domingo, 5 de junho de 2022

MEALHADA: FUI À FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA E…




POSITIVO


Encontrei um certame muito bem distribuído com “barraquinhas” atribuídas aos artesãos pelo Jardim Municipal e área circundante. Proporcional à nossa representatividade de cidade de pequena dimensão, não nos envergonha de modo algum.

Está um espaço bem conseguido, arejado e muito agradável para ser percorrido pelo visitante. Os artesãos, com trabalhos muito diversificados, compareceram em massa à chamada da Câmara Municipal – que sejam bem tratados e estimados, por isso, pela autarquia.

Os dois palcos dedicados a espectáculos, um junto ao Tribunal e outro no lado oposto, junto à edilidade, pareceram-me muito bem posicionados. Igualmente, com os artistas a predominar a prata da casa parece-me de bom gosto.

A ideia de entrosar a alegoria com o comércio de rua também me parece meritória. Sem concorrerem entre si, uma vez que os artigos vendidos na feira são diferentes, parece-me que todos saem a ganhar.

É um formato que, com um acerto aqui e ali, deve ser continuado. Talvez adicionar a festa da flor para o ano, é um complemento que combina bem e engrandece.

E porque não fazer um pequeno festival da canção? Um concurso de poesia sobre a temática da feira? Um concurso de escrita criativa sobre a cidade, a descrever as suas ruas e ruelas?

Assim como artes de palco em representação interactiva com costumes e ofícios tradicionais em desaparecimento pelos grupos cénicos do concelho. Como exemplo, a cigana a ler a sina; um sapateiro em actividade; um ceramista; um resineiro; uma cauteleiro; um amola-tesouras; uma azeiteiro; um aguadeiro; uma ardina; um leiteiro; um pedinte; uma varina com seus pregões, vendedeira de peixe; um fotógrafo “à la minute”; o carteiro; o vendedor de banha da cobra; os Robertos, bonecos de animação; o vendedor cigano de peças de fato; a paliteira, de Penacova. Assim como jogos tradicionais, como exemplo, a gancheta de ferro e arco; saltar à corda; atirar à latas; jogo de rebuçados atribuídos por roleta.

Para sermos reconhecidos não precisamos de apresentar uma grande feira em espaço e volumetria. O que precisamos é de ser originais. Fazer diferente da maioria.

De qualquer modo, pelo trabalho apresentado este ano, estamos todos de parabéns.


MENOS BOM


Começo pela publicidade na Estrada nacional – já escrevi sobre isso ontem. Nesta via, ao dia, rolam milhares de veículos. A todo o custo, insistindo na divulgação com placas de sinalização ao longo das margens, é preciso apanhar e canalizar parte deste fluxo de automobilistas. Estes, porventura, serão os potenciais clientes dos muitos expositores. Ninguém pense que os locais, habituados a ver já o que de melhor se faz por cá, são os grandes clientes.

Não sei se foi por estratégia se por impossibilidade, mas na parte alimentar estão poucos operadores que, pela sua escassez, um em cada área de comercialização, não fazem concorrência entre si. E qual a consequência? Como é óbvio, preços muito elevados. Só para exemplificar: um “churro”, que em Coimbra custa cerca de um euro, nesta alegoria, custa três. O mesmo se passa nas bebidas a copo.

Verifiquei que os órgãos da comunicação social de Coimbra, Diário de Coimbra, Diário as Beiras, Campeão das Províncias e O Despertar, todos, apesar de terem muitos leitores no concelho, fizeram um manguito à sua representatividade. E mesmo os nossos, salvo melhor opinião, também não se esforçaram muito para dar no olho, como sói dizer-se. Salva-se a Rádio da Pampilhosa com um bom espaço de divulgação, mas, a meu ver, deveria ser a rádio oficial do certame (não sei se é) e estar sempre a produzir para o recinto.

Achei também desnecessário o corte de trânsito entre a rotunda do café “Cote d’Azur”, passando ao lado da festividade, em torno da Farmácia Figueiredo e em direção à Estada Nacional. A abertura de mobilidade automóvel é essencial para levar à feira visitantes que desconhecem este acontecimento.

O leitor está convidado a ver com os seus próprios olhos. Compareça, visite e faça aqui os seus comentários.

Vamos lá?

 

sábado, 4 de junho de 2022

MEALHADA: A FEIRA DE ARTESANATO PRECISA DE MAIS SINALIZAÇÃO NA ESTRADA NACIONAL










Com a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e outras entidades de vulto do espectro político e social, hoje à tardinha, foi inaugurada a Feira de Artesanato e Gastronomia Mealhada 2022.

