sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
LEIA O DESPERTAR...
LEIA AQUI O DESPERTAR DESTA SEMANA
Esta semana deixo o textos "FELIZ NATAL -FELIZ ANO NOVO" e "CARTA DE BINGRE AOS APÓSTOLOS"
FELIZ NATAL - FELIZ ANO NOVO
Dito assim,
parece mais uma mensagem circunstancial igual a tantas outras. Bolas!, mas não
é isso que eu quero. Vocês, leitores deste jornal, que tendes tido a paciência
de ler o que eu escrevo merecem mais do que uma simples mensagem do tipo: toma lá e vai-te embora. Não é esse tipo
de encomenda que vos quero entregar.
Tenho que dizer duas coisas em relação ao Natal. Por um lado, não gosto deste período. Por outro, é um tempo triste e depressivo. Psicologicamente, tem uma explicação. Sei o motivo por que não gosto, mas não vos vou contar, que isso, para aqui, é irrelevante.
Socialmente, este tempo santo, para mim, deixa algo a desejar. É o Dezembro do “feliz Natal”, quase por obrigação recíproca. A prendinha dada quase da mesma forma. É a preocupação a termo certo com os mais pobres e carenciados. São os almocinhos solidários. É a sopinha dos pobres. É como se durante este mês caísse uma nuvem social de boa vontade e depois, quando ela desaparece, lá para janeiro, tudo volta à normalidade. Não queria ser demasiado duro, mas é um período que tem acoplado muita hipocrisia –às vezes sem termos noção.
Mas uma coisa é certa, mesmo retirando toda esta carga nublada, acho que o Natal igualmente a outras datas que pretendem chamar a atenção são importantes. Ainda que durante pouco tempo, como bandeira de armistício, salienta e lembra o que de melhor existe dentro de nós: a paz, a solidariedade, a bondade, o respeito pelo outro, a preocupação social no seu todo.
Tenho que dizer duas coisas em relação ao Natal. Por um lado, não gosto deste período. Por outro, é um tempo triste e depressivo. Psicologicamente, tem uma explicação. Sei o motivo por que não gosto, mas não vos vou contar, que isso, para aqui, é irrelevante.
Socialmente, este tempo santo, para mim, deixa algo a desejar. É o Dezembro do “feliz Natal”, quase por obrigação recíproca. A prendinha dada quase da mesma forma. É a preocupação a termo certo com os mais pobres e carenciados. São os almocinhos solidários. É a sopinha dos pobres. É como se durante este mês caísse uma nuvem social de boa vontade e depois, quando ela desaparece, lá para janeiro, tudo volta à normalidade. Não queria ser demasiado duro, mas é um período que tem acoplado muita hipocrisia –às vezes sem termos noção.
Mas uma coisa é certa, mesmo retirando toda esta carga nublada, acho que o Natal igualmente a outras datas que pretendem chamar a atenção são importantes. Ainda que durante pouco tempo, como bandeira de armistício, salienta e lembra o que de melhor existe dentro de nós: a paz, a solidariedade, a bondade, o respeito pelo outro, a preocupação social no seu todo.
Em relação ao Ano Novo quase a mesma
coisa. “Bom ano!”. “Bom ano!”. “Feliz Ano
Novo!”. “Boas Festas!”, se repete no
último dia 31 para 1 e duplica até à exaustão ainda durante todo o mês de
janeiro. Antecipadamente, sabemos que, salvo raras exceções, este ano de 2014
não vai ser bom. Menos ainda será feliz para a maioria. No entanto, mesmo
sabendo que se trata de uma falácia, todos colaboramos nela. Recebemo-la e
devolvemos. O que não é de estranhar, porque também nos alimentamos de utopia, na ideia do genial, do fantástico, mesmo crendo
que não passa de um sonho imaginário. E este contentamento interior pressupõe
uma otimização em todos os campos, dinheiro, emprego, paz na família, e… saúde.
Pois é! Escrevi saúde em último lugar intencionalmente. É que, para todos nós,
no geral, o vigor é como o ar que respiramos. É um bem adquirido. Tomamos à
letra o conceito internacional conferido pela Organização Mundial de Saúde: “saúde é um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Psicologicamente
interiorizamos que a saúde é um direito fundamental, intrínseco, consignado,
por Deus ou pela Natureza, pelo simples facto de estarmos vivos. Só damos por
ela quando nos falta. E lembrei-me de escrever sobre a nossa robustez física porque
a um meu familiar muito chegado, há pouco tempo, foi-lhe diagnosticada uma
doença grave. Quando lhe telefonei a desejar as boas festas respondeu-me: “só preciso mesmo é de saúde!”. Ora cá
está! Ele deixou de se importar com o todo, com o dinheiro, com as viagens, com
a necessidade de adquirir um carro novo, para apenas se focar no essencial para
viver. Nada do que considerava anteriormente, agora, passou a ter valor.
