quinta-feira, 2 de abril de 2009

O ARTISTA DE HOJE...NA BAIXA






Chama-se Paul. Pela sua indumentária, com chapéu e carteira a tiracolo, parece o Indiana Jones. Não fica a dever nada a Harrison Ford. Quem sabe se Spilberg e Georges Lucas não se terão inspirado em Paul para realizar o filme de aventuras. Não falta o cão, companheiro amigo de grandes aventuras. Ao lado de Paul, o animal descansa, descaradamente, desligado de tudo o que o rodeia, como a dizer que não dá autógrafos.
Paul chegou há três dias a Portugal, vindo da Escócia. Ainda não tem uma opinião formada sobre o nosso país, no entanto, parece-lhe que são “people” muito simpática.
Acompanhado ao som de “folk” Irlandês e outra música Celta oriunda daquele país, da Escócia, País de Gales e Bretanha, o músico animado, a tocar violino, dança ao som de flautas e rabecas, sempre com a “mãozinha” por cima, a puxar os fios, de Paul. No mesmo palco, com fundo das montanhas da Escócia, o trabalhador rural, sentado no chão, passa a mão sobre o lombo do rafeiro, enquanto a carroça com molhos de trigo é devastada pela passarada.
Interessante como é que a destreza deste artista, a fazer-nos lembrar as marionetas de Santo Aleixo, prende qualquer um. Miúdos e Graúdos, todos paravam, na Rua Ferreira Borges, a apreciar este lindo quadro cénico.
Pelas moedas presentes, o “negócio” estava a correr bem.

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE/MENTIRA DE ABRIL



Como certamente os meus leitores se aperceberam, o texto em epígrafe é um a mentirita de Abril…com muito pouco nível. Aliás, nota-se bem. Há dias assim. Não estava inspirado, e depois só sai borrada. Ainda por cima, ao que parece, a notícia do Diário de Coimbra, afinal, é mesmo verdadeira. Antes fosse uma “peta” de Abril, mas isso é outro assunto.
Aos visados, que refiro no texto, as minhas desculpas. Espero sinceramente que ninguém leve a mal. Foi apenas uma brincadeira. Pelo menos foi esse o objecto do texto.
Um grande abraço para todos.

BAIXA: UMA BOMBA NO TURÍBIO/UMA MENTIRA DE ABRIL



Como certamente os meus leitores se aperceberam facilmente, o que escrevi sobre o título em epígrafe…era uma mentira do dia 1 de Abril.
Aos visados, os senhores Romeu e Armindo Gaspar as minhas desculpas pela brincadeira. Espero sinceramente que não levem a mal se toquei alguma memória que seja susceptível de ferir sentimentos. Refiro-me, obviamente, ao senhor Romeu.
Embora escrevesse com algum cuidado, nunca se sabe, às vezes, como uma brincadeira pode desencadear sentimentos amargos.
Como já disse, não foi essa a intenção. Um grande abraço para todos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE...




Hoje, primeiro de Abril, passei praticamente o dia todo agarrado ao telefone. Tive que ligar para a terra do “tio Sam”, por causa da Madonna e do Jornal as Beiras. Mal tinha acabado de falar com o meu amigo Obama (que afinal estava em Londres) –este gajo é um oportunista, aproveitando a boleia do meu telefonema, começou logo a fazer perguntas sobre o que é que eu achava de enviar ou não enviar mais tropas para o Iraque. E para o Afeganistão? Fogo! Gosto deste rapaz, mas manda-me para a falência. Gastei todo o meu saldo do telemóvel. Às tantas, passei-me e disse-lhe: ó pá não tens vergonha de te estares a aproveitar de um pequeno comerciante de um pais pequenino como Portugal? “Como? Portugal? Então tu não falas de Espanha? Ah, já sei! Portugal é uma província de Espanha, é isso não é?” Palavra de honra, fiquei irritadíssimo, se não fosse tão amigo dele mandava-o apanhar…morangos em Espanha.
Ainda estava a contar até dez, para me acalmar, ligou-me o presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, o meu amigo Francisco Andrade –ai não sabem quem é? Ignorantes duma figa. Então não sabem que foi um dos maiores jogadores da Académica? Diz-me então, através do telefone, o Andrade: “ó pá, esta notícia do Diário de Coimbra de hoje, citando-me e com a minha foto e tudo, a dizer que “se adivinha confusão nos cadernos eleitorais” é catastrófico para mim. Como sabes, vestindo eu a camisola do PSD, até vão pensar que sou eu o culpado desta coisa. Bolas, pá! Eu não tenho culpa nenhuma disto, pá! Isto é uma mentira pegada”.
Eu, que conheço bem o Andrade, com a minha calma, fui-lhe dizendo: ó pá não te preocupes, eu vou ligar ao “Zé” (Sócrates) e isto resolve-se rapidamente. “Fazes isso por mim, Luís?, interroga-me o Francisco, como se estivesse a falar com Deus. Claro, pá! E assim foi, lá perdi mais umas horas a falar com o “Zé”. Tal como o meu amigo negro da Casa Branca, tratou logo de se aproveitar do meu telefonema, e toca de me perguntar isto e aquilo. Se deveria demitir o procurador-geral da República. Se eu aceitava ser o substituto do Provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, etc. Fogo! Primeiro que me livrasse dele…

