domingo, 10 de setembro de 2023

MEALHADA: RESTAURAÇÃO A CONTA-GOTAS

 




Começo com uma declaração de interesses: já trabalhei na restauração, por conta-própria, cerca de uma dúzia de anos. E ressalvo esta passagem da minha vida para mostrar que, uma vez que desapareceu o serviço militar obrigatório, para qualquer cidadão deveria ser necessário prestar serviço cívico, no mínimo, seis meses a servir pessoas num café ou restaurante. Tal como a tropa, é uma experiência formativa existencial única para, por um lado, ajudar a compreender os comportamentos alheios, por outro, para conter os nossos próprios ímpetos de reclamar por tudo e nada.

Eu e a minha mulher, como já somos idosos (com mais de sessenta e cinco anos), e apesar de auferirmos reformas miseráveis por quase meio-século a trabalhar no duro, conseguimos juntar um pequeno pecúlio que, apesar de alguma capital contenção nos gastos, nos permite, por exemplo, a conseguir almoçar fora todos os Domingos em restaurantes com preços médios, na Mealhada.

Depois desta explicação que de modo nenhum pretende a vaidade ou ostentação, não resisto a contar o que nos aconteceu hoje. Como muitas vezes fazemos, fomos ao “self-service” de uma média-superfície. Com uma cozinha de excelência e uma ementa variada, por cerca de quinze euros cada um, habitualmente, comemos muito bem. Pela grande afluência de vários estratos sociais, baptizei esta catedral pantagruélica de “cozinha económica dos remediados”.

Fomos lá hoje para degustar o bacalhau no forno. Com o palato a dançar de contente, este prato, assim como outros, é qualquer coisa de excepcional.

Chegámos por volta das 12h45. Ou seja, mesmo a abrir o período para almoço. Na nossa frente, em fila, várias pessoas esperavam provar o célebre bacalhau, ou o leitão, que é também uma delícia. Debalde, já não havia nem uma nem outra iguaria. Tal como outras pessoas, viemos embora. Ainda ouvimos um comentário disperso de um desistente: “então, estamos na terra do leitão, e vocês deixam acabar?

Pode esgotar? Lá poder pode, mas, logo no início do repasto, não deve.

Onde é que vamos? E não vamos? Vamos ao habitual, no Luso? Não, vamos experimentar uma coisa nova, sugeri à minha consorte.

Lembrei-me de que, há poucos dias (re)abriu um pequeno restaurante panorâmico com uma vista de tirar o chapéu nas poéticas tardes outonais. Encerrado há vários anos, outrora, com uma outra gerência, tinha uma boa cozinha, gostosa e aprazível.

Entrámos e concluímos que o ambiente interior e a paisagem que se avista continuam na maior e a ser um cartão de visita.

Na sala de jantar, umas quatro mesas estavam ocupadas com pessoas a dar ao dente e em redor umas seis esperavam ser ocupadas. Sentámo-nos e esperámos a nossa vez. Veio o servidor e interrogou sobre o que desejávamos. Respondemos em coro: é para almoçar. Quase em recarga, o mestre-de-sala interrogou: “têm reserva? É que nós só trabalhamos com reservas”, enfatizou.

E concluiu: “para sair só temos hamburger, e umas entradas”.

Já há uns tempos nos tinha acontecido algo parecido com outro restaurante da zona. Quase diariamente bombardeados com publicidade no Facebook, fomos experimentar. Passámos a porta de entrada e conchegámo-nos com os joelhos dobrados debaixo da mesa e aguardámos pelo atendimento. Veio o dono e perguntou: “é para almoçar? Já só temos dobrada. Mais nada”.

Sem pretender meter uma foice em seara alheira, era bom que estes empresários pensassem que a sua falta de aprovisionamento pode levar à destruição de um estabelecimento. Posso falar por mim, não haverá repetição.

Tal como muitos Domingos, em continuação, fomos almoçar ao restaurante “Lourenços”, no Luso. Com a reiterada simpatia do pessoal, perante duas saborosas e magníficas postas de vitela à casa, que já conhecemos muito bem, e um bolo de bolacha de comer e chorar por mais, umas maravilhas que recomendamos.

