terça-feira, 22 de dezembro de 2009
O VÍDEO DO DIA...
Já o postei aqui. Anda por aí, desfolhando estas imensas páginas. Gosto dos El Michels Affair...o que é que se há-de fazer? Tenham lá paciência...há gostos para tudo...
FINALMENTE UM AMIGO DO COMÉRCIO TRADICIONAL...
Eis finalmente alguém preocupado com a pequena loja de bairro e pequeno negócio familiar. Claro que só vindo do outro lado do mar. Não há nada como uma igreja prática e mandando os dogmas às urtigas. Se a moda pega...
A COLUNA DO JORGE...
Já não existe “porta do cavalo nos HUC”!
No primeiro dia de Inverno, foi acompanhar a minha esposa a uma consulta externa da Tiróide nos HUC, até ai nada de errado. Apanhámos o autocarro na Baixa, chegámos ao hospital e dirigimo-nos ao sexto andar, onde se realizava a consulta. Fizemos a respectiva inscrição no secretariado e aguardámos no corredor juntamente com mais de uma dúzia de utentes.
Li o jornal do dia, mais uns panfletos, e fui até à casa de banho, a porta não fechava, não havia luz, voltei a sentar-me sem reclamar; avarias e falhas existem e continuarão a existir sempre.
Já estava a ficar cansado de tanto tempo estar sentado. Levantei-me, meti as mãos nos bolsos, andei corredor acima e corredor abaixo, quando me saltou à vista um placard de acrílico com diversas informações aos utentes dos serviços de Endocrinologia dos HUC. Despertou-me a atenção um aviso que tinha as letras maiores que os outros e cores fortes. Aproximei-me e comecei a ler, nem vou sintetizar o que li, mas sim transcrever na íntegra o que estava no referido aviso, para que cada pessoa se indigne da maneira que melhor entender;
“ De acordo com o Boletim de direcção dos HUC datado de 88/05/03, são atendidos, no inicio da consulta com a prioridade estabelecida os funcionários dos HUC.
Assinado
Profª. Manuela Rebelo Carvalheiro
Directora do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo”
Em meu nome e em nome de quem se indignar com situações semelhantes, solicito ao Sr. Director dos HUC, que meta fim a esta e outras situações semelhantes que existam nos HUC, os utentes agradecem.
Existem limites! Não concorda?
Jorge Neves
Coimbra
jmfncriativo@gmail.com
ARDEU O PRÉDIO DO JAZZ
Segundo o “Sapo PT”, esta noite, “o prédio que alberga o clube de jazz Hot Clube de Portugal, na Praça da Alegria”…
Fui uma vez, há cerca de uma década, à cave deste edifício onde funcionava o mítico clube jazzístico. A atmosfera era indescritível, a fazer lembrar Chicago nos anos de 1940. Juntamente com vários amigos, entre entre eles o Francisco Paiva, que era o mais entusiasta, fomos falar com o então director, o senhor Moreira, pai do músico Bernardo Moreira, para tentar trazer o Hot Clube Portugal para Coimbra. O senhor Moreira, director do Hot, não estava muito convencido da nossa boa vontade. Ainda veio uma vez a Coimbra, onde reunimos –e me deu uma soneira desgraçada- e onde estava também o Pedro Rocha Santos.
Foi graças ao Rocha Santos que o Jazz passou então a fazer parte do espectáculo em Coimbra. Depois da Coligação por Coimbra ter tomado posse em 2002, o Pedro, legitimamente, sabendo levar a água ao seu moinho, encostando-se ao então vereador da cultura Mário Nunes, conseguiu então aquilo que para nós foi impossível. O executivo de Manuel Machado, em 2000, não nos passou cavaco.
Digam lá o que disserem (os detractores) de Mário Nunes, que foi assim, assado e cozido, este homem simples, com vasto currículo na cultura coimbrã, ajudou no que pode no desenvolvimento cultural da cidade. Embora depreciativamente fosse chamado o “vereador dos Ranchos”, tenho a certeza que, para além de outros, apoiou muito o sector do folclore, que sempre andou pelas ruas da amargura. Eu sei do que falo. Andei por lá. Estou em crer que, depois de tanta agressividade ao Mário Nunes, muito proximamente, lhe será feita justiça.
AUTARQUIAS CALOTEIRAS PROVOCAM MISÉRIA
Era um dia cinzento, fim de Outono a entrar no Inverno. O homem que entrou pela minha porta teria sessenta e poucos anos. Era atarracado de cãs prateadas e os seus ombros ligeiramente descaídos faziam crer ter suportado muitas cargas pesadas ao longo da vida.
Começa por me cumprimentar, “bom dia! É o senhor Luís Fernandes? Desculpe…não nos conhecemos. Mesmo assim tenho o atrevimento de vir falar consigo. Pedir-lhe um favor. Costumo ler o que escreve no jornal. Leio sempre. Só venho aqui porque realmente estou desesperado e não sei a quem recorrer”.
Do interior de uma pasta, retirou um monte de facturas. No cabeçalho, a letras vermelhas, o logótipo de uma empresa. Nas linhas destinadas ao endereço de clientes, poderia ler-se o nome de várias câmaras municipais: de Coimbra, de Figueira da Foz, de Figueiró dos Vinhos, de Sertã e outras que não vale a pena nomear.
Continua o homem, “sou o dono desta firma –diz-me, apontando a sigla das vendas a dinheiro. É uma pequena empresa a laborar aqui na cidade. Tenho quase uma dúzia de empregados. Aqui, nestas facturas, estão muito mais do que 30 mil euros, correspondentes a fornecimentos de todo o ano de 2009, de dívidas destas autarquias. Naturalmente, conforme a lei prescreve, já liquidei o IVA respectivo. Há um ano que não me pagam as encomendas fornecidas pela minha pequena firma.
Estou aflito para pagar os ordenados aos meus empregados. Já nem falo do meu, que não retiro há imenso tempo. Não sei a quem apelar. Não posso publicitar o meu crédito. Se o fizer, em “revanche”, ainda irão demorar mais tempo e, provavelmente, deixarão de me comprar. Por incrível que possa parecer, pelo atraso nos pagamentos, eu preciso deles para manter os postos de trabalho dos meus empregados. Mas tenho absoluta necessidade que me paguem o que devem. Sem essa prerrogativa acabarei por perder tudo. O senhor poderá ajudar-me, escrevendo um texto para apelar a estas câmaras ao cumprimento da sua obrigação contratual? O senhor faz-me isso?” Reparei que os seus olhos começaram a ficar inundados num mar de desalento. “Faz? Obrigado, do fundo do meu coração. Mas, por favor, não refira jamais o nome da minha empresa!”.
Despede-se de mim com um abraço. “Os meus sinceros agradecimentos. Um bom Natal. Para si e para todos. Incluindo as câmaras municipais que me obrigam a tomar medicamentos para dormir e antidepressivos para aguentar esta angústia e sofrimento”.
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