quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

FIM DE VIDA DO ANO 2020

 

(Imagem da Web)




Estamos em Dezembro. A menos de um mês do Novo Ano. A passo rápido aproxima-se o fim do ano de 2020. Em metáfora, pensemos que o tempo que agora acaba está em morte clínica. Os seus sinais vitais já não respondem. Nós, como amigos presentes na hora da despedida, estamos debruçados sobre o “ente” que está prestes a partir.
Muitos dos presentes no leito de morte, aparentemente pessimistas, com receio do que virá a suceder-lhe, parecem fazer tudo para reanimar os seus sinais vitais. Outros, mais realistas, como se
fossem dotados de mediunidade e, nos fluidos emergentes, vissem o espírito do quase finado a flutuar por cima, querem acabar com este sofrimento depressa. Em surdina, clamam pela legalização da eutanásia. Outros ainda, como acusadores públicos, apregoam aos presentes que, à luz das convenções internacionais, pela desgraça criada na humanidade, antes de morrer deveria ser julgado. Este 2020 deixou muita infelicidade e morte. Quantos milhões de pessoas, devido ao seu comportamento autista, destruidor e insensível ao sofrimento, levou à desgraça no país e no mundo? Quanta dor causou na classe média-baixa? Tanta frustração espalhada ao longo do ano corrente, sobretudo quando, por morte do antecedente 2019, deu a sensação de que iria ser muito melhor. E o que se viu? Dor, miséria, desespero e morte.

Como político em campanha eleitoral, fez exactamente o contrário do que parecia auspiciar. Por isso, os justicialistas, mesmo no leito de morte deste acabado 2020, não lhe perdoam. Acham que, nestas circunstâncias, para este criminoso, a morte é o melhor castigo que lhe pode acontecer. “Deverias padecer, maldito sejas ó 20 depois de 2000! Já que não podemos impedir a tua morte, ao menos, apodrece no inferno, ano do demo”, exclamam furibundos os desesperados de justiça.
Outros do imenso grupo, mais condescendentes, presentes na despedida do dois, zero, dois, zero, mais optimistas, tentam acalmar os pessimistas e os justicialistas, e, em tom paternalista, tentam convencê-los de que vale a pena aguardar o próximo 2021.

- Quem sabe como será? –exclamam, aos gritos para serem ouvidos.

Deixemos morrer este desgraçado em paz, e que o seu espírito não venha “encostar-se” ao vindouro. Tenhamos esperança no novo ano que vem aí, carago.

- Mas vocês não ouvem as notícias, ó optimistas?, isto está muito mau!” –interrompe um dos pessimistas com um murro na mesa.
- Claro que ouvimos, aliás, como todos vocês, mas, com este discurso negro apregoado e multiplicado até ao infinito, ainda me dá mais força para acreditar que estamos apenas a atravessar um deserto, e, como sabem, tudo é finito, logo, naturalmente, iremos encontrar um oásis para nos refrescarmos desta secura” – replica o optimista.
- Eu gostava de ser como vocês…”felizes, aqueles que acreditam”… -teima o pessimista – mas só se vê miséria em todo o lado… São lojas a fechar, são fábricas a cerrar portas… Isto está muito mau!… E o culpado disto é este renegado ano, que se não tivermos cuidado arrasta toda a humanidade para o fosso…

- Não sejam assim, porra! - interrompe um dos optimistas com brusquidão. Que culpa tem o 2020 de ter aparecido a pandemia?

Além disso, conforme as notícias, as vacinas estão a chegar. Vai tudo ficar bem!

- Achas mesmo que vai ficar bem? Atira o pessimista de chofre e a crescer para o outro. Essas denominadas vacinas mais não são do que um intravenoso que nos vai pôr à mercê dos controladores do mundo. Esta é a última machadada na liberdade individual. A partir da tomada da vacina todos passamos a cativos, instrumentos ao serviço do “grande Irmão”, como escreveu George Orwel, em 1949, no livro “Mil novecentos e oitenta e quatro”. Trinta e seis anos depois temos aí a tese materializada do grande escritor britânico, profetiza o pessimista.

- Só cá faltava essa… a teoria da conspiração! - atalhou o optimista em tom presunçoso.