Pagámos cerca de 40 euros, a meu ver, um preço módico pela qualidade.

E saímos abençoando o final de Verão e ovacionando a vida.


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

MEALHADA: O QUE TORNA A “MOÇOILA” TÃO DESEJADA?

 



Durante várias décadas conviveu em concubinato, num descarado “ménage à trois”, entre um velhote alemão chamado Lidl, com cerca de noventa anos, e um rapazola nascido em França no ano de 1969 que dá pelo nome de Intermarché.

Diziam as más-línguas que aceitava esta relação dual e inter-pares por, por um lado, lhe trazer segurança financeira, por outro, carinhos fogosos embrulhados em maneirismo educado e formal. Eram dois em um que se completavam na forma e na substância.

Como amante, “Herr” Lidl nem lhe dava grande trabalho na técnica de acompanhamento. Pela respeitosa existência, na idade da contemplação e da submissão ao devir, apenas queria ver as suas formas voluptuosas ao milímetro e ser ouvido a contar histórias do seu tempo de menino, e nada mais. Já com “monsieur” Intermarché, também conhecido por “Três Mosqueteiros” pelo seu desbragado apetite sexual, como amancebado, levava-a a ver as estrelas num Céu onde o Universo era o limite. Havia gente que proclamava o ano de 1969 como determinante na sua libido sem freio.

Dizem os coscuvilheiros maledicentes, venenosos e invejosos, que a situação pecaminosa só se prolongou no tempo sem grande escândalo devido à grande proteção do edil senhor Rui Marqueiro, durante décadas, a acumular os cargos de Pretor, Censor, Questor e Edil.

Já as boas línguas, aquelas que dão felicidade onde tocam, afirmavam à boca-cheia que o também conhecido como “Conde de Antes”, com o seu aconchego de longo abraço paternal, queria proteger a menina na sua menoridade e evitar a sua violação colectiva e orgiática.

Fosse isto verdade ou mentira, a verdade dos factos é que há cerca de dois anos Marqueiro foi forçado pelo povo a largar a cadeira presidencial e passar o assento para o actual administrador do concelho, senhor António Jorge Franco, mais conhecido por “engenheiro de pontes”, por ser o contemporizador da bandeira branca entre o movimento e a inacção.

Mas há outro detalhe que não é de somenos: a “rapariga” fez 18 anos em 26 de Agosto de 2021. Ou seja, não é pela prerrogativa do novo administrador do burgo ser liberal que os “convites” para namoro e futuro casamento evitam ou dobram os recados por mensagem, postal, email numa roda viva sem parar. É que a “menina” era já de maior idade e, diz-se, o novo gestor do reino nada pode fazer para evitar a sua entrada no novo mundo de perdição.

E quem poderia cortar o desejo de tocar as nuvens de uma “mulher” bela, de maçãs rosadas num rosto angelical, libidinosa e de formas modeladas pelas mãos de um artista da terracota?

Neste 26 de Agosto, último, a jovem cidade fez 20 anos. Sem grandes festejos a dar no olho, a “debutante” que já foi passou a ser cortejada por todos.

Todos a querem possuir. Chovem cartas dos quatros cantos do mundo, de cá e de lá. Há menos de um ano, sem pinta de agradecimento pelos tempos idos de felicidade, largando o amor recebido pelo Lidl e o Intermarché, anda agora embrulhada entre lençóis e aos beijinhos a um “casanova” que dá pelo nome de Pingo Doce.

Um novo apaixonado alemão, “Herr” Aldi, centenário mas ainda para as curvas, está a construir uma enorme mansão junto ao CineTeatro Messias para lhe cair nos braços e nas boas graças do amor.

Ao que parece, um novo candidato vai apresentar-se a sortes e rivalizar com o alemão. De seu nome Continente - Bom Dia anda obcecado para meter as mãos em curvas proibidas e dunas erectas de fazer babar um mastim.

Outro que vai entrar de mansinho, mas com força reivindicativa, na alcova da desejada é o “Mister” Burger King.

O que tornará a cidade da Mealhada tão cobiçada?


