei na mala e, tocado de força e alma cheia, abalei e aterrei em Portugal. Sempre fui um sonhador –os artistas são assim, você sabe?- e sempre acreditei que uma pessoa imagina, luta para a sua concretização e as coisas acontecem. Mas em Lisboa não foi assim. Não havia trabalho para mim, que vinha de fora. Mais uma vez a música, a minha música, foi o meu mar da subsistência possível. Sobrevivendo conforme podia e com a saúde a debilitar-se –tive dois AVC, Acidente Vascular Cerebral-, durante quatro anos, em duo, toquei na rua com um ucraniano. Emprestou-me um acordeão e ele tocava concertina. Até que, como começou a não dar para viver, o meu amigo regressou à Ucrânia. E com ele foi o instrumento que me alimenta a alma. Vim para Coimbra há cerca de um ano. Tive fé que aqui conseguiria ganhar dinheiro para conseguir comprar um acordeão e viver melhor do que na capital. Mas mais uma vez a minha fantasia falhou. Recebo 178,80 euros de RSI, Rendimento Social de Inserção, pago de renda por um quarto 120,00 e gasto mais 25 euros em medicamentos por mês. Mal dá para eu comer na Cozinha Económica. Mas eu passo bem! Gosto muito da cidade. É aqui que quero morrer. Esta é a minha segunda terra. Custa-me muito é não ter um acordeão para eu tocar na rua e poder ganhar uns trocos. Sem o instrumento sinto-me amputado, metade de mim. Acho que dava a minha vida para poder tocar todos os dias. Este acordeão que aparece na fotografia foi do Paolo, um reconhecido músico de rua e que regressou à Roménia há cerca de dois anos, mas está avariado. Se estivesse em condições de tocar, mais que certo, este texto de rogação não surgiria. Será que o leitor não terá uma forma de me ajudar? Por favor!”



O CARLITOS “POPÓ” ESTÁ AÍ PARA AS CURVAS

O Carlitos “popó” –para os amigos e “pipi” para os desconhecidos-, o nosso embaixador para as questões nacionais e internacionais, depois de uns meses de repouso na Unidade de Saúde Fernão Mendes Pinto, na Avenida Fernão de Magalhães, regressou há dias aos seus passeios diurnos e noturnos pelas ruas estreitas da Baixa. Notava-se um bocadito amarelecido e com aspeto cansado. Sei lá, se calhar a noite anterior foi agitada com alguma menina que ardia de saudade dos seus carinhos. É certo que até lhe poderia ter perguntado mas, como sou muito pudico, preferi ficar pela especulação. Mas, em boa verdade, o que interessa isso? O que importa mesmo é que o nosso representante para a liturgia, na procissão da Rainha Santa, está bem e recomenda-se.



 REGRESSA CANDEEIRO, À RUA DA GALA. VEM!
Há cerca de dois meses que uma parte da Rua da Gala, na Baixa, está sem luz e sem gala. Segundo Adélia Norberto, moradora na mesma rua e no número 37, trata-se de um misterioso desaparecimento de um candeeiro, que partiu, não se sabe para onde, e não voltou. Vamos ouvir esta residente: “mais ou menos há dois meses o luzeiro, se calhar com o peso de tanto lixo, subitamente arreou e ficou pendurado como ave na cinta do caçador. Telefonei a dar conta e vieram os bombeiros, a polícia e uma empresa por parte da EDP. Dando a impressão de rapidez, disseram que demorava uns dias a voltar. Até hoje.”
Não sei se o lampião teria ido para o estrangeiro –o que a ter acontecido até se entende. Se assim foi, graças ao programa governamental para a emigração VEM, o regresso está mais facilitado. É? Não é?


