quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

BARÓMETRO DE UM JORNAL EM PAPEL PUBLICADO NA BAIRRADA



Jornal da Mealhada (edição de 8 de Dezembro)


POSITIVO


Com uma capa que, sobretudo na apresentação e policromia, não difere muito das edições anteriores – apetece chamar à colação o anúncio da Ferrero Rocher e dizer: “Ambrósio, apetece-me algo diferente…” - salva-se a miscelânea de cores vivas para chamar a atenção do leitor, para que o leve consigo no aconchego do lar.

Quanto ao interior do caderno, não está mal. Diversificado, com vários temas de actualidade no concelho, parece-me uma publicação interessante. Com um suplemento sobre o Natal de cinco páginas, em que são retratadas algumas empresas do concelho sobre o mesmo tema, enriquece ainda mais esta tiragem.


MENOS BOM


Como já referi algumas dezenas de vezes (e irei continuar até me cansar), continua a fazer falta a inclusão de comentadores políticos-partidários que, através do seu olhar crítico, que nos falem da actualidade, no que tivemos, no que temos e no que se imagina que vamos ter no concelho.

Nesta quadra natalícia, onde a pobreza nesta altura toca sempre com mais força o coração dos leitores, faltam histórias de pessoas que superaram a pobreza e outras narrativas sobre famílias que vivem menos bem, com carências diversas.

É uma altura óptima para cativar futuros assinantes, com um concurso de contos de Natal, com um ou vários prémios de consolação.

Por outro lado, este Dezembro de Natal é o tempo de safra - cuja sementeira foi feita durante o ano -, de uma boa colheita de publicidade para os órgãos de comunicação social, em papel e digital. É nesta altura que as empresas, as juntas de freguesia do concelho, a Câmara Municipal estão de coração mole e mais receptivo a colocarem no jornal uma mensagem aos seus funcionários e clientes, aos fregueses e aos munícipes.

Ora, a meu ver, as duas edições do Jornal da Mealhada (JM) a saírem neste Dezembro deveriam trazer, cada uma delas, um encastrado de várias páginas com publicidade.

Por que não é assim? Porque é que o JM nos parece um título sem ambição? Quem se sentir legitimado para o efeito que responda.


De 0 a 20, atribuo a esta edição 14,5 valores.

 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

MEALHADA: HOJE FOI DIA DE REUNIÃO CAMARÁRIA

 




Numa sessão transmitida via ZOOM através da Internet, sem a presença de Rui Marqueiro, com bastantes pontos na Ordem de Trabalhos (31) e a ser encerrada já muito depois das 12h00, decorreu calmamente a reunião de Câmara Municipal da Mealhada.

Saliento, de entre todos, a gerar presumivelmente alguma inquietação ao presidenteda Junta de Freguesia de Luso, Claudemiro Semedo, um ponto iria salientar-se.

A eventual preocupação conta-se de uma penada:


Está realizada a obra de atapetamento betuminoso na estrada/caminho que liga Barrô à Lameira de São Pedro, uma rodovia que é percorrida diariamente por muitos automóveis ligeiros e até pelo autocarro escolar – para quem nos segue aqui sabe que escrevi várias crónicas sobre o mau-estado de conservação da via, a que cheguei a apelidar de caminho de cabras, por conter tantos buracos.

Em 2020, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia não se entenderam quanto à responsabilidade do asfaltamento. Com alguma ironia, cheguei a pôr a hipótese de a estrada ser minha, como escrevi em Março deste ano.

Porque as coisas vistas do lado da lei são assim: se a via for uma estrada municipal a responsabilidade recai sobre a autarquia; se for considerado um caminho (vicinal) de acesso aos terrenos agrícolas circundantes cabe à Junta de Freguesia custear o seu melhoramento.

Antes de avançar vamos aos considerandos: em princípio, como parece, um caminho declarado de acesso aos terrenos será uma passagem de terra batida e sem condições para tráfego automóvel. Ora, como já vimos, trata-se de um trilho alcatroado há mais de vinte anos e percorrida por imenso tráfego, também para agriculturar as terras férteis da Lapa do Sino.