MEALHADA: BURGER KING VAI ABRIR NA ZONA E PROCURA COLABORADOR

 

(imagem da Dinheiro Vivo)



Conforme informação da gerência recebida por e-mail, o restaurante Burger King, famoso pela venda de hamburgeres, frango e outros, “na grelha desde 1954”, como reza a publicidade na Internet, vai abrir uma nova unidade na zona da Mealhada.

Segundo o “press release”, comunicação para chamar a atenção para um facto informativo digno de registo, a empresa quer contratar um Gestor de Turno, com contrato inicial a termo certo e possibilidade de estabilizar, para a nova loja.

Se tens habilitações ao nível do 12º ano, forte sentido de organização e outras qualidades que te farão subir na marca, candidata-te.

Informações aqui (clique em cima)


CURIOSIDADES


Burger King, muitas vezes abreviado como BK, é uma rede de restaurantes especializada em fast-food, fundada nos Estados Unidos por James McLamore e David Edgerton, que abriram a primeira unidade em Miami, Flórida.

A empresa começou em 1953 com o nome Insta-Burger King, uma cadeia de restaurantes com sede em Jacksonville. Depois do Insta-Burger King entrar em dificuldades financeiras em 1954, seus dois franqueados localizados em Miami, David Edgerton e James McLamore, compram a empresa e rebatizam-na Burger King.” – retirado da Wikipédia.

Em Agosto de 2022 foi noticiado na imprensa mundial que a Restaurant Brands Iberia (RBI) anunciou a aquisição dos 158 restaurantes Burguer King - 121 em Portugal e 37 em Espanha. Ao todo a empresa vai pagar à Ibersol, a anterior proprietária dos restaurantes de fast-food, 260 milhões de euros e garante, ainda, a integração dos cerca de quatro mil funcionários da cadeia Burguer King, afirma a RBI em comunicado.”, extraído Dinheiro Vivo.


terça-feira, 29 de agosto de 2023

A QUASE REUNIÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE MEALHADA (QUE NÃO ACONTECEU)

 



SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO


A última reunião da Câmara Municipal de Mealhada, que deveria ter acontecido ontem, dia 28, pelas 9h00, não chegou a realizar-se por invocação de ilegalidade e abandono da sala por parte de Rui Marqueiro, vereador eleito pelo Partido Socialista no actual mandato e presidente da autarquia entre 2013 e Setembro de 2021, e seguindo-se os colegas de bancada.


ALEGAÇÕES:


Por parte de Rui Marqueiro, antes de abandonar a reunião no Salão Nobre da Câmara Municipal, foi dito que a convocatória, necessária e obrigatória, estava ferida de ilegalidade por o vereador João Morais Calhoa, da bancada socialista, não ter sido citado dentro do prazo legal para o efeito (3 dias).

Afirmou ainda Marqueiro que, se a sessão se realizasse, qualquer munícipe poderia arguir a sua nulidade.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal, António Jorge Franco, começou por pedir desculpa a José Calhoa por não ter sido chamado dentro do prazo a estar presente. Ratificou que, de facto, houve um lapso dos serviços administrativos. O que aconteceu, esclareceu, foi que a convocatória foi dirigida ao vereador Luís Tobim – que estivera presente na última reunião em regime de substituição – quando deveria ter sido enviada ao vereador José Calhoa.

Quando os serviços, pela voz da jurista camarária Dr.ª Cristina, deram pelo erro era já Sexta-feira à tarde (prazo curto de apenas dois dias para cumprimento da legalidade). Logo, foi contactado via telefone o eleito Calhoa a pedir desculpa pela troca de endereços e, alegadamente, este, brincando com a situação, não deu muita importância ao detalhe, enfatizou a Dr.ª Cristina em plena sessão camarária e transmitida via “streaming”.

Aparentemente, dando o dito por não dito, Calhoa abandonou a sessão. Sónia Leite, também eleita pelo PS, seguiria o procedimento e, um e outro, disseram que o faziam em solidariedade com Rui Marqueiro.


ALEGAÇÕES PARTIDÁRIAS


Também no comunicado publicado, ontem, pelo Partido Socialista no Facebook pode ler-se o seguinte:


(…)...