Por impossibilidade, não estive presente no cortar de fitas (e tenho a certeza que não fiz falta, nem alguém deu por isso), isto para dizer que não posso ter opinião sobre uma festividade a que não assisti, mas amanhã, sem falhar, calcarei aquela terra sagrada do Jardim Municipal.

O que me levou a escrever este pequeno trecho é sobre uma questão que não considero de somenos: a divulgação do certame na zona circundante.

Como ressalva, gostava muito que este reparo seja entendido como proactivo e não o contrário, de “bota-abaixo”.

Passando à frente, durante a manhã de hoje estive na cidade e, por razões minhas, tive de me deslocar próximo do recinto ocupado pela feira. Como não havia placas indicativas de alterações do desvio de rota, eu e outros automobilistas andámos para lá às voltas, como cão perdido em vinha vindimada. Detalhe facilmente de colmatar se se tomar em conta a importância de todos os que vivenciam a cidade.

Logo a seguir ao almoço, reparei que nas quatro rotundas – que fazem número para as quatro maravilhas – da Estrada Nacional não havia qualquer sinalética a indicar o evento que estava para acontecer - ou, se calhar, não dei por ela.

Quando regressei à noite, vindo de Coimbra, constatei que havia uma amostrinha de seta, cerca de 20x10 centímetros, em apenas três rotundas: a do Lidle, a Do Cine Teatro Messias e a do antigo posto da Brigada de Trânsito. Isto é, na rotunda da Auto-estrada, que porventura será a mais importante, não vi nada.

Por favor, senhores que aspiram tanto o sucesso desta alegoria como eu, coloquem rapidamente uma placa de cerca de um metro de altura por cinquenta em cada rotunda. E mais: sendo amanhã Domingo, dia de romaria aos restaurantes pelo excelente leitão, que não se cansem de encher as bermas da estrada nacional com publicitação ao evento.

Tenho que referir que esta lacuna de publicitar eventos na principal via de acesso é transversal a vilas e cidades; aprumam-se no arranjo do local do acontecimento mas depois esquecem que é preciso espalhar a boa-nova a quem chega de novo.

Só para exemplificar: há cerca de duas semanas, com organização da Junta de Freguesia, realizou-se no Mercado Municipal da Pampilhosa uma feira de artesanato e velharias. Entre a saída da Estrada Nacional, junto ao restaurante Boa Viagem e o mercado, inclusive, onde se realizava o encontro, nem uma única indicação. Resultado desta falta de atenção: um enorme desalento para os poucos expositores presentes, e que convidava pouco a voltarem.

É normal os autarcas quererem apresentar festas nas sedes de concelho, e o recurso a feiras e feirinhas, por ficar barato, difunde-se como uma pandemia. O problema é que se concentram tanto na logística, no planeamento interno, que é habitual esquecerem que os vendedores, muitos vindos de longe, são actores de uma peça cénica gratuita e convidados para desenvolverem o seu desempenho com base na esperança de venderem alguma coisa. E os que não vendem? Quem sustenta as suas deslocações com combustíveis caríssimos? Ninguém se admire se, num futuro muito próximo, estes artistas venham a exigir contrapartidas.

Para que as coisas corram da melhor maneira, divulgue-se, divulgue-se, divulgue-se com um carro de som pelas aldeias dos arredores, pelos painéis publicitários, nos “outdoors” vazios ao longo da estrada, publicite-se na rádio e televisão.

Sem informação não há conhecimento.

Vale a pena pensar nisto?


terça-feira, 31 de maio de 2022

PAMPILHOSA: PRESIDENTE DA JUNTA RENUNCIA AO CARGO



Conforme o comunicado publicado hoje nas redes sociais, Mário Rui de Abreu Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Pampilhosa, eleito pelo Movimento Mais e Melhor, vai renunciar à função por motivos de saúde.

Segundo o difundido, “Dirijo-me a todos vós (…) para vos comunicar que, por motivos de saúde pessoal e familiar, me vejo forçado a renunciar voluntariamente ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Pampilhosa.

(…) A entrega à causa Pública (…) teve como consequência objetiva uma menor disponibilidade para o apoio que me é exigido a familiar portador de doença neurodegenerativa complexa, refletindo-se no avolumar de tensões e stresse, com repercussão no estado geral de saúde.”

