segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
BAIXA: O PRIMEIRO ASSALTO DEPOIS DA TELEVISÃO
Na noite de Ano Novo, de 31 para 01, a loja do senhor Francisco, na Rua Eduardo Coelho, foi assaltada. Presumo que, depois da instalação das câmaras de videovigilância no Centro Histórico no dia 15 de Dezembro, teria sido o primeiro assalto ocorrido na Baixa.
O senhor Francisco, naturalmente um pouco arreliado com mais um assalto, lá vai dizendo “porra, estou farto desta merda! Já é o sétimo roubo de que sou vítima nos últimos anos. Sempre pensei que a videovigilância vinha pôr cobro a isto, mas, pelos vistos, vale mais eu ir embora do que estar à espera de alguma segurança. Ai vou mesmo! Já estou reformado, não estou para aturar isto”, enfatiza o senhor Francisco.
Depois de partirem o vidro da porta, entraram dentro do estabelecimento e levaram cerca de 400 euros em roupa. Foi chamada a PSP para tomar conta da ocorrência.
“Sempre quero ver se a polícia me diz alguma coisa. Quem saiu da minha loja, fê-lo com bastantes sacos. Ora, se as câmaras cobrem todas as entradas desta zona, certamente terão o registo de quem passou. Sempre quero ver se, depois de tanta polémica, aquilo serve para alguma coisa”, especula o Francisco.
AVATAR E OS ÓCULOS 3 D
No dia de Ano Novo, juntamente com a minha mulher, fui ver o filme Avatar. Comprámos os ingressos e entregaram-nos dois óculos em plástico e próprios para visionar a película. No recibo emitido, total: 15,80 euros. Em descrição: “Bilhete Cinema 13,80 euros; 50% do Upgrade 3D 2,00 euros.
Fomos ver o filme do realizador de “Titanic”, James Cameron. Gostámos e recomendamos. É uma história onde os efeitos especiais marcam presença e, em viagem intergalática, nos acompanham na fantasia. Deixa-nos a pensar até onde pode ir a ambição do homem. Para obter um mineral raro, que se vende a muitos milhões de dólares o quilo, não se hesita em destruir floresta, microcosmos, e matar os seus habitantes e tudo o que mexa.
No dia seguinte, por proposta minha, foram os meus filhos ver a fita cinematográfica que se inculca mexer nas consciências em defesa do planeta. Como já tinha os óculos do dia anterior –e pelos quais paguei 2,00 euros- solicitei apenas os bilhetes. Estranhamente, o funcionário impôs-me a venda de mais dois óculos. “Que a cada bilhete emitido correspondia um par de óculos e o pagamento de 1,00 euro era indissociável”, replicou. Argumentei que não precisava das lunetas e que não estava certo ter de as pagar outra vez. Novamente argumentou o funcionário: “O senhor não está a pagar os óculos, mas sim uma taxa para uma máquina especial usada na projecção do filme a três dimensões”.
Ora, perante um filme que, presumivelmente, alerta para a conservação do planeta, várias questões legais e morais se levantam.
Nas pendências morais, estranha-se que, em vez de serem usados óculos de papel reciclável, se entreguem ao espectador lunetas em plástico e sem hipótese de ser reciclado, ou, no mínimo, reutilizado.
No âmbito legal, estou em crer –e salvo melhor opinião- que, se os óculos são vendidos como parece, e não permitindo o seu reaproveitamento, estamos perante uma venda forçada. Ou seja, para se adquirir um bem somos obrigados a comprar outro em pacote. Genericamente a chamada venda sob coacção. No caso, só se vende o bilhete para o filme a quem comprar os óculos.
Se realmente os óculos são oferecidos e o euro que é pago é uma “taxa para uma máquina especial”, estamos perante uma especulação gritante. Um abuso que urge denunciar. Que eu saiba, nenhuma empresa neste País, por gigantesca que seja, tem legitimidade legal para criar taxas.
Talvez já se entenda por que é o filme “Avatar já é a quarta película mais rentável”, como escrevia o Diário de Coimbra de hoje.
O FILME DA SEMANA...
AVATAR, de James Cameron é sem dúvida um bom filme recomendado para toda a família. A ficção, pela belíssima realização, extrapola a realidade e, como a voar num tapete das mil-e-uma noites, sentimos que fazemos parte da fantasia. Quase três horas bem passadas com um final a deixar-nos apreensivos e a pensar.
Apenas para abrir o apetite, deixo-lhe um pouco da história, em sinopse: Jake Sully é recrutado para uma missão a Pandora, um corpo celeste que orbita um enorme planeta gasoso, para explorar um mineral alternativo que é usado na Terra como recurso energético e que custa biliões de dólares por quilo. Como todo o soldado tem coração, Jake enamora-se de Neytiri, uma bela nativa…
A COLUNA DO JORGE...
A minha liberdade
A Liberdade é a maior virtude do homem e por isso, a mais cobiçada pelos vícios, ou seja, pelos males do mundo. Mas antes de tudo, precisamos ter a consciência do que é liberdade.
Liberdade é o meio pelo qual o homem escolhe seu próprio caminho e constrói sua história, porém para chegar a esse caminho, o homem precisa de julgar entre o verdadeiro e o falso, observar a própria moral julgando actos passados, presentes e suas intenções futuras, sempre seguindo os caminhos e a prática do bem usando da sua liberdade com responsabilidade e consciência moral, isto é, ter a capacidade de responder e justificar seus actos. Nesse sentido devemos destacar o facto de que, quando não se tem escolha, quando se é coagido a praticar uma acção, enfim, quando se é forçado a não usar da racionalidade, é impossível decidir entre o bem e o mal.
Para mim, todo o homem nasce livre, mas ao longo da vida é escravizado por conceitos e ideologias impostas pela sociedade e principalmente, por si mesmo.
O homem, não tendo consciência de que é livre e do que isso significa, acaba por se prender em paradigmas e vícios.
Portanto, a liberdade não pode ser apenas física no sentido, como me visto, falo e faço o que quiser, pois se for assim qualquer ventania pode levar essa liberdade.
O homem LIVRE é, principalmente, livre de espírito, coração e razão. Nenhum paradigma, ideologia, mal ou mesmo outro homem pode tirar essa Liberdade.
A liberdade é digna e própria do ser humano. Não é como os direitos que são impostos como leis e não são cumpridos, ela é a realização maior do homem. Não é comparável, vendível ou discutível.
Poder dizer EU SOU LIVRE é a maior virtude que eu tenho na minha vida, o que de mais raro e importante há para a formação do meu ser. É simples assim: eu nasci livre e vou morrer livre.
Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
UMA CIDADE VELHA EM DIA DE ANO NOVO...
Em dia de Ano Novo a cidade está adormecida. Poucas pessoas vagueiam pelas ruas à procura de uma esperança rejuvenescida que lhes dê alento a continuarem na luta, na realização dos sonhos, ou, pelo menos, a poderem fazer face às despesas do dia-a-dia.
Havia pouquíssimos estabelecimentos de hotelaria abertos. Um deles, o Café Montanha, no Largo da Portagem, não tinha mãos a medir. No comércio, exceptuando um chinês na Rua das Padeiras, estava tudo encerrado.
O FIM DA HISTÓRIA DO CENTRUM CORVO
Como uma imagem que se apaga, encerrou o Centrum Corvo na Rua do Corvo. Já aqui contei a história deste estabelecimento. Como acompanhei de perto o sonho do seu criador, sinto esta perda como uma ferida lancinante que teima em me lembrar que tudo nesta vida é efémero.
Fica aqui esta pequena homenagem ao homem que fabricava sonhos.
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