2 - O Vereador José Calhoa enviou um e-mail para o Gabinete da Presidência informando não ter recebido a convocatória dentro do espaço de tempo que a lei determina.

3 - Face a essa tomada de conhecimento, o Senhor Presidente da Câmara Municipal da Mealhada decidiu manter a reunião na data e hora prevista inicialmente, estando esta ferida de irregularidade na convocatória, pelo que:

Qualquer cidadão, face à ilegalidade da convocatória, facilmente impugnaria a reunião ou até mesmo uma qualquer decisão que viesse a ser tomada.

(…)…”


Na página do Movimento Independente Mais e Melhor na Internet, no Facebook, pode ler-se o seguinte:


(…) …

Houve uma falha no envio de um email, o vereador José Calhoa foi contactado e em momento algum pôs em causa a realização da reunião, mostrando a sua compreensão, mas eis que surge Rui Marqueiro, indignado, em defesa da “vítima” que nunca o foi, “rasga as vestes” e abandona a reunião. Este foi seguido, em solidariedade, pela vítima e pela vereadora Sónia Leite que também precisava preparar a reunião de hoje com os colegas!

(…)…”


ALEGAÇÕES INSTITUCIONAIS CAMARÁRIA


Na página institucional do município mealhadense, no Facebook, pode consultar-se o seguinte extracto:


(…)...


PS abandona reunião da Câmara "por birra política"

Os vereadores socialistas abandonaram, esta manhã, a reunião da Câmara da Mealhada, alegando que a convocatória da mesma foi irregular, na medida em que não foi enviada a um dos seus vereadores, em devido tempo. O presidente da Câmara, António Jorge Franco, lamentou "falta de respeito para com o órgão, os serviços e a população", uma vez que a situação foi corrigida e o vereador contactado, não tendo manifestado qualquer prejuízo em relação à situação.

(…)…”


Salvo melhor opinião, este comunicado oficial exarado na página da autarquia, no Facebook, por estar carregado, eivado, de negatividade e teor partidário, a meu ver, deveria ser reformulado. Na forma como está escrito, não fica bem.


MAS, AFINAL, QUEM TEM RAZÃO?


Antes de responder directamente à questão,como é óbvio, vamos ver o que diz a Lei respeitante, a 75/2013, de 12 de Setembro, nomeadamente no seu artigo 51º:



Artigo 51.º
Convocação ilegal de sessões ou reuniões

A ilegalidade resultante da inobservância das disposições sobre convocação de sessões ou reuniões só se considera sanada quando todos os membros do órgão compareçam e não suscitem oposição à sua realização.”


Ou seja, quer o presidente da Câmara, António Jorge Franco, quer o vereador Rui Marqueiro, ambos, têm razão.


Por outras palavras:


A reunião poderia ter prosseguido desde que “todos os membros do órgão compareçam e não suscitem oposição à sua realização.”

Mas não se verificou a concordância/aceitação por parte de Rui Marqueiro em deixar prosseguir a Reunião invocando a sua ilegalidade. Salienta-se que este eleito estava no seu direito em suscitar a sua não concordância.

Mas, sublinha-se, a Reunião poderia ter prosseguido sem qualquer possibilidade de vir a ser anulada se, porventura, quer Marqueiro, quer João Calhoa, quer Sónia Leite estivessem de acordo em prosseguir.

Assim não aconteceu. E a cada um o que é seu.

Ponto final e parágrafo.


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

A REUNIÃO DA CM DE MEALHADA QUE NÃO CHEGOU A SER: O CASO DO DIA

 




Estava o Marcelo pendurado na parede (salvo seja, como quem diz, em foto institucional) do Salão nobre da Câmara Municipal de Mealhada, com olheiras profundas, olhos semi-cerrados, sem conseguir disfarçar o ar de enfado, certamente a acusar os enormes esforços e canseiras que passou a percorrer as trincheiras da Ucrânia e a aprender a ler e a falar ucraniano em cinco dias, quando o maestro do grupo Coral Sinfónico Mealhadense, António Jorge Franco, levantando a batuta, e dando princípio ao ensaio, proclamou ao coro misto: “Bom dia a todos. Vamos dar início à Reunião da Câmara. Não sei se alguém quer tomar a palavra (…)”.