 

segunda-feira, 30 de maio de 2022

MEALHADA: HOJE HOUVE REUNIÃO DE CÂMARA MUNICIPAL

 

(imagem do jornal online Bairrada Informação)



Quem com ferros mata, com ferros morre.

Se tivesse tido apoio quando fui acusado,

agora, a minha posição seria outra”,

Rui Marqueiro.


Na parede traseira do Salão Nobre da Câmara Municipal, em retrato institucional, Marcelo Rebelo de Sousa, o vigilante da democracia, parecia algo preocupado. Grossas ondas de inquietude na fronte e no rosto pareciam inundar o seu semblante normalmente resplandecente. Paralelamente, a República ao lado, em imagem de terracota, parecia fazer apelos à calma. O que é se passaria de tão anómalo? Interrogava um passarinho no parapeito da janela.

O relógio da Igreja Matriz da Mealhada acabara de bater as nove badaladas. Como se o ambiente estivesse impregnado de ansiedade e todos os presentes cheios de pressa em despejar o que lhes inundava as almas, António Jorge Franco deu início à terceira reunião ordinária deste mês de Maio.

Pegou na palavra Gil Ferreira, o vereador da Cultura, e general Hill no filme “Terra Queimada” recentemente passado entre nós sobre a última invasão napoleónica de 1810/11. Como se dirigisse as tropas contra os franceses usurpadores e saqueadores da dignidade nacional, começou por referir a “baixíssima qualidade de jornalismo”. A “baixa campanha da CMTV é o uso da política rasteira composta por insinuações, com o único objectivo de fragilizar o presidente da Câmara.

E continuou o vereador: “não é preciso ser professor de jornalismo para ver que isto é reles. Aqui há gato! Os indicadores indiciam que o denunciante é um vereador aqui presente: o doutor Rui Marqueiro.

Na parede, Marcelo, como se pretendesse tapar os ouvidos, parecia apelar a Nosso Senhor Jesus Cristo para que a sessão não culminasse em chapada. E Deus, como se estivesse ao seu serviço, fazendo-lhe a vontade, acalmou os ânimos “injectando” serenidade na sala.

A esta acusação sem rede respondeu o ex-presidente da autarquia nos últimos oito anos que não tinha nada a ver com a denúncia feita ao programa televisivo. “o que aconteceu foi eu ter recebido um telefonema de Ana Leal a perguntar se eu conhecia bem o engenheiro António Franco; se sabia onde morava e sabia do facto de ele viver com uma senhora. Respondi que não sabia. A jornalista perguntou se eu conhecia alguém que conhecesse. Indiquei uma pessoa, mas antes perguntei se poderia dar o seu contacto. Eu não tive nada a ver com isto!”

A terminar a sua intervenção, Gil Ferreira propôs à mesa um voto a repudiar a “crónica da semana passada”, como quem diz, tudo o que se passou e serve de mau exemplo para o concelho.

Antes da votação, declararia Marqueiro: “eu voto com silêncio.

Em seguida passou-se à votação e… total unanimidade, todos votaram a favor e contra os ventos gerados na cidade e ampliados pelo canal de cabo.


OUTRAS DECLARAÇÕES PARA CONSTAR EM ACTA


Sobre a bomba de deflagração caída no meio político, disse Franco: (para atestar a verdade) “podem pedir uma certidão à junta de Freguesia de Casal Comba; podem pedir à Escola de Viseu. Isto não se faz a ninguém!

Sónia Leite, vereadora da oposição em representação do PS, disse: “manifesto a minha repugnância com a forma como foi noticiado.”

Luís Tovim, colega de carteira dos vereadores da oposição, enfatizou: “repudio completamente a forma como foi desenvolvida.

Filomena Pinheiro, vice-presidente da edilidade, reafirmou: “número encomendado! Revela uma frieza, mal-estar da pessoa que passou a informação. Tem de ser alguém muito infeliz. Aquilo fragiliza-nos a todos. Espero que um dia estas pessoas paguem pelo que fizeram.”

Hugo Silva, vereador da coligação em apoio à maioria, retorquiu: “está tudo dito. Não tenho nada a acrescentar. Mas a questão humanitária é muito importante. Se preciso for, eu e a minha mulher testemunhamos de que situação marital não se verifica. Temos de estar preparados para tudo!

Rui Marqueiro, de certa maneira contestando o que foi dito, rematou: “se há alguém que sofreu de atentado fui eu! Se alguém foi vítima de barbárie fui eu! Vou trazer aqui a forma como tenho sido tratado.

