"Pai, filha, genro e neto do clã Monteiro em prisão preventiva -Cinco detenções levadas a cabo pela judiciária de Coimbra permitiram desmantelar rede de distribuição de droga", título de hoje do Diário de Coimbra
sábado, 2 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...
(Imagem da Web)
Anónimo deixou um novo comentário
na sua mensagem "NOS HUC ESTÁ MUITO DIFÍCIL SER GADO! COMO SERÃO
TR...":
Caro Luís, antes de mais deixe-me parabenizá-lo pelo excelente trabalho que faz no seu blogue. Costumo acompanhá-lo, mas foram alguns posts que li recentemente, este em especial, que me levaram a comentar.
Os meus avós faleceram ambos em Outubro do ano passado com cancro. Em relação aos cuidados médicos do meu avô não tenho nada a apontar. Tanto a sua médica de família como o médico que o seguia nos Covões eram excepcionais (e o meu falecido avô era uma pessoa com um feitio um pouco especial…).
No que toca à minha avó, a situação era diferente. Tinha uma médica de família que era a incompetência em pessoa (não sei que outro adjectivo utilizar para descrever uma profissional que, numa consulta de urgência, em vez de estar com atenção a mim e ao problema que ali me levava estava mais preocupada em discutir com outra médica se o enfermeiro A era mais “jeitoso” que o enfermeiro B, que nem um exame com o diagnóstico já feito foi capaz de ver em condições e que me medicou mal para a cura de uma pneumonia –convém dizer que tenho asma e que não posso tomar qualquer tipo de medicamento. Uma médica que mesmo após a minha avó se queixar que cada vez tinha mais dificuldades em andar, sempre descartou o problema e nunca a mandou fazer um exame. O mesmo aconteceu na urgência do hospital dos Covões. Tivemos que levar a minha avó para o referido hospital de urgência pois deixou de conseguir andar, literalmente e por duas vezes, de um momento para o outro. Nunca lhe fizeram nada, limitaram-se a dar-lhe soro e a mandá-la para casa. Só à terceira vez e com uma cunha lhe fizeram um exame e se descobriu a doença de que padecia.
Eu pergunto-me: será que se estes senhores se esquecem que fazem um juramento? Será que se esquecem que não somos meros pedaços de carne? Será que ela estaria viva se estes senhores tivessem feito o seu trabalho?
A minha avó, que era uma mulher cheia de vida e que não dependia de ninguém para nada, viu-se presa a uma cama durante quase dois anos. Teve que ser levada para uma unidade de cuidados continuados por causa das escaras com que ficou por estar acamada. Nessa mesma unidade de cuidados continuados deixaram-na definhar com uma infecção urinária por quase uma semana. Foi novamente levada para os Covões e dessa vez sim encontrou médicos excepcionais, mas infelizmente a negligencia que fora cometida já não pode ser revertida.
Eu sei que se um dia tiver filhos não quero que eles vivam num país assim. Mas infelizmente não me parece que isto vá mudar.
Um bem-haja,
AF
Caro Luís, antes de mais deixe-me parabenizá-lo pelo excelente trabalho que faz no seu blogue. Costumo acompanhá-lo, mas foram alguns posts que li recentemente, este em especial, que me levaram a comentar.
Os meus avós faleceram ambos em Outubro do ano passado com cancro. Em relação aos cuidados médicos do meu avô não tenho nada a apontar. Tanto a sua médica de família como o médico que o seguia nos Covões eram excepcionais (e o meu falecido avô era uma pessoa com um feitio um pouco especial…).
No que toca à minha avó, a situação era diferente. Tinha uma médica de família que era a incompetência em pessoa (não sei que outro adjectivo utilizar para descrever uma profissional que, numa consulta de urgência, em vez de estar com atenção a mim e ao problema que ali me levava estava mais preocupada em discutir com outra médica se o enfermeiro A era mais “jeitoso” que o enfermeiro B, que nem um exame com o diagnóstico já feito foi capaz de ver em condições e que me medicou mal para a cura de uma pneumonia –convém dizer que tenho asma e que não posso tomar qualquer tipo de medicamento. Uma médica que mesmo após a minha avó se queixar que cada vez tinha mais dificuldades em andar, sempre descartou o problema e nunca a mandou fazer um exame. O mesmo aconteceu na urgência do hospital dos Covões. Tivemos que levar a minha avó para o referido hospital de urgência pois deixou de conseguir andar, literalmente e por duas vezes, de um momento para o outro. Nunca lhe fizeram nada, limitaram-se a dar-lhe soro e a mandá-la para casa. Só à terceira vez e com uma cunha lhe fizeram um exame e se descobriu a doença de que padecia.
