quinta-feira, 25 de março de 2010
ASSALTO AO DENTISTA
Esta noite o protésico José Luís, na Rua da Sofia, 121, 2º, foi assaltado. Segundo o José, “entraram pelas traseiras, pela caleira, entraram no andar de baixo e depois acederam aqui ao consultório. Revolveram tudo. É quase impossível descrever o cenário que encontrei aqui logo de manhã. Olhe que me mandaram facturas pela janela –fui apanhá-las à rua. Levaram-me algumas notas que tinha com clipes nas facturas para ir pagar de água e luz. Levaram sobretudo coisas pequenas, um aparelho de música e mais uns aparelhos ligados à prótese. Sabe o que me deixa de rastos? Olhe que eu trabalho com a Caritas e atendo aqui muitos dos sem-abrigo e até alguns drogados. Sempre os tratei bem. Já viu o que me fizeram? Como é que eu vou voltar a olhar para esta gente com os mesmos olhos?”. Enfatiza o profissional dentário com os olhos humedecidos pela dor.
Diz a esposa: “neste prédio não mora ninguém. Estão completamente à vontade. Nós chamámos a PSP –andava lá um técnico da polícia científica a retirar impressões digitais-, mas para quê? Isto não dá em nada. É tudo arquivado. Para que é que andamos a trabalhar, senhor?”
ASSALTO À FRUTARIA
Esta noite, em hora indeterminada, a frutaria do Arcindo, na Rua das Padeiras e fazendo gaveto para a Rua da Gala foi assaltada.
Os gatunos levaram todo o café moído de máquina, azeite , óleo, atum, vinhos, fruta, nomeadamente as mangas, Cerelac, Nestum, leite condensado, enfim, tudo o que faz falta numa casa. Para além disso, levaram ainda os trocos da caixa-registadora, “que fica sempre aberta, precisamente para evitar prejuízos maiores”, segundo declarações da dona Arminda, a esposa do Arcindo. A PSP tomou conta da ocorrência.
Pelos estragos apresentados na porta, tudo indica que foi ao pontapé. “Já viste isto? Para rebentarem com a porta revestida a chapa, obrigatoriamente, deveriam ter feito muito barulho. Mas, para além de quase ninguém morar aqui, os poucos resistentes, que são velhos, se ouviram, naturalmente fecham-se em “copas”. Mais uma vez me calhou em sorte. Já nem sei o que hei-de fazer…-enfatiza o Arcindo de olhar perdido no espaço.
Interrompe a esposa: “mas vizinho, será que isto vai continuar? Ninguém se importa connosco? Já fomos tantas vezes assaltados que já lhe perdemos a conta. Isto é mesmo uma miséria! Ainda há cerca de 15 dias, o Acácio, o dentista, ali por cima do antigo “Zé Poupança” foi também assaltado. Levaram computadores e tudo. Para que servem as câmaras de videovigilância? Servem para alguma coisa? Já viu, rebentam com tudo, entram e, com o mesmo à vontade com que se vai ao supermercado, aviam-se, ainda levam dinheiro da caixa…e uma cautela de lotaria. Pode ser que lhes saia a “sorte grande” e deixem de andar a roubar…”
quarta-feira, 24 de março de 2010
A FEIRA DOS 23
Ontem, na Bencanta, ali entre o rio Mondego e o Instituto Bissaya Barreto, como em todos os dias 7 e 23, realizou-se mais uma popular feira. Embora fosse um desastre como agricultor para o meu pai –enquanto foi vivo-, de vez em quando vou lá comprar qualquer coisa para plantar. Como sempre, e ontem particularmente, fico abismado com o movimento daquele certame. Para se conseguir aceder ao recinto só quem estivesse na disposição de aguentar uma hora de uma fila de carros com mais de dois quilómetros, entre a ponte açude e Bencanta. Estranhei não se ver por lá um único polícia a controlar o tráfego. Creio que aquela zona já pertence à GNR. Depois de ter estacionado o meu carro cá muito atrás, enquanto ia deambulando por entre as muitas centenas de pessoas, ia pensando que se, por acaso, ali houvesse um qualquer conflito –o que será normal entre consumidores e vendedores- como é que lá chegava a polícia a tempo e horas de evitar sangue.