É muito provável que tenha de abandonar a vida política, pela minha saúde e da minha mulher.

Juro que não vi o programa da CMTV. Apenas recebi, por mensagem, uma notícia da revista Visão.

Quem com ferros mata, com ferros morre. Se tivesse tido apoio quando fui acusado, agora, a minha posição seria outra”, concluiu Rui Marqueiro.

Neste período dedicado ao desabafo, foram apresentados e aprovados dois votos de pesar e de reconhecimento a dois homens que muito contribuíram para o progresso das suas terras, respectivamente, Carlos Cidade, por Coimbra e José Castelo Branco de Moura, ex-autarca da freguesia da Pampilhosa.


E ENTROU O PERÍODO DA ORDEM DO DIA


Sem pontos de agenda que mereçam relevância, depressa se chegou ao fim da convocatória propriamente dita.

Não sem que antes se apanhasse uma outra frase mais irónica de Rui Marqueiro : “eu hoje não estou para me aborrecer. Tenho a tensão alta…

Mas, apesar da velocidade furiosa, ainda se “empancou” no ponto 7, Alteração da Estrutura Orgânica Municipal. (sobre este assunto, escreverei uma outra crónica sobre o que me parece estar na base desta mudança) Estava em causa novas Unidades Orgânicas em substituição da Divisão de Comunicação e da Cultura e Turismo.

Sobre este tema, diria Marqueiro: “extinção da Divisão de Cultura e Turismo?… Trata-se do “assassinato”, entre comas, da Chefe de Divisão. Eu estou contra.

Respondeu ao repto Gil Ferreira: “é redundante ter a Cultura e o Turismo fundidos no mesmo sector. Não entro nesse raciocínio, que é para afastar pessoas.

Disse Franco: “estamos limitados a 15 Divisões. As alterações serão feitas sempre que necessárias. Não serão escolhidas pessoas por simpatias, ou pela cor dos seus olhos, mas sim pela sua competência. A Câmara é de todos, não é de um ou de outro.

Reitera Marqueiro: “a casa faz-se pela estrutura…”

Os senhores estão aqui há sete meses e apresentam agora uma mixoriquice malfeita…”

De aqui a dias faço 70 anos, e já não me comem por tolo. Passei 18 anos na Câmara Municipal, já ninguém me engana…

Marqueiro para Hugo Silva: “o senhor não sabe nada de política autárquica…

Este ponto 7 seria aprovado por maioria, com os votos contra dos três vereadores do PS, e para enviar à Assembleia Municipal para ratificação.

E pronto! Como a descrição já vai longa, desejando as melhoras a todos, ficamos por aqui.

EDITORIAL: MARQUEIRO VAI SAIR DA CÂMARA MUNICIPAL DA MEALHADA

 

(imagem, retirada coma devida vénia, do jornal online Bairrada Informação)




Hoje, em plena reunião de Câmara Municipal, Rui Marqueiro anunciou: “(…) é muito provável que tenha de abandonar a vida política, pela minha saúde e a da minha mulher…

Num período de Antes da Ordem do Dia muito participado, iniciado por Gil Ferreira, vereador da Cultura, onde esteve em cima da mesa o recente programa televisivo da jornalista Ana Leal e da CMTV, e o vereador da maioria chegou mesmo a indigitar Marqueiro de estar por detrás de uma baixa campanha da CMTV. “é um caso de política rasteira composto de insinuações com o único objectivo de fragilizar o presidente da Câmara”, enfatizou.

Em resposta, o ex-presidente da autarquia afirmou que não tinha nada a ver com a denúncia feita ao programa televisivo. “o que aconteceu foi eu ter recebido um telefonema de Ana Leal a perguntar se eu conhecia bem o engenheiro António Franco; se sabia onde morava e sabia do facto de ele viver com uma senhora. Respondi que não sabia. A jornalista perguntou se eu conhecia alguém que conhecesse. Indiquei uma pessoa, mas antes perguntei se poderia dar o seu contacto. Eu não tive nada a ver com isto!”


O QUE PARECE SER… OU NÃO SER


Tudo indica que este “atira e foge” de alguém poderia ter sido uma acção individual e não de um grupo, como seria de supor.

Uma coisa parece certa, contrariamente ao que seria de prever, esta acção torpe trouxe mais incómodos ao PS/Mealhada do que benefícios.

Conta uma fonte ligada ao aparelho socialista que pediu o anonimato que, fosse quem fosse o delator, nem de perto, nem de longe aceita este procedimento de fazer política.