E Rui Marqueiro, no lugar de “baixo”, com uma voz mais grave, que antecedeu o actual regente na condução da música de câmara, pediu a palavra e disse ter tomado conhecimento de que havia uma irregularidade na convocação do ensaio. Ou seja, um dos seus colegas músicos, no caso, o “tenor” José Calhoa, que, sem precisar, se fizesse jus ao talento recebido à nascença, não recorria com frequência ao uso da técnica de “falsete”, não fora notificado dentro do prazo legal. Por conseguinte, retorquiu o “baixo” Marqueiro que, por esse facto, não continuaria no ensaiamento.

O chefe da banda, António Franco, que por vezes intermedeia entre o “tenor” e o “baixo” com a voz de “barítono” e é o compositor de todas as obras apresentadas à comunidade, pedindo desculpas, enfatizou que se, porventura, alguém se sentisse prejudicado seria o “tenor” José Calhoa, que, recebendo as pautas apenas na última Sexta-feira, não se queixou – e até brincou com a situação, segundo aflorou a senhora jurista Cristina, que assessora o grupo coral.

Quando se pensava que, apesar do abandono da sala do “baixo” Marqueiro, os trabalhos musicais iriam continuar, eis que o “falsete” Calhoa diz que, apesar de dar o dito por não dito, em solidariedade com o camarada também abandonava o teatro e não cantava nem piava.

Como um fogo de ignição causado por gasolina, também a “mezzo soprano” Sónia Leite, que é a voz intermediária entre o “soprano” e o “contralto”, e que na maioria das vezes faz “playback” nas actuações, abandonou o palco em respaldo com os demais.

Com os lugares vazios dos coralistas, mesmo assim com quorum para a orquestra continuar, pediu a palavra Hugo Silva, “baixo”, com tipo de voz grave, bem posicionada e sempre bem afinada, elaborou uma resenha histórica dos falhanços idênticos do último mandato do ex-regente Marqueiro.

Pediu atenção a “soprano”, que é a voz mais aguda e de longo alcance, Filomena Pinheiro. Aludiu a vice que a atitude de largar o lugar institucional “era uma birra, um número”. Pior do que isso era a falta de respeito para um lapso dos serviços; uma falta de respeito para com os técnicos desta Câmara, que, em equipa, durante tantos anos trabalharam.

E desabafou o “baixo” Ricardo Santos. Afirmando que “isto era brincar com quem trabalha”, isto não se fazia.

E estava realizada provavelmente a mais curta reunião camarária que não chegou a ser de sempre. Durou pouco mais de vinte minutos.


E MARCELO PARECEU TAPAR OS OLHOS


Mesmo a terminar a mini-sessão, pareceu-nos ver Marcelo Rebelo de Sousa (em formato institucional pregado na parede como Jesus Cristo) a levar uma das mãos a tapar os olhos.

O que teria acontecido para o mestre de cerimónias em viagens de longo alcance fazer este gesto?

Por termos ficado curiosos e clarificar o procedimento de aparente ocultação, usando os nossos canais pouco credíveis, contactámos e fizemos a seguinte pergunta aos serviços da Presidência da República:


Poderá V. Ex.ª justificar o gesto de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, de tapar os olhos no final da sessão que não aconteceu na Mealhada?


Resposta:


Encarrega-me Sua Ex.ª o Chefe do Estado, Professor, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa de informar que tal movimento de surpresa teve em conta o rápido levantamento da cadeira por parte de Sua Excelência o Regente-mor, Eng.º António Jorge Franco, em direcção à funcionária e, em simbologia, lhe depositou um beijo na nuca.

O Senhor Presidente Professor, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, fazendo analogia com o beijo de Rubiales na boca a uma atleta, e que está a causar um escândalo a nível mundial, temendo o pior, em solilóquio com seus botões, soletrou baixinho: “Ai, Santo Padre Francisco me valha...


terça-feira, 22 de agosto de 2023

EDITORIAL: O VETO DE MARCELO AO PROGRAMA MAIS HABITAÇÃO

 





Salvo a maioria, constituída pela oposição no Parlamento e várias associações ligadas ao arrendamento, que está de acordo com o veto do Presidente da República ao pacote legislativo sobre várias medidas para combater a galopante falta de casas e aumento desmesurado de rendas, embora a minha opinião nada conte, dou de barato que Marcelo Rebelo de Sousa, mais uma vez, esteve mal.

