sábado, 9 de março de 2019

FALECEU VÍTOR CAMPOS, UM ÍCONE DA CIDADE

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(Foto do Diário de Coimbra)





Segundo o Diário de Coimbra de hoje, “Partiu Vítor campos um dos maiores símbolos da Académica”. Continuando a citar o jornal, “A Associação Académica de Coimbra viu ontem partir um dos maiores símbolos da sua história. Vítor José Domingos Campos faleceu, aos 74 anos (faria 75 na segunda-feira), vítima de doença.”
Tive a honra de conhecer pessoalmente o craque em finais de 1960 e princípio de 1970. Quis o destino que há cerca de seis anos, quando o agora finado foi acometido de um AVC, Acidente Vascular Cerebral, convivesse de perto com os irmãos Campos. Vítor era médico anestesiologista. Mas, acima de tudo, o que mais recordo dele era o seu trato simples, a sua humildade na forma de estar disponível para quem o contactava. Um exemplo cívico para muitos dos “cagões” de Coimbra que, por tudo e por nada, se colocam em bicos de pés numa importância balofa e paradigmática assentes num mérito que nunca tiveram nem jamais terão.
À família enlutada, em meu nome pessoal, em nome da Baixa, em nome da cidade, em nome de Portugal, os nossos sentidos pêsames. Até qualquer dia Vítor Campos.

quinta-feira, 7 de março de 2019

OS “MIÚDOS” DA ESCOLA DE SÃO BARTOLOMEU HOMENAGEARAM “A NOSSA PROFESSORA PRIMÁRIA”





Num ambiente de grande emoção, alegria e saudade, os alunos da Escola de São Bartolomeu do ano de 1984-1989 homenagearam a sua professora primária Natália Santos, agora com 75 anos.
Com encontro marcado para as 12h00 deste último Domingo na escola básica junto à Estação Nova, a emérita mestra, levada ao engano, sem adivinhar o planeado, foi completamente surpreendida pelo grupo de cerca de dezena e meia de convivas constituídos pelos filhos de gente humilde e outros mais abastados herdeiros do tecido empresarial da baixa comercial. Com o cumprimento efusivo “há quanto tempo, amigo(a)!”, os abraços e os beijinhos perpassaram por entre aquela congregação como água cristalina que atravessa a montanha e se materializa na fonte comunitária.
Depositando nas mãos da consagrada um cartão acompanhado com um ramo de flores, foi lido um texto laudatório da autoria de Ema Alho. Na assistência assim como na agraciada, uma lágrima furtiva rolou sem pedir licença e transformou o momento em relâmpago espiritual marcante e a religar como ponte existencial entre o passado e a posteridade. Sem conseguir disfarçar a comoção, declamou Ema:

Felizes, assim nos definimos hoje! É com imensa alegria
que, 30 anos depois, vimos ao encontro de alguém tão
especial: a nossa professora primária! Sim, com essa mesma
nomenclatura pois se tudo mudou no ensino, não mudou
aquilo que vivemos com ela. São marcas indeléveis que resultam
desse convívio... Não foram só letras e números. Foram valores
que nos foram transmitidos, foi o saber estar, foi a sede de
aprender. Se hoje somos adultos funcionais muito devemos a si,
aos laços que nos ensinou a criar, à autonomia que nos incutiu,
ao senso de justiça, ao amor, à amizade. Tudo isto só nos podia
ser transmitido por alguém tão especial que hoje fazemos
questão de homenagear: a nossa professora Natália! A si dirigimos
um enorme Obrigado! E acredite, apesar de muitos não poderem
estar presentes, foi com imensa alegria que nos fomos
"encontrando" aos poucos, que revivemos memórias e
percebemos que, passados tantos anos, por si e graças a si,
somos uma família: a sua turma de 1984 a 1988!
Hoje somos outra vez os meninos de sorriso leve!!! Obrigado!”

Com um grandioso convívio e um brinde a um futuro encontro com os restantes colegas, a festa de tributo a quem nunca se esqueceu e permanecerá para sempre na memória, prosseguiu com um suculento almoço no restaurante Aeminium. Trazendo à colação histórias do tempo de meninos, relembraram-se passagens de outros alunos que, mesmo não estando presentes, se mantêm na lembrança e se cruzaram por entre becos e ruelas da cidade e, sem diferenças de classe, numa igualdade sem contestação, se sentaram lado-a-lado na mesma carteira de madeira. Foi também feito um agradecimento à União de Freguesias de Coimbra pela disponibilidade em abrir as portas da velha escola intemporal.
Elevando os copos bem alto, em uníssono, todos gritaram: “obrigado professora. Até para o ano!”





segunda-feira, 4 de março de 2019

O HUMOR É UMA ARMA (POR HENRIQUE MONTEIRO)