Quando tenho dúvidas em relação a
qualquer escolha que tenha de fazer –porque optar a todo o momento faz parte da condição
humana-, tenho por costume aferir entre o mal maior e o mal menor. É assim uma
espécie de balançar entre custos e proveitos –nunca podemos ganhar sem
inevitavelmente perdermos. Quando chego à conclusão de que o mal menor é a
preferência, como quem diz que os proveitos para a sociedade são maiores que os
prejuízos (custos), não tenho nenhuma dúvida em embarcar no mesmo cruzeiro
social. E é o que penso em relação ao Natal e ao Ano Novo. O homem é um ser de
rotinas, de hábitos enraizados. Quase todos afirmamos a pé juntos de que não
somos supersticiosos. No entanto, pelas práticas religiosas e pagãs, estas
quadras têm muita superstição acoplada. Quer na forma, quer no conteúdo. Como
exemplos, ir à missa do galo, na noite de Natal, ou comer as 12 passas na
passagem do ano velho para o novo.
Apesar de tudo e mesmo com todas as
premissas que enunciei, e na impossibilidade de prolongar estas épocas de paz e
amor, é bom existir um Natal e um Ano Novo a cada doze meses que passam.
Boas festas a todos e muito obrigados pela pachorra que têm tido ao ler os meus desabafos semanalmente. O meu sincero obrigado. Neste tempo de tristeza económica, em que parece não haver luz no horizonte, façam os possíveis por serem felizes e não percam a esperança. Não esqueçam que o sol nasce todos os dias e, haja o que houver, teremos sempre primavera. Nos momentos mais tristes, pensem nos passarinhos, que nada tendo materialmente, continuam no seu chilrear de alegria, mesmo até em dias de chuva e vento. Sorriam o mais que puderem. Por enquanto não paga imposto.
Um grande e apertado abraço a todos. Feliz Ano Novo!
Boas festas a todos e muito obrigados pela pachorra que têm tido ao ler os meus desabafos semanalmente. O meu sincero obrigado. Neste tempo de tristeza económica, em que parece não haver luz no horizonte, façam os possíveis por serem felizes e não percam a esperança. Não esqueçam que o sol nasce todos os dias e, haja o que houver, teremos sempre primavera. Nos momentos mais tristes, pensem nos passarinhos, que nada tendo materialmente, continuam no seu chilrear de alegria, mesmo até em dias de chuva e vento. Sorriam o mais que puderem. Por enquanto não paga imposto.
Um grande e apertado abraço a todos. Feliz Ano Novo!

CARTA DE BINGRE AOS APÓSTOLOS
(Intervenção de Pedro Bingre
do Amaral, em substituição de José Augusto Ferreira da Silva, vereador
do Cidadãos por Coimbra, na Reunião Ordinária do Executivo, realizada
a 9 de Dezembro de 2013, sobre o Estudo de Impacto Ambiental da futura
grande superfície do IKEA, presumivelmente, a instalar no Planalto de Santa
Clara)
“Planeamento do território — o estudo de impacto ambiental do IKEA
Foi submetido a aprovação pelos vereadores de Coimbra o Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) da futura loja IKEA, ao planalto de Santa Clara.
Tratando-se de um documento essencialmente técnico cujos conteúdos devem
obedecer à legislação em vigor, e não havendo qualquer evidência
técnico-científica de inconformidades às regulamentações ambientais, o
movimento Cidadãos por Coimbra não pôde deixar de aprová-lo — sobretudo à luz
do parecer favorável anteriormente dado pelos técnicos camarários.
No entanto, se a aprovação em critérios técnico-científicos é
irrecusável, a apreciação política é menos favorável. O EIA apresentado
contempla apenas uma hipótese de localização — o referido planalto — e,
como alternativa única, a não construção do complexo comercial. Exclui,
portanto, a possibilidade de construir aquela superfície em antigos lotes industriais
hoje sem uso, como por exemplo entre a Avenida Fernão de Magalhães e a via-férrea,
ou no parque industrial da Pedrulha.