Eu pergunto-me: será que se estes senhores se esquecem que fazem um juramento? Será que se esquecem que não somos meros pedaços de carne? Será que ela estaria viva se estes senhores tivessem feito o seu trabalho?
A minha avó, que era uma mulher cheia de vida e que não dependia de ninguém para nada, viu-se presa a uma cama durante quase dois anos. Teve que ser levada para uma unidade de cuidados continuados por causa das escaras com que ficou por estar acamada. Nessa mesma unidade de cuidados continuados deixaram-na definhar com uma infecção urinária por quase uma semana. Foi novamente levada para os Covões e dessa vez sim encontrou médicos excepcionais, mas infelizmente a negligencia que fora cometida já não pode ser revertida.
Eu sei que se um dia tiver filhos não quero que eles vivam num país assim. Mas infelizmente não me parece que isto vá mudar.
Um bem-haja,
AF
ABRIU O "BE POETY" NA RUA DO CORVO
Embora ontem fosse o passo de
arranque, como quem diz a inauguração para alguns amigos, só hoje,
oficialmente, está aberto ao público. Trata-se do “Be Poety”, que faz parte do
grupo “Be Coimbra”. Segundo o responsável por esta nova casa, “trata-se de uma
sociedade com o “Be Coimbra”. Já temos uma casa na Rua Adelino Veiga, no antigo Saul Morgado, outra
na Rua do Almoxarife e agora esta. Aqui iremos dedicar-nos à prova de vinhos,
degustação de conservas e outros produtos nacionais selecionados. Teremos
também artesanato.
Os nossos clientes, que
receberemos de braços abertos e com muita simpatia, poderão contar e desfrutar
de um ambiente acolhedor. Como temos uma sala mais recuada, iremos fomentar a
realização de pequenas tertúlias, assim no contexto da antiga Brasileira, e
também workshop’s.”
Aos novos locatários, e nossos
colegas, implantados numa casa de memória e de uma pessoa que conheci bem, desejamos
a melhor sorte do mundo, tal como se fosse para nós, e que tudo lhes corra bem.
Felicidades.
NEM O CUNHA SE SAFA...
A Cunha é um aforismo,
neste caso loja encerrada,
é no fundo um algarismo
neste comércio de abalada;
Foi loja na Rua da
Sofia,
história enorme, bendito,
outrora teve tanta alegria
quando foi o “Infinito”;
Mas esses tempos passaram,
Mas esses tempos passaram,
foram águas para o mar,
ventos que se amandaram
que não voltam a soprar.
"A DÍVIDA DEVE SER PAGA A TODO O CUSTO"?
Ontem, pelas 21h30, no café Santa
Cruz, com uma sala praticamente cheia, pela “Iniciativa para uma Auditoria
Cidadã à Dívida” realizou-se um debate em torno desta temática que a todos
deveria preocupar. Na mesa, inicialmente prevista estar composta pelos
convidados José Dias da Silva, da Comissão Diocesana de Justiça e Paz, Rui
Duarte, deputado ao Parlamento por Coimbra do partido Socialista, Manuel Rocha,
Músico e ex-candidato a deputado à Assembleia da República pelo PCP, Olinda
Lousã, bancária e sindicalista do STEC, José Castro Caldas, economista,
estiveram estes três últimos congressistas.
O encontro residia em tentar
obter respostas em torno de quatro perguntas:
-Porque existe dívida?
-A quem devemos?
-A dívida pode ser paga?
-Pagar “custe o que custar”?
E O QUE DISSERAM OS MEMBROS DO
PAINEL?
Abriu a apresentação Olinda
Lousã, que explanou contra a passividade do silêncio. ´”Quem é que sabe quem
ratificou os contratos das PPP, Parcerias Público-Privadas?” –interrogou. “Se
atentarmos no léxico de “resgate”, remete-nos para “prisioneiro”. Já estamos a
pagar muito caro, trabalhadores, estudantes, todos. Queremos auditar as contas.
Quem negociou os empréstimos? Os juros são devidos a quem? Quem encontra
respostas para estas perguntas? Os caminhos do futuro não se resolvem com esta
austeridade; este futuro depende de todos nós”, enfatizou Olinda.