A EXTREMA HUMILDADE DAS "BEIRAS" NA VINDA DO "BOSS"





Como já sabem, sou “unha com carne” do “Toino” Abrantes –não estão a ver quem é? Ó pessoas de Deus, então não vêem que é o director do Diário as Beiras?
Então, como somos amigos do peito, sou seu conselheiro económico e não lhe levo nada por isso. Já viram, naturalmente, que a notícia de hoje, da vinda do Bruce Sprinsgsteen à “Queima”, evidentemente que passou antes por mim. Fui eu, como conselheiro do Obama, para as questões internacionais de economia, que lhe telefonei e disse no meu inglês macarrónico: ó pá! Ó Obama, chama aí à White House o “boss” e diz-lhe que eu quero que ele venha a Coimbra actuar à Queima das Fitas. Já agora, desculpa lá, ó pá!, ligas também à Madonna e pergunta-lhe se ela quer vir também. Mas, toma atenção, não te comprometas com ela. Não sei se aqui o pessoal de Coimbra a quer. Gostam de “carne” mais fresca, não sei se estás a ver a coisa.
Do outro lado do oceano, palavra de honra, através do telefone, até consegui sentir a atrapalhação do meu “amigão” presidente dos “States”, sempre disponível para me agradar: “Ó “Louis”, isso é para nós? Se queres o “boss”, vai o “boss”. Se no pacote queres levar também a Madonna, claro que sim! Os teus desejos são ordens “my friend”.
Claro que o “Toino” Abrantes, como é muito humilde, não quis dizer que a vinda do criador de Philadelfia –essa extraordinária canção deste músico, e que adoro, mas não se macem a oferecer-me o álbum!- se deve ao esforço do jornal e muito menos quis anunciar a vinda, também, da Madonna.

BAIXA: UMA BOMBA NO TURÍBIO

(ERA UMA FOLHA AMARELECIDA E PARECIDA COM ESTA)


(ESTE É O PRÉDIO LEGADO PARA FUTURA "CASA DO COMERCIANTE")


Se hoje, por aqui, se interrogar quem é o maior comerciante da Baixa, provavelmente, não haverá dúvidas: é o Romeu, das sapatarias com o mesmo nome. Tem várias sapatarias na cidade, nos vários shoppings, e, também, outros estabelecimentos em várias cidades do país. Em resumo é um empresário de sucesso. Este “filho de peixe que sabe nadar”, para além de herdar os genes do pai –um comerciante da velha cepa desaparecido do mundo dos vivos há poucos anos, carismático e de personalidade forte. Quem o conheceu bem, diz que era um “agarradão”, que não perdia tempo a dar um tostão a um pedinte. Sempre com o aforismo presente, “amigos, amigos, negócios à parte”. Fruto da sua visão comercial e do muito trabalho, este homem, para além dos imensos prédios na cidade, deixou um império ao seu Romeu-varão de que falo hoje com bastante alegria.
O que se passa? Parece-me adivinhar na sua cara, leitor. Calma! Posso adiantar-lhe que é uma bomba, a notícia que aqui vou dar em primeira-mão.
Isso, vá torcendo as mãos de ansiedade. Gosto de fazer sofrer quem me lê. Que quer? Sou assim, e pronto!
Então lá vai. Ao que parece, segundo uma testemunha que me pediu para não ser identificada, o Romeu (filho), rebuscando velhas memórias do pai, encontrou uma velha folha de papel selado que rezava assim:

“Ao meu filho Romeu:
Meu querido e amado filho, como sabes eu sempre fui um viciado em trabalho, um workoolic, como se diz agora. Trabalhei tanto, tanto, que penso que só pelas minhas ausências notavas. Mal gozei a vida. Os meus, poucos, amigos reclamaram sempre deste meu “alcoolismo” pelo trabalho.
Como sabes, os meus (nossos) colegas comerciantes nunca me "gramaram". Falaram sempre mal de mim, “espetando-me facas nas costas”. Pudera, enquanto eu trabalhava todos os dias, incluindo os sábados, e até aos domingos nas grandes superfícies, eles queriam era “forrobodó”. Como sabes bem, aos três minutos para as 19 horas estão todos a encerrar as portas. Se preciso for, até põem os clientes na rua. Ao sábado é a pouca vergonha que tu sabes, meu rico filho: em vez de trabalharem todo o dia, não senhor!, fecham todos a porta e vão a correr para o “quintalito” semear uns feijões. Depois queixam-se das dificuldades. Uns pobres diabos, estes comerciantes do centro histórico. Mas que se há-de fazer? Vieram ao mundo para cantar o fadinho desgraçadinho. Mas eu tenho muita pena desta gente –não te admires, prefiro assim que o contrário.
Sabes, estou já “entradote” na idade, não sei se é por isso ou não, mas a verdade é que me sinto frágil. Sinto que, para além de dar emprego a muita gente e criar riqueza, nunca dei nada à sociedade. Então, hoje, nesta data, ordeno-te que cumpras integralmente a minha vontade no que te vou ordenar. Quero que, quando encontrares esta folha de papel selado -que não sei quando será-, disponibilizes gratuitamente, durante 50 anos, o prédio do Turíbio de Matos, de nossa propriedade, na Praça do Comércio, para ser transformado na futura “Casa do Comerciante”.
“Tenho dito”
(Assinatura bem legível)