Enterra o ano que agora acaba e esquece o que se passou. O ano que aí vem vai ser bom.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

BARRÔ: A CAPELA DA NOSSA ALDEIA

 





Hoje, à hora de almoço, quando fazia a saudável caminhada diária na companhia da minha mulher, para nossa boa surpresa, encontrámos a capelinha alusiva às Alminhas com a porta aberta – segundo a Wikipédia, as “Alminhas são oratórios de culto às almas do purgatório, hoje consideradas património artístico-religioso. São pequenos altares onde se pára um momento para deixar uma oração e, por vezes, uma esmola pelas almas. É, também, frequente encontrar velas e lamparinas acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo outras oferendas como azeite ou flores”.

Espreitando para dentro do habitáculo da pequena ermida, deu para ver o gosto requintado do pequeno altar. Duas jarras com arranjos de orquídeas artificiais e uma vela acesa veneravam uma imagem de Nossa Senhora de Fátima

No chão, aos pés do púlpito sagrado, um presépio alusivo aos dias que decorrem dão as boas-vindas a quem vier por bem.

Nos cerca de setecentos metros que separam este pequeno santuário e a capela principal evocativa ao mártir São Sebastião, em farrapos de memória, recordei a grande festa de ano que, nos idos anos de 1960/70/80, se realizava num grande terreiro junto às Alminhas, salvo erro, no verão. Um dos grandes agrupamentos musicais que relembro a actuar foi o “The Yanques”, de Tamengos, Anadia, e que recentemente apagaram cinquenta velas.

Havia também a festa de São José, salvo erro, em Março, que se realizava no Largo da capela -ainda hoje se pode apreciar um pequeno oratório incrustado no prédio propriedade de José Maria “Barbeiro”. Esta alegoria também se comemorava com conjunto musical.

Depois dessa época, de grande pobreza no pecúlio das gentes mas de ouro na união e na concorrência entre aldeias em redor para ver quem fazia a melhor festa, onde a tradição falava mais alto, progressivamente, quase tudo acabou. Só restou a festa anual do padroeiro-mártir São Sebastião. Talvez sem o pressentirmos, estávamos a cavar a tumba da partilha, da encontro, do abraço sentido entre os que estavam e os que vinham para comer um borrego, matado de propósito, e transformado em carne-assada em “caçoilas” de barro negro e assada em forno de lenha. Ainda hoje, com o devido exagero, consigo apreender pelo olfacto o perfume inebriante e pantagruélico que se disseminava pela povoação, saído das chaminés e misturado naqueles fiosinhos de fumo branco, que se elevavam em direcção ao céu.

Já nessa altura, a capela principal apenas abria na festa em honra de São Sebastião ou se morresse algum filho da terra.


E, DEPOIS DO ADEUS, O QUE FICOU?


Com o apagamento das duas festas anuais, creio, por volta da década de 1980, mesmo assim, a aldeia ainda continuou a respirar laços de convívio. Os seus pulmões que arejavam a povoação eram o “Toino da Loja”, com a sua mercearia e taberna, na rua principal, e o café do Alberto e da esposa Cristina, que abriu portas por volta de 1985.

Na década seguinte, em 1993, nasceram as grandes superfícies em Coimbra, Makro e Continente, e a mercearia do “Toino da Loja” levou o primeiro embate.

Na taberna e no café do lugar, o vinho, era o sangue que corria nas veias da gente simples da terra, sobretudo nos mais velhos, porque o local comercial, dentro da sua simplicidade e graciosidade, era o convento e todos eles os frades da confraria que, em torno de um pipo voltado na vertical, a jogar à sueca, ou na rua, a arremessar malhas de ferro ao fito ou “finto”, se reuniam ao Domingo e festejavam com um vaporoso tinto carrascão, provavelmente da zona de cadouços.

Naturalmente, os mais velhos foram deixando o mundo dos vivos e, aos poucos, o néctar de Deus foi sendo substituído pela cerveja – os mais jovens passaram a beber o elixir da cevada, mas já não iam adquiri-la aos estabelecimentos locais. Por ser mais barata, iam comprá-la directamente às novas catedrais de consumo e bebiam em casa.

O pouco que ficou em consequência desta mudança de costumes, já neste século XXI e na última década, a ASAE, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, numa saga persecutória em todo o país, num igualitarismo feroz de tratar tudo por igual na normatividade, e de completa falta de sensibilidade e bom-senso, arrasou o que restava.

Resultado final? Os dois estabelecimentos de congregação e de esteio convivial encerraram.