Entre verdades com contestação de parte-a-parte, Rui Marqueiro, anterior presidente da edilidade no anterior mandato, creio, para tentar resolver o problema que, diga-se a propósito, era mesmo urgente, prometeu a Claudemiro Semedo, da Junta de Freguesia de Luso, um apoio de 20 mil euros para um orçamento que orçava em 28 mil. Ou seja, a Junta de freguesia entrava com 8 mil e a autarquia com 20 mil euros. Era uma forma de ultrapassar o imbróglio.

Como se sabe Marqueiro perdeu a Câmara e agora as coisas parecem complicar-se.


E TAMBÉM NA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA…


Na última Assembleia de Freguesia realizada no Grande Hotel as coisas correram assim assim a Claudemiro Semedo.

Um dos pontos da Ordem de Trabalhos era exactamente a inscrição dos 20 mil euros (que hão-de vir da Câmara Municipal) numa rubrica já elencada para o efeito. Ou seja, é normal (e legal) nos Orçamentos anuais - que são aprovados no ano anterior - inscrever uma verba ínfima numa rubrica que não se sabe se vai haver dinheiro de sobra para a realizar. Se houver um apoio excepcional ou outro remanescente, faz-se uma transferência para a rubrica inscrita e a obra nasce.

Pelo que me pareceu, nem o presidente da Junta se explicou muito bem, nem o vogal da oposição compreendeu o que estava em causa, mas, afinal, o ponto foi aprovado.


E NA CÂMARA, HOJE, O QUE ACONTECEU?


A transferência dos 20 mil euros para a Junta de freguesia de Luso era um dos pontos de ordem para aprovação na reunião.

António Jorge Franco, o Presidente da edilidade, explicou bem o que estava em discussão na mesa. Havia um “quid pro quo”, tomar uma coisa por outra, isto é, os serviços camarários atribuem uma classificação à estrada de caminho rural, logo, por inerência, a responsabilidade total é da responsabilidade da Junta.


ALTO E PÁRA O BAILE!


Apesar das reservas, tudo parecia correr para a aprovação. Até que uma voz, doce, harmoniosa e suave, pareceu dizer: Alto e pára o Baile! Sem haver aprovação dos serviços em classificarem mesmo a estrada como municipal, eu voto contra. Era Hugo Alves Silva, vereador da coligação.

E o ponto foi retirado para consulta dos serviços.

Uma coisa é certa, todos, anterior executivo, Junta de Freguesia e actuais eleitos, mas todos, agiram de boa-fé e tendo como horizonte o interesse público.

Mas o que temos em perspectiva é um emaranhado legal. Lá isso temos.

Esperemos que a bem de todos se resolva rapidamente.



CMC: A VOZ DO POVO DE COIMBRA PARA O MUNDO

 

(Imagem da Web)



No passado dia 22 de Novembro, com transmissão directa via Internet, realizou-se a terceira reunião de Câmara Municipal de Coimbra depois da instalação do novo executivo.

Com início às 15h00, como nos encontros últimos e posteriores, entre o gesticular de mãos, o sorriso sarcástico e a recorrência permanente a um passado recente, decorria a sessão num ambiente faz de conta, como numa batalha de “paintbal” com a mancha psicológica e pouco efeito pragmático, onde a teatralização dos presentes, por efeitos da visualização fílmica mundial, passou a marcar o compasso do tempo político e partidário.

De entre acusações de lado a lado, como quem diz, entre a oposição que agora é governo e a presidência que já foi e agora é oposição, cada parte tentava mostrar através da argumentação ser melhor que a outra. E depressa o relógio marcou 17h00 em ponto, período destinado à intervenção do público – para quem se lembrar, conquistar o cumprimento desta norma em 2019 ao antigo regime foi difícil e levou muita teimosia e transpiração.

Apresentou-se em cena um novo actor até agora desconhecido do grande público, um munícipe de nome Manuel Bragança para apresentar a sua tese sobre cidadania. O presidente da mesa, José Manuel Silva, melífluo, doce, harmonioso e suave, bem sentado no cadeirão-mor ainda em fase de adaptação ao lugar de mestre, procurando mostrar ser cumpridor e não ser acusado de ter tiques autoritários como na anterior vigência, apresentando as boas-vindas, mandou dar início ao desempenho teatral do cidadão.