Por outro lado, a declaração de proximamente abandonar o executivo terá ver, também, com fortes clivagens entre ele e a Concelhia local do partido.

Porventura, ao que se sabe, há demasiados militantes que não se identificam com a forma arrivista e de permanente confronto e provocação com a nova maioria. Aliás, consideram este nível de fazer oposição como anquilosado, arcaico e ultrapassado, onde parece vingar uma animosidade pessoal. Apesar do respeito institucional que merece, estando a gerar demasiados anti-corpos, o antigo edil acaba por ser um activo tóxico para o partido.

Por conseguinte, é de constatar que proximamente se realizem eleições para os órgãos locais da formação partidária e em seguida Marqueiro dará lugar a outro na vereação.


PS EM MAUS LENÇÓIS NA REPRESENTATIVIDADE


A verdade é que se Rui Marqueiro sair o PS fica em muito maus lençóis na Câmara Municipal. Isto porque, retirando o antigo chefe da edilidade, ficam três vereadores sem experiência. Os dois actuais e em exercício, Luís Tovim e Sónia Leite, sejamos honestos, estão a léguas de fazer uma boa oposição. Raramente intervêm, e quando o fazem, em completa desconexão e desacordo com as posições do seu líder, parecem estar ali como elementos mudos e a defender a maioria.

Ora, convenhamos, ser oposição não é pôr sistematicamente abaixo. Nada disso. Mas os munícipes, apenas com um simples olhar, devem identificar imediatamente o executivo com dois blocos diferenciados. A razão de existência da oposição é, apresentar planos e, quando disso se trate, combater ideias que vão contra os interesses da comunidade.

Sabemos todos que poder, em certos casos, pode implicar livre arbítrio. É aqui que a oposição, sem medo de ofender os pares mas sem faltar ao respeito, muito mais informada e mais esclarecida que o vulgar cidadão, deve intervir com força e determinação. Precisamos de contar com um PS bem representado na vereação.

domingo, 29 de maio de 2022

PS MEALHADA: UM SILÊNCIO ENSURDECEDOR

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Como se sabe anda um prurido no ar do céu da Mealhada acerca do programa de investigação de Ana Leal, agora, a trabalhar para a CMTV, em que, a meu ver, de forma torpe, é envolvido o cidadão, viúvo há cerca de uma década, António Jorge Franco por uma relação passional com uma senhora de Viseu.

Antes de prosseguir vou fazer uma ressalva e um esclarecimento: A ressalva é que quando esta senhora jornalista trabalhava na TVI, algumas vezes elogiei o seu desempenho, outras vezes insurgi-me contra a sua forma intempestiva, predadora de acusar alguém em directo sem inquérito prévio ou consequente julgamento. Tal como agora, é uma deriva justicialista e populista que, notoriamente, não facilita uma defesa a que qualquer acusado tem direito.

O esclarecimento:A união de facto é a situação jurídica de duas pessoas que, independentemente do sexo, vivam em condições análogas às dos cônjuges há mais de dois anos.

O que está em causa? Segundo o programa de Ana Leal, passado na última Quinta-feira no referido canal, de forma intrépida, invasiva e intrusiva, com um contraditório discutível a todos os níveis da mais elementar decência, vimos a jornalista a incriminar peremptoriamente, sem margem para contestação, o visado de estar a viver em “União de factohá vários anos e, ao mesmo tempo, a receber ilegalmente a pensão de viuvez referente à falecida.

O que se viu no ecrã foi um Franco apanhado de surpresa, algo titubeante, a afirmar que não vivia em “União de facto” com a alegada companheira. Disse que cada um vivia na sua casa própria, no caso, a senhora em Viseu, onde tem a sede de morada fiscal e o cidadão em Silvã, aldeia do concelho da Mealhada.

Pela jornalista, foram interrogados moradores da aldeia que, aparentemente sem maldade, de forma vacilante, enfatizaram que a senhora e o munícipe “viviam em comunhão há um ano, talvez dois”.

Foi apresentada uma foto em que aparecem os dois com data de 2015.

Ao terminar a apresentação da peça, nitidamente para manipular a opinião pública, António Franco foi colocado no mesmo patamar do autarca da Câmara Municipal do Alandroal, que, alegadamente, terá usado vários subterfúgios para lesar o erário público. Está de ver que são desempenhos totalmente diferenciados: um é do foro civil, outro é de responsabilidade de cargo público.

