quarta-feira, 23 de setembro de 2009

UM ZORBA ENTRE NÓS


Conheci-o há dias na Rua Visconde da Luz, mais precisamente no sábado passado, aquando do certame promovido pelo pelouro da cultura da Câmara Municipal de Coimbra, sobre o lema o “Atelier Vai para a Rua”.
É grego e tem estado em Lisboa. Ainda fala mal o nosso português. Durante mais de um mês, durante este verão, esteve na Figueira da Foz. Na semana passada agarrou na sua mochila e ala até Coimbra. Vinha apenas para conhecer a cidade e voltar outra vez para Lisboa, mas apaixonou-se pela terra dos estudantes. Arrendou um quarto por um mês, e por cá está.
Para além pintar telas, é um aguarelista de excelência. Os seus preços são módicos. Se passar pela Praça do Comércio aprecie as suas criações. São uma maravilha. Vá por mim…

"Ó DOTÓR...DÁS-ME UMA MOEDA?"


 É o Adelino Paixão, uma figura típica da nossa cidade. Já aqui falei dele. Vagueia pelas ruas da Baixa. Não faz mal a ninguém. Hoje, à hora do almoço, quando me avistou, como é costume, roga: “ó dotór…dás-me uma moeda?” Coloco-lhe na mão cinquenta cêntimos. Ele olha, e “oh…não chega! É para comprar uma sandes!”. Retiro outra moeda, agora de 1 euro. Coloco-lha na mão e tento retirar a de cinquenta cêntimos, mas, como mola automática, a mão fecha-se rapidamente e lá ficam as duas. Por entre um sorriso matreiro, o Adelino deve estar a pensar: “este gajo é mesmo parvo. Esta coisa de lhe chamar “dotór” funciona sempre”.
Ainda não satisfeito, o Paixão agora pede uma foto. “Dás-ma amanhã?”.


O DIÁRIO AS BEIRAS E A SUA POUCA VISÃO









"Para comentar uma notícia necessita de ser assinante do DIÁRIO AS BEIRAS ON-LINE ou então necessita de nos enviar uma cópia do B.I. (faça aqui o upload da imagem do B.I.)
Se ainda não se tornou assinante do DIÁRIO AS BEIRAS ON-LINE aproveite para o fazer já aqui."




 Vamos por partes. Gosto muito do Diário as Beiras, e não passo um único dia sem o ler. Ainda me lembro da sua fundação, salvo erro, em 1993, como semanário. Depois passou a diário. Creio que a memória não me está atraiçoar.
Durante vários anos escrevi na sua página do leitor quase todas as semanas. Depois, progressivamente, o jornal começou a abandonar o seu leitor diário e colaborador. Ora juntava as cartas todas e as publicava a esmo, ora não publicava e quando o fazia era já tarde para o assunto em análise. Aos poucos, deixei de escrever para o jornal –é óbvio que o diário não perdeu nada. Ainda cheguei a mandar uma carta ao director a dar-lhe conta de o quanto achava que estava a desperdiçar uma riqueza que lhe caía no regaço gratuitamente. É lógico que não me estava apenas a referir à minha humilde pessoa, mas a todos os leitores, como eu, que escrevem.
Nessa carta, já escrita há vários anos, argumentava que, segundo estudos científicos, a página do leitor de um jornal regional é a mais lida. Para além de mais, sabe-se, hoje, devido a custos redactoriais, um jornalista é uma espécie de homem das pizzas. Leva a direcção, entrega, recebe e vai-se embora. Por outras palavras, o jornalista –pago à peça- leva a “encomenda” do jornal de cobrir o evento, escreve só sobre o que se passa no momento e vai-se embora a correr para ir escrever outra peça noutro lado. O jornalista não tem tempo para ouvir uma conversa lá no canto da sala, que embora aparentemente despicienda, vem dar outra perspectiva sobre a notícia em causa. Hoje quem lê jornais apercebe-se que, sobretudo nos locais, mesmo em títulos diferenciados, há um formatado plástico nas notícias. O que se lê num, lê-se noutro. Parece que o jornalista, em vez de o ser efectivamente, perde o seu lugar e passa para o de fotógrafo. Chega a um local, fotografa o boneco e já está!
Ora, quanto a mim, na forma académica de ver o jornalismo, não é assim. Eu vejo o jornalista como um observador atento a tudo o que o rodeia. Por exemplo, toda a gente olha apenas para o chão e para altura dos olhos. É aí que entra o jornalista, ele olha para o ar, para onde a maioria não olha. O jornalista, a meu ver, para desempenhar bem a sua profissão, deve ser um sensitivo. Conseguir ler as expressões, adivinhar, deixar-se conduzir pelo instinto. Não tendo e não exercendo estas qualidades é apenas mais um no magote. Só vê com os mesmos olhos da maioria. Claro que admito que esta minha tese é académica. Hoje não há tempo. E para se criar seja o que for, para ler nas entrelinhas, é preciso impreterivelmente tempo. E, devido à economia, à necessidade de poupança, não há.
Ora é aqui que entram os leitores-colaboradores. Um jornalista, devido à escassez de tempo, não pode chegar à rua, à quelha, à questiúncula, ao pequeno assalto ao estabelecimento. Só lá chega se for informado. Mas, mesmo que seja, como não conhece o “bas-fond”, o que está por trás, a causa, o que deu origem ao caso, apenas vai escrever o efeito, sem ter em conta que para o leitor também é importante a causa. E é aqui que entra o leitor-colaborador. Ou entrava. Como hoje há os blogues, este serviço passou a ser feito por quem escreve online, pelos “bloguers”. E os jornais locais aproveitam muito bem esta informação. No entanto, falta assumir esta colaboração de uma forma institucional. Respeitar quem escreve e fotografa nos blogues. Sobretudo quem o faz de uma forma séria, dá a cara e assume o que escreve.
Vejam bem como são as coisas, eu comecei a escrever este texto apenas com intenção de dizer que acho muito mal que o Diário as Beiras apenas permita comentários a quem é assinante. Está mal. Duma forma intencional, está a discriminar os leitores. Aliás, é contraproducente. Se um leitor é interessado e comenta, o mais natural é que se venha a fazer assinante do jornal. Aqui, no caso em apreço, é feito ao contrário. Primeiro assinas o jornal e depois comentas. Acho que o comentário, obrigatoriamente identificado, deve ser livre. Aliás, acho que acima de tudo, deve ser encarado sob o ponto de vista da utilidade.
E tenho de ficar por aqui. Já se sabe que o “escritor” é um manipulador. Quem sabe se este texto pode ajudar a mudar alguma coisa no Diário as Beiras a bem de todos leitores, sobretudo quem gosta de se expressar escrevendo. Sim, por que, apesar de haver milhões, nem todos têm um blogue para poderem escrever o que lhes vai na alma. E para esses, é aí que deveria entrar a página do leitor de um jornal.