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BAIXA: OS INDIGENTES NA BUSCA DE UM PIEDOSO DESCANSO







Após falecimento nos HUC, foi hoje a enterrar Umbelina Maria de Almeida Mano, de 59 anos. Reconhecida simplesmente pelo diminutivo “Lina”, desde criança e até há cerca de uma década que a sua curta vida foi percorrida nos arredores do Largo da Sé Velha. Desde a meninice a morar na Rua do Norte, na Alta, foi de lá que contraiu matrimónio e nasceram os seus filhos.
Nos tortuosos caminhos de escolha mútua pessoal, quis o destino que a sua vida descambasse e viesse a acabar nas catacumbas da miséria humana. Nos últimos anos companheira do infortúnio de tantos outros indigentes que povoam a Baixa da cidade, foi calcorreante diária destas ruas empedradas.
Se todos temos uma história, por uma questão de igualdade, no derradeiro acto de despedida, independentemente do seu estatuto, todos deveríamos ser sujeitos de merecer um social elogio fúnebre. Afinal, seja qual for o papel cénico, todos somos actores desta peça teatral a que todos chamamos vida.
Não foi o caso da “Lina”, que teve toda a sua família na hora das exéquias de despedida, mas na maioria destes casos estas pessoas, para além de morrerem sozinhas, sem familiares à cabeceira, são enterradas em campa rasa.
Nesta hora de sofrimento para a família, em minha representação e em nome de todos os mais carecentes economicamente da Baixa, se posso escrever assim, os nossos sentidos pêsames. Descansa em paz “Lina”, e até qualquer dia!

sábado, 2 de março de 2019

sexta-feira, 1 de março de 2019

AI COSTA, COSTA! ÉS LIXADO, PÁ!






Consta-se cá no Beco da Paroleira que o anúncio da lista de candidatos socialistas ao Parlamento Europeu trouxe uma azia danada a duas pessoas no edifício camarário da Praça 8 de Maio, nomeadamente o presidente da edilidade, Manuel Machado, e o vice-presidente, Carlos Cidade.
O primeiro, Machado, que já tinha as malas prontas para rumar até Estrasburgo, Bruxelas e Luxemburgo, e o segundo, Carlos Cidade, que já esfregava as mãos de contentamento para ocupar o cadeirão de pau-santo do executivo, viram os seus planos completamente furados.
Adivinha-se que o primeiro-ministro António Costa não terá esquecido que Machado foi apoiante de António Seguro, o anterior secretário-geral do PS e destituído em congresso por Costa.
Dizem os politólogos cá da terra - em off porque não há coragem para confrontarem os visados na cara - que nunca se viu uma coisa assim. Continuando a citar os especialistas, como efeitos secundários, era de supor uma melancolia manifestada num abatimento notório, mas nunca seria de prever que ganhassem uma frustração azeda e ressabiada e a descarregassem no cidadão comum. Ao que parece, o bloqueio a um munícipe na recente reunião de câmara por parte de Machado e apoio teatral de Cidade foi a revelação sumária de que as duas estrelas cintilantes do universo regional não estão nada bem. Pela apatia demonstrada na falta de reacção, tudo indica também que até a oposição no hemiciclo foi apanhada de surpresa.
Neste momento extremamente difícil para todos, presidente, vice-presidente e oposição no executivo, sejamos solidários com quem tanto precisa de nós. Ofereçamos o nosso ombro para que possam chorar.

(P.S. - Com a maior discrição, sem que alguém perceba e no maior segredo, um agradecimento para António Costa)




CÂMARA MUNICIPAL DE PEDRÓGÃO: A VERGONHA NACIONAL

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Quem viu ontem a reportagem da equipa de Ana Leal, na TVI, provavelmente e mais uma vez, ficou com as entranhas a revolverem-se de indignação. O que assistimos parecia uma realidade a acontecer num qualquer país do terceiro-mundo. Pelo que vimos, até a reputada Cruz Vermelha Portuguesa, em que o presidente é nomeado pelo primeiro-ministro, é cúmplice na segunda tragédia de Pedrógão Grande. Deixar prolongar esta situação vergonhosa, que mancha o interior e achincalha Portugal, é convidar os portugueses a nunca mais terem confiança nos autarcas. (pode incluir-se aqui também o compadrio ao genro de Jerónimo de Sousa na Câmara Municipal de Loures)
Parabéns à TVI, parabéns à equipa de excelentes jornalistas de investigação da estação de Queluz. Estes trabalhos televisivos mostram que sobretudo o mundo da corrupção não é intocável e que, apesar das autoridades parecerem dormir sobre os ilícitos criminais e políticos, os portugueses podem manter a esperança no futuro do país.