quarta-feira, 10 de setembro de 2008

UMA BAIXA MUITO EM BAIXO MAS QUE É POSSÍVEL DAR A VOLTA


(RUA DO ALMOXARIFE)

(O JORGE ELISEU ENCERROU ESTA CASA, DE MALAS E CARTEIRAS -NA RUA EDUARDO COELHO-, E TRANSFERIU-SE PARA UMA OUTRA MAIS PEQUENA NA RUA DAS PADEIRAS)


Nas últimas duas semanas encerraram estas duas lojas. Infelizmente, como praga lançada dos céus, os estabelecimentos vão caindo por terra. Parece uma guerra. Os mais frágeis, como carne para canhão, vão sendo trucidados pela infantaria dos novos costumes.
Há vários motivos para esta razia, mas, uma delas, é também o facto desta zona comercial ser demasiado padronizada. É quase tudo igual, sobretudo "pronto-a-vestir" e sapatarias, e isso já deu. Os tempos são do reviralho.
Pode ser que rapidamente as coisas mudem. Pessoalmente, ainda que pareça o contrário, tenho muita esperança, sobretudo, nesta zona histórica. Aqui, por entre pedras centenárias, reside o futuro. Quem puder investir, faça-o agora. É altura certa para comprar.
Se quiser apostar no comércio, vá para negócios de vanguarda, alternativos ao que há por aqui, como por exemplo, livros usados, antiguidades e velharias; Galerias de arte com café; Estabelecimentos de consertos em profissões em desaparecimento; Uma boa mercearia fina, com móveis em réplica do antigo.
Aposte, sem medo, em hotelaria de qualidade e que marque a diferença. Por exemplo, numa boa casa de chá, com bolinhos caseiros; Uma boa casa de bombons e chocolates; Uma Tasca portuguesa, com móveis em réplica do antigo, com as frentes de pipas acopladas nas paredes, com ambiente revivalista, e com aquelas sandes de sardinha de pasta e de escabeche do nosso encantamento; Uma gelataria, se possível com gelado caseiro, de qualidade, para fugir ao estandardizado; Aposte na hotelaria com animação, se possível fado de Coimbra ou Cabaret, este é o verdadeiro ovo de Colombo destas zonas velhas.
Se tiver muito dinheiro e não souber o que lhe fazer, adquira um grande navio, já abatido ao activo, depois de licenciado, coloque-o, inactivo, no rio mondego, ao lado da Estação Nova, e faça dele o "QUEEN MARY" e o investimento do meu sonho. Ao nível da avenida, no convés, faça restaurante e café-esplanada; dos andares inferiores faça restaurante com orquestra residente, salão de baile e fados de Coimbra; Salão de Cabaret, anos vinte; Casino; Discoteca; Residencial, e tudo mais que lhe aprouver. Parece-lhe utópico? Não creio. É aposta ganha pela certa, desde que invista o seu dinheiro. Ou seja, sem recurso ao crédito.
Se, pelo contrário, gosta mesmo de comércio, aposte, com algum cuidado, em estabelecimentos de artesanato nacional e internacional de qualidade, etc.
Fuja de vender "trapos" e sapatos. Aposte em horários alargados, muito para além das 19 horas. Entre pela noite dentro. Esse é o caminho certo.
Se possível compre o espaço físico. No limite, e na impossibilidade de comprar, pague trespasse se for residual e de renda comportável. Nada de rendas de loucura, mesmo que seja uma ideia genial.
"Isto" vai dar a volta, mas vai levar o seu tempo. Por isso, aja com precaução. Caldos de galinha e cautelas nunca fizeram mal a ninguém.
Se assim fizer, com ponderação, verá que a médio prazo será uma aposta ganha. Acredite. Vá por mim. Eu estou cá. Se precisar de um consultor...

OLHA QUEM FALA!!