Perde-se, assim, a oportunidade de reanimar o comércio da Baixa de
Coimbra, que poderia beneficiar sobremaneira do influxo de novos clientes às
imediações desse bairro histórico, caso a loja se implantasse à beira-rio.
Perde-se a oportunidade de reciclar solo industrial já infra-estruturado, caso
a implantação se desse na Pedrulha.
Em contrapartida, obriga-se à infra-estruturação de terrenos rústicos,
criando mais estruturas dispersas que cuja manutenção irá onerar a médio e
longo prazo a autarquia. E, por fim, agrava-se sobremaneira o gravíssimo
processo de pauperização dos mercados da Baixa de Coimbra, ao concentrar os
atractivos comerciais numa localização que tanto subtrai clientes ao comércio
de proximidade como, paradoxalmente, atrai clientes de localidades distantes.
Por estes motivos, os Cidadãos por Coimbra rogam ao executivo
autárquico que encete conversações com o IKEA de modo a encontrar, na medida do
possível, uma localização para o seu projecto capaz de criar sinergias com o
comércio local da cidade, e em particular da sua Baixa.”
A CARTA DE CATARINA A MACHADO
Catarina Isabel Martins (deputada do movimento Cidadãos por Coimbra na Assembleia Municipal de Coimbra)
Ontem, na Assembleia Municipal de
Coimbra, apresentei esta intervenção. Fiz um conjunto de perguntas sérias ao
Presidente da Câmara, de que destaco: o que está a suceder com o PDM? Recebi
como resposta apenas o seguinte: "Não admito que me fale em promiscuidade.
A senhora usa uma linguagem torpe e faz acusações torpes." Quando
finalmente descobrirmos em que negociatas anda o documento que há-de determinar
a cidade que vamos ter, vamos ver quem é torpe. Manuel Machado saberá o que lhe
anda a fazer.
Assembleia Municipal de 2 de Janeiro de 2014
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia e restantes membros da Mesa
Senhores deputados e senhoras deputadas
Exmo. Senhor Presidente da Câmara e senhoras e senhores vereadores
Neste momento em que se inicia o ano de 2014, venho perguntar ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara quando terá finalmente solução a enorme vergonha urbanística que mancha a cidade de Coimbra, desde que, em 1996, o senhor decidiu licenciar ilegalmente a construção de um prédio de 7 andares em zona classificada como zona verde pelo PDM no empreendimento Jardins do Mondego. Foram precisos 17 anos, mas em Outubro último, o Tribunal Central e Administrativo do Norte declarou ilegais tanto o lote 1 do empreendimento, autorizado por V. Exa., como o lote 18, licenciado pelo seu sucessor, Dr. Carlos Encarnação. Esta decisão do TCA implica a demolição dos lotes e a reposição da situação anterior à construção. Até agora, nada se viu e passaram já 2 meses. Assistimos também ao seu antecessor, Dr. Barbosa de Melo, defender uma solução bizarra perante a decisão do tribunal, que seria a demolição de um único lote – o lote 1 – passando o outro – o lote 18, correspondente a um estacionamento em silo, para o domínio público municipal, integrando o Parque Verde do Mondego. Nesta solução, o promotor, também ele implicado em duas ilegalidades para as quais parece não haver culpados, seria recompensado com a construção de um novo lote 1 noutro local do empreendimento.
Perguntamos: Senhor Presidente da Câmara, em que ficamos? Serão ou não demolidos os lotes declarados ilegais pelo TCA ou tentará este executivo um novo arranjo que continue a acomodar os interesses das clientelas que, afinal, o senhor Presidente da câmara procurou beneficiar há 14 anos atrás? Qual a posição da justiça perante isto? Houve, ou há, alguma negociação de que esta Assembleia deva tomar conhecimento? Quanto mais tempo terá a cidade que assistir à situação degradante daquele empreendimento numa das suas zonas mais nobres, recordando o pior da gestão municipal durante década e meia: a promiscuidade entre o poder local, o futebol e os negócios da especulação imobiliária e da construção?
O caso Jardins do Mondego necessita de uma solução urgente e exemplar. A solução a encontrar pelo executivo será prova da ética e da transparência da sua gestão – ou da falta dela. Mas a Assembleia Municipal tem também um papel decisivo a desempenhar.
Não nos esquecemos que o senhor Presidente da Câmara tem nas mãos uma decisão fundamental quanto ao novo PDM que foi revisto para o concelho – decisão que, aliás, desconhecemos. Virá ou não a esta Assembleia o documento elaborado pelo anterior executivo e já submetido a discussão pública? Quando e como pretende o senhor Presidente da Câmara dar andamento a este processo?