Agora, imagine, se você fosse o Romeu (filho) o que faria? Pois é, seu safado –eu vi logo!- calava-se, não era? Pois, mas acontece que o primogénito Romeu não é como você. Vai daí, foi ter com o Armindo Gaspar, presidente da APBC, Agência de Promoção para a Baixa de Coimbra, e prontificou-se a cumprir integralmente a última vontade do pai.
O Armindo, meu amigo e bom rapaz, do seu metro e sessenta, parece ter crescido para um metro e noventa, completamente fora de si, cheio de contentamento, tratou logo de me ligar a dar a boa-nova. Mal sabia ele que eu já sabia. Mas também não me desmanchei. “Ó pá, já viste isto? Isto é uma bomba, diz-me o Gaspar com a voz meia “entramelada” pela ansiedade. Já que a Câmara Municipal não obrigou os donos do “Fórum Coimbra” a cumprir o acordo de construir a “Casa do Comerciante”, vou fazê-lo eu. Mas, faz-me uma coisa, não dês com a língua nos dentes, como é costume, que só amanhã vou convocar uma conferência de imprensa”, segreda-me o Armindo Gaspar.
Sinceramente, pensei, repensei, tornei a pensar, revirei a cabeça e disse cá para mim: não! Os meus leitores do blogue não merecem que eu guarde esta notícia só para mim. E, pimba! Cá está.
Isto é uma bomba, não é? Pois é!

OS (NOVOS) RUÍDOS (INVASORES) DA BAIXA


(O LUIS MIGUEL, MAIS CONHECIDO PELO "ASPIRANTE")



(O GERALDO, "O TENOR")


 Hoje, de manhã, o Geraldo -um daqueles personagens típicos que povoam as cidades e que já falei aqui no blogue, é um “homenzarrão” de voz potentíssima, que anda por aqui, de tempos a tempos-, com a sua voz de tenor, “abanava” os inertes prédios e a passividade melancólica da zona histórica. Este homem, segundo a minha classificação, é uma criança crescida. Não faz mal a ninguém. Quer é um pouco de atenção. Se lhe damos um pouco de carinho, segue-nos para qualquer lado.
Como sempre, hoje, chegou ao pé de mim e, com a sua voz rouca, à Al Pacino, roga: “não me dás uma moeda? É que tenho de comprar um acordeão”.
Então, mas sabes tocar?, interrogo. “Claro que sei, até toquei num rancho de Condeixa”. Fiquei na dúvida. No entanto, uma coisa se salienta, este homem –com um aparente “atraso”- tem “bom ouvido” para a música. Para além de tocar bem harmónica, nota-se, que sabe colocar bem a voz a cantar.
Depois de lhe pagar uma bebida lá foi ele a tocar pandeireta, intervalado com a flauta “de beiços” e a cantar.
Numa rua próxima, ouve-se um grito, meio rouco e fantasmagórico, do “aspirante” –assim chamado porque, segundo parece, foi aspirante na tropa e teve um acidente que o incapacitou mentalmente-, o Luís Miguel, um rapaz com cerca de 30 anos, com vários “percings” nas orelhas, que quando “anda bom” não faz mal a ninguém. Chega ao pé nós, fazendo uns trejeitos de menino, alinhado numa voz embevecida, solicita: “ mi dá “xinquenta!”, mi dás? Tu és Deus…tu és tio-avô”. Se nós dizemos que não temos, empertiga-se, engelha o rosto, toma um ar de duro, aponta o indicador, e interroga: “mi dás “manhã”?...tês ó quato?” Volta a insistir, “tês ó quato?”. Se respondemos uma delas, três ou quatro, lá vai ele, de passo trôpego, como se fugisse de alguém, tentando ir “cravar” outro.
Quando está embriagado, grita, -como hoje faz- como se estivesse frustrado, com uma voz cavernosa e prolongada. Quem não o conhecer, chega a assustar. Muitas vezes, chega a ser violento. Já tem partido alguns vidros.