“Pina Prata acusa presidente de especulação imobiliária”, in Diário de Coimbra de hoje, em título de “Caixa Alta”.
Em subtítulo, “Carlos Encarnação é, para o Vereador Pina Prata, “um homem sem escrúpulos, que não tem coluna vertebral, degenera aos seus e à sua família política.”
Confesso que sou lerdo, por isso não estranhem, e, assim sendo, vou fazer uma perguntita inocente: mas o senhor Pina não é da mesma “família política”?
Continuando o silogismo, e na hipótese de afirmação, se o Carlos da Rua das Fangas é invertebrado, e, sendo da mesma família partidária do Prata, quererá dizer que este ex-vice do Encarnação, certamente, também não terá espinha dorsal. Será assim?
Ufa! Fogo! Fiquei com os miolos a deitar fumo. O que uma pessoa sofre para ler nas entrelinhas.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

BEM PREGA FREI TOMÁZ...





Finalmente, há uma semana, foram retirados os ferros de suporte de um prédio na Rua Velha, propriedade da Câmara Municipal, que, perdidos nas calendas, estiveram cerca de três anos para conclusão das obras. Como se sabe, presumivelmente, estas estruturas deram origem, ou pelo menos facilitaram o acesso, através de arrombamento, a um estabelecimento, “paredes-meias, de hotelaria, a “Tasca da D. Graça”, que, por este motivo, entre outros, foi assaltada 15 vezes. O estrago foi tão grande, entre perdas financeiras e psicológicas, que ia mandando a D. Graça para o “charco”. O julgamento de ressarcimento, tendo a autarquia de Coimbra como ré, será no próximo Outubro.
Continuando então, foram retirados os ferros que estavam enterrados na rua atapetados de “calçada portuguesa”. Agora vejam –olhem as fotos-, no “desenrasca portuga”, como preencheram os buracos de calçada.
Já viram? Pois, é isso mesmo, cimento no meio da calçada. E se fosse um particular a fazer isto, como reagiria a autarquia?

VÁ (DES)ZELAR PARA OUTRA FREGUESIA



“É preferível apoiar as pequenas e médias empresas (PME) através de linhas de crédito bonificado, caso o orçamento o permita, do que reduzir a fiscalidade. (…) É preferível apoiar as PME através de linhas de crédito bonificadas do que baixar impostos”, Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, reagindo ao anúncio do Governo de disponibilizar, em Outubro, uma nova linha de crédito para as PME, in Diário as Beiras de hoje.
Com um timoneiro destes à frente da indústria portuguesa, as pequenas unidades industriais não precisam de inimigos.
Estou certo que o senhor “Chico”não deve ler jornais e muito menos ter contacto com a realidade do país.
Se lesse um qualquer diário nacional ou regional, até poderá ser “As Beiras”, veria, diariamente, as constantes execuções fiscais de firmas, quer comerciais, quer industriais.
Para que serve o crédito bonificado se não houver uma redução, ou mesmo total isenção de impostos, em empresas cujos custos fixos excedem os proveitos? Claro que se o senhor “Chico” respondesse, tal como os políticos, seus parceiros de caminhada partidária, responderia: “Que quer? As empresas são como as pessoas, nascem e morrem. Se não são viáveis só resta o seu encerramento!”
Claro que o senhor “Chico”, tal como outros colegas líderes associativos, também pode sofrer de miopia, e, nesse caso, necessariamente, precisa de óculos.
Pode também sofrer de Alzheimer e não saber. O melhor, pelo sim pelo não, é ir ao médico.
E, já agora, que se faz tarde, meta umas férias longas e vá para longe.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O CREPÚSCULO DO VERÃO



Finda Agosto decrescente,
és o meu mês de eleição,
vem Setembro lentamente,
embrulhado normalmente,
leva a sombra do meu verão;
Lembra-me novamente a fuga,
lá se vai a minha esperança,
olho o espelho, estou mais velho,
se não fosse aquela ruga,
parecia uma criança;
Ainda não foi desta que concretizei,
aquela tal viagem tão sonhada,
vai ser para o ano, juro que irei,
é certo que nos anteriores também jurei,
e sempre a inscrevi na coluna de “adiada”;
Os dias, como a vida, estão a minguar,
o calor, como a alma, vai esfriando,
a andorinha, do meu beiral, vai-me deixar,
as folhas, nos plátanos, vão secando,
o Outono, naquela chuva miúda, vai entrar;
A beleza das mulheres vai ser mais restringida,
as ruas vão ficar mais tristes, sem consolo,
as saias, como um inverno anunciado, vão descer,
a gola alta vai tapar um lindo colo,
a barriguinha vai crescer e deixar de ser fingida;