O citadino, engatando a primeira mudança de arranque, começando por elogiar e dar os parabéns ao novo mestre-de-cerimónias, afirmou que “anteriormente não se sentia bem naquela sala por haver tanta arrogância e tanta prepotência que era levada por todas as pessoas que estavam aqui presentes (...)”. Pressentiu-se na sala um questionar silencioso e todos os ouvidos ficaram em sentido. Mais que certo o presidente, em solilóquio, perguntava-se onde conduziria aquela performance do homem com a destemperada acusação no cravo e outra na ferradura. Mau, mau! Afinal, José Manuel Silva também fazia parte do anterior elenco.

E prosseguia o acutilante, “não podemos ver as mordomias existentes aqui na Câmara. Isto é chocante! Ainda agora vi ali fora três carros, ainda falta o outro. Que eu mandasse, se eu tivesse plenos poderes, aquele carro, se calhar, seria afundado ali no rio Mondego. Olhe, é execrável!

E continuou o candidato a munícipe do ano, “Eu vou dar um exemplo, num outro dia vi umas pessoas a comentarem, aqui no café, que fulano (e citou o nome) que tem um carro com motorista, e, veja bem, que nunca fez nada na vida (...)”.

Os vereadores socialistas, revolvendo-se nas cadeiras, pareciam deitar fumo pelas orelhas. E o nosso amigo Bragança, sentindo-se o maior da cantareira e agora já em quarta velocidade, com uma longa lista na mão, continuava a malhar em tudo o que mexia, sobretudo se cheirasse a socialistas. Por falar em cheiro, disse o denunciante, a estufa do jardim Botânico é uma vergonha. Aquilo parece uma pocilga. E o culpado é o Reitor da Universidade, que “eu tenho impressão que o senhor Reitor também deve ser mais ou menos o tipo da área em que está habituado a ser educado”.

E voltou a virar a seta apontadora para os vereadores socialistas ali ao lado, “eram uns indivíduos, coitados, não se conhece o passado destes senhores em nenhuma empresa privada e nada fizeram de positivo na cidade”.

E para terminar a conferência, virando-se para Carlos Cidade, vereador da oposição, rematou: “eu fiquei extremamente feliz quando o vi a chorar por ter sido derrotado nas eleições. Boa tarde, e passe bem!”


SAI UMA CERTIDÃO PARA A ESQUERDA


Começo por escrever que, a meu ver, o morador Conimbricense se excedeu e, de facto, como afirmou Carlos cidade – que na última reunião camarária pediu que se extraísse uma certidão de teor para promover uma acção por denúncia caluniosa -, o munícipe colocou pessoas e entidades em causa – e pode ainda levar, como bónus, uma acusação pelo Ministério Público de incentivo à destruição de bens do Estado.

Mesmo assim, esta intervenção pouco dignificante deve ser resolvida entre os interessados sem chegar a tribunal - nada que um pedido de desculpas particular ou público por parte de Manuel Bragança não possa resolver.

Tendo em conta o contexto, isto é, desta manifestação do citadino ter sido feita em cima da mudança de poder, num certo “ambiente revolucionário”, levando em nota o que se passou no mandato anterior com os urbanos que pretendiam intervir no hemiciclo, e a circunstância, ou seja, o facto de Carlos Cidade abdicar de vir a ser deputado nestas próximas eleições para ser o candidato à Câmara Municipal, pelo PS, em 2025, este assunto não deve ir além do que já foi. O que se deve fazer é, fazendo cumprir o Regimento, evitar que se repita para o futuro. Dar uma certa margem de encaixe, conforme retorquiu José Manuel Silva, o presidente, acaba por engrandecer toda a vereação.

Carlos Cidade se teimar em levar o pleito à barra, seja qual for o resultado final, fica sempre a perder e marcado pelo anátema de, alegadamente, ter intentado contra a livre expressão de um habitante da cidade.

