quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O JUMENTO DO DIA




“O que o Bloco diz, não se escreve e, como tal, qualquer pedido de comentário sobre problemas levantados por este partido terá do presidente da Câmara a mesma declaração” –Carlos Encarnação respondia assim ao jornalista António Alves, do Diário as Beiras, onde se pode ler no jornal de hoje.

Sinceramente, como cidadão, lamento profundamente esta postura arrogante do presidente da Câmara Municipal de Coimbra perante um partido legitimamente eleito e representativo do povo de Coimbra.
Estou à vontade para o fazer, não pertenço nem a este nem a outra qualquer força política partidária. Mas, com franqueza, incomoda-me esta falta de respeito.
Pensei que tais atropelos “verborreicos” só aconteciam na Madeira, mas, pelos vistos, o PSD está cheio de caciques, que, com a sua postura, deveriam era estar a governar em África. Isto, claro, se os aceitassem lá, o que duvido.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ASSALTO À BOMBA




Segundo o Diário as Beiras de hoje, em título de primeira página, “Assalto com pistola só rendeu 200euros”.
Em subtítulo, “Dois homens, de capacete na cabeça e com uma pistola, assaltaram ontem uma bomba de gasolina na Avenida da Lousã, fugindo com cerca de 200 euros”.
Salienta-se que este é o segundo roubo no espaço de três meses neste posto de combustível.

(Pergunta de algibeira: o fraco “rendimento” ficou-se a dever a quê? Seria à pistola? Seria aos homens? Seria à gasolineira? É tudo uma questão de semântica)

A CIDADANIA EM CHEQUE




Segundo o blogue “O Sexo e a Cidade”, ontem, na Loja do Cidadão, no posto de atendimento da Câmara Municipal de Coimbra/Águas de Coimbra, haviam 107 pessoas em fila de espera para ser atendidas.
Há qualquer coisa que não bate certo neste “Simplex” administrativo.

AFC FOI PARA TAVEIRO?



Segundo o blogue “O Sexo e a Cidade”, a Associação de Futebol de Coimbra, com sede até há pouco aqui na Baixa, na Rua Ferreira Borges, com um grande remate “à Ronaldo”, foi transferida para Taveiro.
Em jeito de brincadeira, e usando o mesmo tom brejeiro do blogue citado, será que este “pontapé” na Baixa, visava um traseiro “nosso conhecido” e foi uma espécie de palmada de luva rosa no laranja? Ou foi a forma de Horácio Antunes mostrar o seu descontentamento a Carlos Encarnação por não terem sido colocadas câmaras de “vídeo-de-tapar-o-sol-com-a-peneira” na sua rua? Uma vez que a AFC foi assaltada ainda há pouco tempo, até se entende. Mas há uma coisa que se está a esquecer: se a premonição de José Simão, o presidente da junta Santaclarense estiver certa, com a futura instalação do “olho do Grande Irmão” na zona histórica, os valdevinos que por aqui andam no gamanço vão todos direitinhos para as outras bandas de lá do rio.
Depois há outro pormenor que o ex-governador civil se esqueceu: se fizer o histórico cronológico dos assaltos na Baixa desde há dois anos para cá, verificará que, pelo menos na zona histórica, o criminoso volta sempre ao local do crime. Há vários exemplos: a “Tasca da Graça”, assaltada 16 vezes; fotógrafo Victor Ramos, assaltado 14 vezes; a “Frutaria Teresa Santos, assaltada 10 vezes; Restaurante Snack-bar Arcada Avenida, assaltado 8 vezes; a firma José Geraldes de Almeida, Lª, assaltada 7 vezes; o “Pedrosa”, assaltado 5 vezes: o “Encanto da Freiria, assaltado 3 vezes; “Tabacaria Papyrus”, assaltada 3 vezes; “Tabacaria da Helena”, assaltada 2 vezes; “Moura dos carimbos”, assaltado 2 vezes.
Em suma, de pouco lhe serviu a mudança. Não é que lhe deseje mal –o diabo seja surdo, mudo e tetraplégico, acompanhado do sinal da cruz- pela alma da minha avozinha.

