sábado, 25 de fevereiro de 2012

UM COMENTÁRIO RECEBIDO... SOBRE...




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO... SOBRE...": 


 Caro Jorge Neves, não é nem nunca foi a prostituição de rua que prejudica o negócio, mas sim a insegurança e a falta de transportes que tragam as pessoas à Baixa nas diversas horas.
O que precisamos é de iniciativas , da Baixa a "mexer".
Seria agradável uma feira de saldos sim, senhor!
Repare na feira do Bairro Norton de Matos!
As pessoas gostam de ver e mexer nos artigos à vontade, mas isso não é para "os senhores comerciantes". Acordem e mexam-se.Em tempo de guerra vale tudo. MEXAM-SE! 





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Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO... SOBRE...": 


 Caro anónimo eu não afirmei que a prostituição de rua prejudica o negócio. Eu defendo que se devia legalizar a sua actividade, que é bem diferente.
Mas concordo com o resto do seu texto e reforço TOCA A MEXER ! 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

IGUAL/DESIGUAL

(IMAGEM DE LEONARDO BRAGA PINHEIRO)


IGUAL/DESIGUAL


É quando vejo homens a jogar à sueca,
outros, fixados, em volta do dominó,
outros se revendo na memória do Zeca,
outros ainda embalados num forrobodó,
outros mais embriagados numa caneca,
quase me sinto diferente, um esquimó,
uma espécie martelada de alforreca,
uma farinha grossa recalcada numa mó,
um som desafinado saído de uma rabeca,
um fantasma na noite, perdido, tão só,
buscando a luz, olhando para Meca,
 como indigente que até mete dó,
não sei se será mesmo hipoteca,
em pagamento de pecado de tetravó,
mas sou tão diferente, com a breca,
sou mais parecido com uma filhó,
ela era tão linda, uma boneca,
tão formosa que até me dá um nó,
formas elegantes como uma sueca,
a quem sairei eu, filho de Jericó,
tão divergente quase como uma pileca,
igual a todos, só mesmo um dia, quando for pó.


ZECA AFONSO NA PRAÇA



 Patrocinada pela Associação José Afonso, pela Câmara Municipal de Grândola, Câmara Municipal de Coimbra e Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra, está patente, ao fundo da Praça do Comércio, no antigo espaço do Oculista Cruz, uma exposição retrospectiva de vida e obra de José Afonso.
Inserida num ambiente arquitectónico espectacular, com muita luz e cor, posso garantir que merece ser visitada. O horário é das 10 às 19h00, incluindo amanhã Sábado. Se tiver alguma dúvida a Joana Azevedo, que nos recebe com muita simpatia e amabilidade, esclarece.
Se quiser ficar mais bem documentado, pode adquirir um livro, sob o título "DESTA CANÇÃO que apeteço -obra discográfica de José Afonso 1953//1985", com um custo de 15 euros.
Vá lá que vale a pena. "O saber não ocupa lugar"... diz o povo, na sua eterna ignorância.

UMA MÚSICA PARA FIM-DE-SEMANA...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO... SOBRE...



Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "REINVENTAR A BAIXA": 


O que penso sobre reinventar a Baixa:

TRÂNSITO: 
Pessoalmente não vejo qualquer ganho na abertura ao trânsito do eixo Largo da Portagem – Praça 8 de Maio, bem pelo contrário, só iria afastar mais pessoas da baixa e principalmente daquela principal artéria. Basta olhar para aquelas esplanadas que passam o dia completamente cheias de gente.
A abertura ao trânsito em nada iria servir o interesse dos comerciantes, nos dias de hoje já não permitiriam que parassem os carros em cima do passeio para irem fazer as compras.

ELÉCTRICOS:
Voltar a dar vida aos eléctricos seria uma excelente ideia mesmo que se tenha de adaptar os eléctricos a uma nova realidade, já não vejo viabilidade alguma na implementação de novos carris.
Fazia todo o sentido que circulassem entre o Largo da Portagem Praça 8 de Maio Rua da Sofia Av. Fernão Magalhães – Zona do Rossio de Santa Clara.