A seguir interveio Manuel Rocha,
que disse mais ou menos isto: “as coisa estão a correr bem para a economia
portuguesa… não estão é a correr bem para nós –afirmou com ironia. Há conversas
no autocarro e em todo o lado que atestam este facto. Sócrates disse que
Portugal com a ajuda do FMI nos escravizaria. Tinha razão; mas logo a seguir
negociou com a Troika. É preciso promover políticas para desenvolver a produção
nacional. É preciso revogar a dívida. Um ano depois, está aqui, à vista de
todos, a realidade: o acentuar das injustiças. “O programa está a correr bem”,
dizem os governantes. Contas feitas, todos os recursos para acudir ao país acabou
nos “bolsos” dos bancos. A saúde, como os transportes e a educação, finalmente
tornou-se de fácil acesso aos grandes grupos privados. O sucesso destes vive à
custa do empobrecimento das famílias. Os mercados têm razão para estarem
felizes. A realidade é desastrosa, e vem desmentir os magos da economia, obriga
a um novo resgate, como afirmou, há dias, Victor Constâncio. É a
descapitalização do país, como está acontecer com a Grécia. Este abismo, que
estamos a assistir, é próprio da história. É preciso apoiar as pequenas e
médias empresas; é preciso apoiar as exportações. Portugal precisa de um novo
governo que nos ajude a sonhar de novo.”
Castro Caldas, a seguir, disse o
seguinte: “a ideia de auditar, na realidade o que queremos mesmo é conhecer a
dívida e dar a conhecê-la. A maioria das pessoas pensa que os 78 mil milhões
são uma ajuda, sem o qual o Estado português não teria possibilidades de pagar
as suas dívidas. É falso! A ajuda da Troika veio para ser transferida para as
mãos dos credores, excepto 13 mil milhões que estão cativados. Aqueles 78 mil
milhões deveriam servir para desenvolver o país, mas não. A maioria das
pessoas, apesar das falências, tem esperança que as coisas se componham. Hoje
as notícias disseram que, no primeiro trimestre, as receitas não foram as
previstas pela Direcção Geral do Orçamento. Descobriram agora que a receita
fiscal está subavaliada. O défice aponta para 7,9 para o final do ano.
Tradicionalmente os contratos de dívida são dirimidos pelos tribunais
portugueses; agora começaram a ser resolvidos pela lei inglesa –aconteceu o
mesmo à Grécia. Porquê? Porque a lei inglesa é muito mais favorável aos
credores. Os “fundos Abutres” são fundos que, através da lei inglesa, são
sempre dirimidos a favor dos credores, e podem passar pela cativação dos bens
pessoais nos países devedores. Com a lei inglesa é muito mais fácil. Como é que
Portugal pode aceitar este atentado à sua soberania e uma coisa destas? Existem
ilhas no nosso território em que nasce dívida. São icebergues que escondem
problemas para o futuro. Era preciso que todos os cidadãos conhecessem o que se
passa.”
E O QUE ACHA O PÚBLICO DISTO?
Intervém um dos presentes e diz: “
É urgente sabermos quanto devemos. A dívida é ilegítima e, por isso, impagável.
Com estes juros agiotas não deve ser paga!”
E outro: “Venho de uma pequena
aldeia do interior. As pessoas daquele meio não entendem porque não estudaram
macroeconomia. Para que a cidadania seja feita é preciso conhecimento técnico.
Como é que isto pode ser feito? Em Coimbra onde este debate deveria ser
realizado era na Universidade, embora os estudantes também não conheçam a
macroeconomia. É preciso explicar que os problemas não estão nos funcionários
públicos. De que modo se pode fazer esta explicação no Portugal profundo e na
Faculdade de Economia?”
Miguel Dias, professor, disse o
seguinte: “Isto é uma grande nebulosa. Eu gostava de ver a dívida quantificada e
tudo esclarecido. Vocês têm números? Como português, assumo as dívidas do
Estado português na saúde, nos transportes, na educação. Eu gostava de saber o
que é elegível nesta dívida. Gostava de ver esclarecido o que lá está
escondido.”
E A MESA ESCLARECE
Castro Caldas pega na palavra e
atira: “Sabemos que, pelos dados disponíveis, a dívida andará pelos 200 mil
milhões. Ou seja, cerca de 110 por cento do PIB, Produto Interno Bruto. Depois
existe a dívida privada. Esta, foram os bancos que a contraíram. Os países da
União Europeia fizeram um pacto de sangue para que nenhum banco vá à falência.