"SOU UM CÃO-GUIA"




1- Olá!
Sou um cão guia e quero ensinar-te como deves actuar quando te encontrares comigo em companhia do meu dono-cego;

2- Antes de mais deixa-me dizer-te que eu sou um cão de trabalho, não uma mascote. Quanto mais tu me ignorares melhor será para mim e para o meu dono;

3- O meu comportamento e a minha forma de estar são totalmente diferentes da dos outros cães. A minha dupla função de guia e de companheiro do meu dono-cego deve ser respeitada;

4- Por favor não me toques, nem me acaricies quando eu estiver a trabalhar, ou seja, quando me vires com o meu arnês posto. Se o fizeres podes distrair-me e eu nunca posso falhar a minha função;

5- Repito: O mais adequado é ignorares-me. E não tenhas, de forma alguma, medo de mim! Nós, cães guias, somos muito bem adestrados e nunca seríamos capazes de te fazer mal sem motivo;

6- Mas ouve bem: Se trouxeres contigo outro cão, põe favor controla-o para evitar que possa acontecer qualquer acidente quando passar ao meu lado ou ao lado do meu dono cego;

7- Por favor não me ofereças guloseimas ou alimentos: o meu dono encarrega-se disso com todo o esmero! Estou bem alimentado e tenho um horário estabelecido para ir comer;

8- Quando te dirigires a uma pessoa cega acompanhada de um cão guia como eu, fala directamente para ele e não para mim;

9- Se um cego com um cão guia te pedir ajuda, aproxima-te dele pelo lado direito para que eu possa manter-me à esquerda;

10- Ele ordenar-me-á que te siga, ou então pedirá que lhe dês o teu cotovelo esquerdo. Nesse caso, ele dar-me-á uma espécie de senha para me dizer que eu estou, temporariamente, fora de serviço;

11- Se um cego com um cão guia te pedir que lhe indiques uma direcção, dá-lhe indicações claras sobre o sentido para o qual ele se deve voltar ou seguir para chegar ao lugar para onde se dirige;

12- Não corras nem agarres o braço de um cego com um cão guia, sem antes lhe falares. E, por favor, nunca toques no meu arnês! Só o meu dono, para o qual trabalho, o deve fazer;

13- Nós, cães guias, temos horas e lugares pré-determinados para esvaziar os nossos esfíncteres;

14- Eu, como cão guia, estou habituado e habilitado a viajar em qualquer meio de transporte, encostado aos pés do meu dono cego sem causar incómodo aos outros passageiros, seja dentro ou fora do país;

Dado o rigoroso treino que temos, nós, cães guias, estamos habituados e habilitados a aceder e permanecer junto aos nossos donos em qualquer tipo de estabelecimento, tanto de saúde, como em centros comerciais, restaurantes, supermercados, cafetarias, cinemas, teatros, centros de estudo ou de trabalho, etc., sem causar alteração ao normal funcionamento dos mesmos nem incómodos aos outros utentes ou funcionários.
Nos locais de trabalho, os donos de cães guias estão habilitados a exercer as suas funções connosco ao seu lado. De acordo com o treino que recebemos, nós nunca vagueamos pelos recintos por nossa conta e risco. Ficamos encostados aos pés do nosso dono-cego;

Os cães guias têm o mesmo direito que os donos para gozar de livre acesso a todos os locais públicos.

