segunda-feira, 24 de novembro de 2008

MAIS UMA VISITA INDESEJADA NA BAIXA

(ESTE ESTABELECIMENTO FOI ASSALTADO)

(ESTA MONTRA FOI APENAS QUEBRADA)


O senhor Moura, um dos decanos na arte de carimbos, penso que talvez uma profissão em vias de desaparecimento, no fim-de-semana de 16 deste mês de Novembro, foi assaltado no seu estabelecimento Junto ao Chiado, na Rua Ferreira Borges. Segundo as suas palavras, “o pior foi a quebra de vidros, porque quanto ao valor roubado foi de pouca monta, felizmente, como já estou precavido, o que coloco nas montras são artigos de pouco valor”.
Neste sábado último, dia 22, num outro estabelecimento que possui na mesma rua, quase junto ao Largo da Portagem, durante a noite, partiram-lhe o vidro de uma montra. Por razões que desconhece, não levaram nada.
De qualquer modo, e para que conste nas estatísticas policiais, para que o senhor Comandante da PSP, mais tarde, não vir afirmar que não há participações dos factos, o senhor Moura apresentou queixa dos dois casos anómalos.

LEONOR A DESEJADA




Leonor foi baptizada,
os pais estão encantados,
os avós todos babados,
eis a menina sonhada;
Ai Leonor, Leonor!
nunca saberás o teu drama,
as horas de pouca fama,
naquele leito de amor;
Noites e noites sem chama,
tua mãe a medir a temperatura,
o teu pai, lamentando, que não está dura,
foi uma luta, por ti, entre eles, naquela cama;
Tudo por causa do “Malfarrico”,
mais um mês de tanta esperança,
tantos dias de lembrança,
nesse malfadado “Chico”;
Mas o desgraçado “Benfica”,
sádico, viajante na certeza,
míssil carregado de tristeza,
destrói tudo e complica;
Mais um tempo de sacrifício,
tanto desempenho em contramão,
a fé no óvulo e na fecundação,
mais uma ansiedade em suplício;
Leonor a desejada!
és a lua da nossa vida,
és o sol que nos convida,
o prémio, por Deus enviada;
Mas, toma atenção Leonor!,
esperamos muito de ti,
nesta festa, te rogamos aqui,
não nos desiludas, por favor!;
já vês que tanto amor,
não cabe neste escrever,
mas é desejo de quem ler,
sê feliz…Leonor!

(Baptismo da minha sobrinha Leonor, em 23 de Novembro de 2008)

sábado, 22 de novembro de 2008

UM SÉCULO POR UMA VIDA





Corria o ano de mil novecentos e oito,
na aldeia de Barrô,
um casal, alto, gritou,
o homem estava afoito;
Em Novembro a mulher gemia,
o homem não parava,
a parteira conciliava,
uma criança nascia;
Depois foi o baptizado,
crescer na indiferença,
onde a fome sem licença
entrava em qualquer lado;
De criança até mulher,
foi como um raio solar,
uma aragem a soprar,
a guerra que se não quer;
Era o orgulho da família,
uma rosa perfumada,
seguida por tudo e nada,
assim era a Lucília;
Chamavam-lhe “malhadiça”,
por saber o que queria,
em conversa ela não ia,
foi escolher à Vacariça;
Tinha então vinte e tal mais,
era recto como um fuso,
casou então no Luso,
nos braços de José Morais;
Amava-o perdidamente,
três filhos pariu na vida,
um deles foi de partida,
dois ficaram para semente;
Veio uma outra guerra do mar,
notícias para esquecer,
quase dava para morrer,
mas era preciso lutar;
Sem medo foi à aventura,
na procura timoneira,
foi mãe, foi cozinheira,
na miséria e na fartura;
Conheceu a democracia,
a empalhar um garrafão,
ainda tem na mesma mão,
os calos da utopia;
No século que ainda a choca,
olha todos a troçar,
até parece adivinhar,
a inveja que provoca.
.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

UM COMENTÁRIO RECEBIDO




Daniel deixou um novo comentário na sua mensagem "UM METRO CURTO E SEM AMBIÇÃO":

«E, no tocante a transportes urbanos, o que é que se tem feito em Coimbra? Acabou-se com os eléctricos, quase se extinguiram os velhos tróleis, e o que resta são os autocarros…que servem mal as localidades limítrofes.»

Torna-se difícil melhorar a rede de transportes urbanos, quando o estado não dá um único cêntimo de apoio aos SMTUC, que apenas têm ajuda da câmara. O estado dá dinheiro á Carris (Lisboa) e STCP (Porto), e aos SMTUC dá 0€.