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A LEI DA VIDA



(FÁBRICA DESACTIVADA DE TELHA E TIJOLO EM VILA NOVA DE MONSARROS)

Enquanto fui nova, fui querida,
num tempo sem grande solução,
era possuída por alguns, acarinhada,
no meu ventre, como mãe que dava vida,
recebia o esperma em barro vermelhão,
em gravidezes, paria telhas, tijolos, era admirada,
dava trabalho a muitos filhos, numa sofreguidão sentida,
envelheci, os “meus amantes” largaram o meu coração,
vieram outras máquinas mais esbeltas, mais caprichadas,
faziam-lhes coisas, outros prazeres, eram mais sabidas,
aos poucos, fui ficando desleixada, sem comiseração,
de pouco valeu o grito das outras, como eu abandonadas,
fui perdendo a minha cobertura, agora tão desvalidas,
outrora garbosa, como cabelo, símbolo e orgulho da nação,
hoje sou a sombra de uma vida cheia, mas que não resta nada,
nem a história me lembra, nem a memória me convida,
só a lua, como companheira amiga, me projecta a solidão,
de mim já pouco existe, já nem sequer sou falada,
erecta, só me resta a chaminé, como símbolo fálico de vida.

UM CASO PEDREGULHOSO NA JUSTIÇA



O caso Paulo Pedroso está aí na boca de toda a gente. Como se sabe, este dirigente do PS viu-se envolvido, em 2003, no “escândalo Casa Pia”. Segundo o Jornal Público, “É a 21 de Maio de 2003 que o Juiz Rui Teixeira pessoalmente pede o levantamento da imunidade parlamentar do deputado, para que “seja detido, constituído arguido e presente a um primeiro interrogatório judicial.” O próprio Pedroso anuncia-o numa conferência de imprensa no Parlamento.”
Continuando a citar o jornal, “No final desse dia, Pedroso sai do Parlamento para o Tribunal de Instrução Criminal, onde é interrogado durante a noite e a madrugada por suspeita de envolvimento em 15 crimes relacionados com práticas sexuais com menores. Na manhã seguinte é detido preventivamente, seguindo para o Estabelecimento Prisional de Lisboa, de onde só sairá 4,5 meses depois.”
Agora, como se sabe, em primeira instância, Pedroso ganhou a acção contra o Estado Português por ter estado preso preventivamente. Segundo o acórdão condenatório, “os indícios eram insuficientes para imputar ao arguido qualquer crime concreto (…) para além de mais “não ocorriam os perigos de perturbação do inquérito e da ordem e tranquilidade pública”, alegados pelo procurador João Guerra e ratificados pelo Juiz de Instrução Rui Teixeira.
E aqui começa o calvário para entender as diversas posições, do Ministério Público, do Juiz de instrução e agora a sentença das Varas Cíveis do Tribunal da Relação de Lisboa.
Comecemos pelo procurador João Guerra. Ao propor ao Juiz de Instrução a Prisão preventiva de Paulo Pedroso, certamente fê-lo perante os fortes indícios de culpabilidade em presença e só assim se entende que os seus argumentos convencessem o Juiz Rui Teixeira, e este desse seguimento à prisão preventiva.
Com o sabemos o Ministério Público e o Juiz de Instrução são dois pilares fundamentais do edifício da justiça, que actuando interligados, são órgãos independentes entre si. Ora aqui já podemos começar pelas interrogações. Se há época seriam indícios demolidores para os dois pilares de um órgão de soberania (tribunal), como é que hoje, à luz do Tribunal da Relação de Lisboa, os elementos de prova eram insuficientes para imputar ao arguido qualquer crime concreto? Considerando despiciendos os juízos de valor, uma interrogação ressalta à vista: serão estes dois homens, João Guerra e Rui Teixeira, tão negligentes ao ponto de, no caso em análise, sem uma ponderação exigível, optarem, os dois, arbitrariamente, pela medida de coacção mais grave?
