Num
texto recentemente escrito na sua página do Facebook, que apanhei
nas Redes Sociais, Carlos Pimenta, deputado eleito na Assembleia
Municipal pelo Movimento Independente Mais e Melhor (MIMM), disserta
sobre o facto do concelho de Mealhada, de entre os 19 que compõem a
CIM, Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, ser o único
que, na sua oferta turística e de lazer, não oferece uma praia
fluvial.
Escreve
o eleito pelo MIMM,
“Num estudo por mim efetuado conclui-se que o município da
Mealhada é atualmente o único dos 19 municípios que não se
encontra dotado de uma praia fluvial.
Uma
lacuna que tem que rapidamente ser colmatada, com o esforço de todos
nós.
Nas
mãos dos decisores do nosso município estarão certamente
alternativas muito válidas a implementadar nas localidades de Barro,
Várzeas, parque do lago (Luso), parque do Lograssol (Vacariça) e
Ferraria (Barcouço).
UMA TERRA ABENÇOADA POR
DEUS
Com
leves dissonâncias de forma e pormenor, não posso deixar de estar
mais de acordo com Pimenta. Num vale paradísico que constitui o sopé
da Serra do Bussaco, onde a água brota sem necessitar de escavar a
grande profundidade e se esvai nos confins da terra negra,
perdendo-se muitas vezes sem grande aproveitamento, não faz sentido
a deslocação dos munícipes para outros concelhos vizinhos em busca
de um leito convidativo a um mergulho neste tempo de canícula.
Já em 8 de Junho de 2021, com
o título “O que faz falta para animar a malta”, a
escassos três meses das eleições autárquicas, defendi a
construção de uma praia artificial no concelho.
Por outro lado, recentemente,
uma comitiva do PCP, encabeçada por Óscar Carvalho, ex-candidato à
Assembleia de Freguesia de Luso, fez-se acompanhar de António Jorge
Franco, presidente da autarquia mealhadense, para a sensibilização
da valorização dos recursos naturais em Barrô.
Tanto quanto julgo saber, por
parte da ACIM, a breve prazo vai haver apoios para desenvolver
iniciativas de desenvolvimento local em torno dos recursos hídricos.
Por outro lado, salienta-se, o
MIMM, no seu programa eleitoral para o município, já preconizava no
item “Urbanismo e Espaços Verdes” o seguinte: “Criar
Programa de requalificação do Rio Cértoma e seus afluentes, assim
como as restantes linhas de água, com a criação de trilhos ao
longo das mesmas e a construção de açudes que permitam a retenção
de águas para fins turísticos e actividades de lazer.”
EU PARCIAL ME CONFESSO
Se
buscasse somente o interesse egoísta, em concorrência com os
lugares de Várzeas, Vacariça e Barcouço, facilmente escreveria que
Barrô, a minha aldeia, é a mais indicada para concentrar todo o
patrocínio que há-de vir. Acontece que não penso assim.
Ora, se for tudo bem planeado
a nível financeiro, tendo em conta os pressupostos da utilidade da
água e menos o arranjo urbanístico em redor, eventualmente, poderá
contentar-se os quatro lugares com pequenos melhoramentos nas
ribeiras que atravessam as suas terras. Ou seja, em vez de apostar
tudo num projecto numa das aldeias, requalificavam-se os leitos para
a valência de mergulhos mas, acima de tudo, tendo por objectivo
criar maior capacidade de armazenamento de água para regadio.
Estou à vontade para falar da
Ribeira que banha a aldeia de Barrô. Como a represa não foi
devidamente limpa e desassoreada nos últimos dois anos,
alegadamente, alguns agricultores, agora com a seca em andamento,
estão com dificuldades em irrigar as suas culturas.
Então, para apanhar vários
coelhos de uma só cajadada, bastava intervir a montante, na represa,
e, logo a seguir, a jusante, no leito do rio, criar condições para
reter as perdas e que, quando a primeira pequena comporta estivesse
vazia, as águas regressariam ao ponto inicial. Por outro lado, os
dois depósitos de água, para além de servirem para apagar um
incêndio, por exemplo, podem responder activamente para uns
mergulhos da população e de visitantes. Sem necessidade de recorrer
a compras de terreno externas, junto ao lavadouro existe um triângulo
do domínio público que, bem limpo e relvado, contenta perfeitamente
os mais interessados.
E OS RECURSOS MAIORES VÃO
PARA…?
Somos
um concelho relativamente pequeno, de pouco mais de vinte mil
habitantes. Logo, não faz muito sentido rivalizar os lugares com
pequenos projectos que, pela sua pequenez, só em teoria beneficiará
toda a área envolvente.
Devemos pensar globalmente e
menos centralizado no nosso umbigo. Estamos demasiado perto uns dos
outros para se pensar que a minha galinha é melhor que a tua.
Interessa é engrandecer a região com ideias que beneficiem todos.
E a complementar, aceitemos
pacificamente que o concelho tem três vértices de exponencial
crescimento turístico: Luso, Pampilhosa e Mealhada.
Por conseguinte, sou
apologista e defendo que numa destas localidades, consoante a que
oferecer menor custo e maior benefício, se construa uma praia
fluvial/artificial ao género de Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande. Se querem mesmo
deixar história, faça-se uma obra que marque o presente e sirva
para o futuro.
Vale a pena pensar nisto?