O
assunto já tinha passado em
reunião de Câmara Municipal em
data não precisa nos
primeiros meses deste ano, mas,
a mostrar que uma questão
mal resolvida inevitavelmente volta sempre à tona,
voltou à baila em
sombra dos últimos dias.
Tudo
teria recomeçado com uma comunicação de João Paulo Rodrigues,
“Sales Team
Leader”, líder
de equipa de vendas,
do
restaurante Rei dos Leitões, na
página do PS/Mealhada, no Facebook, em 5 de Agosto, onde,
contrariamente a 2017, lamentava não ter sido convidado para apoiar
a 5ª edição do “MeaJazz”, “um
projeto cultural que nasceu e cresceu graças ao apoio financeiro e
logístico do Rei…”
Como
que em resposta a
esta comunicação,
na
última Assembleia Municipal, ocorrida em 28 de Setembro,
no
período de Antes da Ordem do Dia,
pela voz do deputado municipal Carlos
Pimenta, eleito
pelo Movimento
Independente Mais e Melhor (MIMM),
sem
nomear o visado, em
interrogação ao presidente da Câmara Municipal, António Jorge
Franco,
o
tema voltou
novamente ao hemiciclo.
Perguntou
Pimenta: “donativos efectuados ao município,
supostamente sob a forma de Mecenato Cultural: 2018 cinco mil euros;
2019 catorze mil, quinhentos e vinte euros; 2021 cinco mil euros.
Salvo melhor opinião, de acordo com a alínea “J” do número 1
do artigo 33º da Lei 75/2013, de 12 de Setembro, uma das
competências materiais da Câmara Municipal é a aceitação de
doações (…) questiono eu, senhor presidente de Câmara, se estes
donativos foram levados ou ratificados em reunião de Câmara (…)?”
Respondeu
Franco: “Sim, eu tenho essa informação porque como
isso andou aí… está a falar concretamente sobre uma
questão que andou aí nas redes sociais, e fui também alertado para
esta situação e fui consultar os serviços e a informação que me
foi transmitida e que sim, que foram efectuados estes donativos, mas
que não foram a reunião de Câmara… entregue directamente nos
serviços e não foi ratificada… informação que me foi
transmitida.”
UMA
REFUTAÇÃO AO RALENTI… MAS MUSCULADA
Estranhamente,
a resposta do visado implicitamente
na
comunicação do deputado municipal
mas
não nomeado veria a luz em 15
de Outubro, isto é, 17 dias depois. Entre a provocação e a sátira,
Paulo Rodrigues não
poupa Pimenta e, no mesmo tom de “quantos
são? Quantos são?”
inclui o próprio presidente da Câmara Municipal ao escrever:
“mas
se acham que houve promiscuidade nos donativos, porque não denunciam
a quem de direito? Aliás, o Sr Presidente da Câmara, Eng António
Jorge Franco, telefonou-me, recentemente, a dizer que desconhecia se
havia ilegalidade nos donativos. E em jeito ameaçador disse que
poderia haver queixas anónimas.”
E
continua o responsável pelo Rei dos Leitões, “Caro
Sr Carlos Pimenta, logo
após a tomada de posse do atual elenco camarário, que se deu a 18
de outubro de 2021, presidido pelo Sr Eng António Jorge Franco, este
reuniu os agentes económicos da restauração. Das poucas coisas que
captei dessa reunião foi que o atual presidente da Câmara não
queria mais ofertas dos restaurantes à Câmara ou CineTeatro
Messias. Alguns dias depois, surge a primeira grande
contradição/incoerência: Os Azeitonas atuaram no Cineteatro
Messias e a Câmara aceitou ofertas de um restaurante, curiosamente
propriedade de um apoiantes político do atual Executivo municipal.
Ou seja, a nova “Lei” é imposta só a uns e não a todos.
Depende do freguês. Sr Carlos Pimenta, esta oferta foi à reunião
de Câmara? Ou só as ofertas/donativos no tempo do ex-presidente Dr
Rui Marqueiro é que deveriam ter ido à reunião de Câmara? Mas é
uma obrigação legal ou só estão a chatear? Incongruência?
(…)
No dia
24.04.2022, o grupo Solaris atuou no CineTeatro Messias. Jantou no
Rei. Oferta nossa. Esta oferta foi alvo de sufrágio na reunião de
Câmara? Já não era o Dr Marqueiro que presidia à Câmara!
No
dia 07.05.2022, a fadista Mafalda Arnaut e seus músicos jantaram no
Rei. Oferecemos! Esta oferta foi alvo de discussão em sede de
reunião de Câmara?
No
dia 29.05.2022, o artista Nuno Markl atuou no CineTeatro Messias.
Almoçou no Rei e com gosto oferecemos. A oferta foi sufragada em
reunião de Câmara?