Continuando a especular, como se falou à época, poderemos também entender este ilegal procedimento dentro da tese de cabala para destruir a cúpula do PS? E estes dois homens, experimentados profissionais, iriam arriscar as suas carreiras para, duma forma manipuladora de indícios, restringir o curso político partidário do país, coarctando, através de um escândalo, o Partido Socialista? Há muitas perguntas que ficam sem resposta, mas a procissão ainda agora vai no adro. Estou em crer que o recurso do Ministério Público para o Supremo, e através do futuro acórdão (procedente ou improcedente) irá dar luz neste caso que, infelizmente, a ser verdade, a sentença das Varas Cíveis de Lisboa, mais uma vez envergonha a justiça portuguesa.
Poderemos, no limite, desvalorizar as acções do proponente João Guerra e executiva de Rui Teixeira, tendo em apreço que há época quase todos os crimes com moldura penal para além de três anos levavam a chancela de prisão preventiva, sem ter em conta que essa medida coactiva é um instituto excepcional de salvaguarda, de prevenção social. Mas mesmo assim, neste qui pro quo, continuamos cheios de interrogações.
Levando em consideração que após a fase de inquérito não foi deduzida acusação contra o ex-deputado, naquela altura, aquando da detenção, os factos probatórios poderiam não oferecer dúvidas aos dois magistrados. Seria assim? Ou, pelo contrário, as provas eram realmente baseadas em pequenos indícios, em minudências, e estamos, conforme diz a juíza Amélia Lopo, perante “um erro grosseiro”, um “excesso de zelo”, um “abuso de direito”? Para a dignificação da justiça, era bom que estas questões fossem respondidas nos quesitos do próximo acórdão do Supremo.
Por outro lado, todos sabemos que a pirâmide da justiça em Portugal está velha e caduca. Não se modernizou, não acompanhou o progresso e o desenvolvimento social. Quem entra num tribunal apercebe-se do que digo, que aliás as palavras não são minhas, são de Marinho Pinto, o actual bastonário dos advogados, que, pelo menos aqui, no chamar a atenção para as assimetrias e anacronismo da justiça, tem todo o mérito.
Se por um lado, a justiça, no seu pragmatismo, continua na época das luzes, finais do século XVIII e seguintes, por outro, aparentemente, tornou-se mais humanitária. Aboliu-se a pena de morte e consagrou-se a vida como o primado da lei. Porém, nos tempos que correm, o que se assiste é a um desvalorizar contínuo do valor pessoa-vida. Diariamente, quase escandalosamente, constatamos que o custo de uma vida pode ser ressarcido com uma pena suspensa ou trabalho comunitário, ou até em importância monetária…que nunca será paga pelo homicida.
Curiosamente, ou não, a escola Constitucional de Coimbra, conotada com a esquerda, numa obsessão por Direitos, Liberdades e Garantias para os arguidos tem contribuído para essa despenalização. Já a escola de Penal desta cidade, com ligações à direita, é mais pragmática com penas mais proporcionais e de acordo com alguma racionalidade.
Esta recente alteração aos códigos Penal e Processo, feita pela escola de Lisboa, relacionada com a esquerda, veio a dar no que estamos a assistir, ou seja: ninguém se entende.
Parafraseando um bom articulista, Santana-Maia Leonardo, “Para o centro-direita, os homens são capazes do Bem e do Mal, cabendo à sociedade discipliná-los e orientá-los para o Bem; para a esquerda socialista, o Bem e o Mal são conceitos relativos. O centro-direita preocupa-se com a segurança de pessoas e bens, defendendo as forças da ordem e coloca-se ao lado das vítimas; a esquerda socialista preocupa-se com as garantias de defesa do arguido, tem sempre uma justificação sociológica para o crime e acha sempre excessiva a intervenção da polícia.”