Certamente que esta reportagem, por parte da Segurança Social, terá consequências para o cidadão António Jorge Franco e, por conseguinte, cabe-lhe defender-se e provar que o filme passado está eivado, contaminado, de falsidade.


A NÍVEL POLÍTICO


Como se sabe, o cidadão António Jorge Franco é o presidente da Câmara Municipal da Mealhada. E aqui, nesta sua função, é que bate. Especulando, daí a apreciação por parte da CMTV em tomar uma coisa por outra. Ou seja, quem passou a informação ao canal do cabo, implicitamente, apenas estava interessado na mancha, no enxovalho que iria cair sobre o edil mealhadense. Isto é, em teoria, quem o fez instrumentalizou o programa de investigação para fins pouco dignos. É óbvio que a jornalista, experiente como é, não pode alegar inocência.


O SILÊNCIO É DE INOCÊNCIA? OU DE ACEITAÇÃO DE CULPA?


Ontem, Sábado, ao cair da tarde, o Movimento Mais e Melhor, agremiação que elegeu António Jorge Franco para a presidência nas últimas eleições autárquicas, emitiu um comunicado nas redes sociais com três vectores: um a “repudiar todo e qualquer tipo de jornalismo que funciona a pedido e sem qualquer tipo de critério”; outro a manifestar “toda a confiança no nosso líder”; e outro ainda a fazer uma acusação: “Desde do o ainda presidente da comissão política do PS da Mealhada se ter envolvido para ajudar a sua suposta amiga Ana Leal (jornalista da CM TV), a perseguições, tudo foi feito com o objectivo de marcar negativamente o nosso presidente (...)

Ora, perante um dedo apontado, seria de supor que a Concelhia do PS/Mealhada reagisse com outro comunicado. Passadas mais de 24h00 nada transpareceu.

O que significa este mutismo?


TEXTOS RELACCIONADOS


"Ana (i)Le(g)al e o Carrilho sem grão"

" A TVI e o direito de proteger os mais desfavorecidos"

 

sábado, 28 de maio de 2022

MEALHADA: UM ESTRANHO CHEIRO NAUSEABUNDO VAGUEIA NO AR

 




Ontem, logo ao cair da noite, o concelho foi invadido por um estranho e misterioso odor a pútrido, repulsivo e asqueroso. Estranho porque, embora já com antecedentes do género, surgiu do nada, do sem ponta por onde se pegue, do tomar uma coisa por outra, do pretender uma envolvência de gravidade que acaba por morrer na praia. Misterioso porque, vá lá saber-se a razão – ou talvez se saiba -, a verdade é que o cheiro pestilento não chega a todos os narizes. Balouçando na vulgaridade não é, nunca, nem de perto, idêntico ao laborar de uma fábrica de aproveitamento de caroço de azeitona.

Como se porfiasse os mais sensíveis, deixa de fora a maioria que, como de costume, continuará a assobiar para o lado e entender a morrinha como um odor a rosas. Embora inqualificável, não é, portanto, um ranço geral mas selectivo.

Entre os tocados pela onda mal-cheirosa, uns, mais virados para o metafísico, dizem que, provavelmente, foi o frigorífico do purgatório que avariou e as almas, à espera de encaminhamento, entraram em decomposição. Para outros, mais atentos para as coisas terrenas, é o veneno exalado por fígados em putrefação, mais que certo de gente ressabiada, com o coração a destilar ódio, que não se conformando com o perder com legitimidade, disparam anonimamente para tudo o que mexa ou faça sombra à sua ambição desmedida. São pessoas que se afirmam muito católicas e que, andando a bater com a mão no peito, invocando os superiores interesses do território delimitado, em vez da paz, espalham a guerra.

Outros dizem ainda que, num tempo de “vale tudo”, onde graça o “jornalixo”, que para preencher os seus animalescos índices sem limites, sem escrúpulos, se valem deste tipo de informação especial para lançar a ignomínia sobre alguém apontado na sua mira.

Estejam todos certos ou alguns errados, uma coisa é certa: este ambiente bafiento e insalubre gera angústia.

Não se trata de nos guiarmos por simpatias. O que está em causa é que, com este comportamento indigno, ninguém estará seguro. Se não se abreviar caminho, a calúnia, a difamação, o pôr abaixo sem olhar a meios, a queixa anónima serão as armas a utilizar sem quartel num futuro que é já hoje.

Com este clima de rancor desmesurado, com este perpassar de desespero, que mensagem estamos a transmitir aos vindouros?

Será este tipo de convivência, falsa, rasteira, cobarde, que queremos para a nossa terra?