SENSIBILIZAÇÃO PARA O HORÁRIO DA RECOLHA DE LIXOS

Numa iniciativa louvável, tanto quanto sei, originária do Departamento de Desenvolvimento Social e Ambiente, da Câmara Municipal de Coimbra, num esforço olímpico e numa meritória função, anda um funcionário da Divisão de Ambiente a contactar individualmente todos os residentes para a obrigação de cumprimento dos horários de recolha dos resíduos urbanos pelos serviços. Há muito tempo que assistimos todos a um desleixo continuado por parte de alguns moradores que colocam os detritos a qualquer hora do dia ou da noite. E esta estranha relação de maltrato e abandono pela cidade, que é de todos e deve ser amada e respeitada, tem de mudar. E, sem dúvida e sublinhado, esta é a forma correta para se melhorar um procedimento errático que se verifica há muitos anos por parte de muitos munícipes. Como manda o bom senso, na pedagogia, primeiro adverte-se e a seguir, para quem teimar em prevaricar, leva com a coima correspondente.
Ficamos a saber que na zona da Alta o lixo doméstico será recolhido entre as 17h30 e as 21h00. Na área da Baixa o papel e o cartão serão recolhidos entre as 17h30 e as 19h30. Já o lixo doméstico será apanhado pelos serviços entre as 19h00 e as 21h00.


ANIVERSÁRIOS DE ARROMBA NA BAIXA

-A senhora Adelaide, a projeção de nós na velhice esperançada, fez 91 anos na quinta-feira da semana passada, 12 de Março. A “última tremoceira”, a vender na Praça 8 de Maio, embora queixando-se dores na coluna, nas pernas e nem sei mais onde, está mais rija que uma bola de bilhar. Preparemo-nos, portanto, para lhe fazer uma grande festa no centenário. Muitos parabéns à velhota mais querida da Baixa.


-Ainda na semana passada, na quarta-feira, houve festa grossa na Rua Sargento Mor e tudo parou em redor. O caso não era para menos, João Braga, o regedor daquela conhecida artéria e dono da Retrosaria Ziguezague, comemorava o seu aniversário. Mas o João estava um bocadito inconsolável. Então não é que tinha encomendado cinco leitões assados e outras tantas caçoilas de carne assada e, sabe-se lá por quê, não chegaram ao destino convencionado? Claro que os muitos vizinhos e amigos do popular comerciante, embora lamentando a falta, não deixaram de bater palmas ao aniversariante e -que remédio, o que é que se havia de fazer?- lá se atiraram ao queijo e aos bolinhos. Esta artéria da Baixa de Coimbra continua a ser uma lição.


-Também na mesma semana e na mesma Rua de Sargento Mor, na segunda-feira, houve champanhe a jorrar dos copos e bolinhos à discrição para toda a vizinhança. O motivo de grande alegria foi a Marta António, a simpática dona de um dos mais famosos açougues da Baixa: o Talho Mor -há 19 anos a fornecer carnes frescas de qualidade excecional na artéria com o mesmo nome. Muitos parabéns à Marta.
-Mais acima, no Largo da Portagem, nesta terça-feira última, havia um ambiente inusitado no Café Montanha. O caso não era para menos, o António Alves Fonseca, o sócio-gerente do popular estabelecimento hoteleiro, comemorava mais um aniversário e, para além do contentamento que se adivinha, as mensagens no telemóvel não paravam. Muitos parabéns, Fonseca, são os desejos de montanhas de amigos.




A FORÇA SÉNIOR COMO MOTOR TURÍSTICO



Na semana passada, quinta e sexta-feira, quatro dezenas de séniores, entre os sessenta e os oitenta anos, alunos da Universidade Sénior de Évora, estiveram na cidade a convite da Aposenior, Universidade da Terceira idade, de Coimbra, e no âmbito do Roteiro Monástico. Salienta-se que estas duas instituições fazem parte da RUTIS, Rede de Universidades Séniores, com 254 entidades e com um universo de 36 mil associados estudantes.
Diogo Teixeira dias, anfitrião em representação da Aposenior, foi o cicerone que, para além de levar os turistas aos vários estabelecimentos comerciais associados do Roteiro Monástico, mostrou aos visitantes toda a monumentalidade e recantos pitorescos da urbe mondeguina. Enfatiza Diogo, “com este projecto tentamos captar o turismo sénior para a cidade e contribuir para a sua economia. Vão permanecer dois dias por cá. É uma promoção para tentar fixar os turistas em Coimbra. Levamo-los a vários pontos importantes e, naturalmente, com vários passeios pela Baixa comercial, entrando nas lojas associadas e usufruindo de descontos, e mostramos o seu bulício e a sua vivência quotidiana.”
Com um suculento almoço servido no Restaurante O Cantinho dos Reis, os convivas mostravam satisfação. Joana Benjamim, de 79 anos de idade, vinda de Évora, estava contente pela viagem a Coimbra. “Estes passeios são muito importantes para os mais idosos como eu. Faz-me sair da rotina do dia-a-a-dia. Na cidade do Templo de Diana frequento aulas de informática. O saber não ocupa lugar, nem tem idade”, conclui. Ao lado, Rui Gusmão, técnico superior no Ministério da Educação já aposentado, e Filomena Coelho, professora reformada de matemática, marido e mulher, vindos de Viana do Alentejo, estão muito satisfeitos com a vinda à cidade dos estudantes. “Esta visita é muito importante e o roteiro está muito bem organizado. Embora já cá tivéssemos vindo e algumas vezes visitássemos as partes mais importantes, desta vez ficámos com uma visão mais pormenorizada e a conhecer melhor a sua história. É uma boa iniciativa e, pela forma como nos recebeu, estamos muito agradecidos à Aposenior. Por ano fazemos duas ou três viagens temáticas como esta.”