O argumento pelo Chefe de Estado para a devolução do diploma à Assembleia da República, sinteticamente, assenta no facto de “não ter reunido consenso na aprovação no Hemiciclo” – esta legislação foi aprovada com os votos dos deputados do PS, que, como se sabe, detém a maioria.

Estamos todos loucos? Ou trata-se de um delírio declarado do ocupante do Palácio de Belém?

Então os portugueses não sufragaram os socialistas maioritariamente para governar o país durante os quatro anos em curso?

E a invocação de que se trata de um veto político, faz sentido? Faz sim, se entendermos que é uma forma de atrasar o processo legislativo, um “encanar a perna à rã” apenas e só, já que o diploma regressa ao Parlamento e, sendo aprovado novamente por maioria absoluta, o Presidente está obrigado a promulgá-lo. Goste ou não goste. E não tem de gostar, já que não lhe cabendo governar, o seu lugar é de árbitro isento e imparcial.


NÃO FAZER NADA É MELHOR QUE FAZER ALGUMA COISA?


Entre muitas interrogações, podemos questionar: o pacote Mais Habitação é mesmo assim tão mau, tão mau, que não virá resolver nada?

Talvez não seja perfeito, mas, porventura, será um primeiro caminho em busca de uma lei mais aperfeiçoada e de acordo com os entraves que vão surgindo. E são muitos.

Um dos maiores obstáculos será o burocrático licenciamento de obras particulares por parte dos municípios – embora fosse já promulgado um diploma no sentido da simplificação dos procedimentos, espera-se que venha revolucionar o sistema.

Outro, será a continuada discriminação entre velhos senhorios com contratos anteriores a 1990, sujeitos a uma ditadura na imposição de rendas condicionadas, baixíssimas, só comparável ao Estado Novo, e novos senhorios a praticarem valores altamente especulativos e indecorosos.

Outro, não se entende que a lei crie obstáculos à instalação de casas pré-fabricadas em terrenos onde haja recurso a água canalizada, luz eléctrica e saneamento – se isto não é um poderoso lobby para obstaculizar o mercado destas habitações movíveis e proteger a indústria da construção civil, lá que parece, parece.

Outro obstáculo é a continuada inexequível posse administrativa de imóveis abandonados nas cidades, vilas e aldeias. Com medo do fantasma marxista e, sobretudo, receio de perder votos, as câmaras municipais nunca cumpriram nesta parte o Novo Regime de Arrendamento Urbano, de 2006. Daí esta falsa indignação por todos sobre esta medida, agora reforçada, procurando defender a floresta de prédios abandonados, doente e contaminada pelo vírus do desleixo.

Não fazendo nada, tudo indica que iremos todos presenciar a breve prazo medidas draconianas de congelamento de rendas novas.

E os proprietários de Alojamento Local, pela contribuição extraordinária de 15%, estão a ajudar à festa.

Há também um detalhe importante por parte dos Governos de António Costa, a partir de 2015, metodicamente, veio criar, essencialmente nos jovens, a ideia de que ter uma casa é um direito de facto. E não é. Só o será se houver convergência entre o estimular e criar de condições do Estado e vontade e muito sacrifício manifestada pelo requerente do direito. Não há almoços grátis.

A própria Constituição, no seu artigo 65º induz em erro aos menos atentos.


MAS HAVERÁ UMA IDEIA MELHOR?