O PDM não é algo de somenos. Trata-se do instrumento de ordenamento urbanístico, com força de lei, que permite que o território da cidade faça sentido, arrumando espaços de construção com diferentes usos e espaços verdes de forma equilibrada e sustentável, não só para proporcionar qualidade de vida, mas para que o concelho possa ser gerido eficientemente, em termos de infraestruturas e transportes, por exemplo. É um documento que, em muitas cidades do mundo, é construído de forma participada pelas comunidades, aliando-se a esta elaboração participada uma forte dimensão de controlo pelos munícipes. Aqui, pelo contrário, o PDM foi revisto pelo executivo PSD cessante no maior secretismo e inclui – pasme-se, ou talvez não – a eliminação do corredor verde, cuja ocupação ilegal motivou a intervenção da justiça. Tal como fez com o Eurostadium, alterando o regulamento do PDM para corrigir uma outra infração do género, o executivo PSD apagou a violação da lei não através da correção do ato ilegal, mas da própria lei – o que significa que, em rigor, todas as leis poderiam ser alteradas em função dos crimes cometidos para que estes deixassem de aparecer como tal.
Sucede que o PDM revisto ainda não foi submetido à Assembleia Municipal para aprovação. O momento em que isto acontecer deverá ser a oportunidade para os/as eleitos/as levantarem a voz defendendo muito mais do que um corredor verde. Trata-se de defender a legalidade e a ética no exercício do poder político no nosso município. Por tudo isto, o caso Jardins do Mondego não só está longe do fim como pode representar o sentido do que é, deve ou não deve ser a política autárquica em Coimbra.”
Assembleia Municipal de 2 de Janeiro de 2014
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia e restantes membros da Mesa
Senhores deputados e senhoras deputadas
Exmo. Senhor Presidente da Câmara e senhoras e senhores vereadores
Neste momento em que se inicia o ano de 2014, venho perguntar ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara quando terá finalmente solução a enorme vergonha urbanística que mancha a cidade de Coimbra, desde que, em 1996, o senhor decidiu licenciar ilegalmente a construção de um prédio de 7 andares em zona classificada como zona verde pelo PDM no empreendimento Jardins do Mondego. Foram precisos 17 anos, mas em Outubro último, o Tribunal Central e Administrativo do Norte declarou ilegais tanto o lote 1 do empreendimento, autorizado por V. Exa., como o lote 18, licenciado pelo seu sucessor, Dr. Carlos Encarnação. Esta decisão do TCA implica a demolição dos lotes e a reposição da situação anterior à construção. Até agora, nada se viu e passaram já 2 meses. Assistimos também ao seu antecessor, Dr. Barbosa de Melo, defender uma solução bizarra perante a decisão do tribunal, que seria a demolição de um único lote – o lote 1 – passando o outro – o lote 18, correspondente a um estacionamento em silo, para o domínio público municipal, integrando o Parque Verde do Mondego. Nesta solução, o promotor, também ele implicado em duas ilegalidades para as quais parece não haver culpados, seria recompensado com a construção de um novo lote 1 noutro local do empreendimento.
Perguntamos: Senhor Presidente da Câmara, em que ficamos? Serão ou não demolidos os lotes declarados ilegais pelo TCA ou tentará este executivo um novo arranjo que continue a acomodar os interesses das clientelas que, afinal, o senhor Presidente da câmara procurou beneficiar há 14 anos atrás? Qual a posição da justiça perante isto? Houve, ou há, alguma negociação de que esta Assembleia deva tomar conhecimento? Quanto mais tempo terá a cidade que assistir à situação degradante daquele empreendimento numa das suas zonas mais nobres, recordando o pior da gestão municipal durante década e meia: a promiscuidade entre o poder local, o futebol e os negócios da especulação imobiliária e da construção?
O caso Jardins do Mondego necessita de uma solução urgente e exemplar. A solução a encontrar pelo executivo será prova da ética e da transparência da sua gestão – ou da falta dela. Mas a Assembleia Municipal tem também um papel decisivo a desempenhar.
Não nos esquecemos que o senhor Presidente da Câmara tem nas mãos uma decisão fundamental quanto ao novo PDM que foi revisto para o concelho – decisão que, aliás, desconhecemos. Virá ou não a esta Assembleia o documento elaborado pelo anterior executivo e já submetido a discussão pública? Quando e como pretende o senhor Presidente da Câmara dar andamento a este processo?