Em relação aos tróleis, fique sabendo que não estão em extinção (ainda há pouco tempo fizeram a linha 60, para S. José), e mais uma vez o problema é o dinheiro, pois um trólei custa 4 vezes mais que um autocarro normal e os SMTUC não nadam em dinheiro.

Sobre o metro, acredite que é muito importante para a cidade. Não pode apenas contabilizar a população de Coimbra, tem de contar também com a população de Lousã e Miranda do Corvo. A linha da Lousã precisa de ser modernizada, e o metro vem permitir isso, acabando assim com a velha e poluente automotora que faz actualmente o serviço Coimbra - Lousã.
Claro que o traçado de inicio é um pouco limitado, mas que poderá ter alargamentos futuros para outras zonas como Condeixa, Taveiro, etc.



Publicada por Daniel em Questões Nacionais a 21 de Novembro de 2008 18:12
(MUITO OBRIGADO PELO COMENTÁRIO E PELA OPINIÃO TRANSCRITA)

AS ILUMINAÇÕES DA DISCÓRDIA (2)


(O GROUND ZERO DE COIMBRA)



(O CANTINHO DA ANITA)


 Lena Gomes, Maria Hermínia e Alexandra Gil, são comerciantes na Rua de Sargento-mor, respectivamente, proprietárias dos estabelecimentos, “Lena”, “O Cantinho da Anita” e a Retrosaria “S. Bartolomeu”.
Para que se saiba a Lena foi uma das comerciantes que perdeu tudo, aquando do desmoronamento, no 1º de Dezembro de 2006, na Rua dos Gatos, ali mesmo, junto à sua (nova) loja. Passados dois anos, nem a companhia de seguros -que, de desculpa em desculpa esfarrapada, vai protelando- ainda lhe pagou, apesar de na altura ter seguro multirriscos na sua loja de pronto-a-vestir, nem a autarquia “ata nem desata” em mandar fazer o arranjo urbanístico do “buraco”, em que, até aí, existiram dois edifícios. Ao que tudo indica este espaço será uma bela praça, mas, para quem passa, aquele recanto de terra batida, é apenas um entre muitos abandonados na cidade. Para a Lena, que tinha ali o seu negócio, a razão da sua vida, e que de um momento para o outro, como num filme de terror, viu ruir o seu sonho como um castelo de cartas, aquele lugar, na sua memória, será sempre um monumento, o seu “Ground Zero”, que significa para si o mesmo que o espaço ocupado pelas destruídas torres gémeas, em Nova Yorque, em 11 de Setembro, de 2001, significa para os habitantes da “Grande Maçã”. Com uma diferença “big” (enormíssima), lá, nas “terras do tio Sam”, as vítimas receberam apoio material e psicológico, aqui, na “terra do tio diabo”, ninguém com responsabilidades autárquicas ou nacionais teve a ombridade de a questionar se psicologicamente,estaria bem e se precisaria de alguma coisa que contribuísse para continuar a viver. Sim, porque a Lena é uma mulher forte –não é preciso ser psicólogo para ver-, mas tem família, marido, filhos e, naquele caso, era mais que evidente que precisava de ajuda. Enfim é o país que temos, ou melhor, a irresponsabilidade moral, ética, e sobretudo a falta de solidariedade de quem está à frente deste rectângulo. Passemos à frente destas coisas tristes.
Nos últimos dias, deste mês de Novembro, as três comerciantes, a Lena, a Hermínia e a Alexandra constataram que a sua Rua de Sargento-mor, estranhamente, estava a ser ornamentada nos pólos, ou seja no princípio e no fim, e no meio, mais concretamente em frente à “cratera triste” da Lena, não havia qualquer ornamentação. “Veja bem, aqui, que é o sítio mais decrépito da rua e que mais precisa de luz, para tirar este aspecto triste, não ornamentaram”, manifesta a Lena indignada.