Vale a pena pensar nisto?

domingo, 12 de dezembro de 2021

A BIPOLARIDADE DA (IN)JUSTIÇA QUE NOS ALIMENTA A ALMA

 

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Sem confirmação, chegou-me aos ouvidos que amanhã começa a fase de Instrução que envolve Rui Marqueiro e os três vereadores que acompanharam o ex-presidente da Câmara Municipal da Mealhada no mandato de 2017-2021. (A denominada Instrução é um pré-julgamento facultativo do processo penal que tem por intenção verificar se há ou não matéria para levar um acusado de um crime a julgamento. No fundo, é como se funcionasse como uma triagem de absolvição ou reiteração entre as acusações do Ministério Público e o que, de facto, aconteceu)

Relembra-se que o ex-presidente da Câmara Municipal da Mealhada juntamente com três vereadores que o acompanharam no mandato de 2017-2021, por queixa anónima, estão acusados pelo Ministério Público, nomeadamente, de prevaricação e abuso de poder. (Prevaricação é um crime funcional praticado por funcionário público contra a Administração Pública. Tem um âmbito geral como, por exemplo, retardar, praticar indevidamente um acto adstrito ao seu ofício contra a lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal)

E peguei neste assunto para ilustrar um ressentimento agravado de condenação prévia que move a colectividade, sobretudo numa declarada manifestação de vingança contra os indiciados. De pouco vale invocar que entre a acusação e a condenação há um oceano a separar as duas margens. Em Direito existe uma frase lapidar que diz o seguinte: “Não há causa ganha nem demanda perdida antecipadamente”.

Somos capazes de conviver anos e anos com uma situação de conhecimento e nunca o denunciar – e muitos, se o fizerem, é através do anonimato. Um dia é descoberto o crime e e detido o malfeitor. Então é ver gente em magote junto ao tribunal a pedir a sua condenação aos gritos.

Entre a “justiça não funciona” e “mate-se o acusado”, constata-se uma bipolaridade notória por parte dos cidadãos. No centro deveria estar a virtude, mas o “meio”, como posição, não existe, nem sequer em abstracção. Por outras palavras, por um lado, deveria coexistir o bom-senso projectado numa dúvida metódica que nos deve atravessar sempre em face de uma qualquer notícia, leve ou grave, que nos afecte ou não: “Será que foi mesmo assim?”. Por outro, deixarmos o Tribunal desempenhar a sua função de escrutínio e só, então, depois passarmos à crítica. O problema é que, na maioria, deixámos de acreditar no longo braço da Lei. Por isso mesmo, com toda a insensibilidade, ódio e crueldade que se adivinha, as questões jurídicas, de absolvição ou condenação, caíram na praça pública.

É claro que a justiça também não dá o melhor exemplo e segue o mesmo comportamento bipolar, dois polos opostos entre o mutismo e o regozijo exagerado.

Basta lembrar o triste espectáculo de exibição pública que se está a passar com João Rendeiro, o banqueiro em fuga e detido na África do Sul. Por mais grave que seja o crime, é dever da Justiça, enquanto sustentáculo de um estado de Direito, manter alguma reserva quanto à sua actuação e preservar a dignidade do acusado. Ora, o que estamos a assistir nas televisões, na forma de ostentação de um presumível condenado, não é muito diferente de uma “justiça” praticada num qualquer país do Norte de África, ou da Ásia.

Embora Rui Rio, presidente do PSD, se excedesse na acusação que fez, de que o calendário eleitoral influenciou a prisão de João Rendeiro – um candidato a primeiro-ministro não pode acusar sem provas -, uma coisa é certa, esta badalação gratuita do Director Nacional da Polícia Judiciária não é mais do que mais um prego no caixão e mais uma politização da justiça.

Vale a pena pensar nisto?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

MEALHADA: UM CONCELHO EM BUSCA DE PAZ NA POLÍTICA EXECUTIVA

 



Se este ambiente de desconfiança e suspeição continuar,

virá o tempo em que não haverá candidatos a ocupar

cargos políticos”


1 - Ficámos a saber hoje que Hugo Alves Silva, ex-vereador sem pelouro na oposição no anterior mandato liderado por Rui Marqueiro e actual vereador com pelouro no novo executivo liderado por António Jorge Franco, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, eleito em 26 de Setembro último, foi acusado de difamação pelo Ministério Público.

