sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EM MANGUALDE AFINAL HAVIA OUTRO...INVESTIDOR PRIVADO

(IMAGEM DA WEB)


 Afinal, o que foi ontem propalado na imprensa nacional e local cá do burgo, sobre a construção de uma praia artificial em Mangualde pode não ser bem como foi apresentado pela imprensa.
É um bom negócio para a Câmara Municipal de Mangualde e até mais: é um investimento privado. O que, a ser assim, para nós, povo que lavra no rio, não temos que meter a colher, quando muito bater palmas. Pelo menos é o que diz aqui o chefe de gabinete, Filipe Pais, do presidente da Câmara Municipal de Mangualde, no jornal mangualde online

AFINAL HÁ MAIS QUE PENSAM COMO EU

(IMAGEM DA WEB)


Ontem escrevi aqui este texto com o título "A Megalomania do Interior". Hoje apanhei este vídeo, num debate gravado ontem sobre turismo. Ora ouça.
Às vezes, muitas vezes, penso que o que penso é uma outra forma de ver o outro lado do espelho. Ou seja, eu próprio desvalorizo o que escrevo e, em catarse, entabulando um monólogo com um outro qualquer heterónimo que faz parte da minha pessoa, digo: "lá estás tu a contrariar a mole. Que mania, homem, sempre a bater na pedra. Isso deve ser obsessão em estar sempre no contra. É uma forma de dar nas vistas, não é?".
Desta vez, pelo menos desta vez, levando em conta o que falam os dois arguentes no vídeo da Sapo, tudo indica que tenho mesmo razão. Ou melhor, um dos meus heterónimos -como diria Pessoa- lá terá alguma razão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"SALVEMOS O BUÇACO!"





 Está decorrer uma petição pública contra o alegado abate arbitrário de várias espécies arbóreas na Serra do Buçaco. Segundo parece alguém não está a cumprir com o que mandatado.
Ouça e visione o vídeo. Pouco interessa o que penso ou faço, mas subscrevi.
Se concordar com a mensagem assine a petição.

O VÍDEO DO DIA...

A MEGALOMANIA DO INTERIOR

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 Ontem, em todos jornais nacionais, Mangualde foi notícia: vai ter uma praia com água salgada e areia. Mais ainda, segundo consta, será a segunda no mundo. A primeira está sediada no Japão.
Segundo o Diário de Coimbra (DC), a ideia, num investimento de um milhão de euros, “é ter a funcionar, entre 15 de Junho e 15 de Setembro, uma praia artificial com 6.500 toneladas de areia e 945 mil litros de água salgada, que terá como fundo uma simulação da linha do horizonte através de uma tela em impressão digital com 65 por cinco metros”.
Continuando a citar o DC, “Para o presidente da Câmara de Mangualde, João Nuno Azevedo, o evento é diferenciador e “coloca Mangualde no centro das atenções do verão”.
Não sei se o leitor, ao ler esta notícia ontem, se se teria questionado. Há várias razões para nos interrogarmos. A primeira começa logo se um investimento destes em tempo de contenção orçamental fará algum sentido. Ou seja, numa época em que a todos são pedidos sacrifícios esta autarquia, à revelia da matriz imposta, decide mostrar e ser o centro de atenções. Mais ainda, sabendo todos que a generalidade, em maioria, das câmaras estão todas endividadas, será este um bom caminho no sentido da capitalização de dividendos para o desenvolvimento de uma zona económica difícil? Não conhecemos o balanço desta Câmara de Mangualde, mas sabemos que o dinheiro que vai ser “investido” sai directamente do Orçamento Geral do Estado, logo de todos nós.
Coloquei “investido” entre comas porque, sejamos frios no raciocínio, será este um projecto de investimento sério? Gastar um milhão de euros na construção de uma praia artificial que irá funcionar durante três meses será plano de gente com cabeça? Para mais tendo em conta que o nosso clima temperado é cada vez mais instável e que os projectados três meses poderão ser muito menos, se houver chuva e frio? Mais ainda, fará sentido construir uma praia artificial quando se está a cerca de 100 quilómetros de uma praia natural como é a Figueira da Foz?
Não é o primeiro caso de, através de passe de mágica, tentar fazer do interior o centro de qualquer coisa, nem que seja da idiotice. Castanheira de Pêra já o tentou há uns anos com a construção da sua praia fluvial. Fui lá uma vez, estava bonito sem dúvida, mas não voltei mais. Isto é, tenho a certeza de que o pioneirismo do então executivo de Castanheira não me seduziu para lá voltar outra vez. Valeu aquele investimento todo? Duvido. Posso estar enganado? Posso sim, senhor!
Uma coisa, para mim, ninguém me tira: estes investimentos monstruosos são fogachos de vista, só para dar no olho a nível político e partidário. Na prática não traz nada de novo e não acrescenta nada a estas zonas desertificadas do país. Se estes autarcas investissem este dinheiro na fixação de residentes até se entendia, agora a construir nuvens de fumo colorido que depois do verão desaparecem completamente, quanto a mim, não faz o mínimo sentido. Bem sei que não é fácil namorar pessoas para saírem do litoral e irem morar para o interior, sobretudo numa época em que não há empregos, mas investimentos de três meses também não será a solução. Alguém decidirá trocar o litoral por uma zona recôndita do país por um emprego sazonal? Será este tipo de investimentos que interessa ao seu desenvolvimento?
É evidente que poderemos sempre questionar o que, perante a falta de políticas integradas governamentais, o que poderá fazer um presidente de uma autarquia do centro do país? Num tempo em que a nível público se fecham escolas primárias, centros de saúde, linhas de caminho-de-ferro, deixa de se apoiar o artesanato e se combate com exigências absurdas a produção de produtos endógenos? E  do ponto de vista privado encerram fábricas, lojas comerciais, se destruiu praticamente a agricultura de subsistência, ao acabar com as feiras de gado e com a sua forma de rentabilizar o esforço da terra? Bem no fundo, sendo justos, até somos obrigados a compreender as loucuras destes edis. Mas só compreender. Nada de os deixar levar as suas ideias loucas à frente. O problema é, como? Se as autarquias, para além de orçamentos próprios, são independentes do ponto de vista financeiro e do poder decisório? Quem é que pode parar estas loucuras?