Adoro apreciar este ambiente tão carismaticamente popular. É extraordinário sentir ali o pulsar do povo de todas as classes sociais. Ali há de tudo e vende-se de tudo e mais alguma coisa. Desde animais, cobres, artigos para agricultura, até mobílias para a cozinha.
Numa altura em que as crianças praticamente não tomam contacto com a vida campestre, sobretudo animais de capoeira e outros, estas feiras não deveriam ser visitadas por crianças de escolas básicas? Não sei…se calhar até serão mesmo. Se não são deveriam ser. Hoje em dia, penso, parece que a única preocupação é inculcar-lhes massivamente conhecimento e Internet. Como se o mundo girasse todo à volta destes dois itens.
Aquele ambiente é mesmo espectacular. Fiquei admirado pelo grande movimento de pessoas. Todos os vendedores, pareceu-me, estavam a fazer negócio. Fui comprar umas galinhas. Estive de estar à espera. Como queria “poedeiras”, para porem ovos, quase que não arranjava. Costumo comprar numa simpática vendedeira de galináceos. É a Sandra. Terá pouco mais de trinta anos. Para além de linda, de cabelos médios alourados, tem uma aura de luz que a distingue das demais. É muito viva e cativante. Com um generoso decote, que até os galos, recolhidos nas capoeiras atrás, todos estendiam o pescoço para verem, imagine-se uma pobre criatura como eu…tão sensível à arte da beleza feminina. Conheço-a mal, e para mais o marido estava ao lado, portanto era melhor não me estender muito, mas mesmo assim, tentando obter um preço melhor na minha compra, lá lhe fui atirando um elogio: a dona Sandra é a que mais vende aqui na feira. No meio de uma largo sorriso, maior que o sol de Agosto, respondeu: “é verdade sim! O meu marido já disse que se tivesse duas como eu já estava rico há muito tempo…”
UMA IMAGEM...POR ACASO...
É o Geraldo, o "espanta pardais". Tem um vozeirão que parece o saudoso Pavarotti. Anda por aqui, pela Baixa. Não faz mal a ninguém. É daqueles "cromos" que de tantas vezes os vermos acabamos por gostar deles. É como se já fizessem parte da paisagem urbana. Falo por mim...é óbvio...
AS IGREJAS TAMBÉM SE ABATEM...
A minha informadora foi peremptória: “a igreja de Santa Justa encerrou ao culto. Depois de os frades Franciscanos Capuchinhos terem abandonado a residência ao lado do templo, há cerca de um ano, como não há padres, já não são celebradas homilias”.
Era então preciso comprovar esta informação. Um vizinho, residente ao lado da igreja, e que pediu o anonimato, confirmou que de facto os Franciscanos Capuchinhos abandonaram a casa ao lado, “já há cerca de um ano atrás. Só vêm cá, de vez em quando para pagar as contas da água e da luz”, confidenciou-me. Quanto ao encerramento da bonita Igreja de Santa Justa não é totalmente verdade…mas quase. “Agora, só se celebra uma missa ao Domingo, às 10H00. Como sabe, antigamente, era todos os dias e ao Domingo eram várias homilias celebradas. Agora, para além de os Franciscanos terem ido embora, vem menos gente. A Baixa parece um deserto. Quem vem cá dar a missa ao Domingo é um padre da Igreja de Santa Cruz. Mas, olhe, se quiser saber mais, vá lá falar com o senhor padre Anselmo. Conhece?...”
A RENASCENÇA À PROCURA DE UMA VOZ
A Rádio Renascença está hoje em Coimbra, junto à Câmara Municipal. Ao que consegui saber, esta estação de rádio anda à procura de locutores. Sob o lema "Dê Voz a um Sonho", com o autocarro que se vê na imagem, ontem estiveram no Porto a fazer "castings", hoje em Coimbra e amanhã em Lisboa.