Vai daí, que a Lena não é de ficar de braços cruzados à espera que as coisas aconteçam, juntamente com as duas vizinhas, também mulheres decididas, como a mostrar aos comerciantes-homens, que as mulheres têm muito para dar ao comércio tradicional da Baixa, foram à Praça 8 de Maio, à “Casa Aninhas”, e pediram para ser recebidas pela Directora Executiva, do Turismo de Coimbra, empresa municipal, Celeste Amaro, que, ao que parece, superintende as questões logísticas relativas às iluminações natalícias na cidade.
Segundo o depoimento das três senhoras, “quando expusemos os nossos queixumes à Dr.ª Celeste Amaro, notámos imediatamente alguma brusquidão, uma rigidez no tratamento, como se, de repente, ali caísse uma nuvem de azedume embrulhado em arrogância”.
“Sabem que não podem estar aqui a pedir, mais e mais. Há ruas que não têm sequer qualquer iluminação. Gastámos 150.000 euros!", replicou a directora do turismo.
Continuando a citar as três senhoras, agora pela boca da Lena, “foi então que lhe perguntámos a razão das ruas principais (Ferreira Borges/Visconde da Luz) serem muito mais cuidadas e mais bem iluminadas?”
Respondeu Celeste Amaro, “porque são as ruas onde passam as pessoas!”
-Ai é?, e as ruas de baixo são o quê? São filhas de mulheres da vida? Interroga uma das três mulheres já a ficarem irritadas.
-São ramificações. Lá não passam turistas. Responde a técnica de turismo.
-Como?! -interroga a Hermínia, dona do “Cantinho da Anita”- Saberá a senhora que o meu estabelecimento está inserido num edifício do século XV e é dos mais visitados pelos turistas?!
Conta a Lena, “ali não havia diálogo, havia um monólogo de uma senhora que parecia saber tudo, não deixava falar ninguém, que não estava ali para ouvir mas simplesmente para falar. Claro que a conversa começou a descambar. Ainda olhei cá para baixo, para a rua, e pensei, vou-me mas é embora. A partir daqui, foi como se a senhora estivesse a desfolhar uma cartilha contra os comerciantes de rua”.
-Os comerciantes estão mal porque não querem trabalhar. Se querem vingar têm que se igualar às grandes superfícies. Alargando os horários de funcionamento. Têm de estar abertos até às 23 horas ou até à meia-noite. Porque não fazem descontos durante a noite, para atrair pessoas? -prossegue Celeste Amaro, perante o ar atónito das suas pretensas requerentes.
-Estou muito céptica em relação à Baixa de Coimbra. Não vejo sobrevivência possível para o comércio de rua, seguindo as linhas actuais.
-Quer dizer que vamos morrer todos? –interroga a Lena.
-Estou certa que sim! –responde peremptoriamente a senhora técnica.
-Façam parte de uma associação e reivindiquem, continua Celeste Amaro.
-Já fomos associadas, mas, como não faziam nada, nem nos defendiam, desvinculámo-nos de associados, recalcitra a Lena.
-Formem uma associação dos descontentes, uma vez que são três senhoras.
Certamente, como epílogo, o leitor esperava que eu escrevesse um qualquer juízo de valor. Nada disso. Cada um, a seu modo, tirará a sua própria ilação deste diálogo ou “monólogo”.