Sem colocar em causa o direito de cada cidadão demandar outro por calúnia, como quem diz, não tomando partido no pleito, a verdade é que Hugo Silva não é um civil qualquer: foi e é um eleito pelo povo do concelho da Mealhada. Se este facto lhe acrescenta responsabilidade nas suas afirmações, também é verdade que o seu discurso antagónico, de oposição, deve ser encarado, essencialmente, no integral desempenho político. Ou seja, se por um lado, o seu desempenho de representante da comunidade não lhe confere imunidade na totalidade, por outro, a sua argumentação, sendo lavrada no campo político/partidário, não deveria ser tomada à letra e lida com alguma desvelada desvalorização passageira. Com isto não estou a querer afirmar que em política vale tudo e que o respeito não tem lugar. Nada disso! O que quero fazer pensar é que, passados mais de 48 anos de Democracia, continuamos na mesma senda de ódio partidário, como se o antagonismo proviesse de deriva autoritária congénita se tratasse, e demasiada recorrência aos tribunais por crimes da palavra. Por outra forma de explicar, nem os políticos profissionais amadureceram e se prepararam com um bom encaixe para o combate político, nem o Ministério Público perdeu a sua sede de acusar. Isto num tempo em que as deliberações do TEDH, Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, continua a condenar os tribunais portugueses por excesso de litigância e a apelar às autoridades judiciais uma maior moderação na acusação.


2 – Não podemos esquecer que o anterior presidente da Câmara Municipal, Rui Marqueiro, juntamente com três vereadores que o acompanharam no mandato de 2017-2021 também estão constituídos arguidos em dois processos apresentados por queixa anónima. Repito, por cobarde queixa sem autenticação do seu mandante.

Se esta gente do “atira e foge” tivesse coluna vertebral estas acusações – à espera da instrução – nunca deveriam chegar à barra do tribunal. Como é óbvio, deveriam ter sido dirimidas em sede própria, isto é, no Executivo Municipal e na Assembleia Municipal. Estes dois órgão, como fóruns, foram concebidos para analisar, discutir e escrutinar e, através da refutação argumentativa e do voto, condenar ou enaltecer quem os promover.

A semente da cobardia, como erva daninha em terreno fértil, multiplica-se facilmente e é de prever outras mais.

Se quem fez a queixa anónima, por um lado, não representa um concelho no seu todo, por outro, como mancha de tinta salpicada por cima, envolve-nos a todos na mesma vergonha colectiva. Em vez de uma terra de gente trabalhadora, humilde e esforçada, surgimos para o mundo com uma catalogação de habitantes maledicentes e invejosos, que não podem ver uma camisa lavada ao vizinho.


3 – Para finalizar, já o escrevi aqui, espero sinceramente que, por parte do Ministério Público prevaleça o bom-senso, e nos processos de Rui Marqueiro e vereadores em representação do Partido Socialista e Hugo Silva não vão além da Instrução. Se este ambiente de desconfiança e suspeição continuar, virá o tempo em que não haverá candidatos a ocupar cargos políticos.

Sendo a justiça a mais nobre virtude contra o ódio e um instrumento fundamental para a paz societária e vida em comunidade, em nome de um concelho que deve enterrar os seus machados de guerra partidária, se posso escrever assim, ficamos à espera de que tudo se resolva pelo menor dano aos envolvidos.

Vale a pena pensar nisto?



LARGO DA FREIRIA: O ABANDONADO SEM LUZ



Jaz solitário encostado à parede de um dos prédios centenários no Largo da Freiria. Ao primeiro olhar, pelo impacto que gera em nós, fazemos analogia. Parece um pombo gigante, de perna ferida e asa caída. Voltamos a olhar, não, nada disso! O OVNI, Objecto “Visionário” Não Identificado, é mais parecido com um qualquer edil que, sem contar e a despropósito, perdeu as últimas eleições e ainda não recuperou do choque traumático. Na imagem que perpassa ao exterior, está bastante deprimido e cansado e até, como se pedisse Calcitrin, os ossos se escusam a carregar aquele corpo flácido, tristonho e sozinho.