AS MULHERES EM MAIORIA

Nas quatro dezenas de turistas, dois terços eram mulheres. Como é que se explica? Que os homens morrem mais cedo e, portanto, são menos já sabemos, mas será esta a explicação? Responde Maria de Jesus Florindo, a jovem e bonita presidente da Universidade Sénior de Évora: “As mulheres são mais participativas. Temos cerca de 240 alunos e oitenta por cento são mulheres. Desde 2006 que cooperamos com programas europeus de intercâmbio entre vários países. Uma das vantagens é a mobilidade. Os nossos alunos pagam 22 euros por mês e podem inscrever-se em três disciplinas. Os passeios são à parte. Estamos a comemorar o nosso décimo aniversário dentro de pouco tempo.”
Ainda acerca das mulheres estarem a bater os homens aos pontos, refere Antonieta Guerreiro, “Dou apoio voluntário aos doentes oncológicos no Hospital de Évora e, no grupo, somos 40 mulheres e um homem. Nós temos uma maior sensibilidade para as causas sociais”, rematou.
José Tacão, outro excursionista, meteu-se na conversa e atirou: “dou aulas de Shikung –ginástica e terapia- na Universidade Sénior de Évora. 99 por cento dos meus alunos são mulheres.”
Estão de parabéns a Universidade Sénior de Évora e a Aposenior de Coimbra. Pelos seus esforços, no desempenho social em prol dos mais velhos, Coimbra deve estar agradecida. Lembro que estão a decorrer as inscrições para aulas de teatro, informática e sessões para “treino da memória” na Aposenior, no Convento de Santa Clara-a-Nova.

GRITOS INCENDEIAM FORNALHINHA




Cerca das 16h00 a zona limítrofe da Rua Eduardo Coelho foi inundada pelo troar de gritos femininos acompanhados pelo estilhaçar de vidros. A gritaria provinha da Rua da Fornalhinha, uma paralela da antiga rua dos sapateiros. À entrada da pequena ruela, durante cerca de metade de uma hora, um magote de espectadores manteve-se de pedra e cal para ver o final. Segundo versões contraditórias, uns, “não se conseguia ligar para o 112 porque não atendia”, outros, “que ninguém se importava com os gritos da mulher e só estavam interessados no espectáculo e ver sair o agressor algemado”. A verdade é que uma senhora conseguiu contactar a PSP através do serviço de emergência e, segundo o seu testemunho, a polícia demorou três ou quatro minutos a chegar. Segundo o depoimento de uma vizinha que pediu o anonimato, tratou-se de uma agressão entre primos, numa família africana. “Se não fosse uma outra locatária a defendê-la ele matava-a”, enfatizou.
Depois de três agentes terem acedido à habitação e verificado o facto “in loco” saíram da mesma forma que entraram, como quem diz, a passo rápido porque serão poucos para tanta violência que anda no ar e quase se apalpa pela mão. Pelos vistos, não teria sido nada de grave, foi mais o fumo que a chama. Alegadamente, não teria sido violência doméstica mas meros insultos entre primos.