AS ILUMINAÇÕES DA DISCÓRDIA (1)



Para que conste para história, e servindo de introdução ao que vou contar, até porque, pode não parecer, mas esforço-me tremendamente para ser justo nas minhas apreciações. Sei que por mais que “transpire”, dentro da minha subjectividade, nunca o conseguirei. E porquê? Porque para isso deveria ter sempre acesso “à outra parte”, aquela que é focada, muitas vezes acusada sem possibilidades de defesa. Para esse contraditório, sempre que me é possível, sobretudo quando não se trata de pessoas “enclausuradas” num pedestal –refíro-me aos políticos, obviamente- eu vou lá, ou telefono, para ouvir a sua versão, antes de escrever aqui o que quer que seja. Quando se trata de pessoas a ocuparem cargos políticos, é lógico que não posso fazer isso. Se o fizesse, até se riam da minha ingenuidade. Não me é difícil adivinhar o seu ar de gozo: “ o senhor é de onde, de quê? Questões Nacionais…quê? Um blogue?...Não, não sei o que isso é! Além disso, não leio blogues, exceptuando o dos meu filhos!”.
Continuando a minha explanação, dizia eu cima, para que conste para a história, até 2002, no consulado do anterior presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, as iluminações natalícias, de rua a rua, eram da inteira responsabilidade dos comerciantes dessas artérias. Posso afirmá-lo, era extremamente complicado. Ou melhor, era penoso. Normalmente, havia sempre dois ou três “carolas” –todos os anos sempre os mesmos- que, com prejuízo das suas vidas, se disponibilizavam a contribuir para enfeitar as suas ruas no período de Natal. Tinha de se andar de loja em loja a “pedinchar” para se arranjar uma verba que servisse minimamente para fazer uma decoração razoável. Uns davam uma verba, outros prometiam dar e depois dos arcos colocados não davam…porque não gostavam. Outros, duma forma descarada, diziam que as ornamentações natalícias não faziam falta nenhuma, embora, como se sabe, no fim usufruíam todos da alegoria. Depois, acontecia uma coisa engraçada, como as verbas doadas eram díspares, dentro das possibilidades de cada um, quase sempre, os que davam menos eram os primeiros a apontar o dedo à “comissão de festas”. “Que estava uma porcaria, que não estava nada de jeito, etc”. Ou seja, os “desgraçados” que tomavam a seu cargo os enfeites da rua estavam sempre tramados. Como se deve calcular havia ruas que não eram iluminadas.
A partir de 2002, com a subida deste executivo de coligação PSD, e, honra lhe seja feita, foi o então vice-presidente da autarquia, Pina Prata, e, à mesma altura, presidente da ACIC, quem conhecendo, melhor do que ninguém, as dificuldades destes D. Quixotes, chamou a si, como quem diz à câmara, o planeamento e o custo das ornamentações de Natal. Saliento que noutras cidades do país tal prática era corrente há muitos anos.
Com esta centralização, se por um lado se acabaram as dificuldades de verbas, por outro, como é hábito, criaram-se outros problemas.
A Baixa, para quem não sabe, é como uma grande família com dois filhos. Um, o varão, o mais velho, interessado, polido, lustroso, bem sucedido, e muito bem relacionado. É o “espelho” das esperanças do pai. O filho mais novo, inseguro, franzino, desinteressado, enfezado, e, ainda por cima, faz-se acompanhar de más-companhias.
Explicando a metáfora, na Baixa, o “filho-varão” é o Largo da Portagem, Ruas Ferreira Borges, Visconde da luz, Praça 8 de Maio e Rua da Sofia.
Continuando a representação simbólica, o “filho enfezado” é toda a zona limítrofe, constituída pelos largos, becos, ruelas, ruas estreitas e até a Avenida Fernão de Magalhães. Se perguntarem a qualquer um comerciante desta zona verão que assim é. Devo esclarecer que este “complexo de Édipo” –considerando a autarquia o pai e a justiça a mãe- já vem de longe, não é de agora, embora nos últimos anos aumentasse este sentimento de discriminação.
Claro que a partir de 2002, este complexo Freudiano acentuou-se em relação às iluminações de Natal. Por mais que o pai (autarquia) tente mostrar que, em relação aos dois filhos (Baixa e baixinha), é justo e equitativo na distribuição, a baixinha não acredita na isenção do progenitor e considera-o um obstáculo para chegar à mãe justiça.
E porquê? Porque nestas artérias principais assiste-se a uma iluminação de luxo e nas outras artérias estreitas é assim um enfeitar por enfeitar. Para quem cá vive e convive é um contentamento descontente. Como se isso não chegasse, há Largos, com várias lojas, que nem um simples arco de luzes merecem. Pode até concluir-se que os critérios por mais justos que tentem ser serão sempre injustos para alguém. Nunca se pode agradar a gregos e a troianos. É verdade, mas…não há fumo sem fogo.
O que quero dizer é que os juízos de valor ficarão sempre no livre arbítrio de quem se julgar lesado.
Digo também que é obrigação institucional da autarquia ouvir qualquer um munícipe que se sinta lesado, quer nestas questões natalícias, quer noutras quaisquer. E na apreciação do problema, ao escutar os queixumes não deve partir de conceitos apriorísticos, se assim fizer, corre o risco de, para além de não corresponder ao apelo, ser injusto. E mais: para além da frustração de não ver os seus anseios resolvidos, cria no requerente um sentimento de antipatia.
Veja bem o que escrevi para contar a história que virá a seguir. Você, leitor, tem mesmo de ter pachorra…

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

UM METRO CURTO E SEM AMBIÇÃO


(COMO NUNCA PUDE IR A FRANKFURT, COM UM SORRISO MALANDRO, SURRIPIEI ESTA FOTO NO BLOGUE "PIOLHO DA SOLUM")