APRENDER A LER OS RÓTULOS...

(Esta imagem foi recolhida há uma semana junto à Loja do Cidadão)



Com o patrocínio do Jornal de Notícias, aprenda aqui a interpretar os rótulos dos alimentos...


CONVERSA DE CAFÉ...

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 O homem tinha vestido uma camisola azul com a sigla da Câmara Municipal de Coimbra. Tudo indicava que era condutor de autocarro dos transportes públicos. Estava sentado na mesa ao meu lado. Conversava com um amigo. Pela proximidade, não pude deixar de ouvir:
“Coimbra está muito diferente daquilo que era em 1998 quando entrei para os transportes. Noto, sobretudo, a partir das 22 horas. Os passageiros são quase todos estrangeiros. Uma pessoa até tem receio. Essencialmente, são brasileiros e romenos. Os primeiros são arrogantes. Por dá cá aquela palha, exclamam logo: “no Brasil não é assim! Eu tenho direito!”…
Já quanto aos romenos é demais! Estão sempre a tentar ludibriar. Se entrar uma família de quatro entes só picam uma vez a senha. Exijo que todos insiram o bilhete correspondente. Levanta-se um e, a repetir, só pica uma vez. Tenho de me levantar e aguardar que todos façam o respectivo pagamento. Isto no meio de impropérios constantes. Às vezes tenho medo…lá isso tenho! Muitas vezes, só para ninguém pagar, introduzem um passe na máquina e esta encrava automaticamente. Come o passe e já não funciona mais. Como não temos chave, terá de vir um funcionário de propósito para abrir. Até ele chegar, naturalmente, quem tem bilhetes pré-comprados, não paga. Olha que isto é demais!
Quando estou na carreira do Ingote é mais problemático, por causa do tipo de utente, a essa hora, há muitos toxicodependentes. Por acaso, com os ciganos que lá vivem nem tenho grandes problemas. Como quase todos têm passe social –acho que pagam 5 euros por ano- nem me causam grandes dissabores. Passam, picam e sentam-se. Quando estou designado para essa carreira à noite, já sei, uma pessoa está sempre de coração nas mãos. Mas o que é que se há-de fazer? São os novos ventos que sopram de leste! A Europa está assim! Quem trabalha é que paga para esta gente toda. E ainda por cima somos ameaçados. Não sei para onde caminhamos. Não sei mesmo!
Coimbra está mesmo muito diferente…