(…)
O atual elenco camarário da Mealhada deve ser o único no país que
está preocupado com as ofertas de uma entidade privada a bem da
cultura do concelho. Deve ter sido o único a banir a entidade
privada - o Rei - que, em 60 meses, ofereceu mais de 130.000,00€ em
géneros e numerário a bem do município. E que, nesse mesmo
período, faturou pouco mais de 8.000,00€ ao município por
serviços prestados. (...)”
E
VEIO A ÚLTIMA REUNIÃO DO EXECUTIVO
Sem
que nada o fizesse prever, inopinadamente, na
última reunião de Câmara Municipal, que decorreu na passada
Segunda-feira, dia 24, pela
voz de Hugo Silva, vereador eleito pelo Juntos pelo Concelho da
Mealhada e coligado com a maioria no executivo, novamente
e
sem citar o reputado restaurante ou o seu director,
foi dito o seguinte: (…)
foi citado publicamente que há dúvidas, ou que existem dúvidas
sobre algumas questões relacionadas com apoios ao município (…)
tem vindo a ser falado… senhor presidente, pedia que os serviços
fizessem esclarecimentos, e se tivermos que regularizar alguma
situação que achemos que deve ser regularizada no cumprimento cabal
da lei… Temos essa humildade e necessidade, como é evidente, de
tornar transparente a
gestão do município. Nada mais do que isso. ”
Sobre
esta interpelação, Franco respondeu assim: “O
que o senhor vereador está a querer dizer é que apareceram nas
redes sociais a dizer que houve um restaurante que tinha oferecido
refeições já no nosso mandato, para
uma actividade no concelho da Mealhada. O que nós estamos e estamos
a querer esclarecer perante os serviços é se essas ofertas foram ao
município, ou a uma actividade no município, ou se foi a própria
instituição, empresa, grupo, seja o que for. Queremos averiguar.
(…) Se estas refeições foram oferecidas ao município terão de
vir, como é evidente, aqui
ao município, serem
aprovadas por todos, e
tem de se regularizar isso.
Se foi oferta aos
músicos, se foi oferta da
entidade, não temos nada a ver com isso. É isso que nós iremos
esclarecer. Não vale a pena o nome das entidades, é só o
esclarecimento.”
E
VEIO A CONTRA-ARGUMENTAÇÃO
Logo
em seguida e sem cair em desuso no prazo, mais uma vez, por parte do
gerente do Rei dos Leitões – ou
por alguém a seu mando - merecer
uma resposta, comprida
e grossa,
na
sua página do Facebook:
“(…)
Falemos, então,
do teor do vídeo: é lamentável o trocadilho de palavras do senhor
presidente da Câmara, Eng. António Jorge Franco, quando, na
sequência da intervenção do vereador Hugo Silva, se refere aos
apoios do Rei às iniciativas culturais (e outras) promovidas pelo
Município.
(…)
Comecemos
do inicio, para contextualizar quem só agora acompanha esta novela
potenciada pelo senhor presidente da Câmara da Mealhada, Eng.
António Jorge Franco, e levada recentemente à Assembleia Municipal
pelo seu apoiante Carlos Pimenta.
(…)
Senhor Eng. António Jorge Franco, escusa de andar com trocadilhos ou
jogos semânticos, os mesmos já usados no dia 1 de julho deste ano
quando me telefonou, em jeito intimidatório, a advertir que poderia
haver denúncias anónimas relativamente às ofertas do Rei!"
HÁ UMA NUVEM NO AR SEM
EXPLICAÇÃO
Por
a crónica já ser longa de mais – até por que tenho de me
preparar para a defesa e contra-ataque do encarregado do restaurante
Rei dos Leitões, que
já deu para eu ver que quem se mete com ele, ou discorda dele,
apanha forte e feio verbalmente
-, vou terminar com várias interrogações:
1
- O que pode levar um
empresário de sucesso, sobretudo
arrastando o bom nome
da sua empresa, a, presumivelmente, deixar se instrumentalizar pela
ambição desmedida de uma oposição que, pegando
em coisinhas irrisórias,
não olha a meios para atingir os fins?
a)
– por vaidade pessoal?
b)
– por só agora ter despertado para a política partidária?
c)
– por lhe ter sido prometida uma carreira política?
2
- O
que leva um partido, cheio de história na defesa dos cidadãos,
agora na oposição, a, presumivelmente, manipular um empresário e a
sacrificar a sua empresa, jogando como
“carne para canhão”,
homem e firma,
na frente de combate pouco escrupuloso?
a)
– Ainda existe política com ética?
b)
– Não é melhor enterrar este assunto de vez em campa rasa?
3
– A maioria,
ao dissecar as entranhas pútridas deste emaranhado, ganha alguma
coisa com isto? O concelho ganha alguma coisa com isto? Alguém,
individualmente,
ganha alguma coisa com isto?