Ajudas-me a divulgar isto tudo?
Obrigado Amigo!

(EU LADRÃO ME CONFESSO, FURTEI ESTE POST A LU_AMA NO NETLOG)

UM COMENTÁRIO RECEBIDO ( SOBRE "BAIXA: DIA SEM CARROS...)




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "BAIXA: DIA SEM CARROS/OUTRAS RALAÇÕES":

"Dia Europeu sem Carros" ou "Dia Europeu sem Compras" ? Uma vez mais esses senhores da gravata (obviamente funcionários públicos) repetiram a gracinha de outros anos e toca de fechar umas estraditas nas cidades, que é pró pessoal saber que eles até contribuem para a redução do buraco do ozono. Aproveitam a talho de foice, para fazerem umas comemoraçõeszitas, gastar uns trocos e assim passam o dia. Agora, quem está sempre entalado com estas ideias geniais, ideias estas que só provêm de "Supergénios de Secretária" com o tacho assegurado, pago aqui pelos Zés e pelos bananas que têm de perder mais tempo e dinheiro em filas intermináveis e os massacrados comerciantes que ficam a penar, a pregar e a rezar aos santinhos para que aparecam uns clientes ecologistas. Em suma : mais um dia horrível para o comércio, que se repercute no resto da economia, mas ..... é porreiro pá!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

OS ARTISTAS DE RUA REGRESSARAM


(O WALTER, NO SAXOFONE, ENSAIA COM O TIAGO NO CLARINETE)


Há quase dois meses que quem passava nas ruas da calçada (Ruas Visconde da Luz/Ferreira Borges) não avistava um músico de rua.
Durante estes sessenta dias, praticamente, só era possível ouvir o Mário –um sem-abrigo- a tocar flauta. E pode até nem concordar comigo, mas estas duas artérias, com os sons harmoniosos do saxofone do Walter Kovacs e a concertina da Patrícia, ficam diferentes para melhor. Parecem a zona envolvente da Torre Eiffel, em Paris. Sem os sons melodiosos sobretudo destes dois artistas as ruas pareciam estar de luto. Claro que não posso esquecer outros músicos que também lá tocam, como o Ricardo, por exemplo, e outros que estão a chegar, como o Tiago Ribeiro que só conheci hoje, mas falarei mais em baixo.
A maioria destes músicos, que conheço bem, é de uma generosidade invulgar. Às vezes olhamos para eles e, erradamente, tomamo-los como vulgar pedintes. Mas, se pararmos um pouco, ouvirmos as suas melodias, sentimos que afinal foi bom “abrir o livro, ler um pouco, e constatar que estávamos errados ao avaliá-lo apenas pela capa”. Somos todos um pouco assim. São as nossas referências empíricas que nos transmitem estes sentimentos apriorísticos. Devemos fugir destes pressentimentos enganadores. Por vezes, por sermos lineares, perdemos tanto nas avaliações erradas que fazemos. Apreciamos mal os nossos filhos, a nossa mulher, o nosso vizinho, recém-instalado no andar ao lado. Vivemos a vida a correr. Nem temos tempo para nos debruçarmos no essencial quanto mais no acessório. Pronto. Eu sei. Chega de divagações!
Então, voltando aos artistas de rua, depois deste regresso, ficamos a saber que eles serão o contrário das andorinhas. Enquanto elas estão a arrumar a trouxa para rumar ao norte de África, eles, certamente rejuvenescidos de umas férias noutras paragens, ou, se calhar em trabalho, regressam à velha rotina diária que está a começar com o Outono que se aproxima a passos largos.
Amanhã, quando passar pelo Walter Covacks e pelo Tiago Ribeiro, um executante de clarinete, estreante nas ruas da calçada. Veio há pouco para Coimbra. Está a estudar na Escola Agrária, ali em Bencanta. “Como o dinheiro não abunda, estou a experimentar para ver se faço uns trocos para me ajudar na minha vida diária”, enfatizou, quando o interroguei acerca da sua estada ali na rua. Nunca lá o tinha visto. Seja então bem-vindo Tiago.
E você, que me lê, não esqueça, amanhã quando passar por estas pessoas, lembre-se de pelo menos de duas coisas: primeiro, eles têm nome. Segundo, dê-lhes uma moeda. Acredite, é bem merecida. Pare um pouco…e ouça!