  De vez em quando o Rádio Clube Português (de Coimbra), tal como a outros ouvintes, pede-me para comentar temas diversos sobre a cidade. Hoje a pergunta era sobre o Metro Ligeiro de Superfície (MLS) e se concordava com o seu traçado.
Tal como afirmei no programa em directo, volto a reiterar, para além do que leio nos jornais, pouco sei. Uma coisa é a informação, outra é o conhecimento, o “mergulhar” no processo. Por outras palavras, digo aqui com humildade, sou um comentador de “trazer por casa”. Daqueles que embora tendo uma opinião é pouco credível pela sua ligeireza.
E o que disse eu sobre o Metro, interroga você, com alguma curiosidade, sobre o que pensa o comentador “expert” generalista?
Como já o pensava antes, não me foi difícil dizer que este plano de ramificação do MSL é pouquíssimo ambicioso. E esta falta de ambição, em minha opinião, vai ser-lhe fatal.
Coimbra é uma cidade demasiadamente instável em fluxos de pessoas. Os seus habitantes, na maioria residentes estudantes (cerca de 40.000), são ambivalentes: de Segunda a Sexta-feira vêm de fora para dentro, como se o centro da cidade fosse o seu núcleo central de atracção, e de Sexta a Domingo à noite a cidade fica deserta e reduzida à sua ínfima condição de urbana dependente do sub-urbano. Então e isto quer dizer o quê? Quer dizer que para um investimento de milhões ser viável terá de funcionar todos os dias. Pois!, pensa você, mas se a cidade é assim como é possível inverter a convergência de pessoas?
Seria possível se este MSL não fosse um projecto de “dentro para dentro”. Contrariamente, deveria ser um plano abrangente, em que abarcasse os concelhos limítrofes, de fora para dentro da cidade. Deveria ter sido criada uma zona metropolitana (o nome é irrelevante) que, numa espécie de círculo em torno do concelho de Coimbra, assimilasse as localidades da Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Granja do Ulmeiro, Soure, Condeixa, Lousã e Mortágua. De modo a trazer pessoas destas áreas circundantes para Coimbra.
Como é um projecto megalómano criado para uma grande cidade e não propriamente para uma média cidade com um concelho de cerca de 140.000 habitantes, ainda para mais de afluxo migratório inconstante, o seu tempo vindouro –sem querer ser ave de mau agoiro- terá o mesmo futuro que o MSL de Mirandela. Ou seja, uns milhões de défice mensal para acabar inactivo.
Porque é que será megalómano?, e não sou original a escrevê-lo, é que estas cidades médias em vez de apostarem numa boa rede de transportes públicos, se possível, não poluentes, conservando a sua originalidade, na simplicidade, querem o impossível, e depois quem vai pagar a factura é o “povo”, ou seja, toda a imensa massa abstracta de contribuintes futuros.
E, no tocante a transportes urbanos, o que é que se tem feito em Coimbra? Acabou-se com os eléctricos, quase se extinguiram os velhos tróleis, e o que resta são os autocarros…que servem mal as localidades limítrofes.
Nos últimos anos, em políticas de transportes, a cidade tem andado ao “deus dará”. Por um lado tem-se apelado a que não se traga carro para o centro, mas, antagonicamente, os transportes colectivos servem mal, e, por outro lado, incompreensivelmente, assistiu-se, nos últimos anos a uma desenfreada construção de parques de estacionamento na Baixa. E continuam mais em construção. E não é tudo: é que a maioria, por ser muito caro, maioritariamente estão vazios. E mais: durante a noite estão às moscas, quando, se fosse contratualizado pela autarquia, deveriam servir para os moradores da Baixa terem os seus automóveis. Não faz sentido ter os veículos espalhados pelo centro histórico quando, à noite, os parques subterrâneos são fantasmas de ninguém.
Como se sabe, proximamente estão previstos mais dois, um na Praça da República e outro na Praça D. Dinis, junto à Universidade. Faz sentido isto? Se calhar faz, eu é que sou mesmo do contra…nada me contenta.
Ainda referente à construção do traçado do MSL pela Baixa, o corte, com a demolição de casario medieval, entre o Largo das Olarias e a Praça 8 de Maio, num centro histórico como Coimbra, foi simplesmente criminoso.
Quanto ao traçado em si, e de acordo com o meu vizinho, o blogue “Piolho da Solum”, penso também que se a sua passagem nas Ruas General Humberto Delgado e D. João III contribuírem para retirar tráfego automóvel é óptimo, se for aumentar a confusão o futuro, naquela zona, será andar ao centímetro.
Eu sei que estou a ser longo, como sempre, mas ainda digo mais, com a futura construção da Estação B a norte, tudo indica que a Estação-Nova irá ser desmantelada ao tráfego ferroviário. Se disser que este acto vai ser catastrófico para a Baixa, tenho a certeza que não exagero.
Há cerca de um ano, um amigo meu, “um granda maluco”, deu-se ao trabalho de um dia da semana, das 06 às 10.00 horas, contar as pessoas que “aportam” nesta Estação A de Coimbra. Sabem qual foi o número impressionante a que chegou? Segundo as suas contas, cerca de 3.000 utentes dos comboios afluem ao centro da cidade. Alguém já pensou nas consequências para a Baixa da supressão deste histórico “cais” de embarque e desembarque?