"OS FILHOS CHULOS" (MIGUEL ESTEVES CARDOSO)




«Ainda bem que a União Europeia foi estudar em que países, segundo os pais, os filhos são mais felizes. Regra geral, é nos países mais ricos que os pais acham que os filhos estão melhor. Nos pobres, é o oposto. Faz sentido.
Excepto em Portugal. Aqui, apesar da pobreza, achamos que os nossos filhos são felizes. Fazem o que querem e é raro ficarem tristes ou em casa: são rebentos que rebentam de tanto frutificar. Estão no Paraíso. Com uma excepção: a escola. Essa cabresta. Aí, acham os paizinhos, não estão nada bem. É que puxam muito por eles.
Insistem que estudem. Não compreendem que só se é novo uma vez. Como contou Catarina Gomes no PÚBLICO de sábado: "Inquiridos sobre o bem-estar dos filhos na escola [as respostas dos] pais portugueses estiveram muito abaixo da média europeia."
Ainda bem que os filhos portugueses foram denunciados. São a esponja da nação. Absorvem toda a riqueza nacional. Sugam-na até ao tutano.
Desde crianças que são mais bem vestidas do que os pais. Não largam o ninho antes dos 30. E, mesmo assim, só com aliciantes. Ser filho é a grande profissão nacional. Não trabalham; não estudam; não dão satisfações. Não pagam renda; não deixam gorjetas; não gastam senão o essencial. São bilionários do egoísmo e do bel-prazer.
É a condição dos pais que arrasta Portugal para a pobreza, pela miséria que resta do financiamento da filharada. Ao menos que saibam que valeu a pena e que não há na Europa filhotes mais felizes. Ao menos isso.» [Público assinantes]

Por Miguel Esteves Cardoso no Jornal Público de ontem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CENSURA PRÉVIA NOS BLOGUES É REGRA?



Alguns comentários que já recebi, acusando-me de censor, foi exactamente pelo facto de antes de os inserir, obrigatoriamente, os ler. Como se diz vulgarmente: passar pelo crivo. Acontece que as poucas pessoas que expressaram essa opinião, algumas vezes a raiar o insulto, o fizeram na qualidade de anónimos. Saliento que mesmo assim sempre os publiquei.
Vamos por partes: eu dou a cara. Logo, por incrível que pareça, quem me acusa de censurar, ou obstaculizar a liberdade, esconde-se atrás do anonimato. Então é caso para interrogar que conceitos de liberdade responsável farão estas pessoas? Sem demagogia –pelo menos para mim- a liberdade pressupõe frontalidade, isto é, seja para o que for, as pessoas deveriam ser obrigadas a identificar-se. Essa premissa, fundamental da liberdade, para começar, deveria estar consignada na lei. O Estado nunca deveria admitir denúncias anónimas. Afinal não era esta a norma do Estado Novo? Sempre que não se gostava de um vizinho denunciava-se à PIDE como perigoso agitador. E hoje, em democracia, o que faz este Estado de Direito? Exactamente a mesma coisa. Ou seja, presta-se a ser o instrumento vingador de pequenos ódios pessoais.
Voltando à Web, e ao caso dos blogues. Pelo menos para mim, o meu humilde blogue www.questoesnacionais.blogspot.com é, como chamo, a minha gaveta interactiva. O que quero dizer com isto? Que esta “gaveta” cibernética é o meu cantinho especial, onde “arrumo” os meus escritos. Pode até, para alguns, não prestar para nada, mas, para mim, apesar de o compartilhar, é muito pessoal e importante. Assim sendo, penso, já dá para ver que se eu “permito” que entrem e vasculhem à vontade tudo o que escrevo, sobre o que penso, acerca de mim e de outros, é mais que legítimo que exija que quem cá vem o faça dentro das regras que eu, dentro do meu direito natural, criei. Volto a lembrar que, ao escrever, dou a cara e responsabilizo-me pelas minhas opiniões justas ou injustas acerca de outros. Não o faço a coberto do “encapuzamento”, ou atrás da cortina.
Como já tenho mais de meio século, embora admita que é um argumento pouco sustentado, como já venho lá de longe, do “tempo da outra senhora”, em que a liberdade era o prius fundamental da luta contra o fascismo. Quem a invocava tinha um respeito e uma deferência como se estivesse perante uma divindade. Mas havia mais, sabia-se que a liberdade implicava directamente responsabilidade. Liberdade, quando implica outro, não pode ser libertinagem e fazer o que apetece. Liberdade é a filosofia da vida, individualmente (sozinho), ou em comunidade. Mas quando em sociedade, “usar” a liberdade é ter noção de que é um bem escasso –contrariamente ao que se pensa-, e que a devemos “utilizar” com peso e medida. E mais: ter sempre presente que a “minha” liberdade acaba onde começa a do outro. Esta era (e continua a ser) uma das premissas do Direito Natural, imanente ao homem e em contraposição ao caos, que, não tendo leis escritas, as suas obrigações e direitos assentavam nos costumes. Ainda hoje acontece em África, e não só, onde o respeito pelo outro assenta na sã convivência e os conflitos são dirimidos e julgados pelo ancião mais velho da comunidade. Claro que estas sociedades antigas são profundamente hierarquizadas, o que se por um lado as torna pouco dinâmicas, comparativamente com as sociedades desenvolvidas, por outro, o respeito, através dos pilares hierárquicos, é mais facilmente imposto de cima para baixo, como pirâmide, do vértice para a base. Nas sociedades desenvolvidas, ditas democráticas, contrariamente às anteriores, em nome da igualdade, desaparecem as hierarquias e a liberdade, de baixo para cima, invade toda a esfera societária. O problema é conseguir fazer a gestão dessa liberdade sobretudo quando se pensa que em seu nome tudo se pode fazer e invadir sem restrições qualquer espaço privado ou público.
Voltando ainda à Internet, a bem e em nome da sua respeitabilidade, é minha profunda convicção de que num futuro muito próximo ninguém conseguirá esconder-se atrás de um pseudónimo. Por muitos grandes passos gigantes que se tenham dado, ainda há muito para fazer no campo da responsabilização individual e colectiva nas ondas cibernéticas. Ainda não se sabe muito bem onde começa e acaba o “privado” e o “público”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CÂMARAS DE OPINIÃO