É certo que temos o melhor pavilhão multi-usos do concelho da Mealhada. Com uma área confortável para fazer desporto e com todos os meios para desenvolver a aldeia, a verdade é que os residentes, fechados no seu casulo, não respondem aos estímulos e não colaboram nas iniciativas. Nos últimos almoços de convívio familiar para ajudar a festa anual, eram mais as pessoas vindas das redondezas do que nativos.


E HOJE, DEPOIS DA GUERRA, O QUE É PRECISO FAZER?


É certo que estamos a viver os efeitos de uma pandemia como a nossa geração nunca viveu, mas o isolamento e distanciamento de pessoas em Barrô já se notava, e de que maneira, nos últimos anos. Temos um lugar habitável magnífico, de casas bem reconstruidas, com artérias bem limpas a fazerem inveja à cidade, onde, havendo uns mais remediados que outros, felizmente, não existem casos de miséria. No entanto, pasme-se, seja noite, seja dia, praticamente não se vislumbram pessoas a transitarem nas ruas.

Para tirar estes residentes de casa é preciso criar uma matriz que sirva de alavanca.

E qual é o modelo a seguir?


A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO


Peguei na frase de Marx, que ficou para a posteridade na introdução à “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, de 1844, para ilustrar o meu pensamento.

Caminhando todos para o isolamento profilático devido ao vírus que nos consome os hábitos de aproximação, o corpo, a carteira e a alma, como escrevi em cima, esta separação, esta solidão que nos consome já vem de longe.

Ora é aqui, neste afastamento entre iguais, que a religião Católica Romana está falhar na re-ligação entre o homem e o seu semelhante. Há muito que, numa espécie de alfabetização espiritual, dando vida às pequenas capelas, através de celebração de missas e ensino de catequese, deveria ter começado pelos pequenos lugares perdidos no mapa deste Portugal esquecido.

Bem sabemos que os padres são insuficientes em número para pregar a palavra do Senhor em todos os lugares sagrados, mas este facto não explica tudo. Os presbíteros são operários da palavra e devem ser desligados da riqueza material. Como sabemos, todo o operário, seja ao serviço de um patrão, seja ao serviço de uma causa ou hierarquia, com o passar do tempo, num cómodo entreter, torna-se egoísta e perde o seu sentido de missão. E a incumbência do mensageiro da paz, insensível às críticas que vêm de fora – que aliás, não considera nem dialoga por classificar provirem de ateus ou inimigos da igreja - coadjuvado muitas vezes por beato(a)s que estão apenas ali para agradar ao senhor vigário, fica confinada à sede da paróquia.

E é aqui que a Diocese deveria intervir numa sensibilização maior aos seus membros evangelizadores para, concretamente, serem o motor principal de revitalização.

Voltando a Barrô, nestes tempos conturbados, de necessidade espiritual, não se compreende a razão de se manter a capela encerrada, praticamente, durante 362 dias – menos três das festas anuais.

Por que não se abre a capela ao Domingo, durante todo o dia?

Qual é a causa do padre nomeado para a paróquia de Luso, de tempos a tempos, não celebrar uma homilia no povoado? É preciso pagar a sua deslocação? Pois se é essa a motivação. Em nome de todos os residentes, faça-se a contra-prestação.



domingo, 29 de novembro de 2020

CHEGA DE TANTA DEMAGOGIA

 

(Imagem da Web)



Segundo o jornal online notícias de Coimbra, “O presidente do Chega quer proibir, punindo com pena de prisão, a captura e difusão de imagens ou vídeos de atuação policial, especialmente sobre “grupos étnicos ou raciais minoritários”, através de uma proposta para alterar o Código Penal. O projeto de lei, a que a agência Lusa teve acesso e que André Ventura pretende entregar no parlamento até segunda-feira, tem por objetivo desencorajar a “captura de imagens ou vídeo de agentes policiais e forças de segurança no exercício de funções, mesmo no quadro de uso da força legítima”. (...)