Se não fosse cá por coisas tinha lá ido. Sempre achei que tinha uma voz óptima para espantar pardais...
BAIXA: CRITÉRIOS POUCO EQUITATIVOS DA CMC
José Alberto Ferreira, proprietário da “Festinoivos –comércio de Moda, Lª”, na Rua Dr. Manuel Rodrigues, está inconsolável: “isto é uma vergonha! Uns são filhos e outros enteados! Então, para nós, fizeram-nos "comer lume" e gastar o que não tínhamos em projectos de licenciamento do nosso reclame e agora, aqui à volta, só se vêem painéis de publicidade em acrílico e em cores berrantes?”. Enfatiza, exasperado, apontando e referindo-se a critérios de licenciamento da Câmara Municipal de Coimbra.
O que lhe fez “saltar a tampa” foi o facto de, na semana passada, ter aberto quase ao seu lado um novo estabelecimento de sapataria, a “Stara”, com painéis de publicidade em “rosa-choque”. Anteriormente foi as "Modas A&P” com publicidade em cores berrantes. Depois foi a “Vodafone”, depois a imobiliária “Era”. “Eu não tenho nada contra estes estabelecimentos. Aliás, até estou contente por estarem ao meu lado. Isto não é nada pessoal”, esclarece o José Alberto, em jeito de desabafo. Mas a nós, à minha loja, a autarquia fez-nos a vida negra com exigências. Tudo começou em 2006, quando quisemos legalizar o nosso reclame em acrílico por cima do alçado da loja. Entregámos toda a tramitação exigida na câmara, desde a “memória descritiva”, a “planta de localização” e os "desenhos dos alçados".
Em resposta, recebemos um ofício a dar-nos conta que “em termos estéticos e de integração urbana, contraria o definido no número 1 (…)”.
Continua o José Alberto, como o primeiro reclamo em vinil nos custou cerca de 800 euros, tentámos fazer a sua integração com o que era pedido pelos serviços, mas debalde. Nunca estava bem. Ora era a cor, ora era o material empregado, mas nunca nos diziam o que queriam verdadeiramente. Andámos um ano a tentar encontrar uma solução…que tardava. Todos os nossos requerimentos eram indeferidos. Nunca me disseram o tipo de material que deveria utilizar para a publicidade. Até que nos mandaram para os monumentos nacionais (IGESPAR). Fui então acompanhado do técnico de publicidade e fomos falar com uma arquitecta. Mais uma vez repetiu que o material não se adaptava à Zona Histórica. Como já anteriormente fizera na câmara, mais uma vez, interroguei que materiais deveriam ser colocados no painel. A arquitecta, sem responder, mostrou-nos uma imagem em computador de uma relojoaria…no Porto. O técnico que me acompanhava verificou que o painel que estava a ser mostrado era em “aço escovado”. Interrogou a arquitecta se, perante aquela imagem, deveria depreender que queriam o painel em “aço escovado”? A responsável pelo serviço não sabia o que era este material. Saímos de lá, mais uma vez, sem sabermos o que queriam. Até que se apresentou um outro desenho e, finalmente, foi aprovado. Este novo reclame custou-me cerca de 1200 euros.
Durante um ano fui mais de dez vezes aos serviços camarários por causa deste problema. Para além do que se gastou, se calhar esquecem que, para uma pequena loja como esta, o tempo que se perde é muito importante.
Saliento, mais uma vez, de que não somos contra os nossos vizinhos. O que contestamos são os critérios. Se para nós foi indeferido várias vezes em função das cores e pelo facto de ser em vinil, porque é que agora, à volta, aprovam tudo, sobretudo as cores garridas de gosto, no mínimo, duvidoso? A lei da câmara não é igual para todos na Rua Dr. Manuel Rodrigues?” Interroga o José Alberto, sócio-gerente do estabelecimento de artigos para noivos “Festinoivos”.
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