(Com a devida vénia, foto pertença do Diário as Beiras)
António
Jorge Franco, “capitão” do Movimento Independente Mais e
Melhor (MIMM), sendo o grande vencedor nas últimas eleições
autárquicas em 26 de Setembro de 2021, viria a ser empossado como
presidente da Câmara Municipal de Mealhada.
Engenheiro
civil, professor, empresário, ex-vereador executivo com vários
pelouros entre 2005 e 2009 e primeiro presidente da Fundação Mata
do Bussaco desde 2009 a 2013, cargos exercidos no tempo do
ex-presidente da edilidade Carlos Cabral, na altura, eleito nas
listas do Partido Socialista, e actualmente presidente da Assembleia
Municipal, eleito em representação do MIMM.
Natural
de Arganil, viúvo, de 54 anos, é residente em Silvã, freguesia de
Casal Comba, no concelho de Mealhada, António Jorge Franco é, em
sentido figurado, um atleta de alta competição em corrida de
obstáculos que, nas vidas pessoal e política, tem sabido
ultrapassar todas as barreiras.
Um
ano decorrido sobre a tomada de posse, inevitavelmente, somos tocados
pela curiosidade em saber o que, perante a realidade encontrada,
pensa o chefe da edilidade sobre o presente e o futuro do concelho.
Agradecendo
a sua disponibilidade, lançámos o desafio de nos responder a uma
série de questões mais ou menos pertinentes.
Vamos,
então, ler os quesitos formulados.
Mealhadenses
que Amam a sua Terra (MAST): Temos notado que nas reuniões da
Câmara Municipal, progressivamente, vai perdendo o costume de tratar
Rui Marqueiro, o seu antecessor, por “ó senhor presidente”,
“ó senhor Doutor” e substituindo os vocativos
empregados até aqui por “senhor vereador”. Podemos
entender esta mudança de verbalização como uma adaptação suave
à cadeira presidencial?
António
Jorge Franco (AJF): É
natural que, no início do mandato, e após tantos anos em que o Dr.
Rui Marqueiro esteve como Presidente da Câmara Municipal, tenha
existido algum lapso da minha parte em tratar o Sr. Vereador por
Presidente😊. Com todo o respeito que tenho pelo Sr. Vereador Rui
Marqueiro, nunca foi intenção de provocação. Se de facto
aconteceu, foi simplesmente lapso.
MAST:
No último 5 de Outubro, Feriado Nacional pela comemoração da
implantação da República ocorrida há 112 anos, não foi realizada
a habitual cerimónia de evocação da efeméride na Mealhada.
Devemos intuir que a sua costela republicana é mais prática do que
filosófica? Ou, em simbologia, pretende ser um corte com o passado?
AJF:
Começo por
transmitir que sou republicano, defendendo que o Chefe de Estado deve
ser escolhido democraticamente e com um período definido e pelos
cidadãos.
Não
há a tradição da Câmara Municipal da Mealhada realizar uma
Cerimónia de Evocação desta efeméride, e por isso, este ano não
foi feito.
MAST:
A situação económica/financeira da Câmara Municipal está melhor
ou pior do que pensava quando era ainda candidato há um ano?
AJF:
A situação
económica da Câmara Municipal da Mealhada está bem. No entanto,
muito do orçamento está comprometido com obras do anterior
executivo.
Não
foi uma surpresa! Ao tomar posse e contactar com os dossiers,
verifiquei que não seria fácil começar a executar o nosso
programa. Não tinha dotação financeira disponível para começar a
executar. As obras comprometidas são de valores muito elevados, não
dando margem para fazer outros projetos. No entanto, o que fizemos
foi programar os novos projetos, as novas ideias, para que no segundo
ano de mandato já possamos fazer a nossa obra.