Tenho de confessar que gosto de ler as crónicas de João Silva, quer no “DC”, quer no “Campeão” -evidentemente que esta apreciação é de somenos importância para o visado. Naturalmente, dentro do campo opinativo, a meu ver, muitas vezes é injusto. Mesmo no campo político-partidário, chega a sê-lo com os seus correligionários, “compagnons de route”. A nível local, chego a compará-lo com Pacheco Pereira.
Desta vez, com a sua crónica de hoje, com o título “Escondidos atrás das câmaras”, no DC, exagerou. Disparou em todas as direcções. Começou por afirmar que “Tudo o que foi bem audível foi o alarmismo, em especial do presidente da Câmara, sobre a insegurança na Baixa, que se transformou na maior operação de marketing negativo de que esta alguma vez foi alvo”.
Embora não precise da minha defesa, gostaria de mostrar que se de alguma coisa Carlos Encarnação pode ser acusado é exactamente o de não ter feito nada contra a insegurança que se vive na Baixa –porque ela existe durante a noite. Só nos meses de Novembro e Dezembro, últimos, foram perpetrados 17 assaltos, incluindo o furto do Menino Jesus. Se assim não fosse como entender a reunião urgente marcada por Luís Vilar, em 3 de Novembro, com o Governador Civil, Henrique Fernandes, para apaziguar os ânimos de quatro dezenas de comerciantes que compareceram na reunião do executivo, e, no dia seguinte, este ter-se comprometido com os empresários presentes e as suas representações institucionais, ACIC e APBC, no âmbito do “Contrato Local de Segurança”, para no prazo de um mês lhes prestar esclarecimentos das suas “demarches”, como moderador, entre o presidente da Câmara, as instituições de apoio social e a PSP?
Continuando a comentar o texto no DC, escreve João Silva acerca do definhamento da Baixa”: “Mas a solução não deixa também de reflectir uma postura de desresponsabilização institucional e colectiva” –aqui, certamente, para além da Universidade, culpa também os seus camaradas de partido. “Por isso, para além da Câmara o estado a que a Baixa chegou é também culpa da ACIC e de muitos comerciantes que se demitiram de procurar novas soluções de modernização e de competitividade, evidenciando uma enorme falta de capacidade de união e de luta pelo objectivo estratégico comum –realização dum comércio tradicional de qualidade. Obviamente que o enfretamento de poderosos empresários, que apostam num comércio massificado e estandardizado, exigiria uma atitude de grande unidade, criatividade e inteligência (…)”.
“Depois é culpa dos próprios cidadãos de Coimbra, particularmente daqueles que com conhecimento e capacidade económica se afastaram da Baixa e do comércio da cidade (…)”.
Entrar em contradição no próprio texto também é normal a quem escreve e também acontece a João Silva: “Finalmente as forças de segurança não estão isentas de culpas, concretamente a PSP, que nunca encarou a segurança na Baixa como uma questão específica e prioritária”. Como se vê, neste parágrafo, o antigo edil do PS admite que há mesmo insegurança, mas a culpa da decadência do comércio, da segurança e da Baixa em geral é sempre dos outros. Esqueceu-se de um pormenor importante -que também acontece a quem escreve- em 1993, aquando da inauguração da primeira grande superfície em Coimbra, o Continente, João Silva era vereador executivo de Manuel Machado. Já agora, aquando da discussão e aprovação daquela mega-estrutura comercial, por acaso, votou contra?