O PDM não é algo de somenos. Trata-se do instrumento de ordenamento urbanístico, com força de lei, que permite que o território da cidade faça sentido, arrumando espaços de construção com diferentes usos e espaços verdes de forma equilibrada e sustentável, não só para proporcionar qualidade de vida, mas para que o concelho possa ser gerido eficientemente, em termos de infraestruturas e transportes, por exemplo. É um documento que, em muitas cidades do mundo, é construído de forma participada pelas comunidades, aliando-se a esta elaboração participada uma forte dimensão de controlo pelos munícipes. Aqui, pelo contrário, o PDM foi revisto pelo executivo PSD cessante no maior secretismo e inclui – pasme-se, ou talvez não – a eliminação do corredor verde, cuja ocupação ilegal motivou a intervenção da justiça. Tal como fez com o Eurostadium, alterando o regulamento do PDM para corrigir uma outra infração do género, o executivo PSD apagou a violação da lei não através da correção do ato ilegal, mas da própria lei – o que significa que, em rigor, todas as leis poderiam ser alteradas em função dos crimes cometidos para que estes deixassem de aparecer como tal.
Sucede que o PDM revisto ainda não foi submetido à Assembleia Municipal para aprovação. O momento em que isto acontecer deverá ser a oportunidade para os/as eleitos/as levantarem a voz defendendo muito mais do que um corredor verde. Trata-se de defender a legalidade e a ética no exercício do poder político no nosso município. Por tudo isto, o caso Jardins do Mondego não só está longe do fim como pode representar o sentido do que é, deve ou não deve ser a política autárquica em Coimbra.”
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
FELIZ ANO NOVO -FELIZ NATAL
(Imagem da Web)
FELIZ ANO NOVO - FELIZ NATAL
Dito assim,
parece mais uma mensagem circunstancial igual a tantas outras. Bolas!, mas não
é isso que eu quero. Vocês, leitores deste blogue, que tendes tido a paciência
de ler o que eu escrevo merecem mais do que uma simples mensagem do tipo: toma lá e vai-te embora. Não é esse tipo
de encomenda que vos quero entregar.
Tenho que dizer duas coisas em relação ao Natal. Por um lado, não gosto deste período. Por outro, é um tempo triste e depressivo. Psicologicamente, tem uma explicação. Sei o motivo por que não gosto, mas não vos vou contar, que isso, para aqui, é irrelevante.
Socialmente, este tempo santo, para mim, deixa algo a desejar. É o Dezembro do “feliz Natal”, quase por obrigação recíproca. A prendinha dada quase da mesma forma. É a preocupação a termo certo com os mais pobres e carenciados. São os almocinhos solidários. É a sopinha dos pobres. É como se durante este mês caísse uma nuvem social de boa vontade e depois, quando ela desaparece, lá para Janeiro, tudo volta à normalidade. Não queria ser demasiado duro, mas é um período que tem acoplado muita hipocrisia –às vezes sem termos noção.
Mas uma coisa é certa, mesmo retirando toda esta carga nublada, acho que o Natal igualmente a outras datas que pretendem chamar a atenção são importantes. Ainda que durante pouco tempo, como bandeira de armistício, salienta e lembra o que de melhor existe dentro de nós: a paz, a solidariedade, a bondade, o respeito pelo outro, a preocupação social no seu todo.
Tenho que dizer duas coisas em relação ao Natal. Por um lado, não gosto deste período. Por outro, é um tempo triste e depressivo. Psicologicamente, tem uma explicação. Sei o motivo por que não gosto, mas não vos vou contar, que isso, para aqui, é irrelevante.
Socialmente, este tempo santo, para mim, deixa algo a desejar. É o Dezembro do “feliz Natal”, quase por obrigação recíproca. A prendinha dada quase da mesma forma. É a preocupação a termo certo com os mais pobres e carenciados. São os almocinhos solidários. É a sopinha dos pobres. É como se durante este mês caísse uma nuvem social de boa vontade e depois, quando ela desaparece, lá para Janeiro, tudo volta à normalidade. Não queria ser demasiado duro, mas é um período que tem acoplado muita hipocrisia –às vezes sem termos noção.
Mas uma coisa é certa, mesmo retirando toda esta carga nublada, acho que o Natal igualmente a outras datas que pretendem chamar a atenção são importantes. Ainda que durante pouco tempo, como bandeira de armistício, salienta e lembra o que de melhor existe dentro de nós: a paz, a solidariedade, a bondade, o respeito pelo outro, a preocupação social no seu todo.
