
A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) está a organizar um jantar de Natal para comerciantes e funcionários –associados e outros. Embora se reconheça que foi em cima do joelho que se pensou neste convívio, tal “entrave” não é da sua responsabilidade. Foi um associado que, perante um jantar da Rua das Padeiras, na semana passada, deu a ideia de se preparar um encontro alargado a todos. Mesmo assim, ontem, Quinta-Feira, o Diário de Coimbra, em notícia, fazia referência ao evento.
Seria de supor que, tendo em conta o momento de entre várias crises e salientando a social, as pessoas, numa altura em que cada um chora para seu lado o seu fado desgraçadinho, fizessem um esforço para estarem juntas. Até porque, e não querendo ser drástico ou dramático, em boa verdade, não se sabe quantos de nós estaremos cá daqui a um ano a exercer a actividade. O momento que o comércio de rua atravessa é realmente pungente. Para além disso, e este é um facto indiscutível, existencialmente, estamos mesmo a prazo, não se sabe quantos de nós, fisicamente, estaremos cá para o ano com vida e saúde. Isto para dizer que há várias razões para os comerciantes, mesmo fazendo um pequeno esforço financeiro, se juntarem num simples jantar de Natal.
Tendo em conta que só a Rua das Padeiras juntou 25 pessoas, então, será de supor que muitas dezenas, senão centenas estarão presentes amanhã no Salão Brazil. Será assim?
Antes de dizer o número de inscrições, para reflexão, vou contar a minha experiência. Apesar de alguns associados da APBC já terem sido contactados pela funcionária Ana, e porque nem todos têm vínculo à agência, hoje, durante cerca de duas horas, dei a volta a quase todos os estabelecimentos nestas ruas estreitas e, sempre que estivesse presente, falei com o proprietário. Por uma questão de análise, vou tentar retratar o quadro:
-Bom dia. Passou bem? Já sabe que amanhã vai haver um jantar-convívio para comerciantes e funcionários no Salão Brazil e organizado pela APBC? Ontem veio no Diário de Coimbra, não sei se leu. O custo é 10 euros por pessoa. Quer participar?
- (começa por olhar para mim da mesma forma que se olha para o cobrador de impostos)… hã?... amanhã? Que dia é amanhã?... Hã?... Ai, não posso! Já tenho um jantar marcado lá na terra!
Outro tipo de resposta comum que recebi: “… Hã?... Jantar?...Hã… eu não alinho nisso. Jantaradas não é comigo. Não gosto!”
Outro ainda: “… hã? Jantar de quê…? Hã?... não… não posso… sou diabético!”
E mais um: “… O quê? ... Jantar? … Quando? … Amanhã?... Que dia é amanhã? Sábado? Ah… é muito em cima. Já tenho coisas marcadas!”
E já agora só mais outro: “… Quê? Jantar?... Oh… isso serve para quê? Isso não serve para nada. Se fosse para resolver os nossos problemas…?!”
Bom, sejamos honestos, “desgraçadas” das funcionárias da APBC, que andam sempre a fazer o que eu fiz. Quem é que aguenta falar e tentar um diálogo construtivo com esta gente? O que apetece é mandá-los dar uma volta ao bilhar grande. Com comerciantes assim, não admira que o comércio não tenha qualquer força e esteja moribundo como está. A culpa pode ser de vários factores externos, mas um deles, mais que certo, é a falta de envolvimento dos operadores. Enfim, este é o quadro, quase genérico, dos comerciantes da Baixa.
Ah… é verdade! Quer saber quantas pessoas inscritas há para amanhã? … 20 pessoas ousaram sacrificar 10 euros para estarem juntas. Não é por nada, mas se eu riscasse alguma coisa na APBC, arranjava umas medalhas –nem que fosse de cortiça- para notabilizar esta vintena de pessoas. Tenho a certeza de que são fora do comum. Têm de ser especiais. É impossível fazerem parte dos restantes que enunciei. Haja Deus! Há sempre alguém que se salva!
Amigo Luís, já sabe que sou frontal, às vezes até de mais, mas não querendo generalizar, vou exteriorizar o que penso, gostem ou não gostem.
ResponderEliminarA maioria dos comerciantes, ressalvo, mesmo a maioria dos comerciantes têm o que merecem, querem que os outros “trabalhem” por eles e ainda pensam que são eles que mandam no mercado, mas estão enganados, quem manda no mercado são os consumidores.
Este jantar serviria para alem de socializarem e fraternizarem uns com outros, para exporem informalmente os seus problemas, apresentar soluções e aproveitavam um pouco de publicidade gratuita aos seus estabelecimentos.
Sou uma leitora assídua do seu blogue e atenta ao que se passa com o comércio tradicional de Coimbra.
ResponderEliminarAo que relata só quero expressar a minha indignação.
Os empresários da baixa de Coimbra, na sua maioria, não querem absolutamente nada.Uns estão de mala aviada, já deu o que tinha a dar-lhes, os outros são contra o associativismo, porque isso é coisa que os vai prejudicar (dizem eles) e os resistentes são uma minoria. É lamentável que nesta cidade as instituições existentes não tenham um pingo de vergonha para o que se passa no comércio tradicional.
Isto já é velho. A Coimbra dos doutores sempre esteve virada de costas para a cidade.
Obrigado ao Jorge, obrigado à Lurdes Pedroso pelos comentários. Nem preciso dizer o quanto estimo que sejam meus "clientes". Muito agradecido, sinceramente.
ResponderEliminarBom fim-de-semana.