AVENIDA CENTRAL:
Defendo que a primeira obra a ser realizada para revitalizar a baixa é a construção de uma ponte pedonal entre o Estádio Universitário e a Estação Nova.
Requalificar a margem direita entre a Estação Nova e a Ponte do Açude aproveitando o espelho de água que o Mondego proporciona.
Numa outra vertente e em solução de recurso caso não seja construído o Metro de Superfície, deve ser repensado toda a zona que já começou a ser demolida ou esta em vias de o ser. Todos os edifícios que ainda possam ser remodelados/recuperados devem o ser para habitação jovem, todos os edifícios que não apresentem condições para futuras habitações devem ser demolidos e esse espaço ser transformado em largos com espaços verdes em calçada à Portuguesa.

COMÉRCIO:
Nada se vai conseguir para o comércio da baixa enquanto os comerciantes não entenderem de uma vez por todas que estamos no séc. XXI e que quem dita as regras são os consumidores e não os comerciantes.
As lojas do comércio tradicional vão ter de começar por alterar os horários, agruparem-se para conseguirem comprar mais quantidade a menor preço.
Num futuro bem próximo é preciso apostar no comércio sazonal na baixa mas para isso é preciso articulação entre a Câmara Municipal e os donos das lojas/prédios que estão encerrados.


HABITAÇÃO:
A baixa devia ser uma zona de habitação por excelência, mas isso tem de passar por um processo revolucionário a nível de legislação e de mentalidades. Por vezes na vida é preciso um pouco de radicalismo, nesta área defendo que todos os prédios degradados dos particulares que se encontram desabitados devem ser recuperados caso tenham condições para tal ou pura e simplesmente demolidos e colocar calçada à Portuguesa e criado um pequeno espaço de lazer, essa recuperação ou demolição tem de passar por um mecanismo do Estado que cobre as despesas e depois vende ou aluga o prédio e paga ao seu proprietário o valor que se encontrava na escritura no acto da posse administrativa.
Os prédios que são da Câmara Municipal de Coimbra devem estar sujeitos às mesmas regras e podiam ser adquiridos por particulares nas mesmas condições de quando o Estado toma posse administrativa das dos particulares.

BARES:
Como toda a gente sabe sou defensor da vinda de jovens para a baixa, logo por arrastamento implica uma revolução na vida nocturna da baixa, mas isso não significa selvajaria.
A zona preferencial para a colocação de bares seria a margem direita entre a Estação Nova e Ponte do Açude, e alguns bares temáticos com horário menos alargado nas ruas estreitas da baixa.

PROSTITUIÇÃO:
Enquanto não for legalizada a prostituição e reconhecida como uma profissão onde paguem os seus impostos aos Estado nunca vai acabar a prostituição de Rua.
As prostitutas deviam estar legalizadas para a prática da sua actividade e nesse registo devia constar o local da actividade sobre pena de coimas elevadas e suspensão da actividade profissional.
Sem estas medidas não se consegue acabar com a prostituição de rua e cada vez mais se confundem a prostituição com a toxicodependência, cada vez é mais difícil distinguir uma prostituta de uma não prostituta devido às faixas etárias e extractos sociais.

Jorge Neves 

SE DÁ EM CHAVES, PORQUE NÃO DÁ AQUI?





 Segundo um bom artigo do meu colega Jorge Neves, do blogue "In"dependente por Coimbra", os comerciantes de Chaves "estenderam a tenda na rua", sem complexos, sem vergonha, e fizeram muito negócio. Por cá, por Coimbra, pela Baixa, esteve programada uma feira de saldos para amanhã, promovida pela APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. Não se vai realizar porque, segundo alega a agência, só havia 13 inscrições. Por um lado, porque a maioria dos comerciantes, atentando nas suas respostas, aqui, entendem que vir vender para a rua é generalizadamente uma desqualificação. Por outro, já o escrevi, aqui, a APBC, no meu entendimento, não se empenhou com afinco e, deliberadamente, deixou cair este projecto, mesmo até depois de ter sido anunciado no Diário as Beiras. Quanto a mim, uma posição tomada sem pensar. O argumento da direcção da agência foi que não havia inscrições suficientes. Ora, pelos vistos, havia 13, mas, atenção, afirmo aqui com verdade que se houvesse mais esforço haveria muitos mais. 
Em silogismo, na próxima "noite branca", no caso de haver poucos participantes, também não se realiza? Qual é o número ideal de participantes?
O caso aqui é diferente. Já o escrevi várias vezes, qualquer ideia que venha de fora do núcleo duro da APBC não vinga. AquiEu já tive várias experiências deste género. Não escrevo isto por acaso. Sei do que falo e escrevo. É uma ciumeira indescritível o que se passa no interior desta agremiação. Há um medo terrível de serem ultrapassados por gente que venha de fora. Cozinham, inclusivamente, teorias da conspiração com este blogue e o escriba que vos transmite agora, como se alguma vez tivesse conveniência nos seus lugares -eu só estou interessado em poleiros remunerados com verbas acima de 2500 euros. Lugares gratuitos e a troco apenas pelo protagonismo, não obrigado. Podem estar descansados e continuem sentados nos vossos tronos de papelão.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LEIA O DESPERTAR