Salvo melhor opinião, estamos perante mais uma medida populista do Chega. As polícias, nomeadamente GNR e PSP, acima de tudo, precisam de ver o seu exercício aprovado pelos cidadãos e não, como pretende André Ventura, esconder a sua actuação. Colocar o Estado a evitar o escrutínio e a legitimação do desempenho das polícias, para além de agravar o problema, é pregar mais um prego no caixão que há-de conduzir à destruição das forças de segurança. É preciso tomar medidas sérias, mas esta não deve constar no cardápio de reivindicações. Entre outras, todas as esquadras de polícia deveriam ter no seu interior câmaras de captação de imagens; tal como acontece nos Estados Unidos, todos os agentes em serviço de exterior deveriam ser dotados com uma pequena câmara na sua farda. Por último, não faz sentido continuar a julgar agentes policiais nos tribunais comuns em processos-crime gerados no desempenho de funções, onde os juízes não fazem a mínima ideia do que se passa quando são chamados a intervir. Tal como no exército, deveriam ser criados tribunais especiais, extraordinários, compostos por juízes com formação policial e de segurança interna. É uma indecência julgar um agente da PSP ou GNR em paridade, no mesmo nível de um cidadão civil, como se as suas razões comportamentais que os regem fossem iguais -um, com sentido de serviço público, defende a população com corpo e alma, outro, por questões de interesse pessoal, lesa, agride e provoca desacatos.

É certo que os agentes recebem formação especial, mas, sendo a sua profissão de alto stresse e alto risco em defesa de todas as pessoas de bem, em caso de exagero, a sua execução tem de ser avaliada por quem sabe e já sentiu o limbo do "avanço?" ou "não avanço?". E se avançar, por motivação de legitimidade de função, tem de se lhe ser garantida uma certa discricionariedade – e, se calhar, até alguma arbitrariedade. Ou seja, continuando a julgar agentes de segurança em tribunais ordinários comuns, por este andar, não tarda, ninguém se presta a ingressar nas suas fileiras.

O final desta injustiça é fácil de antecipar: o abandalhamento da profissão. Falo por mim, se eu fosse agente e fosse chamado a intervir sem garantia de cobertura legal, sem poder usar a arma a não ser em defesa pessoal, eu estaria a marimbar-me para a segurança de outros.

Talvez valha a pena pensar nisto. E é bom que se pense depressa, digo eu.


sábado, 28 de novembro de 2020

BARRÔ: O PRESÉPIO JÁ ENCANTA

 




Quando bateram as doze badaladas de hoje na torre sineira do santuário de Barrô, pelas mãos hábeis dos membros da comissão zeladora da capela, constituída por Edite Pedro, Luís Santos e António Amorim, coadjuvados pela esposa de António Amorim, a Lucinda, e José Abrantes e a esposa Irene, tal como nos últimos anos, depois de organizarem o presépio, foram ligadas as iluminações natalícias em torno da ermida e no pinheiro, de cerca de seis metros, que foi erigido em honra de todos os moradores da aldeia, para acender a vela da esperança neste período deste ano tão deprimente e incaracterístico.

Dentro da pequena catedral, no altar, São Sebastião, o padroeiro, perante este acto que visa arredar a angústia e a tristeza, pareceu perder o ar de sofrimento e, por momentos, mostrou um sorriso de ciúme.

Em baixo, no átrio, as imagens da família sagrada, fitando o menino Jesus com mil cuidados, não tinham olhos para o que se passava à sua volta. Embora se diga que São José, de rosto enigmático e fechado, mostrava dizer: “bolas, este confinamento e recolher obrigatório veio lixar tudo. Se tivesse mais tempo tinha construído um curral mais acolhedor. Espero que o Menino Jesus não apanhe o maldito vírus”.

Já os três Reis Magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, de ar muito compenetrado, aparentavam serenidade. 

O anjo da Anunciação, de asas abertas e a abençoar o momento, numa posição de reflexão, parecia recordar-nos que todo o conjunto da representação da natividade foi oferecido por um bem-feitor. Já os animais, talvez preocupados com a falta de pasto, tratavam de encher a barriga enquanto havia.

O povo, protegendo-se do malefício epidémico nas suas casas, só aos poucos, nos dias que se anunciam para breve, virão ver e apreender a simbologia do Natal, sobretudo deste que sendo tão diferente dá saudade do tradicional.


EM NOME DA RENOVAÇÃO


Ao que se julga saber, 2021 é ano de renovação ou alteração de propositura para novos zeladores dos templos. Conforme é hábito as nomeações são feitas pelo padre da paróquia. Como se sabe, o anterior vigário de Luso, Carlos Godinho, deu lugar ao padre Rudolfo Leite.

Ora, aproveitando o momento da passagem da pasta, o novo presbítero, promovendo a mudança, devia incentivar a remodelação e apresentação de novas listas, que, a nosso ver, deveriam ser compostas apenas por mulheres. As pessoas, a bem do interesse comum e da revitalização dos lugares habitados, por sua livre iniciativa, deveriam dar primazia a outros e não se deixarem eternizar nos lugares.