Será que os cidadãos conhecem o que se anuncia? Estou em crer que não. A maioria segue a reboque os clamores emocionais da oposição, que imbuída de um “bota-abaixismo” endémico e apenas interessada em derrubar o Governo, lamentavelmente, não apresenta soluções melhores, e das associações de proprietários e de inquilinos, que, de forma corporativa e egoísta, estão pouco interessadas em resolver este grande problema no país.


https://www.jn.pt/930535357/conheca-as-principais-medidas-do-pacote-mais-habitacao/  


sábado, 19 de agosto de 2023

EDITORIAL: OS SETE FÔLEGOS DAS GRANDES SUPERFÍCIES COMERCIAIS (2)

 

(imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Em anterior apontamento trouxe à colação o título do semanário “Expresso” da penúltima edição sobre uma alegada transferência das grandes marcas mundiais dos centros comerciais

para a rua das cidades grandes e médias. Invoca o jornal que esta mudança de estratégia é devida ao grande afluxo de turistas que, como formigas, invadem os grandes centros urbanos.

Por especulação, ao ler a notícia, somos levados a pensar que o fim destas grandes catedrais, onde entram todos os fiéis e infiéis por curiosidade e adoração do grande comércio megalómano. Como somos, por princípio, tomados por uma megalomania existencial, sejamos ricos, remediados, pobres, ao vislumbrar tal deslumbramento de riqueza arquitectónica, perante aquele espectáculo visual, todos somos levados a pensar que a obra também é nossa, não no sentido da propriedade propriamente dita mas, sim, intelectual e progressista. É como se com esta visão metafórica o nosso consciente fosse tomado de um alter-ego e nos sentíssemos a cavalgar uma onda de progresso social e a fazer parte de um país desenvolvido e feliz e, enquanto contribuintes de um sistema tributário enviesado, menos pobres e desgraçados. Depressa somos levados a esquecer que, com estratégias de “dumping” de destruição massiva através de preços abaixo de custo, primeiro foram aniquiladas as mercearias, depois os pequenos super-mercados, os cinemas independentes, as livrarias de rua, as lojas de brinquedos. Mas num pensamento apaziguador de contrição, sobretudo se for de meia-idade, relativiza-se com o excesso de oferta da superfície comercial e culpabiliza-se o antigo merceeiro que, fiando, é certo, vendia caro e tinha um lápis de dois bicos. Que importa que muitas aldeias na actualidade não detenham um único estabelecimento comercial para entrelaçar as gentes e torná-las mais socializantes?

E depois deste grande plasmar ao sabor da corrente, vou novamente voltar à notícia do “Expresso”. Por um lado, em especulação, somos levados a inferir que o grande comércio tem os dias contados. Isto é, num eterno retorno, numa justiça divina, ou Natureza de matriz primária, o que foi “roubado”, desviado, da rua, por voltas e mais voltas como boomerang perdido no espaço e que volta a encontrar o caminho, mais tarde ou mais cedo ao mesmo sítio voltará.

Tal como defendi na anterior crónica, embora pareça que assim é, na verdade não é. O que se assiste na actualidade são estratégias comerciais que, em presumidas políticas de terra-queimada, visam a sobrevivência individual, de cada um, durante o mais tempo possível.

E para ilustrar com um exemplo o que acabo de escrever vamos fazer submergir uma realidade. Aqui na Mealhada, onde com duas médias-superfícies a laborar, o “Lidl” e o “Intermarché”, mesmo vivendo em concubinato aparentemente não declarado, foram muito felizes. Mas tudo indica que os bons tempos para ganhar dinheiro já lá vai.

Até agora o “Intermarché”, numa promoção que se entende, tem vindo a oferecer 10 euros em cartão em cada 50 euros de compras. Ou seja, o cliente adquire 50 euros em géneros e são-lhe creditados 10 para descontar passados uns dias no que quiser levar para casa.

Na semana passada, o “Pingo Doce”, inaugurado há cerca de um ano na cidade do leitão, ofereceu em cada 100 euros de compras 20 euros em cartão e 20 euros em combustível.

Ressalvo que não estou armado em moralista, eu também lá fui.

A questão que subjaz, para além de ser muito interessante para os lados do consumidor, é: em cada 100 euros podem ser oferecidos 40 em géneros? Qual a margem de lucro que sustenta tal medida?

Estamos, ou não, perante um ataque destrutivo à concorrência?

Na qualidade de clientes, esta medida deve-nos deixar contentes ou tristes?

Vale a pena pensar nisto?