LEIA AQUI O DESPERTAR DESTA SEMANA

Para além  da coluna "Memória: A Casa Bonjardim", deixo também um texto de reflexão e a "Última Leiteira do dia"

REFLEXÃO: A (I)RRESPONSABILIDADE DA MAIORIA

 A semana passada, tal como em anos anteriores, realizou-se na Baixa o “Pedi-tascas” 2012 –um ritual de iniciação dos caloiros da Universidade de Coimbra, em que, num roteiro previamente estabelecido pelos veteranos, os jovens percorrem as tascas ingerindo vinho a rodos. Supervisionados pelos alunos mais velhos, ganha mais pontos quem mais conseguir afogar em cântaras a irresponsabilidade de todos. Escusado será dizer que a meio da tarde, em algumas ruas e praças, era um cenário tétrico-cómico dividido entre a tristeza e a apatia dos transeuntes. Perante aqueles “bonecos” tocados pela inércia do cai não cai, e a atapetar o chão sulcado de vomitado avermelhado, na rua, as pessoas paravam, olhavam, abanavam a cabeça em sinal de reprovação, e, como se aquilo não lhes dissesse respeito, continuavam em direcção às suas vidas de preocupação. Provavelmente, muitos destes mirones, depois desta imagem visionada, em roda de amigos, exclamariam que esta juventude, não presta e, se calhar, em complemento, alguns até diriam que no seu tempo esta cena nunca se passaria. Não seria permitida.
Ninguém se lembra que nós mais velhos temos uma quota-parte de responsabilidade nestas acções. A sociedade hodierna, num conluio de apatia, progressivamente, foi perdendo o seu obrigatório e legítimo poder de intervenção. Em nome de uma falsa educação, ao escusar-se a censurar com palavras e gestos os mais novos, está a incentivar a contravenção. Enquanto os pais recuam, os filhos avançam até ao infinito do despautério. Até onde nos irá conduzir esta indolência? Não sabemos, mas dá para ver que os resultados não são brilhantes. Haja coragem para dar um “ralhete” no autocarro quando um filho do vento destes nos faltar ao respeito.


A ÚLTIMA  LEITEIRA DO DIA

 Quem passa na Rua Martins de Carvalho, mesmo sem o querer, dá de frente com a dona Elvira Magalhães. A senhora Elvira, com 70 anos, é, provavelmente, a última vendedeira de “leite do dia” existente na cidade. Com a invasão do leite pasteurizado, que não necessita de ser fervido e se conserva durante meses, o antigo e tradicional, progressivamente, foi deixando de ter procura. Mas ainda tem alguma, diz-me. “O “leite do dia”, de saco plástico, tem muito mais qualidade do que o de pacote em cartão. Não tem conservantes e é muito mais rico em proteínas. A procura foi decrescendo porque as pessoas, hoje, trocam a qualidade pela facilidade. Essa é verdadeiramente a razão. Até há cerca de 15 anos vendia aqui, diariamente, à volta de 1000 litros. Cheguei a fornecer os Supermercados Colmeia, ali na Rua Visconde da Luz, o Mendes & Companhia, a grande mercearia que, durante décadas, existiu na Rua do Corvo. Hoje vendo entre 50 e 60 litros”, enfatiza a vendedeira do líquido produzido pelas glândulas mamárias das fêmeas dos mamíferos.
A senhora Elvira vende ali há 54 anos. Naquela entrada de porta, na antiga Rua das Figueirinhas, começou menina, se fez mulher, esposa, mãe e ali envelheceu. “Sabe, não consigo largar isto. É um vício que me corrói. Acredite, já nem é pelo que isto dá –que é muito pouco-, é o hábito. Preciso desta rotina. Se estivesse em casa dava em “maluquinha”, pode ter a certeza. Enquanto puder movimentar-me aqui estarei, mesmo que me considerem uma peça de museu.”