Salienta-se que esta proposta não visa mostrar qualquer insatisfação perante as comissões que cessam o seu período de vigência. Nada disso. O que está em causa é, com a sua indisponibilidade voluntária de continuarem, mostrarem que estão dispostos a dar lugar a outros, a novas ideias, a novos projectos que conduzam a mais interação entre residentes.

Sejamos crentes ou não, estamos certos, todos estão de acordo que a(s) igreja(s), no seu religare entre humanos e o metafísico, é também a ponte fundamental que liga todos os nativos, independentemente da sua classe.

Precisamos de pessoas de coração aberto ao servir humilde, seja a Deus, seja aos terrenos, que propaguem o bem e o espalhem como folhas ao vento, mas sem beatice. Residentes que, sem interesses pessoais de protagonismo, estejam permanentemente ao serviço da comunidade.

Vale a pena pensar nisto?


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

BARRÔ: UMA PRENDA PARA O SENHOR PADRE

 





Em Setembro, último, foi feito um peditório em Barrô, alegadamente, para ajudar a comprar uma lembrança ao padre Carlos Alberto da Graça Godinho, que, após 21 anos ao serviço da nossa paróquia de Luso, nos primeiros dias de Outubro ia deixar terras lusenses e ministrar para outras freguesias. A mentora da iniciativa na nossa povoação foi Edite Pedro, a líder da comissão zeladora da capela do nosso lugar e uma reconhecida e interessada no desenvolvimento da nossa povoação.

Até ontem não se sabia que prenda recebeu o senhor padre Carlos, em 13 de Setembro.

Hoje, dia 23 de Novembro, apareceu na vitrine da capela uma comunicação, com data de 13 de Setembro de 2020 e titulada “Oferta da Paróquia ao Padre Carlos Godinho”.

Na comunicação pode ver-se um relógio de pulso da marca “Gant” com quatro imagens. Na primeira vê-se o mostrador e a marca em relevância; na segunda, o relógio e bracelete de pele no seu todo; na terceira, o verso do relógio e respectiva bracelete; e na quarta o verso do relógio com a seguinte inscrição: “Oferta Paróquia do Luso – 1999 – 2020”, seguido de uma legenda em letras minúsculas.

Ainda na exposição, ao fundo, pode ler-se:

Apresentação das contas à Paróquia de Luso

Donativos recebidos: 1,581.50 €”

Relógio 1,035.00 €”

Ramo de 21 rosas: 29.50 €

Saldo entregue ao Conselho Económico: 517.00 €”

E a terminar, a assinatura de António Neves, acólito na freguesia de Luso.


DESCULPE PERGUNTAR, MAS...


Perante as questões colocadas, surgem umas perguntas:

Primeiro, se alegadamente a colecta, peditório, tinha por objecto, e foi a informação dada aos dadores, comprar uma prenda ao senhor padre Godinho, por que razão foi entregue 507.00 euros ao Conselho Económico da Igreja Paroquial de Luso?

Segundo, qual foi o montante apurado em Barrô? Estranhamente ninguém sabe…

Mas vamos por partes…


DE PÔNCIOS A PILATOS PARA FICAR NA MESMA…


Comecei por formular a seguinte pergunta a Edite Pedro: Qual foi o montante apurado no lugar de Barrô?

Edite respondeu: “Não sei. Eu disse às pessoas que o dinheiro que dessem era para juntar ao dos grupos paroquiais, todo num bolo”, enfatizou.

À minha insistência de que, para evitar especulações, convinha responder, a moradora disse que voltaria a ligar daí a bocado.

Cerca de meia-hora depois recebi um telefonema de António Neves, acólito da freguesia, a dizer-me que tinha sido contactado por Edite Pedro. E disse o mesmo que a anterior depoente, ou seja, que era impossível saber quanto ofereceu cada grupo paroquial, porque foi tudo juntado no mesmo saco. Além disso, disse ainda Neves, que a divulgação individual ia causar mal-estar entre os grupos menos generosos. À minha insistência para apresentar o valor de Barrô, retorquiu que ia consultar outros pares e me respondia dentro de algum tempo.

Meia-hora depois, recebi um telefonema de um senhor de nome Luís Brandão. Disse que o senhor Neves lhe tinha pedido para me explicar o que tinha acontecido. Disse também que ajudou o senhor Neves nesta ideia e que me ia dizer como tudo aconteceu. Mais uma vez ouvi o que já tinha ouvido, isto é, que era impossível saber os montantes recebidos por cada grupo.