Em Portugal, tivemos de assumir a dívida de um pequeno banco; outro, como era
demasiado grande, não deixaram. Sempre houve dívida pública desde D. João I.
A primeira pergunta que poderemos
formular é saber se poderemos pagar a dívida. É que pode não ser possível. A
questão, também, é saber se deve ser paga. Contrato é uma promessa, mas este
facto não diz que seja legítimo –por exemplo vender um órgão humano-, pode
fazer-se mas é ilegal. A dívida pública tornou-se insustentável a partir de
2008. Transformou-se num problema porque nos começaram a exigir juros cada vez
mais incomportáveis. Se a zona euro tivesse um banco que financiasse os seus
membros os especuladores não teriam condições para fazerem o que estão a fazer.
O que estamos a assistir é o resultado da permissão da União.
“Os contratos devem ser
respeitados”, dizem. Está bem! E o contrato que o Estado estabeleceu com os
pensionistas? E com os funcionários públicos? E não é por o Tribunal
Constitucional ter permitido que tornam estas acções legítimas! Esta coisa da
sacrilidade dos contratos parece apenas depender mais da posição de força de
uma das partes contratante. Antes que sejam os credores a quererem restruturar
a nossa dívida, era bom que fosse o Estado português a propor.
Há um conjunto de parte da dívida
que convém pagar –por exemplo o fundo da Segurança Social. É bom que pensem
nestas coisas depressa. O tempo para a restruturação da dívida está tornar-se
escasso.”
E passa para Manuel Rocha: “Temos
de ter a consciência de que o desemprego vai dar cabo de nós e ter de ser
contrariado com políticas. Resta a esperança. Hoje roubam a minha casa, mas
resta a dos meus filhos; a seguir roubam a casa dos meus filhos, mas ainda
temos a nossa vida; a seguir vai a minha vida, mas resta a dos meus filhos. Até
que um dia levam tudo, e assim sucessivamente. O problema é que nunca
conseguimos pagar a dívida.”
E entra em acção a Olinda: “As
escolas que quiserem ter lá a “Auditoria Cidadã”, façam o favor de nos
contactar, temos uma página na Internet “auditoriacidada.info”. Dentro das
nossas possibilidades, poderemos deslocar-nos.”
E VOLTA O ESFÉRICO NOVAMENTE PARA
O PÚBLICO
Diz um dos presentes: “Estamos a
assistir a uma ditadura dos credores, ao contrário da nossa história. Nos
Estados Unidos, em 1980, 1 por cento dos mais ricos pagavam cerca de 80 por
cento. Aqui são os funcionários públicos que pagam a crise. Eu sou um dos
sacrificados. A receita do Estado é uma opção política. Esta dívida é política
de cima abaixo.”
A seguir, Serafim Duarte,
professor, e deputado na Assembleia Municipal, disse o seguinte: “38 anos de
democracia não conseguiram elidir 48 de ditadura. “Pobretes mas alegretes”. É
muito importante saber o que há para pagar. Quem deve a quem? Milton Friedman
quando entrou no Chile disse que era uma guerra. Estava tudo previsto. Com as
suas teorias capitalistas, fizeram o mesmo na Europa. A receita é sempre a mesma.
A ajuda do neoliberalismo é fazer tábua-rasa do Estado Social. É preciso
destruir o Estado Social –essa é a intenção.
Ainda ontem tive uma conversa com
uma colega, que, por acaso, também é professora. Dizia ela: “ó Serafim, se
pedimos temos de pagar”. O problema é que o que vejo é que apenas alguns pagam.
Nos supermercados todos pagam por igual; deveria haver prateleiras com preços consoante
as possibilidades de cada um. O capital está recuperar o que perdeu a seguir à
2ª Guerra Mundial.”
Respondeu novamente Castro Caldas,
na mesa de painel: Não é fácil estabelecer a legitimidade da dívida. No caso de
Saddan Hussein foi considerada “dívida odiosa” para que os iraquianos não
pagassem. Aqui, neste caso concreto, se pudéssemos dizer quem a fez, a dívida,
seria fácil de depreender se devemos pagar ou não. Acontece que não é fácil
chegar lá. O que não há dúvida é que a dívida não pode ser paga para além dos
limites que comprometem direitos básicos da população portuguesa.”
Olinda Lousã, a terminar o
debate, rematou: “Paul Krugman, Nobel de Econnomia, que nem sequer é considerado
de esquerda, referindo-se à Europa, disse ontem taxativamente: Revoltem-se!”
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