Outras
dificuldades financeiras que nos deparámos foi querermos dar
respostas à população de imediato e não conseguimos por falta de
disponibilidade financeira, como por exemplo: passeios degradados,
infiltrações em muitos edifícios municipais (Campo Américo Couto,
Centro de Estágios do Luso, Cineteatro Messias, Arquivo Municipal,
Escolas de Barrô e Lameira de São Pedro, Pavilhão de Casal Comba,
Pavilhão de Barcouço…), iluminação no Lago do Luso, Jardim
Municipal, execução da Esplanada do Jardim, recuperação da Sede
dos Sócios da Mangueira, entre outros.
MAST:
Apesar de uma grande
vitória eleitoral, o MIMM não almejou a tão desejada maioria
absoluta, que é, como se sabe, o mar da tranquilidade política. Por
isso mesmo, num “golpe
de asa” para
conseguir a maioria no executivo, fez um acordo pós-eleitoral com o
Juntos pelo Concelho da Mealhada, que elegeu um vereador, Hugo Alves
Silva.
Perguntamos:
se fosse hoje recorria
à coligação?
AJF:
Sim, o Sr. Vereador Hugo Silva é uma pessoa sensata, dedicada e com
um grande sentido de responsabilidade. Foi
eleito e comprometeu-se a servir a população aceitando o nosso
programa, e, no meu entender, recorrer a este acordo pós-eleitoral
foi uma boa aposta.
O
Nosso Movimento não é partidário, e o Vereador Hugo entendeu o
nosso objetivo: servir as pessoas do concelho sem qualquer
outro interesse partidário.
MAST:
Na reunião ordinária
de 10 de Maio de 2021, foi aprovada uma deliberação na
Câmara Municipal para
adquirir o prédio “Urbiluso”, situado no centro de Luso, por
550,000.00 €, quinhentos e cinquenta mil euros, e com pagamento
faseado em duas tranches até
2022.
Foi
anunciado na imprensa
local a abertura de recolha de ideias para a atribuição de
uma nova funcionalidade
para
o prédio.
Mais
de um ano depois, sem
nunca mais se falar do assunto, o
prédio continua degradado e sozinho numa zona considerada
estratégica para o desenvolvimento da vila turística. A
Câmara adquiriu ou não o imóvel? Se sim, que destino vai ser dado
ao novo projecto?
AJF:
O
Edifício Urbiluso foi adquirido pela Câmara Municipal da Mealhada.
O seu destino está a ser pensado para estar ao serviço da população
e por isso, necessitamos de tempo para que essa obra seja executada
sem ser um “Elefante Branco”. Temos várias ideias, mas as mesmas
terão que ser consolidadas.
MAST:
Embora os argumentos sejam conhecidos e tomados em conta, a verdade é
que o Chalet Suíço, na Pampilhosa, o Cine-Teatro, no Luso, as
garagens do Palace, no Bussaco, continuam como dantes. O novo Mercado
Municipal, aparentemente pronto a abrir há mais de um ano, custa a
desenraizar. Afinal estas obras arrancam, ou não arrancam?
Não
teme ficar conhecido por o “empata-obras”?
AJF:
Todas as obras mencionadas estão a decorrer sem intervenção da
minha parte no sentido de as mesmas não serem executadas, exceto o
Cineteatro do Luso.
Relativamente
ao Chalet Suíço, foi feita a Consignação e está a decorrer a
abertura do estaleiro.
Quanto
ao Cineteatro do Luso, dificilmente será executado o projeto deixado
pelo Executivo Anterior. Estamos a falar de um investimento de 3
milhões de euros para um espaço cujas funcionalidades podemos
encontrar no Casino do Luso. Assim sendo, terá de ser um espaço
diferenciador e que seja uma mais-valia para o Luso.
As
Garagens do Palace são outro problema. A empresa adjudicante não
tem demonstrado capacidade para executar a mesma. Já foi aprovada a
intenção de Rescisão do Contrato, por incumprimento do mesmo.
Importa referir que esta obra, ao contrário das outras mencionadas,
tem financiamento comunitário que tem o risco de ser perdido devido
à situação descrita.
A
obra do Mercado da Mealhada já se encontrava atrasada muito antes de
eu tomar posse. O atraso não é da responsabilidade deste executivo.
No entanto, estamos a fazer tudo para que o Mercado abra portas à
comunidade.