Porquê tanto segredo?

domingo, 22 de novembro de 2020

NOTÍCIAS DE BARRÔ

 




NOTÍCIAS DE BARRÔ


Junto à capela do mártir São Sebastião, no átrio, durante a manhã de hoje, pela primeira vez em séculos de história, foi erguido um pinheiro de cerca de seis metros alusivo ao Natal e a toda a quadra encantada que se aproxima velozmente.

O esforço físico foi desencadeado por um grupo de moradores que residem em torno do Largo da Capela. Respectivamente, a doação, o corte e transporte da árvore coube ao Luís Santos, Sérgio Saldanha e Álvaro Pedro. Colocar o pinheiro na vertical e garantir a sua segurança esteve a cargo do Luís Quintans e restantes companheiros de jornada. A feitura de flores e laços, como nunca se viu em Barrô, teve por incumbência a Ana Maria Torres. A decoração esteve à responsabilidade das senhoras Ana Torres, Susana Valente, Madalena Quintans e Marisa Saldanha.

Durante cerca de quatro horas, foi interessante ver o entusiasmo como todos, desinteressadamente, se entregaram à tarefa de erguer um símbolo da paz, como é o pinheiro de Natal.

Em conversa com a líder da comissão zeladora, Edite Pedro, ficou combinado que, “uma vez que ainda não se sabia nem quando, nem se haveria presépio este ano”, a iluminação da árvore aguardaria até ao final deste mês de Novembro. No caso de se fazer a alegoria ao Menino Jesus, como habitualmente no pátio do templo, fazia todo o sentido iluminar tudo ao mesmo tempo, incluindo a ermida.

Em nome da povoação, no seu todo e sem excluir alguém que seja, se posso escrever assim, fica o agradecimento. Espera-se que este singelo acto sirva para unir e, sobretudo, nesta época tão acinzentada e sem cor nas emoções, fazer acender a vela da paz, da boa disposição e da esperança. Parafraseando a frase agregadora: “Tudo vai ficar bem”.


REGRESSOU O ABRANTES


Depois de cerca de um mês ausente por terras do centro da Europa, mais especificamente o Luxemburgo, regressou a terras barrosenses o nosso estimado confrade José Abrantes e esposa Irene.

Sempre com o sorriso colado no rosto, simpatia e boa-vontade na colaboração, o “Zé” é um exemplo para todos os habitantes de Barrô, sempre tão ensimesmados, de rosto fechado, com preocupação que extravasa negativamente em redor. A nossa aldeia, para a retirar do mutismo em que se encontra, precisa de embaixadores do sorriso como é o caso do Abrantes.

Por falar nisto, na empatia que podemos gerar nos outros, você, leitor, já trocou hoje umas palavras com o seu vizinho, remetendo-lhe um sorriso?


O DEPÓSITO FOI REMENDADO


Em Setembro, último, dei aqui nota de uma comunicação remetida ao executivo da Junta de Freguesia de Luso a dar conta de uma fuga de água no depósito que, através de furo artesiano, abastece o Lavadouro comunitário.

Com apreço, posteriormente, tivemos o privilégio de ser contactados por Claudemiro Semedo, presidente da Junta de Freguesia, dizendo que tinha tomado em boa nota a informação e que já tinha contactado o empreiteiro para efectuar a devida reparação.

Após algum tempo de espera, o que se compreende, foi esta semana reparada a anomalia. Pela palavra dada e cumprimento da mesma, Barrô agradece.


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

UM SORRISO MARCA A VIDA

 

(Imagem da Web)


UM SORRISO MARCA A VIDA


Encontrei-te por acaso,
numa rua da cidade,
tropecei no teu sorriso,
pareces não ter idade;
Tanto tempo já passou,
eu mal te reconhecia,
se não fosse o teu sorriso,
eu jamais me lembraria;
É estranho um sentimento,
p’ra viver é tão preciso,
parece que nada contou,
a não ser o teu sorriso;
Essa alegria espontânea,
que me prendeu tanto a ti,
foi esse sorriso louco,
que me escravizou assim;
Agora até entendo,
e consigo compreender,
por que é que só um sorriso
nos amarra até morrer;

Envolvido em tristeza,

Um dia quando partires,

vais ver, tenho a certeza

vou chorar e tu sorrires;

Lá de cima cá para baixo,

vais chorar de alegria,

vais ver, não me rebaixo

a uma depressão vadia.