Mas não, em boa verdade o objecto é um rolo gigante com muitas luzes e luzinhas de ornamentação natalícia. Foi deixado no chão conspurcado pelo tempo, naquele chão sagrado que muitos já pisaram e muitos mais hão-de pisar, no dia 4 do corrente, data da inauguração das luzes de Natal na cidade. Tudo indica que foi esquecimento dos técnicos que fizeram dar à luz na cidade.

Embora, como sempre gente de língua viperina, há quem diga que a autarquia conimbricense nunca gostou deste Largo. Isto, não por a praça em si, mas por quem cá mora ou exerce o seu metier. Dizem essas línguas desassombradas, que são uns mal agradecidos; nunca estão satisfeitos com nada; que nos últimos vinte anos já vão no quarto presidente eleito e nunca estão contentes. Só estão bem a dar ferroada. Se assim, é porque assim; se assado, é porque é assado. Porra para os insubmissos!

Mas isto são apenas vozes do além, daqueles sussurros que não são para levar em conta. Aposto que neste fim-de-semana que se aproxima, mesmo sendo dias de descanso do Senhor, o rolo vai soerguer-se e, como estrelinhas no céu, vai elevar-se acima dos mortais pecadores e, com a espiritualidade da quadra, brilhar para todos nós.


 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

COIMBRA: A EQUIPA MICAELA PEDE APOIO NA VENDA DE NATAL

 





A Equipa MICAELA, anteriormente denominada ERGUE-TE, da Fundação Madre Sacramento, inaugurou há pouco a sua venda de Natal, que está a decorrer entre 2 e 22 de Dezembro na sua sede no Largo das Olarias, número 136, 3.º andar (Edifício Azul), em frente a Loja do Cidadão, entre as 10h00 e as 17h30 de Segunda a Sexta-feira e ao Sábado entre as 10h00 e as 13h00.

Com mais de uma dezena de anos na cidade, o projecto de intervenção social Equipa MICAELA tem por alvo as mulheres que se prostituem, e seus agregados familiares. A sua área geográfica de influência é o distrito de Coimbra.

O que move os seus princípios orientadores é a interferência específica para cada situação. Isto é, o que se procura é a participação activa da mulher e da sua família. Por outro lado, cria-se um espaço de escuta, seguro, confidente e de respeito pela liberdade da mulher.

O plano Equipa MICAELA tem por missão facilitar o encontro com a mulher no seu contexto “prostitucional” e familiar, com o objectivo de lhe oferecer informação, apoio e alternativas à sua situação, que contribua para o seu desenvolvimento integral, da sua família e facilite a sua inserção sócio-laboral

Segundo o seu folheto promocional, “esta é a 12ª edição da nossa Venda de Natal Solidária, cuja receita reverte na totalidade para o projeto Estrutura de Emprego Protegido (EEP), para o pagamento dos salários (nomeadamente das pessoas acompanhadas pela Equipa MICAELA e que estão em processo de abandono da prostituição) e demais despesas do projeto. A EEP não tem financiamento público e tem conseguido sobreviver através de atividades de angariação de fundos (nomeadamente a venda dos artigos produzidos na EEP e donativos), sendo que a receita da Venda de Natal Solidária corresponde a 50% do orçamento anual do projeto.

Caso não não seja possível a deslocação ao espaço da Venda, as compras podem ser feitas online e entregues em casa via CTT, ou podem ser levantadas no espaço da Venda, no nosso novo site: https://fmsacramento.pt/loja-social/

Nos tempos de crise que se vivem, naturalmente, é quase evidente que as comparticipações escasseiam. A Equipa de Intervenção Social MICAELA precisa de meios que lhe permitam continuar o seu bom trabalho.

A intenção não é obter o máximo valor transaccionável de cada objecto, mas sim, na acção benemérita do dar, apelar à contribuição dos cidadãos em troca de um pequeno artigo.

Vamos lá?