Em relação ao Ano Novo quase a mesma
coisa. “Bom ano!”. "Bom ano!”. “Feliz Ano
Novo!”. “Boas Festas!”, se repete no
último dia 31 para 1 e duplica até à exaustão ainda durante todo o mês de Janeiro. Antecipadamente, sabemos que, salvo raras excepções, este ano de 2014
não vai ser bom. Menos ainda será feliz para a maioria. No entanto, mesmo
sabendo que se trata de uma falácia, todos colaboramos nela. Recebemo-la e
devolvemos. O que não é de estranhar, porque também nos alimentamos de utopia, na ideia do genial, do fantástico, mesmo crendo
que não passa de um sonho imaginário. E este contentamento interior pressupõe
uma optimização em todos os campos, dinheiro, emprego, paz na família, e… saúde.
Pois é! Escrevi saúde em último lugar intencionalmente. É que, para todos nós,
no geral, o vigor é como o ar que respiramos. É um bem adquirido. Tomamos à
letra o conceito internacional conferido pela Organização Mundial de Saúde: “saúde é um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Psicologicamente
interiorizamos que a saúde é um direito fundamental, intrínseco, consignado,
por Deus ou pela Natureza, pelo simples facto de estarmos vivos. Só damos por
ela quando nos falta. E lembrei-me de escrever sobre a nossa robustez física porque
a um meu familiar muito chegado, há pouco tempo, foi-lhe diagnosticada uma
doença grave. Quando lhe telefonei a desejar as boas festas respondeu-me: “só preciso mesmo é de saúde!”. Ora cá
está! Ele deixou de se importar com o todo, com o dinheiro, com as viagens, com
a necessidade de adquirir um carro novo, para apenas se focar no essencial para
viver. Nada do que considerava anteriormente, agora, passou a ter valor.
Quando tenho dúvidas em relação a
qualquer escolha que tenha de fazer –porque optar a todo o momento faz parte da condição
humana-, tenho por costume aferir entre o mal maior e o mal menor. É assim uma
espécie de balançar entre custos e proveitos –nunca podemos ganhar sem
inevitavelmente perdermos. Quando chego à conclusão de que o mal menor é a
preferência, como quem diz que os proveitos para a sociedade são maiores que os
prejuízos (custos), não tenho nenhuma dúvida em embarcar no mesmo cruzeiro
social. E é o que penso em relação ao Natal e ao Ano Novo. O homem é um ser de
rotinas, de hábitos enraizados. Quase todos afirmamos a pé juntos de que não
somos supersticiosos. No entanto, pelas práticas religiosas e pagãs, estas
quadras têm muita superstição acoplada. Quer na forma, quer no conteúdo. Como
exemplos, ir à missa do galo, na noite de Natal, ou comer as 12 passas na
passagem do ano velho para o novo.
Apesar de tudo e mesmo com todas as
premissas que enunciei, e na impossibilidade de prolongar estas épocas de paz e
amor, é bom existir um Natal e um Ano Novo a cada doze meses que passam.
Boas festas a todos e muito obrigados pela pachorra que têm tido ao ler os meus desabafos semanalmente. O meu sincero obrigado. Neste tempo de tristeza económica, em que parece não haver luz no horizonte, façam os possíveis por serem felizes e não percam a esperança. Não esqueçam que o sol nasce todos os dias e, haja o que houver, teremos sempre primavera. Nos momentos mais tristes, pensem nos passarinhos, que nada tendo materialmente, continuam no seu chilrear de alegria, mesmo até em dias de chuva e vento. Sorriam o mais que puderem. Por enquanto não paga imposto.
Um grande e apertado abraço a todos. Feliz Ano Novo!
Boas festas a todos e muito obrigados pela pachorra que têm tido ao ler os meus desabafos semanalmente. O meu sincero obrigado. Neste tempo de tristeza económica, em que parece não haver luz no horizonte, façam os possíveis por serem felizes e não percam a esperança. Não esqueçam que o sol nasce todos os dias e, haja o que houver, teremos sempre primavera. Nos momentos mais tristes, pensem nos passarinhos, que nada tendo materialmente, continuam no seu chilrear de alegria, mesmo até em dias de chuva e vento. Sorriam o mais que puderem. Por enquanto não paga imposto.
Um grande e apertado abraço a todos. Feliz Ano Novo!
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